4.1. Narrativas dos alunos
4.1.2. Narrativas dos alunos que trabalharam o Texto B.D
Analisaremos os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 1º episódio: “ O Conde D. Henrique e a formação do Condado
Portucalense” (Ut1 a 9 – Ver Anexo 4).
Pela observação do Gráfico 18, detectamos que apenas dois alunos referiram que D. Afonso VI recompensou os serviços de D. Henrique, entregando-lhe o Condado Portucalense e a mão de sua filha em casamento (Ut1).
“ D. Henrique veio de França e ganhou o Condado Portucalense. D. Afonso deu-lhe ainda a sua filha em casamento.” (Aluno A)
“O rei de Leão estava a lutar contra os Mouros quando o Conde D. Henrique se ofereceu para lutar contra os Mouros ao lado dele. Por D.
Henrique lhe ter ajudado a vencer os Mouros ofereceu-lhe a sua filha D. Teresa em casamento e também o Condado Portucalense.” (Aluno C)
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NÚMERO TOTAL DE ALUNOS
AC+PE1-D. Afonso VI recompensa: casamento c/ D. Teresa e Condado Portucalense (Ut1)
AC+PE2- Conde D. Henrique/ autonomia do território/ fidalgos/ D. Geraldo (Ut4)
AC+PE3- Recusa da dependência/ nobres -pela imagem (Ut7)
AC+PE4- D. Afonso Henriques investiu-se cavaleiro na Catedral de Zamora (Ut9)
ES- Território/ Suevos (Ut2)
AV- Quem deve obediência política ao Conde, só à metrópole de Braga deve obediência religiosa (Ut3) AC- Recusa da dependência ao Arcebispo de Compostela (Ut5)
ER- A independência religiosa era, então, fundamental para a independência política (Ut6)
TR- Conflito D. Teresa (política perigosa) D. Afonso Henriques (Ut8)
Gráfico 18: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – B.D.)
1º episódio (N= 4)
O aluno C apresentou esta unidade de texto na sua narrativa com uma contextualização mais completa do que o aluno A. Ao lermos na narrativa do aluno C
“Por D. Henrique lhe ter ajudado a vencer os Mouros” percebemos que D. Henrique
recebeu D. Teresa em casamento e o Condado Portucalense por ter ajudado D. Afonso VI, rei de Leão, na luta contra os Mouros. Na narrativa do aluno A, apenas esta referido que D. Afonso deu a D. Henrique a sua filha D. Teresa em casamento e o Condado Portucalense. Embora este aluno tenha salientado que D. Henrique “ganhou” e que “D.
Afonso deu-lhe” não explicou como é que D. Henrique ganhou nem porque é que D.
Afonso lhe deu. O aluno C fez referência ainda ao facto de D. Afonso VI estar a lutar contra os Mouros quando D. Henrique chegou. Foi a única unidade de texto a ser referida pelos alunos nas suas narrativas. A presença desta unidade de texto talvez se deva ao facto dos alunos, nestas idades, valorizarem muito os aspectos familiares, como o casamento.
As restantes unidades de texto poderão ter sido consideradas menos importantes e/ou não terem sido entendidas devido à especificidade do discurso da Banda Desenhada. A alternância entre o discurso directo e indirecto, inerentes às falas das personagens (Balões) e à contextualização feita pelo narrador (Legenda), talvez tenha dificultado a compreensão do conteúdo das vinhetas que exigia uma articulação forte
entre elas. A explicação à ausência de um grande número de unidades de texto encontrar-se-á nesta situação.
De seguida analisaremos os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 2º episódio: “ As relações entre Afonso Henriques e o Reino de
Leão e Castela” (Ut10 a 21 – Ver Anexo 4).
Ao observarmos o Gráfico 19, reparamos que todos os alunos mencionaram a Batalha de S. Mamede nas suas narrativas (Ut18).
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NÚMERO TOTAL DE ALUNOS
AC+PE1- Rei Afonso VII recusava a independência/ Afonso Henriques não lhe merecia confiança (Ut10)
AC+PE2- Afonso VII levanta o Cerco (Ut16)
AC+PE3- Batalha de S. Mamede- D. Teresa e Fernão Peres de Trava/ D. Afonso Henriques (Ut18)
AC1- Cerco de Guimarães (Ut11) AC2- Batalha castelo de S. Mamede (Ut15) AC3- 1ª frente- consolidação do território (Ut19) AC4- Paz de Tui (Ut21)
TE1- 1127 (Ut12)
TE2- 1128- Batalha de S. Mamede (Ut17) TR1- Egas Moniz/ prestar vassalagem (Ut13) TR2- Como resolveu a situação (Ut14) ES- Fronteiras (mapa) Norte/ Leste (Ut20)
Gráfico 19: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – B.D.)
2º episódio (N= 4)
O estudo foi implementado com alunos de Guimarães. O “campo de S. Mamede” faz parte dos seus quotidianos. A Batalha de S. Mamede foi protagonizada por D. Afonso Henriques e sua mãe. Deste modo, a familiaridade deste acontecimento e o grau de parentesco entre os seus protagonistas são, possivelmente, as razões que explicam a presença desta unidade de texto em todas as narrativas dos alunos.
“D. Afonso Henriques queria tornar o Condado Portucalense independente. O rei de Leão e Castela não queria. Assim, D. Afonso Henriques teve uma batalha contra o rei de Leão e Castela, mas como estava a perder disse a Egas Moniz para avisar que já não queria batalhar. Ainda no ano 1127, D. Afonso Henriques teve uma batalha contra a sua mãe e saiu vitorioso.”
(Aluno A)
“Quando D. Afonso Henriques tinha 17 anos de idade, lutou contra a sua própria mãe. Essa batalha ficou a chamar-se Batalha de S. Mamede. A Batalha de S. Mamede ocorreu em 1127, e foi D. Afonso Henriques que saiu vitorioso. (Aluno B)
“Quando D. Henrique faleceu, D. Teresa tomou conta do Condado Portucalense. Alguns anos depois, D. Afonso Henriques revoltou-se contra D. Teresa, a sua mãe, e derrotou-a na batalha de S. Mamede. (Aluno C) “D. Afonso Henriques lutou com a sua mãe porque ele queria conquistar a independência e a sua mãe não queria. (Aluno D)
No entanto, nenhum fez referência ao ano em que a Batalha de S. Mamede ocorreu (Ut17). Apenas os alunos A e B tentaram, mas erraram a data. Disseram que
ocorreu em 1127. Estes alunos fizeram confusão com a data da batalha do castelo de S. Mamede (Ut12). O aluno A apresentou uma narrativa mais completa no que concerne a este episódio. Salientou os motivos que estão na origem da batalha do castelo de S. Mamede (Ut10) e o modo como D. Afonso Henriques resolveu a situação (Ut13 e 14).
Nenhum aluno fez referência ao Cerco de Guimarães (Ut11) nem salientou que
Afonso VII levantou, posteriormente, esse mesmo Cerco (Ut16), embora o aluno A faça
referência. Os alunos provavelmente não compreenderam o significado da expressão
“obrigá-lo a prestar vassalagem”. Estes acontecimentos (Ut11 e 16) ocorreram em
Guimarães, cidade onde estes alunos vivem. Por isso, é natural que tenham cogitado um pouco sobre eles. No entanto, ninguém os mencionou. Assim, a omissão destas unidades de texto (Ut11 e 16) poderá ser explicada pela dificuldade de compreensão do
seu conteúdo, nomeadamente o vocábulo “vassalagem”.
Por relatar ficaram, também, a consolidação do território (Ut19), as fronteiras do
mesmo (Ut20) e a Paz de Tui (Ut21). Estas informações aparecem no texto original na
mesma vinheta (Vinheta nº 9 – Ver Anexo 2) acompanhadas de um mapa que mostra as delimitações geográficas do Condado Portucalense:
“D. Afonso desencadeia a estratégia da independência em três frentes. A primeira é a frente militar. Combate nas fronteiras Norte e Leste contra Leão e Castela, obrigando o inimigo a assinar a Paz de Tui...” (Excerto da
Legenda/B.D. original)
Como podemos constatar no excerto da legenda, a informação de que D. Afonso Henriques “desencadeia a estratégia da independência em três frentes” e que a
“primeira é a frente militar” está clara e não suscita dúvidas aos alunos. Contudo, o
mesmo não acontece relativamente à informação posterior. No mapa, não há referência aos pontos cardeais nem o reino de Leão e Castela aparece identificado. No que concerne à Paz de Tui, apenas está referido que o inimigo foi obrigado a “assinar a Paz
Assim, os alunos possivelmente não conseguiram entender a informação patente nesta vinheta (Vinheta nº 9 – Ver Anexo 2) e, consequentemente, esqueceram a informação mais perceptível. Por isso, não mencionaram estas informações (Ut19, 20 e 21)
nas suas narrativas.
No momento que se segue serão analisados os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 3º episódio: “A afirmação do Condado
Portucalense” (Ut22 a 25 – Ver Anexo 4).
Nenhuma unidade de texto deste episódio foi referida pelos alunos nas suas narrativas, como podemos verificar através do Gráfico 20.
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NÚMERO TOTAL DE ALUNOS
AC- Ataque contra a mourama (Ut22)
ES- Sul/ Campo de Ourique (23)
AV- Meu senhor comportava-se como um rei. Levou o seu tempo a ser reconhecido como tal. As muitas viagens que fiz a Roma foram dando o seu fruto (Ut24)
AC+PE- Arcos Val-de-Vez/torneio ganho/ arcebispo de Braga- cavaleiros portugueses (Ut25)
Gráfico 20: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – B.D.)
3º episódio (N= 4)
O ataque contra a mourama (Ut22) no Campo de Ourique (Ut23) assim como o
torneio de Arcos de Val-de-Vez (Ut25) pouco ou nada terão despertado aos alunos, uma
vez que são localidades desconhecidas. Apenas terá ficado gravado nas suas mentes que se tratou de mais duas batalhas ganhas por D. Afonso Henriques, não havendo, por isso, necessidade de referi-las. A unidade de texto vinte e quatro (Ut24) talvez não tenha sido
referida pelo facto dos alunos não terem conseguido compreender a importância das viagens a Roma e o fruto que essas viagens deram. Os alunos também não terão entendido qual a importância de Roma para que D. Afonso Henriques fosse reconhecido como Rei.
Neste instante iremos analisar os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 4º episódio: “O reconhecimento de Afonso Henriques como rei
de Portugal” (Ut26 a 32 – Ver Anexo 4).
Das unidades de texto referentes a este episódio (Ver Gráfico 21), apenas a Conferência de Zamora e seus intervenientes (Ut26) foi salientada por dois alunos
(Aluno A e C), embora não tenham feito referência ao ano em que ocorreu (Ut27).
“E todas as batalhas vitoriosas, D. Afonso Henriques conseguiu na conferência de Zamora, numa reunião importante com o rei de Leão e Castela com um representante do Papa e o próprio D. Afonso Henriques que na Conferência de Zamora ficou com o Condado Portucalense, a ser chamado Portugal. (Aluno A)
“Depois de muitas batalhas, D. Afonso Henriques conseguiu tornar o condado Portucalense um reino independente na conferência de Zamora.”
(Aluno C)
A referência a esta unidade de texto pelo aluno C é clara, e mostra indubitavelmente que este aluno entendeu perfeitamente que foi na Conferência de Zamora que o Condado Portucalense ficou a ser um reino independente. Quanto ao aluno A, essa referência não é tão clara. No entanto, podemos dizer que tenha entendido que foi na Conferência de Zamora que o Condado Portucalense ficou a ser um reino independente porque escreve que “D. Afonso Henriques (…) na Conferência de Zamora
ficou com o Condado Portucalense”. Se acrescentarmos que este aluno salientou
anteriormente, na sua narrativa, que D. Afonso Henriques queria a independência do Condado Portucalense, as dúvidas que possamos ter quanto ao seu conhecimento destes factos diminuem. 0 1 2 3 4 NÚM E R O T O T A L DE AL U N O S
AC+PE1- Conferência de Zamora- D. Afonso VII/ Afonso Henriques/Cardeal (Ut26)
AC+PE2- Afonso VII reconhece Afonso Henriques como rei de Portugal (Ut30)
TE- 1143- Conferência de Zamora (Ut27)
AC1- 2ª frente (Havia de durar muito tempo até que o Papa concedesse a D. Afonso Henriques o título de Monarca (Ut28)
AC2- D. Afonso Henriques, rei de Portugal (Ut31)
AC3- Benefícios à Igreja (Ut32)
ER- Então considerado na cristandade europeia como rei dos reis (Ut29)
Gráfico 21: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – B.D.)
A demora da atribuição do título de monarca pelo Papa (Ut28), o facto deste ser
considerado na cristandade europeia como o rei dos reis (Ut29) e os benefícios
atribuídos à Igreja (Ut32) não foram mencionados, devido, possivelmente, a dificuldades
de compreensão, nomeadamente no que concerne ao papel do Clero na sociedade de então. Os alunos não mencionaram que D. Afonso VII reconheceu D. Afonso Henriques como rei de Portugal (Ut30) e que, desse modo, D. Afonso Henriques passou
a ser o rei de Portugal (Ut31) possivelmente por não perceberem a necessidade de ser
reconhecido como tal pelos seus pares.
Agora, serão analisados os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 5º episódio: “A expansão territorial do Reino de Portugal”
(Ut33 a 49 – Ver Anexo 4).
Pela observação do Gráfico 22, reparamos que nenhuma unidade de texto referente a este episódio foi mencionada pelos alunos nos seus ensaios.
0 1 2 3 4 N Ú M E R O TO TA L D E A L U N OS
AC1- Conquista de Santarém (Ut33) AC2- Metei-os à espada (Ut36) AC3- Conquista de Lisboa (38) AC4- Rendição-fome e sede (Ut41) AC5- Lisboa, capital do reino (Ut42)
AC6- 3ª frente-economia, agricultura e repovoamento (Ut43)
AC7- Concessões que fez (Ut44)
AC8- afonso Henriques concede direitos e liberdades (Ut47)
TR1- Estratégia militar/ operação nocturna-guerrilha (Ut34) TR2- Dificuldades do Cerco (Ut40)
TE1- 1147-Conquista de Santarém (Ut35) TE2- No mesmo ano-1147 (Ut37)
AC+PE1- Aproveitamento de uma expedição de cruzados (Ut39)
AC+PE2- Vitórias e derrota (Ut48) ES1- Mapa (Ut45)
ES2- Sul- Évora, Badajoz (Ut49)
ER- As nossas ordens nasceram para defender o túmulo de Cristo (Ut46)
Gráfico 22: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – B.D.)
5º episódio (N= 4)
Algumas delas retractam as conquistas de Santarém e Lisboa. Os alunos pouco ou nada se relacionam com a cidade de Santarém. No entanto, quanto a Lisboa, os resultados deveriam ser outros dado que se trata da capital de Portugal, devendo ser, à
partida, mais conhecida pelos alunos. Por outro lado, é uma cidade onde ocorrem variadíssimos acontecimentos, nomeadamente políticos, noticiados através da televisão que tanto vêem. Por isso, e uma vez que já é sabido, pelos alunos, que D. Afonso Henriques travou e ganhou muitas batalhas, chegando a rei de Portugal, estas duas conquistas foram, possivelmente, apenas consideradas “mais duas”.
Segundo Barton (1996), os leitores destas idades lembram-se com mais facilidade dos acontecimentos relativos ao começo e ao fim dos episódios. Do mesmo modo esquecem-se dos acontecimentos intermédios. Assim, os alunos poderiam, meramente, ter esquecido estas informações, apesar da presença da imagem que pode ajudar na memorização dos conteúdos. No entanto, se essas duas conquistas fossem em Guimarães, ou os alunos vivessem em Lisboa e/ou Santarém, mesmo tratando-se de “mais duas” seriam, talvez, mencionadas.
O combate na terceira frente (Ut43) foi omitido talvez devido à pouca importância
atribuída a factores como economia, agricultura e repovoamento. Uma vez que estes factores ainda não foram leccionados, os alunos ainda não têm sensibilidade para compreender a importância política destes factores. As concessões que fez (Ut44 e 45),
incluindo direitos e liberdades (Ut47) não foram referidos talvez pelo facto dos alunos
não estarem familiarizados com nomes como “Templários”, “Avis”, “Hospitalários”, “Santiago de Espada”, “Peões”, “Cavaleiros- vilãos”, Artesãos” e Mercadores”. Os alunos não compreenderam, possivelmente, o significado destes vocábulos, assim como a quem se referiam e que funções desempenhavam na sociedade. Talvez por isso, não conseguiram entender as medidas desencadeadas por D. Afonso Henriques.
A derrota de D. Afonso Henriques em Badajoz (Ut48 e 49) não foi salientada pelo
facto dos alunos, possivelmente, pensarem que D. Afonso Henriques apenas obteve vitórias. Há, de facto, uma tradição oral de apologia ao herói que D. Afonso Henriques fora. Por isso, a maioria das pessoas desconhece esta derrota (Ut48 e 49). Apenas sabe que
D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal por ter travado e ganho muitas batalhas. Como tal, os alunos possivelmente não associaram esta derrota com D. Afonso Henriques.
Nas linhas que se seguem, analisaremos os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 6º episódio: “Os últimos anos do reinado de D.
Ao observarmos o Gráfico 23 podemos salientar que três alunos (Aluno A, B e C) mencionaram a morte de D. Afonso Henriques (Ut54) em 1185 (Ut56).
“D. Afonso Henriques morreu em 1185” (Aluno A)
“D. Afonso Henriques morreu com 76 anos de idade em 1185” (Aluno B) “D. Afonso Henriques morreu em 1185” (Aluno C)
O aluno B refere, curiosamente, a idade provável que D. Afonso Henriques teria quando morreu. É curioso porque no texto que lera não existe qualquer referência à sua idade. Apenas ao ano da sua morte. Este aluno, talvez tenha trocado informações com um colega que lera o Texto em Prosa. Embora neste texto não haja, também, referências à sua idade, existe o registo da provável data de nascimento: “Do matrimónio de D.
Henrique e Dona Teresa, nasceu, por alturas de 1109, um filho a quem foi dado o nome de Afonso (…).” Deste modo, o aluno B calculou, certamente, a idade de D. Afonso
Henriques. 0 1 2 3 4 N Ú ME R O TO TA L D E A L U N O S TE1- 1179 (Ut50)
TE2- Nesse mesmo ano (Ut52) TE3- 1185 (Ut56)
AC+PE1- Reconhecimento pelo Papa do título de Monarca (Ut51)
AC+PE2- Luta de Mendes da Maia com Almoleimar- Vai para o inferno perro maldito (Ut53)
AC- Morte de D. Afonso Henriques (Ut54) ES- Santarém (Ut55)
Gráfico 23: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – B.D.)
6º episódio (N= 4)
Nenhuma das restantes unidades de texto foi referida pelos alunos nos seus ensaios. O reconhecimento pelo Papa do título de Monarca (Ut51) em 1179 (Ut50) não
foi referido possivelmente devido à dificuldade em compreender porque era o Papa
“considerado na cristandade europeia como rei dos reis”. O modo como o autor relata
este acontecimento também poderá ter dificultado a compreensão dos alunos: “No ano
de 1179, já em idade avançada, o monarca recebe, finalmente, o reconhecimento de sua realeza por Bula do Papa Alexandre III...” Talvez os alunos não tenham compreendido
que a expressão “o reconhecimento de sua realeza” referia-se ao reconhecimento do título de monarca, de rei.
O local onde D. Afonso Henriques faleceu (Ut55) não foi referido. Talvez os
alunos não o tenham considerado relevante. A luta de Mendes da Maia com Almoleimar (Ut53), também em 1179 (Ut52) não foi mencionada. Esta informação é posterior ao reconhecimento pelo Papa do título de monarca (Ut50 e 51). Como referimos
anteriormente, os alunos poderão não ter assimilado estes conteúdos devido à expressão utilizada pelo autor: “o reconhecimento de sua realeza”. Por outro lado, a mesma informação precede-se à morte de D. Afonso Henriques. Deste modo, é provável que os alunos tenham desviando a sua atenção para a morte de D. Afonso Henriques, não conseguido reter esta informação.
Analisaremos, neste espaço, os dados relativos às narrativas dos alunos, sobre as unidades de texto do 7º episódio: D. Sancho I, herdeiro de D. Afonso Henriques”
(Ut57 a 61 – Ver Anexo 4).
Todas as unidades de texto deste episódio foram omitidas pelos alunos, como podemos constatar pelo Gráfico 24. Os alunos já se aperceberam, pela leitura do episódio anterior (“Os últimos anos do reinado de D. Afonso Henriques”) que D. Afonso Henriques morrera, encontrando-se terminada a sua história. Deste modo, podemos salientar que os alunos possivelmente já não estavam motivados para a leitura do último episódio (D. Sancho I, herdeiro de D. Afonso Henriques”). Também podemos constatar que todas as unidades de texto deste episódio fazem referência a D. Sancho I, filho herdeiro de D. Afonso Henriques, contribuindo, provavelmente, para que os alunos continuassem desmotivados.
O resultado deste gráfico deve-se possivelmente a estes factores.
0 1 2 3 4 NÚ M E RO T O T A L DE AL U N
OS AC+PE1- D. Sancho luta contra os Árabes (Ut57)
AC+PE2- D. Sancho entrega-se ao povoamento do território (Ut61)
ES- Alentejo (Ut58)
AC1- Conquista do Alentejo (Ut59)
AC2- Reconquista do Alentejo peloa Árabes (Ut60)
Gráfico 24: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos (Texto – B.D.)
Comentários
Neste momento serão apresentadas algumas explicações prováveis relativamente aos resultados das narrativas dos alunos analisadas nesta subsecção. Para tal, serão alvo de atenção alguns aspectos:
• número de unidades de texto presentes no texto original; • unidades de texto salientadas pelos alunos nas suas narrativas; • número de ocorrências que as unidades de texto apresentam; • número de alunos que referiram as unidades de texto.
O conteúdo das unidades de texto e as categorias estabelecidas (Ver Capítulo da Metodologia: 96) também serão considerados.
A Tabela 11 foi construída para servir de base à análise e comentários apresentados.
Categorias
Unidades de texto (texto original)
Unidades de texto (narrativas dos alunos)
Ocorrência das Unidades de texto Nº de alunos TE 8 2 4 3 ES 7 0 0 0 PE 0 0 0 0 AC 20 2 5 4 AC+PE 16 4 9 4 ER 3 0 0 0 AV 2 0 0 0 TR 5 2 2 1
Tabela 11: Número de ocorrências das unidades de texto nas narrativas dos alunos – Texto B.D. (N= 4)
Legenda:
TE- Tempo AC+PE- Acontecimento + personagem(s)
ES- Espaço ER- Enunciados de referência
PE- Personagem(s) AV- Avulso
Nela podemos observar, por exemplo, que no texto original existem oito unidades de texto TE (Tempo) e que dessas oito unidades de texto, apenas duas são referidas nas narrativas dos alunos. Também reparámos que essas unidades de texto (TE – Tempo) foram referidas conjuntamente, e não cada uma, quatro vezes e por três alunos, num total de quatro. Assim, podemos salientar que, se apenas três alunos referiram duas unidades de texto TE (Tempo) num total de quatro ocorrências, um dos alunos referiu as duas unidades de texto.
Ao observarmos a Tabela 11, concluímos que tanto a nível do número de unidades de texto narradas como ao número de ocorrências das unidades de texto narradas, as unidades de texto AC + PE (Acontecimento + Personagem) e AC (Acontecimento) são as mais referidas pelos alunos, em termos absolutos. Nenhum aluno mencionou unidades de texto ES (Espaço), ER (Enunciados de Referência) e AV (Avulso). Das oito unidades de texto TE (Tempo), os alunos referiram duas. No entanto, das quatro ocorrências, três referem-se à morte e D. Afonso Henriques (Ut56), e a outra ao Cerco de
Guimarães (Ut12). Em cinco unidades de texto TR (Trama), duas foram mencionadas:
Egas Moniz presta vassalagem (Ut13) e o estratagema que D. Afonso Henriques adoptou
para resolver a situação do cerco (Ut14). Cada uma foi referida uma vez.
Podemos dizer que a informação retida pelos alunos não dependeu do carácter inerente a cada categoria de unidades de texto, uma vez que, ao longo dos sete episódios, as unidades de texto relacionadas com o tema central do texto (Reinado de D. Afonso Henriques) foram as mais mencionadas pelos alunos nas suas narrativas, independentemente das categorias a que estavam associadas. Esta circunstância é natural dado que, segundo a professora titular da turma, os alunos apresentam competências bastante positivas quanto à identificação das ideias principais de um texto.