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Capítulo III A criação do NAIA, a instalação da UIP e a implementação do

2. Núcleo de Atendimento Integrado de Americana (NAIA)

O local existente no município de Americana para recolhimento dos adolescentes infratores que aguardavam decisão judicial até o ano de 1997, era uma cela na sede da Guarda Municipal de Americana (GAMA). O atendimento era

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Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Econômico/PMA – Unidade de Serviços: CECAP – Centro de Capacitação Profissional e SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Americana..

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precário, uma vez que, além do local ser inadequado, os serviços dos diversos profissionais das áreas de Pedagogia, Serviço Social, Psicologia e Educação Física, sob a orientação do Promotor de Justiça e do Juiz da Vara da Infância e da Juventude, eram prestados de forma voluntária.

Em 1997, por ocasião da I Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizada no auditório da Escola Estadual “Dr. Heitor Penteado”, na cidade de Americana, iniciou-se uma discussão sobre a necessidade de, através do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, discutir-se um programa de atendimento para o adolescente autor de ato infracional.

As discussões ampliaram-se e envolveram técnicos da Fundação CASA, profissionais da Secretaria da Promoção Social da Prefeitura Municipal local e do Curso de Serviço Social do Centro UNISAL. Estes defendiam que a implantação do NAIA, nada mais seria do que a efetivação do previsto no ECA.

Um outro Fórum de Debates sobre o tema foi promovido pelo Centro UNISAL, tendo como participantes, dentre outros, o Juiz da Vara da Infância e Juventude e o Promotor de Justiça. Ambos fizeram a defesa da necessidade de se obter um espaço próprio para o desenvolvimento de um trabalho integrado entre o Poder Público e a sociedade civil, com o objetivo de atender o adolescente e seus familiares.

Analisando-se os resultados obtidos com a bem-sucedida experiência do Núcleo de Atendimento Integral (NAI) da cidade de São Carlos, Estado de São Paulo, implantado em 8 de dezembro de 2000, nasceu o desejo da criação de um espaço semelhante que se chamaria Núcleo de Atendimento Integrado de Americana (NAIA).

Enquanto as discussões caminhavam, começava a se formar uma comissão pró-NAIA, constituída por membros da sociedade civil, dos poderes públicos constituídos e de entidades e organizações sociais, interessados em concretizar essa importante política pública de atendimento aos adolescentes autores de atos infracionais. Logo de início, empreenderam visitas ao NAI em São Carlos.

Em 24 de dezembro de 2002, a Lei Municipal nº. 3.759 criou o NAIA, vinculando-o à Secretaria de Promoção Social do Município de Americana, cujos objetivos estão definidos no artigo 2º:

O NAIA tem por finalidade prestar colaboração para o cumprimento dos artigos 88, inciso V, e 171 à 190 do ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, buscando promover a integração de todos os órgãos envolvidos nesse processo, bem como oferecer acomodações adequadas e atendimento básico que facilite a reinserção do adolescente em conflito com a lei na sociedade, mediante o estudo, planejamento e ações voltadas para esse fim, desde o momento de sua apresentação ao órgão de Segurança Pública até o encaminhamento para sua internação ou aplicação de medida sócio-educativa. (Lei Municipal nº. 3.759/2002, art. 2º. Americana, São Paulo).

Em seu artigo 3º. a referida lei municipal prevê que, para a consecução de seus objetivos, o NAIA deverá:

I - acolher os adolescentes em conflito com a lei, com privação de liberdade e encaminhados pela autoridade competente, oferecendo-lhes acomodações e atendimento básico relacionados à cidadania, saúde, educação, esportes e lazer;

II - promover uma integração, agilização e articulação entre os órgãos executores, relativamente ao atendimento de adolescente a quem se atribua a autoria da prática de ato infracional e à sua família;

III - estabelecer contrato com os responsáveis pelo adolescente a quem se atribua a autoria de ato infracional, promovendo assistência sócio- pedagógica e apoio emocional, como forma de subsidiar a decisão judicial, conforme previsto no artigo 186 do Estatuto da Criança e do Adolescente; IV - contribuir de forma profilática quanto à prática do ato infracional praticada pelos adolescentes;

V - informar, divulgar e conscientizar a sociedade de modo geral quanto à importância de um atendimento eficaz, humano e educativo ao adolescente em conflito com a lei;

VI - executar programas de atendimento ao adolescente autor de ato infracional com privação de liberdade;

VII - estimular e promover a articulação das instituições públicas e privadas de fins congêneres em proveito dos respectivos programas e projetos; VIII - proporcionar a formação, o treinamento e o aperfeiçoamento do pessoal especializado e auxiliar do NAIA;

IX - propor a celebração de convênios, termos de cooperação, contratos e parcerias com instituições públicas e privadas, em consonância com suas finalidades;

X - colaborar com o Juizado da Infância e da Juventude, dentro de suas possibilidades e finalidades.

Para a aplicação do previsto na Lei nº. 3.759/2002 e visando a implantação do NAIA, foi assinado um Protocolo de Cooperação Institucional com a finalidade de estabelecer um programa de cooperação e integração entre as partes envolvidas. Este Protocolo foi firmado pelas seguintes instituições: Prefeitura Municipal de Americana; Secretaria de Educação do Estado de São Paulo; Fundação CASA; Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo; Poder Judiciário; Ministério Público do Estado de São Paulo e Entidades da Sociedade Civil. Assim, o NAIA passou a ser composto pelos seguintes órgãos e entidades: Poder Judiciário:

Vara da Infância e da Juventude de Americana; Ministério Público: Promotoria da Infância e Juventude de Americana; Procuradoria de Assistência Jurídica; Secretaria Estadual de Segurança Pública; Secretaria Municipal de Promoção Social; Secretaria Estadual de Educação; Secretaria Municipal de Educação; Fundação CASA; Secretaria Municipal de Saúde; Secretaria Municipal de Cultura; Centro Universitário Salesiano (UNISAL); Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA); Conselho Tutelar; Entidades da Sociedade Civil e Escolas de Pais do Brasil.

Uma vez promulgada essa lei, restava materializá-la. Assim, nesse mesmo ano de 2002, surge uma proposta de local para a implantação do NAIA. Tratava-se das dependências de uma instituição que abriga adolescentes do sexo masculino em situação de risco, chamada Lar Batista, localizado no bairro Parque das Nações, em Americana. A proposta previa que o abrigo continuaria funcionando da mesma forma, realizadas algumas adaptações no prédio para a instalação do NAIA. No entanto, devido a pressões políticas contrárias e à resistência por parte de alguns moradores do bairro, a população mobilizou-se e, através de uma assembléia realizada no dia 21 de fevereiro de 2003, da qual participaram também alunos dos Cursos de Serviço Social e de Direito do Centro UNISAL – que defenderam a instalação do Núcleo –, decidiu contrariamente à instalação da instituição naquele bairro. Nem mesmo a palestra proferida pelo padre co-fundador do NAI de São Carlos, que esclareceu aos presentes em que consistia o projeto, conseguiu convencer a maioria dos presentes de sua importância e viabilidade.

Após esse desfecho, a comissão pró-NAIA buscou outros imóveis, atendendo a determinação da Prefeitura Municipal, que se comprometeu a locar aquele que fosse compatível com as necessidades do Núcleo. Várias tentativas foram feitas, todas frustradas, devido à resistência da população vizinha dos prédios pretendidos.

O impasse quanto ao local para a instalação do NAIA, há muito vinha provocando reações por parte do Promotor de Justiça da Infância e da Juventude, do Juiz da Infância e Juventude e da presidente da Comissão pró-NAIA, que instavam o prefeito municipal a decidir sobre o assunto. Strózzi (2004, p. 4) publicou em periódico local, matéria referente a uma audiência pública realizada na Câmara dos Vereadores de Americana, da qual participaram as autoridades citadas, que cobraram definição do Poder Público Municipal a esse respeito.

Apesar da celeuma as lutas foram vitoriosas, e a busca pelo espaço físico adequado finalmente terminou, ao ser alugado o prédio da Avenida da Saudade nº. 65, na Vila Cordenonsi, para abrigar o tão sonhado NAIA. Sua inauguração ocorreu no dia 20 de abril de 2005.