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Para garantia da validade deste estudo adotou-se as dimensões comumente abordadas na literatura, tais como constructo, interna, externa e confiabilidade (YIN, 2010). Estas são abordadas abaixo, seguidas das ações adotadas para atendê-las e das etapas da pesquisa nas quais foram aplicadas:

- Validade de Constructo: relacionada ao estabelecimento das medidas corretas de acordo com os conceitos que se pretende estudar e medir, consiste em adotar procedimentos a fim de resguardar a qualidade do que é medido na pesquisa. Para garanti-la neste trabalho foram adotadas múltiplas fontes de evidência, com entrevistas com membros da equipe de qualidade, consulta a documentação e observação, realizadas durante a coleta de dados, além do encadeamento das evidências por triangulação das informações. Os dados foram revisados por informantes chaves.

- Validade Interna: verifica se os resultados são consequência de condições e contexto relacionadas ao estudo. A validade interna foi verificada durante a análise dos dados, por meio do uso de Teoria Fundamentada para se chegar aos resultados e do tratamento de explanações concorrentes.

- Validade Externa: verifica a possibilidade de generalização dos resultados para outros domínios com conceitos similares. Naturalmente difícil de ser conseguida em estudos de caso, pois as realidades costumam variar de um domínio para outro. Neste trabalho buscou-se garantir essa validade definindo um protocolo com base em diretrizes apresentadas na literatura e estudos similares desenvolvidos anteriormente, bem como especificando as condições em que os fenômenos acontecem, estratégias de atuação sobre os mesmos e consequências.

- Confiabilidade: busca garantir que os procedimentos descritos ao serem seguidos por outros pesquisadores conduzirão aos mesmos resultados. Procurou-se explicitar os procedimentos, técnicas e coleta de dados, que se forem aplicados em condições similares poderão conduzir a explicações próximas ou iguais.

4.5 Considerações

Os dados apresentados neste estudo buscaram identificar como valores e práticas das metodologias ágeis são empregados para a garantia da qualidade em um ambiente com CMMI e MPS.BR. Não se trata de um estudo conclusivo, mas de um levantamento inicial sobre o tema, considerando a importância da área de garantia da qualidade e a demanda por estudos no

contexto de modelos de maturidade e metodologias ágeis. Foi considerado que os valores ágeis Indivíduos e Interação, Colaboração com o Cliente e Responder a Mudanças favorecem as atividades de garantia da qualidade. Por outro lado, o valor Software em Funcionamento, que tem como base a entrega constante de código funcional, foi visto como um desafio, uma vez que existe a necessidade de se documentar as atividades relacionadas à garantia da qualidade.

Com relação às práticas ágeis, foram identificadas como favoráveis à garantia da qualidade as seguintes práticas: Desenvolvimento em Sprint; Planejamento em Equipe; Comunicação Face a Face; Revisão por Pares; Retrospectivas; e Lições Aprendidas. As práticas ágeis não implementadas diretamente para a garantia da qualidade foram: Reuniões Diárias; Quadro de Tarefas; e Backlog. As práticas TDD, Programação em Par e Refatoração, embora citadas, não foram verificadas.

Valores e práticas ágeis aumentam a comunicação entre equipe de qualidade e equipe de desenvolvimento, por meio de indivíduos e interações; possibilitam a customização do processo e permitem maior compreensão sobre os requisitos do software que está sendo desenvolvido, por meio da colaboração com o cliente; e, por fim, contribuem para a identificação rápida de possíveis desvios, bem como a execução de ações de correção dos mesmos, por meio de respostas a mudanças. Estes aspectos resultam em software de melhor qualidade a ser entregue ao cliente. Dessa forma, a definição de um modelo de referência que estabeleça um guia para orientar a garantia da qualidade no contexto de metodologias ágeis, aproximando a equipe de qualidade à equipe de desenvolvimento, pode conduzir a maiores benefícios.

4.6 Resumo do capítulo

Neste capítulo foi apresentado um estudo de caso sobre a condução da garantia da qualidade com práticas ágeis, no contexto da indústria de software, representada por uma empresa com CMMI Nível 3 e MPS.BR Nível C e que utiliza metodologias ágeis, com destaque para Scrum. Aspectos como atividades, papéis, artefatos, ferramentas, entre outros, foram identificados. Também se verificou como os valores e práticas ágeis colaboram com as atividades de garantia da qualidade, com relação aos benefícios e desafios identificados. A partir dos resultados deste estudo de caso e das revisões descritas anteriormente, um modelo de referência para a garantia da qualidade ágil é proposto no próximo capítulo.

5 MODELO PARA GARANTIA DA QUALIDADE ÁGIL

Com o propósito de estabelecer um guia que oriente as organizações a implementar a área de garantia da qualidade de forma incremental, em complemento aos modelos de maturidade CMMI (SEI, 2010) e MPS.BR (SOFTEX, 2012), utilizando valores e práticas das metodologias ágeis, neste capítulo é apresentado um modelo de referência para a garantia da qualidade ágil, denominado AgileQA-RM (Agile Quality Assurance – Reference Model).

Este modelo busca contribuir com a superação dos desafios e limitações em garantia da qualidade, identificados nas revisões sistemáticas de literatura sobre o uso de modelos de maturidade em conjunto com metodologias ágeis, descritas no Capítulo 3, e no estudo de caso focado em garantia da qualidade e práticas ágeis, relatado no Capítulo 4. Um artigo sobre o modelo foi aprovado como trabalho completo e apresentado na 9th International Conference

on the Quality of Information and Communications Technology (QUATIC 2014), conforme

Selleri et al. (2014). O artigo recebeu a contribuição de outros pesquisadores (2 doutorandos, 2 mestres e o orientador deste trabalho). Um guia geral do modelo, incluindo o conteúdo deste capítulo, encontra-se disponível em <http://goo.gl/iVTm1i>.