3. ANÁLISE DOS DADOS
3.2 Análise dos núcleos de significação
3.2.2 Núcleos de significação – professora Mirela
O material coletado a partir da dinâmica conversacional feita pela participante da pesquisa, chamada de Mirela, permitiu a organização de 117 pré-indicadores. Após esse levantamento concretizamos a primeira parte da análise dos dados e destacamos as significações de seis indicadores. São eles:
1. Formação acadêmica permeando a história do professor; 2. Situações que constituem a concepção do fazer pedagógico;
3. Ações que aprimoram a ótica do professor a respeito do aluno e seus familiares; 4. A importância da família no contexto escolar;
5. A história do aluno na visão do professor;
6. Percepção da dimensão afetiva no processo ensino-aprendizagem nas práticas educativas.
Esse conjunto de indicadores permitiu a elaboração de três núcleos de significação, apresentados e analisados a seguir.
Núcleo I: A trajetória acadêmica e a vida profissional: “Eu que agradeço a oportunidade de compartilhar um pouquinho desse trabalho, que eu já faço há 20 anos”.
Esse núcleo é formado pelos indicadores 1, 2 e 3 (ver apêndices I e J), que tratam das vivências profissionais da professora Mirela (desde seus estudos na graduação em Pedagogia, cursos de especialização e ingresso na rede pública), mostra ainda a busca pelo aperfeiçoamento da profissão e revela habilidades constituídas na prática docente, ao longo dos vinte anos de magistério.
Em sua fala, Mirela destaca um significativo distanciamento entre teoria e prática: E a prática com a teoria da faculdade, elas tinham divergências, porque na faculdade, os textos, os teóricos, eles olhavam a criança como um ser igual, todos iguais.
Essa afirmação nos faz pensar em Sacristán (1988) quando diz que os erros conceituais pelo senso comum relacionados ao distanciamento da teoria com a prática indicam uma visão simplista, na qual os professores são responsáveis pela prática e os
estudiosos, pesquisadores ou filósofos pelas teorias. O autor toma essa ideia como mecanismo de defesa dos professores: se desconsideram a utilidade da teoria, é por falta de compreensão ou carência de oportunidade em apreendê-la em toda a sua complexidade, estando inaptos em utilizá-la em sua prática profissional.
A fala apresentada por Mirela sugere que a teoria apresentada no currículo do curso de Pedagogia distancia-se da realidade enfrentada pelos professores, em seu cotidiano escolar. Carr (1996) salienta que a educação é uma atividade teórica e prática, cujo objetivo central é desenvolver os alunos por meio do processo ensino-aprendizagem. Para o autor, o termo teoria tem dois significados diferentes: 1) produto comprovado cientificamente por meio de investigações pautadas em leis, princípios e explicações; 2) pensamento que estrutura uma atividade teórica. No contexto da educação:
A teoria da educação consiste em desenvolver teorias das práticas educativas, intrinsecamente relacionadas às próprias explicações que os profissionais dão ao que estão fazendo, com vistas a melhorar a qualidade de sua participação nessas práticas e, portanto, permitindo-lhes melhor exercê-las. (CARR, 1996, p. 61)
A professora Mirela conta com satisfação seu empenho em se aprimorar profissionalmente, e em suas significações mostra que com o tempo percebeu a importância de uma prática iluminada pela teoria, constatando ações que transformam a realidade com a qual lida em seu cotidiano.
Vale destacar, falas que denotam sua evolução:
Então, depois da pedagogia, eu fui fazer a pós-graduação em educação infantil, porque eu acreditava que isso ia me trazer mais recursos pra entender essa criança.
Então, eu comecei a estudar e fazer cursos de especialização, cursos de extensão pra se [sic] aprofundar e respeitar a diversidade que a gente tinha em sala de aula.
A gente sempre tem que estudar mais, pesquisar mais, se aprofundar mais, discutir com outra pessoa, que no caso é a direção, coordenadora, porque sempre tem outros olhares.
Neste caso, Freire (1999) explica que o professor precisa empenhar-se numa atividade reflexiva sobre sua prática pedagógica em sala de aula e na instituição em que trabalha. Para isso, é necessário gosto pelo estudo, caminho que facilita a atualização teórico-pedagógica que igualmente supera o saber do senso comum e obtém o saber epistemológico, que busca entender como se dá a conquista do conhecimento e as formas
pelas quais isso pode ser adquirido. Tomando como base o referencial teórico adotado, vale ressaltar que nele a atividade educativa não é considerada como mera prática e, sim como práxis, pois nela se articulam teoria e prática.
Contradizendo a premissa da dicotomia entre teoria e prática, citada com ênfase em seu relato, Mirela aponta ter percorrido um caminho reflexivo na constituição de seus estudos na graduação, nos cursos de especialização e vivência em sala de aula como professora, e revela ter aprendido de maneira significativa, constituindo-se professora.
Em sua jornada na educação, Mirela entendeu que o saber docente não é formado apenas da prática, suas significações apontam que a teoria tem importância fundamental na constituição docente. E essa teoria propicia ao professor olhares variados para ações contextualizadas. Pimenta (2005) acrescenta que os saberes teóricos e práticos se articulam, se ressignificam e são ressignificados simultaneamente. O papel da teoria é propiciar ao professor análises para compreender os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais e do próprio professor como profissional.
Mirela traz também em seu relato, a troca de saberes entre seus pares e a participação da coordenação pedagógica e da direção da escola na sua rotina e prática escolar.
Depois que eu fazia aquele registro, então, uma vez por semana, eu tinha uma reunião com a coordenadora pedagógica ou com a diretora e a gente ia discutindo. Porque eu contava o que eu tinha visto aquela semana, com aquelas crianças e o que me incomodava, o que me chamava atenção.
Então, a gente analisava se precisava chamar os pais ou quais as intervenções que a gente tinha que fazer.
E uma questão que é muito importante, que eu acredito que é imprescindível na prefeitura... Como são dois professores que passam por uma turma, a professora que chega às 15 horas, ela precisa chegar uns 10 minutinhos antes pra ter essa troca com a professora que ficou no primeiro turno.
E as reuniões com outros professores, porque a gente vai fazendo essas trocas e vai todo mundo crescendo junto.
E expressa que a ação docente é uma atividade teórico-prática e transformadora, marcada pela dialética e pela interação social.
Percebemos na fala da professora Mirela que a equipe pedagógica (corpo docente, coordenação e direção) faz análises constantes das práticas a partir das problematizações que surgem e da realidade dos projetos coletivos de investigação. A reflexão e o diálogo
exercido nesses encontros reconstroem a criticidade que favorece a compreensão da própria experiência individual e coletiva. Essa perspectiva interativa considera tanto os saberes e as necessidades dos professores quanto às perspectivas e interesses dos alunos como ponto de partida, provocando maior envolvimento de todos nas dinâmicas da escola, que passa a fortalecer o sentimento de pertença nos sujeitos envolvidos.
O docente, nas significações da professora Mirela, não se constitui de forma isolada, seus saberes devem ser partilhados e transformados a partir da troca de experiência e orientado por um suporte teórico-metodológico que possibilite uma reflexão coletiva, para assim assegurar a aprendizagem.
Mirela utiliza o diálogo para exercer a reflexão da prática pedagógica e manter boa relação com seus pares. Concomitantemente, compreende seus sentimentos e os elabora na busca de uma nova maneira de possibilitar um aprendizado de qualidade.
As mesmas ações acontecem em sala de aula:
Então, todos os dias quando eu entrava às três da tarde, eu já ia lá falar com ele: Oi, tudo bem? E percebia isso, mas eu tinha que encontrar um caminho dele contar o que estava acontecendo. Se era alguma insatisfação na escola, se era algum problema na família... E um dia, eu o abracei forte e falei: Você pode contar comigo pro que você precisar. Se você quiser me contar um dia algum problema ou alguma coisa boa na sua vida, eu estou aqui, junto com você. Aí nesse dia ele voltou. Ele sentou do meu lado e começou a contar que o pai dele tinha sido mandado embora do trabalho e que a família estava muito triste, porque a família é numerosa e como eles iam conseguir comprar comida sem o pai trabalhando. E a partir daquele dia, a gente começou a conversar todos os dias até que um dia ele contou pra mim que o pai tinha voltado a trabalhar. Então, foram situações que ele foi conseguindo expor o que ela estava sentindo, eu tenho certeza que na casa dele ele conseguiu ajudar a família emocionalmente nesse momento de tristeza, né? Eu já tenho um fato desagradável e ainda uma criança triste, isso corrói a família.
Só o fato de eu entrar na sala, com 25 crianças e eu ir até perto dele e falar: Boa tarde, você está bem? Tudo bem? Como que estão às coisas lá na sua casa?
[Falando da menina do cabelo crespo] Esse foi o primeiro caminho que eu sentia que ela ficava aliviada, que ele não se sentia sozinha, né, nessa história. E quando ele ia embora também, amanhã a gente está aqui. Está todo mundo junto, você é parte do nosso grupo e vai dar tudo certo. Eu acredito que esse apoio, né? Tem alguém que está me ajudando... Foi fundamental pra ela sentir aquele... Tirar um pouco o foco do problema dela e se envolver naquilo que a gente estava trabalhando que na época era sobre a diversidade musical. Então, ele conseguia participar, tocar os instrumentos, falar sobre isso, se manifestar, diferente de quando ela não conseguia colocar isso pra fora.
[Referindo-se ao aluno cujo pai foi demitido] Eu estava incomodada e a professora do primeiro turno também. E a gente precisava descobrir o que estava acontecendo. A princípio, nós achamos que era no jogo dele de futebol, que alguém estava excluindo ele, né? Por ele ter... Ele tinha um peso que destoava das demais crianças, então, a gente começou a prestar atenção se ele não estava passando por algum constrangimento nesse sentido. Então, no jogo de futebol, eu era a juíza, eu ficava lá perto. Enquanto as outras crianças estavam em outros espaços, né, dentro do parque, eu ficava ali observando, porque eu queria descobrir o que estava acontecendo com ele. Tanto eu quanto a professora do primeiro turno.
A gente conseguiu perceber isso. Eu e a outra professora. E depois quando o pai dele voltou a trabalhar, ele contou com tanta alegria que foi um peso que aliviou né? Parecia que ele carregava aquela responsabilidade também. Mas, eu tenho a certeza de quando a gente ficou sabendo e começou a conversar com ele sobre isso, ele sentiu que ele não estava carregando isso sozinho. Então, foi muito válido.
Em suas significações, Mirela mostra uma prática produtiva e efetiva. Freire (1999) afirma que para o aluno alcançar a aprendizagem e para tornar o ambiente escolar mais prazeroso, o professor tem a missão de direcionar os caminhos, incentivar, mediar, orientar, compreender e criar espaços alternativos para cada um de seus alunos, ou seja, ensinar com comprometimento. Esta nos parece a prática de Mirela.
Reparamos que Mirela inclui no seu fazer pedagógico a interação, troca de experiências e diálogos entre aluno versus professor, aluno versus aluno. Ela permite a liberdade de expressão, respeitando o ritmo e incentivando os alunos nos aspectos afetivos.
Antunes (2003) afirma que o professor deve conversar com o aluno e viabilizar a conversa entre eles, pois essa qualidade humana quando valorizada torna-se um instrumento primordial para um trabalho pedagógico essencial.
Você já vê a criança, como que ela vai conversar com você, então, logo no começo essa afetividade já é estabelecida. E depois no decorrer dos meses, você vai ampliando isso.
... As crianças vão pra escola e a gente tem aquela interação, você já estabeleceu um vínculo afetivo com eles.
... Então, cada um você vai permeando um caminho diferente, com o objetivo que tem que cumprir, com os parâmetros pra educação infantil, mas você vai conhecendo os caminhos que você chega lá partindo da história de cada um.
Ao expressar as significações que atribui aos aspectos afetivos Mirela nos permite inferir que a dimensão afetiva é um fator relevante nas relações interpessoais, pois o afeto do professor desperta sentimento bom e segurança no aluno. E este exerce ações positivas no seu meio social.
Suas significações apontam que a dimensão afetiva é imprescindível para lidar com a diversidade existente em sala de aula. Na visão de Leite (2012), as relações que são estabelecidas entre o aluno-conteúdo, escola-professor, também são marcadas pela afetividade. As relações não se estabelecem apenas entre as esferas cognitivas e intelectuais, mas provocam simultaneamente repercussões internas e subjetivas nos alunos, de natureza basicamente afetiva. Essas interações são constituídas por um complexo conjunto de variadas formas de atuação que se estabelecem entre o professor e o aluno, em que uma maneira de agir está intimamente relacionada à atuação anterior e determina, sobremaneira, o comportamento seguinte.
A professora Mirela se desvela como protagonista de suas ações pedagógicas e revela suas significações a respeito da dimensão afetiva também com as famílias dos alunos, conforme evidenciado no núcleo que será apresentado a seguir.
Núcleo II: Constituição da ótica docente: “cada uma tinha uma história de vida diferente e isso começou a me incomodar, porque eu não podia tratar todo mundo igual”.
O presente núcleo é formado pelos indicadores 4 e 5 e versa sobre como a professora Mirela enxerga o papel da família no contexto escolar e a importância de conhecer a história do aluno, sujeito que compõe o grupo da sala de aula.
A família é um dos primeiros meios de socialização da criança. Além de assegurar cuidado e bem-estar transmite seus valores, suas crenças e suas significações a respeito das influências culturais. Com ela a criança aprende várias maneiras de se comportar, ver o mundo e construir suas relações sociais.
Quando Mirela expressa:
E se a gente não tiver esse olhar e acolher também a família, o trabalho não fica completo.
E a mãe começou a se desprender disso. Ajudá-la a lidar com essa situação... e nós também, conversando com a mãe, olha, você viu que lindo essa faixa? Pra eles perceberem de maneira indireta, que ela não precisava fazer escova progressiva pra ela se sentir parte do grupo. Que ela fazia parte do grupo.
Quando eu ingressei na escola pública, que eu me deparei com uma dificuldade, com crianças com dificuldade de aprendizagem, com crianças com dificuldade de relacionamento, então, eu comecei a chamar essas famílias.
Valida que a criança ao ingressar na escola traz consigo suas relações afetivas, sociais e cognitivas imersas nas condições materiais, históricas e culturais de seu grupo social, ou seja, de sua família.
No meio familiar, a criança aprende a lidar com conflitos, controlar as emoções e expressar sentimentos que constituem as relações interpessoais. Essas habilidades sociais e sua forma de expressão têm efeito em outros ambientes, nesse caso a escola, com as quais a criança interage (Del Prette e Del Prette, 2001).
A família sendo orientada, ela ia conseguir dar uma qualidade de vida melhor pro filho.
Então, a família se sentindo segura, amparada e respeitada pelo professor e não acuada, ela começa a se movimentar pra aquilo que realmente a criança precisa.
Então, todos os dias tem um que é mais tímido, uma família que é mais extrovertida, então, você vai conhecendo o jeito da criança com o jeito da família e como você pode se aproximar deles.
Trazê-los para as reuniões de pais, para as reuniões de conselho à noite, então, é esse vínculo. Aí é uma responsabilidade do professor.
Que no decorrer a gente vai ter que ir fazendo essas intervenções, pra família se sentir segura em deixar a criança na escola, em confiar no professor e acontecer essas trocas.
Quando a família e a escola mantêm boas relações, as condições para um melhor aprendizado e desenvolvimento da criança podem ser maximizadas. Assim, pais e professores devem ser estimulados a discutir e buscar estratégias conjuntas e específicas ao seu papel, que resultem em novas opções e condições de ajuda mútua (Leite e Tassoni, 2002). A escola deve reconhecer a importância da colaboração dos pais na história e no projeto escolar dos alunos e auxiliar as famílias a exercerem seu papel na educação, na evolução e no sucesso profissional dos filhos e, concomitantemente, na transformação da sociedade.
Mirela, no decurso da dinâmica conversacional, disse que a família quando assistida pela escola motiva a produtividade escolar e o aproveitamento acadêmico; se não
houver proximidade com a professora, ela se distancia provocando no aluno desinteresse escolar e desvalorização da educação.
Notamos a necessidade da professora Mirela em conhecer o contexto familiar para estabelecer estratégias que facilitem sua dinâmica em sala de aula. Em suas significações, essa busca permite a compreensão do afeto, da livre expressão dos sentimentos, das trocas emocionais que acontecem de forma constante na vida das crianças e de como estas levam de casa para a escola e vice-versa. Com isso, Mirela elabora estratégias e faz orientações específicas para cada família e aluno, observando as características culturais e efetivando parcerias que aprimoram sua relação com o aluno, do aluno com seu processo de ensino- aprendizagem, do aluno com o aluno e seu meio, e finalmente do aluno com sua família e da família com a escola.
Nos seus trâmites educacionais, Mirela fala sobre relevância da história de vida de seus alunos.
E quando eu cheguei à sala de aula pra trabalhar com as crianças, cada uma tinha uma história de vida diferente, e isso começou a me incomodar, porque eu não podia tratar todo mundo igual.
Toda essa questão da vida da criança, a história de vida dela é muito importante, porque depois você entende algumas atitudes dela na sala, que tem a ver com essa vida que ela tem.
Então, você tem que ir fazendo uns ajustes pra que aquilo fique de acordo com o que você quer. E é bem isso que a gente trabalha na educação infantil. A gente traz a história de vida da criança, com os conhecimentos que a gente quer que ela adquira ...
E você tem que pensar que esse vínculo [afetivo], ele precisa ser estabelecido logo no começo do ano e você precisa conhecer as experiências de vida dela, pra que você interaja com essa criança e você tenha acesso a ela e tenha essa troca.
Porque aí você vai conseguindo as especificidades de cada um. E como você vai chegar nessa criança partindo dessa especificidade. Então, não que quando eu vou embora pra casa, eu desliguei. Não. Eu os levo comigo, porque eles fazem parte já, né, mas eu sei que não é um olhar de compaixão.
E entende que para proporcionar uma aprendizagem significativa é necessário conhecê-los. O passo seguinte é escolher e mediar conteúdos de forma que os alunos percebam a relação entre o que está aprendendo e sua vida prática. E exemplifica com o fato da aluna que não aceitava o cabelo crespo (ver pré-indicadores 38, 39, 40,44 e 45 do apêndice H). Prandini (2004) nos ajuda a entender as ações de Mirela quando salienta que
compete ao professor reconhecer a situação de seus alunos, incluindo seus afetos, norteando-os para uma aprendizagem significativa. Leite (2006) corrobora ao acentuar que é importante que o professor procure conhecer seus alunos, seus interesses, para assim encontrar o melhor meio para fazer a mediação entre o sujeito e o conhecimento.
O professor considera as especificidades do aluno e o enxerga como ser único quando passa a conhecer sua história de vida, seus medos, receios e perspectivas.
Mais uma vez, as significações da professora Mirela mostram que seu papel não é apenas atuar na dimensão cognitiva, mas perceber que essa dimensão é constituída por afetos e movimentos da criança por meio de suas atitudes, percepções e conhecimento teórico e prático.
Mirela diz que o grupo é constituído de pessoas diferentes, com histórias de vida diversas carregadas de fatos agradáveis, desagradáveis e conflituosos. Wallon atenta que, se o professor tiver clareza do conflito que há entre o eu e o outro, terá facilidade em lidar com diferentes situações. Essa divergência tem suma importância para a construção da personalidade da criança e o professor deve cercar essas desavenças com otimismo,