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4.1. Narrativas dos alunos

4.1.1. Narrativas dos alunos que trabalharam o Texto Prosa

Começaremos por analisar os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 1º episódio: “O tempo em que Afonso nasceu” (Ut1 a 12 – Ver

Anexo 4).

Pela observação do Gráfico 9, detectamos que três dos cinco alunos mencionaram o nascimento de Afonso Henriques (Ut10), embora apenas um referiu a data provável

desse acontecimento (Ut11). A origem do seu nome (Ut12) foi, igualmente, salientada por

apenas um aluno. Dois referiram Henrique da Borgonha como personagem (Ut3), mas

apenas um referiu que veio para a Península Ibérica (Ut2), na segunda metade do séc. XI

(Ut1), ajudar Afonso VI (Ut7). Um aluno referiu que o Conde D. Henrique, como

recompensa dos seus serviços, recebeu de Afonso VI a sua filha D. Teresa em casamento e o Condado Portucalense (Ut8).

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NÚMERO TOTAL DE ALUNOS

TE1- 2ª metade do séc.XI (Ut1) TE2- 1086-Zalaca (Ut6)

TE3- 1109-Nascimento de D. Afonso Henriques (Ut11) ES1- Península Ibérica (Ut2)

ES2- Território/ Suevos (Ut9) PE- Henrique da Borgonha (Ut3)

AC+PE1- Afonso VI chefiava campanhas para expulsar os mouros da Península (Ut4)

AC+PE2- Conde D. Henrique ajuda D. Afonso VI (Ut7) AC+PE3- Recompensa: casamento c/ D. Teresa e Condado Portucalense (Ut8)

AC1- Derrota de Zalaca (Ut5)

AC2- Nascimento de Afonso Henriques (Ut10) AV- Origem do nome- avô+ pai (Ut12)

Gráfico 9: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

1º episódio (N= 5)

A derrota de Zalaca em 1086 (Ut5 e 6), a referência à Península Ibérica como antigo

território dos Suevos (Ut9) e a D. Afonso VI como chefe das campanhas para expulsar

os mouros da Península (Ut4) não foram mencionados por qualquer aluno. Estas

unidades de texto poderão ser consideradas secundárias porque contextualizam, complementam e enriquecem as ideias principais do texto. Neste sentido, Barton (1996) aferiu que “tanto as crianças como os adultos recontam as histórias que lêem de modo

simplificado” (p.70). É talvez por isso que essas unidades de texto não foram

Esta hipótese explicativa poderá ser a mesma para justificar o baixo número de referências de algumas informações (Ut1, 2, 11e 12). No entanto, não servem de argumento

para o número reduzido das restantes (Ut7 e 8), pois a ajuda de D. Henrique a D. Afonso

VI (Ut7) e a entrega da mão de D. Teresa e do Condado Portucalense como recompensas

pelo seu bom desempenho (Ut8) fazem parte das ideias principais deste episódio. A

ausência destas unidades de texto poderá dever-se ao facto dos alunos estarem apenas sensíveis a aspectos familiares e que façam parte do seu quotidiano, como o nascimento de Afonso Henriques e a referência a seu pai, Conde D. Henrique. Esta ocorrência dever-se-á também ao facto dos alunos deste estudo serem de Guimarães, o que terá motivado a sua atenção para tal.

De seguida analisaremos os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 2º episódio: “O Infante órfão de Pai” (Ut13 a 18 – Ver Anexo 4).

Ao observarmos o Gráfico 10 reparamos que apenas duas unidades de texto foram salientadas pelos alunos nos seus ensaios: a conversa que D. Afonso Henriques tivera com seu pai antes deste morrer (Ut17) e o teor dessa conversa (Ut18).

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NÚMERO TOTAL DE ALUNOS

AC+PE1- Educação de Afonso Henriques+ nobres-Soeiro Mendes e esposa (Ut13)

AC+PE2- Morte do Conde D. Henrique (Ut15)

AC+PE3- Conversa/ morte-filho e pai (Ut17)

ES1- Educação de Afonso Henriques- Riba D'Ave- Guimarães (Ut14)

ES2-Morte de D. Henrique- Astorga (Ut16)

TR- Recomendações do pai (Ut18)

Gráfico 10: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

2º episódio (N= 5)

Embora tenham sido as únicas a ser mencionadas, foram-no por quatro e três alunos respectivamente. A presença destas unidades de texto nos ensaios dos alunos poderá dever-se ao facto de, nestas idades, valorizarem muito os conselhos e pedidos que os pais lhes fazem, uma vez que são para eles um exemplo a seguir. Por outro lado, os alunos revivem a situação por ser dramática e dão-lhe relevância porque lhes é familiar, isto é, porque podem transpô-la para a sua vida quotidiana. Assim, constroem a

cena com alguma facilidade, como podemos constatar através das citações das suas narrativas:

“D. Henrique antes de morrer disse a D. Afonso Henriques para fazer do Condado Portucalense um reino independente e alargar o território.”

(Aluno B)

“Quando D. Henrique estava quase a morrer teve uma conversa importante com D. Afonso Henriques.” (Aluno C)

“Quando D. Henrique estava quase a morrer chamou D. Afonso Henriques e disse-lhe para alargar cada vez mais o território e tornar o Condado Portucalense um reino independente.” (Aluno D)

“Antes de D. Henrique morrer, pediu ao seu filho D. Afonso Henriques que lhe conquistasse terras aos mouros para alargar o território, bem como para conquistar a independência.” (Aluno E)

Nenhum aluno mencionou que D. Afonso Henriques foi educado, nos seus primeiros anos de vida, por Soeiro Mendes e esposa, nobres senhores (Ut13) que

habitavam em Riba D’Ave, Guimarães (Ut14). Também não fizeram referência à morte

do Conde D. Henrique (Ut15) em Astorga (Ut16). A ausência destas unidades de texto

poderá ter explicações diferentes. A localidade onde D. Afonso Henriques fora educado nos seus primeiros anos de vida não foi referida talvez por não ter sido considerada relevante, assim como o nome dos seus educadores. A omissão da morte do Conde D. Henrique poderá explicar-se pelo facto dos alunos a terem dado como certa ao fazerem referência à conversa que este tivera com o filho antes de morrer. Ora se foi antes do Conde D. Henrique morrer, poderão ter entendido que a sua morte era um dado adquirido, não sendo necessário explicitá-lo. Astorga, localidade onde o Conde D. Henrique morreu, não faz parte dos conhecimentos geográficos destes alunos, tendo sido, possivelmente por isso, omitida.

No momento que se segue serão analisados os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 3º episódio: “O filho que sai ao pai” (Ut19 a 27 –

Ver Anexo 4).

Relativamente a este episódio, como podemos constatar no Gráfico 11, nenhuma unidade de texto foi referida pelos alunos nos seus ensaios.

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NÚMERO TOTAL DE ALUNOS

ES- Leão e Castela (Ut19)

AC+PE1- Sucessão de Afonso VI- D. Raimundo e D. Urraca (Ut20)

AC+PE2- Subida ao trono- Afonso VII (Ut22)

AC1- Nascimento de Afonso de Castela (Ut21)

AC2- Exército de Afonso VII- Cerco de Guimarães (Ut26)

AV- Afonso VII primo de Afonso Henriques (Ut23)

TR1- Conflito entre primos (Ut24)

TR2- Conflito de D. Teresa com o filho D. Afonso Henriques (Ut25)

TR3- Ardil- Egas Moniz- levantamento do Cerco (Ut27)

Gráfico 11: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

3º episódio (N= 5)

Algumas unidades de texto (Ut19, 20, 21 e 22) referem-se exclusivamente ao reino de

Leão e Castela. As outras (Ut23, 24; 25; 26 e 27) estão relacionadas, em maior ou menor grau,

com Afonso Henriques e o Condado Portucalense. Deste modo, não poderemos tentar explicar a ausência de todas as unidades de texto pelo grau de relacionamento do seu conteúdo com o tema central da história: “Formação de Portugal/ Reinado de D.

Afonso Henriques”. Se para as primeiras (Ut19, 20, 21 e 22), esta explicação pode ser

considerada válida, para as restantes (Ut23, 24, 25, 26 e 27) não, uma vez que D. Afonso

Henriques é a personagem principal do texto que leram, sendo também uma personagem histórica presente no quotidiano dos alunos, dado que são habitantes de Guimarães. Por isso, aquelas que estão relacionadas com D. Afonso Henriques deveriam apresentar, provavelmente, resultados mais significativos, principalmente as que descrevem, de algum modo, uma acção/ trama, “uma cena”, porque são, talvez, mais fáceis de recordar.

No entanto, se observarmos a sequência das unidades de texto, reparamos que aquelas (Ut19, 20, 21 e 22) surgem sucessivamente no início do episódio. Deste modo, as

unidades de texto referentes exclusivamente ao reino de Leão e Castela pouco ou nada terão dito aos alunos, levando-os à distracção e, consequentemente, à não percepção e falta de compreensão do teor das unidades de texto seguintes. Por outro lado, o vocabulário utilizado exigia uma certa concentração, como podemos observar destacado a negrito no excerto que apresentamos de seguida.

“As relações entre os dois não eram amistosas porque Afonso VII se recusava a admitir que o Condado Portucalense fosse independente. Ora, enquanto a condessa Dona Teresa aceitava essa situação de sujeição, o jovem Afonso, com apoio de alguns nobres, comportava-se como seu falecido pai: de facto, não reconhecia, dentro de seu território, a autoridade do rei de Leão e Castela.

Por isso, não prestava vassalagem ao primo soberano. Aconteceu, por causa dessa atitude, que o exército estrangeiro veio cercar Guimarães, para obrigar Afonso Henriques e seus companheiros ao preito de obediência ao

suserano.

O filho do conde D. Henrique resolveu a questão recorrendo a um ardil: enviou Egas Moniz ao exterior do castelo para dizer a Afonso VII que seu amo prometia ir a Toledo prestar a vassalagem devida.” (Excerto do texto

original)

A conjugação destes dois factores é, possivelmente, a hipótese explicativa dos resultados deste gráfico.

Neste instante iremos analisar os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 4º episódio: “O Conde Portucalense” (Ut28 a 32 – Ver Anexo 4).

Das unidades de texto relativas a este episódio apenas duas estão presentes nas narrativas dos alunos (Ut31 e 32), como podemos verificar através do Gráfico 12. A

primeira (Ut31) foi mencionada por todos os alunos; a segunda (Ut32) somente por dois.

0 1 2 3 4 5 N Ú ME R O TO TA L D E A L U N O

S AC+PE1- D. Afonso Henriques- independência do território-nobres senhores-bispos-arcebispos-abades-mercadores de cidades e vilas (Ut28)

AC+PE2- D. Teresa/ Fernão Peres de Trava- política perigosa (Ut29)

AC+PE3- Batalha de S. Mamede- D. Afonso Henriques e D. Teresa (Ut31)

AV- Fernão Peres de Trava- amante (Ut30)

AC- Vitória de Afonso Henriques (Ut32)

Gráfico 12: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

4º episódio (N= 5)

A referência à Batalha de S. Mamede, protagonizada por D. Teresa e D. Afonso Henriques (Ut31), poderá ser explicada pelo facto de todos os alunos, sendo habitantes

de Guimarães, estarem familiarizados com o nome da batalha, uma vez que o “Campo de S. Mamede”, junto ao castelo, já foi palco de actividades sobre várias temáticas (Feira Semanal, Comemoração do Dia da Criança, Palco dos Jogos sem fronteiras…).

Este espaço continua a ser um local onde as famílias vimaranenses conciliam as vertentes histórica e lúdica.

Em relação à vitória de D. Afonso Henriques sobre a sua mãe (Ut32), os resultados

apresentados no gráfico poderão contradizer a explicação hipotética apresentada anteriormente. De facto, apenas dois alunos mencionaram explicitamente este acontecimento. No entanto, ao lermos as narrativas dos alunos “A” e “E” poderemos referir a possibilidade destes alunos terem apreendido que fora D. Afonso Henriques o grande vitorioso desta batalha:

“D. Henrique depois morreu e D. Afonso Henriques ficou o primeiro rei de Portugal, depois de ter travado e ganho muitas batalhas contra o rei de Castela e contra os Mouros. Mas primeiro teve de combater com a sua mãe D. Teresa. Mas a batalha mais importante foi a Batalha de S. Mamede.”

(Aluno A)

O aluno A entendeu que D. Afonso Henriques foi considerado o primeiro rei de Portugal, depois de “ter travado e ganho muitas batalhas”, inclusive contra a sua mãe. Salienta ainda que a batalha mais importante foi a Batalha de S. Mamede. Este aluno narra que D. Afonso Henriques travou várias batalhas e que uma delas foi contra a sua mãe. Ao escrever “mas a batalha mais importante foi a Batalha de S. Mamede” entende-se que de todas as batalhas, incluindo a luta contra a sua mãe, a mais importante foi a Batalha de S. Mamede. Por isso, não podemos dizer que ele tenha entendido que a Batalha de S. Mamede e o combate que D. Afonso Henriques tivera com sua mãe representam o mesmo acontecimento. Porém, ao referir que, para chegar a primeiro rei de Portugal, teve de ganhar muitas batalhas, e ao escrever “mas primeiro

teve de combater com a sua mãe”, poder-se-á subentender que a vitória de D. Afonso

Henriques na Batalha de S. Mamede e a derrota de sua mãe estão presentes na mente deste aluno, mesmo que tenha assimilado a Batalha de S. Mamede e o combate contra a sua mãe como dois acontecimentos distintos, em vez de um.

O aluno E entendeu claramente que os interesses entre D. Teresa e D. Afonso Henriques não eram comuns, levando-os a travar uma batalha em S. Mamede.

“D. Afonso Henriques lutou contra a sua mãe D. Teresa em S. Mamede porque D. Teresa não queria que o Condado Portucalense fosse independente. D. Afonso Henriques lutou contra a sua mãe porque queria conquistar o Condado Portucalense. D. Afonso Henriques conquistou terras e formou o Condado Portucalense.” (Aluno E)

Ao salientar que “D. Afonso Henriques lutou contra a sua mãe porque queria

conquistar o Condado Portucalense” e ao escrever que “D. Afonso Henriques conquistou terras e formou o Condado Portucalense”, poderemos entender que este

aluno, possivelmente, relacionou o querer conquistar o Condado Portucalense e a formação do mesmo com a vitória sobre a sua mãe, até porque, como podemos reler, salienta que “D. Afonso Henriques lutou contra a sua mãe D. Teresa em S. Mamede

porque D. Teresa não queria que o Condado Portucalense fosse” independente. Deste

modo, podemos dizer que a vitória de D. Afonso Henriques na Batalha de S. Mamede (Ut32) está implícita nas narrativas dos alunos A e E. Assim, a hipótese explicativa da

referência de todos os alunos à Batalha de S. Mamede entre D. Teresa e seu filho (Ut31)

não é contrariada pelos resultados apresentados no gráfico relativamente à vitória de D. Afonso Henriques. Pelo contrário, serve mesmo como reforço às explicações apresentadas para as referências explícitas e hipoteticamente implícitas à vitória de D. Afonso Henriques na Batalha de S. Mamede (Ut32). Como os alunos são habitantes de

Guimarães, estão familiarizados com a personagem de D. Afonso Henriques e sua vitória na Batalha de S. Mamede. Por isso, alguns alunos mencionaram explicitamente a vitória de D. Afonso Henriques. Os alunos A e E, talvez por considerarem-na um facto óbvio, não o fizeram da mesma forma.

As razões apresentadas anteriormente para a presença daquelas unidades de texto

(Ut31 e 32) são, provavelmente, as mesmas que justificam a ausência das restantes (Ut28, 29

e 30). O tema central do episódio é, de facto, a Batalha de S. Mamede. Pelas razões já

apresentadas, a Batalha de S. Mamede (Ut31) foi mencionada por todos os alunos nos

seus ensaios e a Vitória de D. Afonso Henriques (Ut32) apenas pelos alunos B e D.

Essas razões também os levaram, possivelmente, à não valorização das unidades de texto omitidas nos seus ensaios. Se os alunos não fossem habitantes de Guimarães e o teor do episódio não lhes fosse familiar, pelo menos os boatos respeitantes às relações amorosas entre D. Teresa e Fernão Peres de Trava (Ut30) provavelmente não seriam

esquecidos porque trata-se de uma relação não assumida pelos intervenientes. Por outro lado, estes alunos vivem num meio familiar “tradicional” com o pai e a mãe, em que este tipo de práticas não se verifica, mas torna-se motivo de bisbilhotice. Ainda podemos dizer que estas crianças pertencem a um grupo sócio-cultural que normalmente vê telenovelas onde existem, por vezes, situações similares que despertam a curiosidade e prendem a atenção dos telespectadores, inclusive das crianças. É com

base nestes pressupostos, e nas condições acima referidas, que afirmamos a possibilidade daquela unidade de texto (Ut30) ser recordada.

Agora, serão analisados os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 5º episódio: “O grande combate” (Ut33 a 42 – Ver Anexo 4).

Pela observação do Gráfico 13, o quinto episódio não foi mencionado nas narrativas dos alunos, com excepção do Tratado de Zamora e seus intervenientes (Ut37).

Porém, apenas foi referido por um aluno. A localidade do tratado (Ut39) não foi

mencionada por este aluno porque se o Tratado é de Zamora não há necessidade de referi-la novamente. A data da sua realização (Ut38) foi, possivelmente, pouco

valorizada e/ou esquecida. Os alunos não mencionaram que D. Afonso VII reconheceu D. Afonso Henriques como rei de Portugal (Ut41) e que, desse modo, D. Afonso

Henriques passou a ser o rei de Portugal (Ut42) possivelmente por ser para eles um facto

adquirido, logo, não necessitando da legitimação por um outro rei. Os alunos não sabem que era necessário a legitimação dos pares.

0 1 2 3 4 5 NÚM E R O T O T A L DE AL UNO S

AC1- Batalha Arcos de Valdevez (Ut33)

AC2- Vitória de Arcos de Valdevez (Ut36)

AC3- D. Afonso VII reconheceu D. Afonso Henriques como rei de Portugal (Ut41)

AC4- D. Afonso Henriques, rei de Portugal (Ut42)

T E1- 1140- Arcos de Valdevez (Ut34)

T E2- 3 anos + tarde- 1143 (Ut38)

ES1- Arcos de Valdevez (Ut35)

ES2- Zamora (Ut39)

AC+PE- T ratado de Zamora- Afonso Henriques/ cardeal Guido/ legado do Papa (Ut37)

ER- Importância do Papa e obtenção de boas graças de Roma (Ut40)

Gráfico 13: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

5º episódio (N= 5)

A importância do Papa e obtenção de boas graças de Roma (Ut40) não foi

mencionada. Do mesmo modo que os alunos não sabem que era necessário a legitimação dos pares, também desconhecem a supremacia do Papa sobre os reis. Deste modo, os alunos não compreenderam, provavelmente, o porquê de D. Afonso Henriques ter pedido protecção do Papa de Roma para a política de Independência do

seu Estado, até porque era um lutador poderoso, tendo ganho, até então, muitas batalhas. A submissão dos reis à Igreja também não terá sido entendida pelos alunos devido, possivelmente, ao facto de não terem compreendido o significado do conceito “Sumo Pontífice” que o autor utiliza para se referir ao Papa: “Naquele tempo, de facto,

o Sumo Pontífice era reconhecido como o Rei dos Reis” (Excerto do texto original). A

Batalha de Arcos de Valdevez (Ut33, 34, 35 e 36) pouco ou nada terá despertado aos alunos,

uma vez que é uma localidade desconhecida. Apenas terá ficado gravado nas suas mentes que se tratou de mais uma batalha ganha por D. Afonso Henriques, não havendo, por isso, necessidade de referi-la.

Nas linhas que se seguem, analisaremos os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 6º episódio: “O sucesso de um golpe de mão”

(Ut43 a 46 – Ver Anexo 4).

Nenhuma das unidades de texto referentes a este capítulo aparece relatada nas narrativas dos alunos (Ver Gráfico 14).

0 1 2 3 4 5

NÚMERO TOTAL DE ALUNOS

AC1- A empresa principal era retomar a guerra contra os mouros (Ut43)

AC2- Conquista de Santarém (Ut45)

ES- Avança para Sul- Santarém (Ut44)

TR- Estratégia militar- durante a noite (Ut46)

Gráfico 14: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

6º episódio (N= 5)

Estes resultados poderão ser explicados se atendermos ao seu objecto: “Conquista de Santarém”. Ao reflectirmos sobre a palavra “Conquista” facilmente reparamos que é uma palavra que tem vindo a ser constantemente repetida ao longo dos vários episódios. Por isso, e uma vez que os alunos assimilaram, como já tivemos oportunidade de observar, que D. Afonso Henriques travou e ganhou muitas batalhas, talvez os alunos tenham pensado “que foi mais uma”. Se acrescentarmos a palavra “Santarém”,

poderemos deduzir que os alunos pouco ou nada se relacionam com esta cidade, pois provavelmente não faz parte dos seus conhecimentos geográficos. Por outro lado, se em vez de Santarém, esta conquista fosse em Guimarães ou arredores, mesmo tratando-se de “mais uma”, possivelmente seria mencionada.

Analisaremos, neste espaço, os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 7º episódio: “Um cerco por terra e por mar” (Ut47 a 53 – Ver

Anexo 4).

Se o gráfico 15 e o anterior forem colocados lado a lado, apenas os distinguiremos pelo título e pela legenda. As explicações para a ausência das unidades de texto deste episódio poderão ser, por um lado, as mesmas apresentadas para o gráfico anterior, ou seja, mais uma conquista de uma cidade pouco familiar. Porém, Lisboa é a capital do país. Como tal já deveria fazer parte dos conhecimentos geográficos dos alunos, até porque é palco de algumas notícias apresentadas pelos vários canais de televisão, que eles tanto vêem.

0 1 2 3 4 5 ME RO TO T A L DE AL U N O

S AC1- Intenção de apoderar-se de Lisboa (Ut47)

AC2- Cerco de Lisboa (Ut51)

AC3- Rendição dos mouros (Ut53)

TE- Alguns meses depois de Santarém (Ut48)

TR1- Dificuldades-vários motivos-na conquista (Ut49)

TR2- Dificuldades do Cerco (Ut52)

AC+PE- Aproveitamento Cruzados/ Bispo Porto- Cruzados- D. Afonso Hen. (Ut50)

Gráfico 15: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

7º episódio (N= 5)

Segundo Barton (1996), os acontecimentos do meio tendem a ser esquecidos em detrimento dos mais antigos e mais recentes. Os alunos lembram-se do começo e do fim. Os acontecimentos intermédios tendem a ser esquecidos. Deste modo, os alunos poderiam, simplesmente, ter esquecido estas informações.

Nos próximos parágrafos serão analisados os dados relativos ao número de presenças, nas narrativas dos alunos, das unidades de texto do 8º episódio: “Três

frentes da Independência” (Ut54 a 5 – Ver Anexo 4).

Ao observarmos o Gráfico 16 verificamos que apenas uma unidade de texto do oitavo episódio foi relatada nas narrativas dos alunos, a qual foi apenas omitida por um aluno. 0 1 2 3 4 5 N Ú M E RO T O T A L DE A L UN O S

AV- Cognome Conquistador (Ut54)

AC1- 1ª frente- consolidação do território (Ut55)

AC2- 2ª frente- relação com a Igreja (Ut56)

AC3- 3ª frente- economia, agricultura e povoamento (Ut57)

Gráfico 16: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – Prosa)

8º episódio (N= 5)

Ao compararmos o texto original com o texto produzido pelos alunos observamos