Defini¸c˜ao 20 (N´ucleo). Sejam U e V espa¸cos vetoriais sobre R e F : U → V uma transforma¸c˜ao linear. Indica-se porN (F ) e denomina-sen´ucleode
F o seguinte subconjunto de U : N (F ) = { u ∈ U : F (u) = 0}.
U F N (F ) V s0 u
Resumindo: N´ucleo da transforma¸c˜ao ´e o conjunto dos vetores no dom´ınio que tˆem como imagem o vetor nulo do contradom´ınio.
Observe que o n´ucleo nunca ´e vazio, posto que, como F ´e linear F ( 0) = 0, isto ´e, sempre teremos 0∈ N (F ).
− Importante: Para encontrar o n´ucleo de uma transforma¸c˜ao devemos resolver, a equa¸c˜ao F (u) = 0.
Exemplos:
1 ) Seja F : R2 → R3 a transforma¸c˜ao linear definida por
F (x, y) = (0, 2x− y, 0) Encontre o n´ucleo de F .
Solu¸c˜ao: Pela defini¸c˜ao de n´ucleo temos: N (F ) = { u ∈ U : F (u) = 0}
={ (x, y) ∈ R2 : F (x, y) = (0, 0, 0)}
Sendo assim para encontrar o n´ucleo ´e suficiente resolver a equa¸c˜ao F (x, y) = (0, 0, 0) ⇒ (0, 2x − y, 0) = (0, 0, 0) ⇒ 2x − y = 0. Portanto, N (F ) = { (x, y) ∈ R2: y = 2 x}. Geometricamente, temos
p p p 1 2 p p p −1 1 2 R2 N (F ) ← x y y = 2x R3 t 0= (0, 0, 0) տ x y z
2 ) Seja F : R3 → R3, dada F (x, y, z) = (x, y, 0) a proje¸c˜ao ortogonal do
R3 sobre o plano xoy. Encontremos o n´ucleo de F . Ent˜ao: N (F ) = { u ∈ U : F (u) = 0}
={ (x, y, z) ∈ R3 : F (x, y, z) = (0, 0, 0)} Devemos resolver a equa¸c˜ao
F (x, y, z) = (0, 0, 0) ⇒ (x, y, 0) = (0, 0, 0) ⇒ x = 0 e y = 0. Logo,
N (F ) = { (x, y, z) ∈ R3 : x = 0 e y = 0}
Ou seja, o n´ucleo consta dos vetores (0, 0, z)∈ R3, ´e o eixo oz. Veja:
x y z tu = (x, y, z) −→ N (F ) F tu = (x, y, z) F (u) = (x, y, 0) s t x y z
3 ) Seja D : P3 → P3 o operador de deriva¸c˜ao D(p) = p′, encontre o n´ucleo de D.
Solu¸c˜ao: Pela defini¸c˜ao de n´ucleo temos: N (D) = { u ∈ U : F (u) = 0}
={ p(t) ∈ P3 : p′(t) = 0}
Temos,
p(t) = a0 + a1t + a2t2+ a3t3 ⇒ p′(t) = a1+ 2 a2t + 3 a3t2 Para encontrar o n´ucleo ´e suficiente resolver a equa¸c˜ao
p′(t) = 0 ⇒ a1 + 2 a2t + 3 a3t2= 0 + 0 t + 0 t2+ 0 t3 Portanto, N (D) =p(t) = a0 + a1t + a2t 2+ a 3t 3 ∈ P 3 : a1 = a2 = a3 = 0
Ou seja, no n´ucleo de D constam apenas os polinˆomios constantes: p(t) = a0.
Observe porque nenhum polinˆomio do 1o grau poderia est´a no n´ucleo,
por exemplo:
p(t) = 1 + 3 t ⇒ D(p(t)) = 3 6= 0
Proposi¸c˜ao 11. Seja F : U → V uma transforma¸c˜ao linear. Ent˜ao: a ) N (F ) ´e um subespa¸co vetorial de U;
b ) A transforma¸c˜ao linear F ´e injetora se, e somente se, N (F ) = { 0 }. Prova: a ) Devemos mostrar que
N (F ) = { u ∈ U : F (u) = 0}
´e fechado para as opera¸c˜oes de espa¸co vetorial. Sejam u1, u2 vetores ar- bitr´arios em N (F ), devemos provar que u1 + u2 ∈ N (F ). Com efeito, pela defini¸c˜ao de n´ucleo temos F (u1) = 0e F (u2) = 0, da´ı
F (u1) + F (u2) = 0
Como F ´e linear resulta, F (u1 + u2) = 0. Logo, u1 + u2 ∈ N (F ).
Seja agora λ ∈ R e u ∈ N (F ), arbitr´arios, devemos provar que λ u ∈ N (F ).
Pela defini¸c˜ao de n´ucleo, temos F (u) = 0, da´ı λ F (u) = 0
Como F ´e linear resulta
F (λ u) = 0
Logo, λ u∈ N (F ), portanto o n´ucleo ´e um subespa¸co de U. b ) Em enunciados de proposi¸c˜oes tipo:
“A transforma¸c˜ao linear F ´e injetora se, e somente se, N (F ) = { 0 }.” como se sabe, temos duas provas a fazer, “a ida” e “a volta”. Antes de prossegui pedimos ao leitor− para testar sua habilidade − que tente desco- brir quem, no enunciado acima, ´e hip´otese e quem ´e tese nos dois “sentidos”. Pois bem, para compreendermos a t´ecnica de demonstra¸c˜ao a ser uti- lizada, reescrevemos nossa proposi¸c˜ao na seguinte forma
H1 ⇒ ( H2 ⇔ T ) onde, H1 ⇒ H2 ⇔ T F ´e linear F ´e injetora N (F )={ 0 }
Ou seja:
“Se F ´e linear, ent˜ao F ´e injetora se, e somente se,N (F ) = { 0 }.”.
Este teorema deve ser desdobrado assim
H1 ⇒ H2 ⇔ T (⇒ ) H1 ⇒ H2 ⇒ T (⇐ ) H1 ⇒ H2 ⇐ T
Estes dois ´ultimos teoremas possuem as seguintes equivalˆencias (p. 438)
(⇒ ) H1 ⇒ H2 ⇒ T ≡ ( H1 ∧ H2 ⇒ T ) (⇐ ) H1 ⇒ T ⇒ H2 ≡ ( H1 ∧ T ⇒ H2)
Sendo assim temos:
(⇒ ) Resumimos a “ida” assim
H1: F ´e linear. H2: F ´e injetora. H: T: N (F ) = { 0 }.
Seja u∈ N (F ), ent˜ao F (u) = 0. Como F ´e linear segue que F ( 0) = 0, da´ı F (u) = F ( 0), agora usando a injetividade de F concluimos que u = 0. Conclus˜ao: Se F ´e injetora o seu n´ucleo se resume ao vetor nulo de U . (⇐ ) Resumimos a “volta” assim
H1: F ´e linear. H2: N (F ) = { 0 }. H: T: F ´e injetora.
Ent˜ao, dados u1, u2 ∈ U arbitr´arios devemos mostrar que F (u1) = F (u2) ⇒ u1 = u2
Pois bem,
F (u1) = F (u2) ⇒ F (u1)− F (u2) = 0
Como F ´e linear vale a propriedade P2 (p. 149), isto ´e
F (u1)− F (u2) = 0 ⇒ F (u1− u2) = 0
Como, pela segunda hip´otese, no n´ucleo s´o existe o vetor nulo, temos F (u1− u2) = 0 ⇒ u1 − u2 = 0 ⇒ u1 = u2.
Exemplo: Seja D : Pn → Pn o operador de deriva¸c˜ao D(p) = p′. Per-
guntamos se D ´e um operador injetor.
Inicialmente vamos encontrar o n´ucleo deste operador: p(t) = a0+ a1t + a2t2+· · ·+ant n ⇒ D(p(t)) = a 1+ 2 a2t +· · · +n ant n−1 Logo, D(p(t)) = 0 ⇒ a1 = a2 =· · · = an = 0.
Sendo assim resulta
N (D) = { p(t) = a0 : a0 ∈ R } 6= { 0 }
N (D) ´e o conjunto dos polinˆomios constantes, logo D n˜ao ´e injetor. Veja, de uma outra perspectiva, porque D n˜ao ´e um operador injetor:
P2 p1(t) = 1 + t + t2 p2(t) = 3 + t + t2 D p16= p2 ⇒ P2 p(t) = 1 + 2 t s D(p1) = D(p2)
Na equa¸c˜ao (3.1) (p. 128) definimos a imagem de uma transforma¸c˜ao
arbitr´aria F : U → V como: Im (F ) = { F (u): u ∈ U }.
Na propriedade P3 (p. 150) provamos que se F ´e linear ent˜ao Im (F ) ´e
um subespa¸co vetorial de V .
Iremos agora demonstrar um importante teorema relacionando as di- mens˜oes do n´ucleo e da imagem de uma transforma¸c˜ao linear.
Teorema 7 (Do N´ucleo e da Imagem). Sejam U e V espa¸cos vetoriais de
dimens˜ao finita sobre R. Dada uma transforma¸c˜ao linear F : U → V , ent˜ao
dim U = dimN (F ) + dim Im (F ) (3.9) U
F
N (F )
V Im (F )
Prova: Suponha que dimN (F ) = r e que B1 = { u1, . . . , ur} ´e uma
base de N (F ). De acordo com o teorema do completamento (teo. 5, p. 99)
essa base pode ser estendida a uma base B2 ={ u1, . . . , ur, v1, . . . , vs} de
1o) Inicialmente mostremos que B gera Im (F ). Seja v ∈ Im (F ) um vetor arbitr´ario na imagem, ent˜ao existe u∈ U tal que F (u) = v. Mas u ´e combina¸c˜ao linear dos vetores de B2, o que implica na existˆencia de escalares tais que: u = λ1u1 +· · · + λrur + γ1v1 +· · · + γsvs Aplicando F , obtemos F (u) = v = F (λ1u1 +· · · + λrur + γ1v1 +· · · + γsvs) = λ1F (u1) +· · · + λrF (ur) + γ1F (v1) +· · · + γsF (vs) = λ1 0 +· · · + λr 0 + γ1F (v1) +· · · + γsF (vs) = γ1F (v1) +· · · + γsF (vs)
Observe que u1, . . . , ur est˜ao no n´ucleo, o que implica que suas imagens,
por F , ´e o vetor nulo. Pois bem, esta ´ultima igualdade prova que B gera a imagem de F .
2o) Vamos agora mostrar que B ´e linearmente independente, ent˜ao seja λ1F (v1) +· · · + λsF (vs) = 0
Desta igualdade obtemos
F (λ1v1+· · · + λsvs) = 0
Logo, o vetor λ1v1 +· · · + λsvs pertence ao n´ucleo de F , o que significa
que ele pode ser expresso como combina¸c˜ao linear dos vetores de B1, isto ´e,
existem escalares γ1, . . . , γr ∈ R de modo que:
λ1v1 +· · · + λsvs = γ1u1 +· · · + γrur
Ent˜ao
γ1u1 +· · · + γrur+ (−λ1) v1 +· · · + (−λs) vs = 0
Como o conjunto B2 ´e L.I., podemos concluir que todos os escalares que
figuram nesta ´ultima igualdade s˜ao nulos. Em particular λ1 =· · · = λs = 0.
Provamos assim que B, de fato, ´e L.I.. Resumindo, temos:
B1 ={ u1, . . . , ur} base de N (F ) ⇒ dim N (F ) = r
B2 ={ u1, . . . , ur, v1, . . . , vs} base de U ⇒ dim U = r + s
B ={ F (v1), . . . , F (vs)} base de Im (F ) ⇒ dim Im (F ) = s
Sendo assim ´e verdade que:
dim U = dimN (F ) + dim Im (F ).
Exemplos:
1 ) No exemplo da p. 155 encontramos o n´ucleo da transforma¸c˜ao F : R2 → R3, dada por F (x, y) = (0, 2x− y, 0)
Agora encontremos sua imagem. A imagem da aplica¸c˜ao F : U → V ´e encontrada assim:
Im (F ) = { F (u): u ∈ U }
={ F (x, y): (x, y) ∈ R2}
={ (0, 2x − y, 0): (x, y) ∈ R2} = { 2x − y (0, 1, 0): (x, y) ∈ R2}
A imagem ´e gerada pelo vetor (0, 1, 0), isto ´e, Im (F ) = [ (0, 1, 0) ], ´e o eixo oy. Veja:
p p p 1 2 p p p −1 1 2 R2 N (F ) ← x y y = 2x F R3 t t x y z տ Im (F )
Temos: dimN (F ) = 1 e dim Im (F ) = 1, o que confirma dim U = dimN (F ) + dim Im (F ) dim R2 = 1 + 1
2 ) No exemplo da p. 156 encontramos o n´ucleo da transforma¸c˜ao F : R3 → R3, dada por F (x, y, z) = (x, y, 0) Agora encontremos a imagem de F :
Im (F ) = { F (u): u ∈ U }
={ F (x, y, z): (x, y, z) ∈ R3} ={ (x, y, 0): (x, y, z) ∈ R3} Portanto, Im (F ) ´e o plano xoy. Veja:
x y z t(x, y, z) −→ N (F ) F t(x, y, z) (x, y, 0) s Im (F ) x y z
Temos: dimN (F ) = 1 e dim Im (F ) = 2, o que confirma dim U = dimN (F ) + dim Im (F )
dim R3 = 1 + 2
3 ) Determine o n´ucleo e a imagem do operador F : R3 → R3, dado por
F (x, y, z) = (x− 2y − z, y + 2z, x + 3y + z). Solu¸c˜ao:
N (F ) = { u ∈ U : F (u) = 0}
={ (x, y, z) ∈ R3 : F (x, y, z) = (0, 0, 0)}
F (x, y, z) = (0, 0, 0) ⇒ (x − 2y − z, y + 2z, x + 3y + z) = (0, 0, 0) Donde resulta o sistema:
x− 2y − z = 0 y + 2z = 0 x + 3y + z = 0
cuja ´unica solu¸c˜ao ´e (0, 0, 0). Logo,N (F ) = { 0 } = { (0, 0, 0) }. Agora encontremos a imagem de F :
Im (F ) = { F (u): u ∈ U }
={ F (x, y, z): (x, y, z) ∈ R3}
={ (x − 2y − z, y + 2z, x + 3y + z): x, y, z ∈ R } Vamos encontrar um conjunto de geradores para a imagem, assim:
(x−2y −z, y +2z, x+3y +z) = x ( ? , ? , ? ) + y ( ? , ? , ? ) + z ( ? , ? , ? ) Com um pouco de reflex˜ao chegamos a
Logo, qualquer vetor da imagem ´e combina¸c˜ao linear destes trˆes vetores e, portanto:
Im (F ) = [ (1, 0, 1), (−2, 1, 3), (−1, 2, 1) ]
Como{ (1, 0, 1), (−2, 1, 3), (−1, 2, 1) } ´e L.I. pelo teorema 4(p. 99)´e uma
base do subespa¸coIm (F ) e pela proposi¸c˜ao 8 (p. 99)podemos concluir que
Im (F ) = R3. Geometricamente tudo se passa assim:
x y z ց N (F ) t F t (1, 0, 1) t(−2, 1, 3) t(−1, 2, 1) x y z
Temos: dimN (F ) = 0 e dim Im (F ) = 3, o que confirma dim U = dimN (F ) + dim Im (F ) dim R3= 0 + 3
4 ) Determine uma aplica¸c˜ao linear F : R3 → R4 tal que
Im (F ) = [ (3, −1, 2, 1), (4, 1, 0, −1) ]
Solu¸c˜ao: Como dimIm (F ) = 2, ent˜ao dim N (F ) = 1. Como, pela pro- priedade P5 (p. 151), uma transforma¸c˜ao linear fica completamente definida
quando se conhecem as imagens dos vetores de uma base do dom´ınio, pode- mos escollher, por exemplo
F (1, 0, 0) = (0, 0, 0, 0), F (0, 1, 0) = (3,−1, 2, 1), F (0, 0, 1) = (4, 1, 0, −1) A imagem ser´a o conjunto dado porquanto sendo
(x, y, z) = x (1, 0, 0) + y (0, 1, 0) + z (0, 0, 1) temos
F (x, y, z) = x F (1, 0, 0) + y F (0, 1, 0) + z F (0, 0, 1) = x (0, 0, 0, 0) + y (3, −1, 2, 1) + z (4, 1, 0, −1) = (3y + 4z, −y + z, 2y, y − z)
Obviamente que este problema admite outras solu¸c˜oes.
Podemos confirmar o resultado obtido calculando a imagem de F , assim: Im (F ) = { F (u): u ∈ U }
={ F (x, y, z): (x, y, z) ∈ R3}
={ (3y + 4z, −y + z, 2y, y − z): (x, y, z) ∈ R3} ={ y (3, −1, 2, 1) + z (4, 1, 0, −1): (x, y, z) ∈ R3} Isto mostra queIm (F ) = [ (3, −1, 2, 1), (4, 1, 0, −1) ].
5 ) Determine o n´ucleo e a imagem, bem como as dimens˜oes respectivas da transforma¸c˜ao F : P2(R) → P3(R) dada por F f (t)= f (t) + t2f′(t).
Solu¸c˜ao: Antes da resolu¸c˜ao propriamente, veja um exemplo de como esta transforma¸c˜ao funciona (atua):
P2(R) P3(R)
f (t) = 2 + 4 t + 5 t2 ⇒ F f(t)= f (t) + t2f′(t)
F (2 + 4 t + 5 t2) = (2 + 4 t + 5 t2) + t2(2 + 4 t + 5 t2)′
= (2 + 4 t + 5 t2) + t2(0 + 4 + 10 t) = 2 + 4 t + 9 t2+ 10 t3
Pois bem, encontremos o n´ucleo da tranforma¸c˜ao: N (F ) = { u ∈ U : F (u) = 0}
={ a + b t + c t2 ∈ P2(R) : F (a + b t + c t2) = 0}
Devemos resolver a equa¸c˜ao
F (a + b t + c t2) = 0 ⇒ (a + b t + c t2) + t2(a + b t + c t2)′ = 0
a + b t + (b + c) t2+ 2c t3 = 0
Ou ainda,
a + b t + (b + c) t2+ 2c t3 = 0 + 0 t + 0 t2+ 0 t3 ⇒ a = b = c = 0. Logo,N (F ) = { 0 }. Sendo assim dim N (F ) = 0. Por outro lado, seja f(t) um polinˆomio gen´erico daIm (F ). Ent˜ao
f (t) = a + b t + (b + c) t2+ 2c t3 = a + b ( t + t2) + c ( t2+ 2 t3)
Esta ´ultima igualdade mostra que Im (F ) = [ 1, t + t2, t2 + 2 t3]. Como
esses trˆes vetores que geram a imagem de F s˜ao L.I. (verifique) ent˜ao { 1, t + t2, t2+ 2 t3} ´e uma base de Im (F ).
6 ) Encontre uma transforma¸c˜ao linear F : R3 → R2 cujo n´ucleo seja gerado pelo vetor (1, 1, 0). R3 x y z s(1, 1, 0) → N (F ) F = ? R2 x 0s y
Solu¸c˜ao: A id´eia a ser utilizada na resolu¸c˜ao est´a contida na propriedade P5 (p. 151).
O conjunto B = { (1, 1, 0), (0, 1, 0), (0, 0, 1) } ´e uma base do R3 que
completa a base { (1, 1, 0) } do n´ucleo da transforma¸c˜ao que procuramos. Se tomarmos F (0, 1, 0) e F (0, 0, 1) linearmente independentes teremos uma base da imagem de Im (F ). Fa¸camos ent˜ao F (0, 1, 0) = (1, 0) e F (0, 0, 1) = (0, 1). R3 x y z s (1, 1, 0) s (0, 1, 0) s (0, 0, 1) F = ? R2 x y s s(0, 1) s (1, 0)
Agora vamos escrever um vetor gen´erico do R3 como combina¸c˜ao linear dos vetores da base B, assim:
(x, y, z) = α (1, 1, 0) + β (0, 1, 0) + γ (0, 0, 1) = x (1, 1, 0) + (y− x) (0, 1, 0) + z (0, 0, 1)
Portanto,
F (x, y, z) = x F (1, 1, 0) + (y− x) F (0, 1, 0) + z F (0, 0, 1) = x (0, 0) + (y− x) (1, 0) + z (0, 1) = (y − x, z)
Naturalmente que este problema possui outras solu¸c˜oes, a bem da ver- dade infinitas.
Corol´ario 4. Sejam U e V espa¸cos vetoriais sobre R com a mesma di-
mens˜ao finita n e suponhamos F : U → V uma transforma¸c˜ao linear. Ent˜ao
s˜ao equivalentes as seguintes afirma¸c˜oes:
( I ) F ´e sobrejetora. ( II ) F ´e bijetora. ( III ) F ´e injetora.
( IV ) F transforma uma base de U em uma base de V (isto ´e, se B ´e
uma base de U , ent˜ao F (B) ´e base de V ).
Prova: Devemos mostrar as seguintes implica¸c˜oes: ( I ) ⇒ ( II ) ⇒ ( III ) ⇒ ( IV ) ⇒ ( I ) Ent˜ao: ( I ) ⇒ ( II )
Como F ´e sobrejetora ent˜ao Im (F ) = V . Temos ainda, por hip´otese, que dim U = dim V , logo, da equa¸c˜ao dim U = dimN (F ) + dim Im (F ) resulta que dimN (F ) = 0. Logo N (F ) = { 0 } e F ´e injetora; sendo F sobrejetora e injetora resulta bijetora.
( II ) ⇒ ( III ) ´E imediato.
( III ) ⇒ ( IV ). Sendo B = { u1, . . . , un} uma base de U mostremos que
F (B) = { F (u1), . . . , F (un)} ´e uma base de V . Inicialmente observamos
que F (B) tem o mesmo n´umero de vetores que B pelo fato de F ser injetora. Ent˜ao ´e suficiente mostrar que F (B) ´e L.I. Consideremos a combina¸c˜ao linear:
λ1F (u1) +· · · + λnF (un) = 0
Sendo F linear podemos escrever
F ( λ1u1+· · · + λnun) = 0
Sendo F injetora resulta que
λ1u1+· · · + λnun = 0
Como B ´e L.I. concluimos que λ1 = 0, . . . , λn = 0.
( IV ) ⇒ ( I ). Tomando um vetor arbitr´ario no contradom´ınio, diga- mos v ∈ V , devemos provar que ele ´e imagem de algum vetor do dom´ınio.
Sendo B ={ u1, . . . , un} uma base de U, por hip´otese resulta que F (B) =
{ F (u1), . . . , F (un)} ´e uma base de V . Logo v ´e combina¸c˜ao linear de F (B),
isto ´e, existem n´umeros λi tais que:
v = λ1F (u1) +· · · + λnF (un)
Pela linearidade de F resulta
v = F ( λ1u1 +· · · + λnun)
Portanto v ´e imagem, por F , de u = λ1u1 +· · · + λnun ∈ U.
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Como a teoria quˆantica, em que as leis da f´ısicas assumem novas formas bizarras, mas somente em dom´ınios muito menores do que os encontrados na vida di´aria, o espa¸co curvo pode existir, mas sendo t˜ao pr´oximo do euclidiano que, na escala da vida terrestre normal, n˜ao detec- tamos a diferen¸ca. E no entanto, como a teoria quˆantica, as implica¸coes da curvatura para as teorias da f´ısica podem ser enormes.
(Leonard Mlodinow/A janela de Euclides, p. 111)
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Schwarz viu algo na teoria das cordas que outros poucos viram, uma beleza matem´atica essencial que ele sentiu que n˜ao podia ter sido aciden- tal. A teoria era dif´ıcil de ser desenvolvida, mas isso n˜ao o desanimou. Ele estava tentando resolver um problema que confundiu Einstein e todo mundo depois de Einstein− reconciliar a teoria quˆantica com a relativi- dade. A solu¸c˜ao n˜ao poderia ser f´acil. (A janela de Euclides, p. 218)