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5.4 Definição dos níveis

5.4.5 Nível 5: QA Otimizada (Optimized QA)

O nível 5 visa a otimização das ações de garantia da qualidade ágil para a melhoria contínua do processo (conforme CMMI Nível 5 e MPS.BR Nível A). Estas ações já se encontram implementadas no projeto e na organização, inclusive com a coleta de dados quantitativos. Novos projetos, ou novas iterações de projetos em andamento, consideram resultados e lições aprendidas de projetos ou iterações anteriores para favorecer a inovação. As atividades de qualidade atuam de forma proativa a fim de minimizar as não conformidades e maximizar a satisfação do cliente. Isto inclui a prevenção de defeitos e o suporte na tomada de decisões. As áreas de processo do nível 5 são: Prevenção de Defeito (Defect Prevention – DFP) e Suporte à Tomada de Decisões (Decision Making Support – DMS).

5.4.5.1 Área de processo: Prevenção de Defeito (DFP)

a) Propósito

Identificar as causas de defeitos e outros problemas que possam dificultar as atividades de garantia da qualidade de processo e produto.

b) Resultados

- DFP 1: Defeitos são antecipados a partir das estatísticas coletadas e da experiência da equipe com as atividades de garantia da qualidade.

c) Produtos de trabalho

- DFP-WP 1: Relatório ou tabela de defeitos e dados associados.

d) Aderência a outros modelos

Está de acordo com a prática genérica “GP 5.2 Corrigir as Causas-Raiz dos Problemas” (Versão 1.2) de PPQA e o conceito de causa e prevenção da área CAR em CMMI (SEI, 2010). A detecção de defeitos é ressaltada no modelo AQAM (HONGYING; CHENG, 2011). O

modelo AMM (PATEL; RAMACHANDRAN, 2009) tem a prevenção de defeitos como um de seus objetivos.

e) Aderência a metodologias ágeis

Em metodologias ágeis a presença do cliente e as reuniões diárias contribuem para a prevenção de defeitos, porém nesta área de processo recomenda-se que a prevenção seja auxiliada por dados quantitativos. Para o Especialista B, as reuniões de planejamento, revisão e retrospectiva auxiliam esta área, considerando que: o planejamento facilita o entendimento das atividades, prevenindo defeitos na implementação; a revisão impede que uma funcionalidade não aprovada entre em produção, prevenindo defeitos em produção; e a retrospectiva pode identificar causas de defeitos ocorridos e evitá-los futuramente. Uma tabela é proposta como template para categorização de defeitos comuns, em Hongying e Cheng (2011). Ferramentas de gestão de projeto e controle de versões são sugeridas para auxiliar a implantação desta área (Especialista F).

5.4.5.2 Área de processo: Suporte à Tomada de Decisões (DMS)

a) Propósito

Apoiar a tomada de decisões que visem a melhoria contínua das atividades de garantia da qualidade e a inovação no contexto de projeto e organizacional.

b) Resultados

- DMS 1: Dados históricos dão suporte ao planejamento e melhoria contínua das atividades de garantia da qualidade.

c) Produtos de trabalho

- DMS-WP 1: Dados históricos obtidos junto ao repositório de produtos de trabalho de garantia da qualidade.

d) Aderência a outros modelos

Está de acordo com a prática genérica “GP 5.1 Assegurar Melhoria Contínua de Processo” (Versão 1.2) de PPQA e o conceito de gerenciamento proativo da área OPM em CMMI (SEI, 2010). Para Albuquerque (2005), os responsáveis pela qualidade devem atuar de maneira proativa na busca pela melhoria dos processos.

e) Aderência a metodologias ágeis

A aplicação desta área auxilia na tomada de decisões sobre planejamento, execução e percepção da garantia da qualidade, com eliminação de práticas e produtos de trabalho desnecessários, como sugerido pela prática remove waste (eliminar desperdício) da abordagem

Lean (POPPENDIECK, M.; POPPENDIECK, T., 2006). Práticas que promovam a comunicação e discussão, como as reuniões de planejamento da sprint com o time e as retrospectivas, podem contribuir nesta área (Especialista I). Tais práticas também podem contribuir com a geração de inovação em processo e produto.

5.5 Resumo do capítulo

Este capítulo apresentou um modelo de referência para a garantia da qualidade ágil (AgileQA-RM), detalhando seus níveis de maturidade e correspondentes áreas de processo, propósitos, resultados e produtos de trabalho. Este modelo levou em consideração as diretrizes definidas nos guias dos modelos de maturidade CMMI e MPS.BR. Valores e práticas ágeis, além de outros modelos, abordagens, resultados de revisões sistemáticas e de um estudo de caso, também foram considerados. O modelo proposto é composto por 5 níveis de maturidade, 18 áreas de processo, 43 resultados esperados e 31 produtos de trabalho informativos.

Este modelo pode ser utilizado por organizações que já possuem CMMI ou MPS.BR e desejam tornar seus processos em garantia da qualidade mais ágeis. Também pode ser utilizado por organizações que desejam iniciar um programa de garantia da qualidade ágil para processo e produto, possibilitando que futuramente essa organização venha a implementar a avaliação em um modelo de maturidade de âmbito geral, como CMMI ou MPS.BR. O próximo capítulo exemplifica um processo ágil para aplicação do AgileQA-RM. Uma avaliação do modelo proposto é realizada no Capítulo 7.

6 PROCESSO PARA GARANTIA DA QUALIDADE ÁGIL

A fim de exemplificar a aplicação do modelo de referência para a garantia da qualidade ágil (AgileQA-RM), proposto no Capítulo 5, tornando-a mais intuitiva nos níveis iniciais, neste capítulo é apresentada uma proposta de processo para a condução da garantia da qualidade ágil em ambientes que buscam combinar modelos de maturidade e metodologias ágeis. Para esta proposta foi considerado o ciclo de vida de Scrum devido à sua popularidade e aplicabilidade na indústria. Contudo, o processo pode ser facilmente adequado ao ciclo de vida de XP e outras metodologias ágeis. O processo é compatível com o nível 2 de maturidade do modelo proposto, aplicando todas as áreas de processo deste nível, além da área de processo referente a lições aprendidas (LLM), pertencente ao nível 3 do modelo. As demais áreas do modelo não são abordadas neste processo, porém exemplos de como as mesmas podem ser implementadas em ambientes com Scrum e XP são encontrados no item “e) Aderência a metodologias ágeis”, na descrição de cada área, disponível na Seção 5.4.

Ao apresentar um processo para garantia da qualidade este trabalho não tem o propósito de esgotar todas as possibilidades no contexto de desenvolvimento de software em uma organização, até porque o processo de desenvolvimento pode ser específico para cada projeto. Contudo, busca-se exemplificar um caminho, mais simples e com menor esforço, que poderá ser utilizado como ponto de partida para as organizações, em especial pequenas e médias empresas (PMEs), interessadas em atuar com modelos de maturidade e metodologias ágeis, adaptarem um processo de garantia da qualidade em seus projetos, sendo este aderente ao modelo de garantia da qualidade ágil proposto.