2.5 NORMATIZAÇÃO
2.5.5 NBR 15575: Desempenho de edificações habitacionais
A NBR 15575: Desempenho de edificações habitacionais (ABNT, 2013), descreve os requisitos para a avaliação de desempenho dos SPHS. Segundo sua introdução, as normas de desempenho buscam atender as exigências dos usuários, independente do material que constitui os sistemas, focando no seu comportamento quanto ao uso.
Todas as normas em vigor, até o surgimento desta, são prescritivas, ou seja, uma série de requisitos e critérios para um material ou procedimento específico, tratado do modo que o produto deve ser quando vai à obra, já a norma de desempenho regulamenta a forma como a edificação deve se comportar depois de entregue.
Normas de desempenho são estabelecidas buscando atender às exigências dos usuários que, no caso desta Norma, referem-se a sistemas que compõem edificações habitacionais, independentemente dos seus materiais constituintes e do sistema construtivo utilizado. (NBR 15575-1 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013, p. 1).
A norma de desempenho foi criada pelo Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-02) e pela Comissão de Estudos de Desempenho de Edificações (CE-02.136.01). Entrou em vigor pela primeira vez em 2008, porém, não era prevista para ser aplicada em empreendimentos residenciais que estavam sendo projetados naquela época, assim, passou por análises e entrou oficialmente em vigor a NBR 15575: Desempenho de edificações habitacionais, a partir de julho de 2013.
A norma foi então dividida em 6 partes, um conjunto normativo bastante amplo, sendo eles:
● NBR 15575-1: Parte 1 – Requisitos gerais (ABNT, 2013);
● NBR 15575-2: Parte 2 – Requisitos para os sistemas estruturais (ABNT, 2013); ● NBR 15575-3: Parte 3 – Requisitos para os sistemas de pisos (ABNT, 2013);
● NBR 15575-4: Parte 4 – Requisitos para os sistemas de vedação verticais internas e externas (ABNT, 2013);
● NBR 15575-5: Parte 5 – Requisitos para os sistemas de cobertura (ABNT, 2013); ● NBR 15575-6: Parte 6 – Requisitos para os sistemas hidrossanitários (ABNT,
2013).
2.5.5.1 Parte 1: Requisitos gerais
A NBR 15575-1: Parte 1 – Requisitos gerais (ABNT, 2013), trata dos requisitos e critérios gerais de desempenho aplicáveis às edificações habitacionais, bem como as interações entre os diferentes elementos da obra, avaliando-os também de forma isolada. Para efeitos da norma, a edificação deve atender às exigências de desempenho mínimo para cada item citado abaixo:
● Segurança estrutural; ● Segurança contra o fogo;
● Segurança no uso e na operação; ● Estanqueidade;
● Desempenho térmico; ● Desempenho acústico; ● Desempenho lumínico;
● Saúde, higiene e qualidade do ar; ● Conforto tátil e antropodinâmico; ● Durabilidade;
● Manutenibilidade; ● Impacto ambiental.
A norma estabelece também o tempo vida útil para cada um dos sistemas desde que o programa de manutenção seja seguido, entretanto, o prazo de garantia certificada é definido pelo projetista, construtor e incorporador e, segundo a norma, recomenda-se que os prazos de garantia sejam iguais ou maiores que o tempo de vida útil indicado para cada elemento.
De acordo com a referida norma técnica, serão discutidos conceitos a seguir:
Vida útil (VU): Período de tempo em que um edifício e/ou seus sistemas se prestam às atividades para as quais foram projetados e construídos considerando a periocidade e correta execução dos processos de manutenção especificados no respectivo Manual
de Uso, Operação e Manutenção (a VU não pode ser confundida com o prazo de garantia legal e certificada). (NBR 15575-1 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013, p. 1).
Vida útil de Projeto (VUP): Período estimado de tempo para o qual um sistema é projetado a fim de atender aos requisitos de desempenho estabelecidos nesta norma, considerando o atendimento aos requisitos das normas aplicáveis, o estágio do conhecimento no momento do projeto e supondo o cumprimento da periocidade e correta execução dos processos de manutenção especificados no respectivo Manual de Uso, Operação e Manutenção (a VUP não deve ser confundida com tempo de vida útil, durabilidade, prazo de garantia legal e certificada). (NB 15575-1 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013, p. 1).
Prazo de garantia Legal: Período de tempo previsto em lei que o consumidor dispõe para reclamar dos vícios (defeitos) verificados na compra de produtos duráveis. (NBR 15575-1 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013, p. 1).
Prazo de garantia Certificada: Período de tempo, acima do prazo de garantia legal, oferecido voluntariamente pelo fornecedor na forma de certificado ou termo de garantia de contrato, para que o consumidor possa reclamar dos vícios (defeitos) verificados na compra do seu produto. Este prazo pode ser diferenciado para cada um dos componentes do produto a critério do fornecedor. (NBR 15575-1 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013, p. 1).
2.5.5.2 Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais
A NBR 15575-2: Parte 2 – Requisitos para os sistemas estruturais (ABNT, 2013), não propõe mudanças na forma de construir e projetar, mas denomina requisitos para os sistemas estruturais, estabelecendo limites, bem como indicando métodos para mensurar os impactos que a estrutura deve suportar.
2.5.5.3 Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos
A NBR 15575-3: Parte 3 – Requisitos para os sistemas de pisos (ABNT, 2013), traz requisitos técnicos para os sistemas de pisos tanto em ambientes internos quanto externos.
2.5.5.4 Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedação verticais internas e externas
A NBR 15575-4: Parte 4 – Requisitos para os sistemas de vedação verticais internas e externas (ABNT, 2013), abrange os requisitos e métodos para a avaliação de desempenho dos sistemas de vedação verticais internas e externas (SVVIE) das edificações habitacionais, que podem assumir funções estruturais como estanqueidade, isolamento térmico e acústico, capacidade de fixação de peças, capacidade de suporte a esforços de uso entre outros que não afetam os demais elementos da construção, mas que influenciam no desempenho da edificação.
2.5.5.5 Parte 5: Requisitos para os sistemas de cobertura
A NBR 15575-5: Parte 5 – Requisitos para os sistemas de cobertura (ABNT, 2013), prescreve os requisitos mais impactantes para a edificação como a durabilidade dos sistemas, segurança e saúde dos usuários, resistência ao fogo, estanqueidade e segurança estrutural.
O sistema de cobertura (SC) é a parte mais exposta da edificação, exercendo funções importantes que podem interferir diretamente na durabilidade dos demais elementos. Fazem parte dos sistemas de cobertura elementos como lajes, telhados, forros, platibandas calhas e rufos.
Sendo a parte mais exposta da edificação, o sistema deve apresentar um nível satisfatório de segurança à ruína, deve evitar a infiltração de água, também apresentar transmitância térmica e absorbância à radiação solar por conta da alta exposição à radiação direta do sol.
2.5.5.6 Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários
A NBR 15575-6: Parte 6 – Requisitos para os sistemas hidrossanitários (ABNT, 2013), estabelece critérios de desempenho aplicados aos sistemas hidrossanitários da edificação, compreendendo sistemas de água fria, quente, sanitários, ventilação e águas pluviais. A norma visa alcançar a qualidade requerida, prescrevendo desde a durabilidade, previsão e antecipação de critérios de manutenção, funcionamento, até o uso racional de água.
Para que não haja risco, os sistemas hidrossanitários devem apresentar estanqueidade, resistência a pressão, não provocar golpes e vibrações, além de conseguir manter a vazão e o volume mesmo quando usados simultaneamente.
As instalações hidrossanitárias são responsáveis diretas pelas condições de saúde e higiene requeridas para a habitação, além de apoiarem todas as funções humanas nela desenvolvidas (cocção de alimentos, higiene pessoal, condução de esgotos e águas servidas etc.). As instalações devem ser incorporadas à construção, de forma a garantir a segurança dos usuários, sem riscos de queimaduras (instalações de água quente), ou outros acidentes. Devem ainda harmonizar-se com a deformabilidade das estruturas, interações com o solo e características físico-químicas dos demais materiais de construção. (NBR 15575-6 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013, p. 3).
Existe ainda, uma abordagem de cunho sustentável, por meio de recomendação, como o uso de aparelhos economizadores de água e também soluções que minimizam o consumo de água, possibilitando o seu reuso, reduzindo a demanda e minimizando o volume de esgoto.
Para manter a durabilidade dos sistemas hidrossanitários, a NBR 15575 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (2013), diz que é necessário manter sua capacidade funcional durante seu período de vida útil estipulado de 20 anos, conforme mostrado na Tabela 2. A vida útil do sistema hidrossanitário é menor do que a do sistema estrutural e das vedações verticais externas e, por isso é passível de substituição em maior número.
Tabela 2 - Vida útil de projeto
Fonte: NBR 15575-1 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (2013).
O SPHS de forma geral deve durar 20 anos, porém alguns componentes oferecem uma vida útil menor que o tempo previsto na norma, sendo assim, precisam ser substituídos ou precisam de manutenção temporária. O projeto deverá apresentar todas as informações dos prazos de substituição e manutenção de todos os elementos que do sistema (SOUZA; MELO, 2017).
Para atender aos critérios de desempenho e de durabilidade, as construtoras deverão recorrer a uma serie de ensaios, um deles é o ensaio de deformação sob a ação da água, nele um reservatório poliolefínico é submetido a uma temperatura de 50 ºC durante 48 horas, podendo verificar se houve deformação do corpo do reservatório. Segundo a norma, referente a segurança estrutural, os fixadores ou suportes das tubulações devem resistir a cinco vezes o peso próprio das tubulações cheias d’água, para isso também são feitos ensaios em laboratório ou em campo.
Considerando a segurança contra incêndio, a norma cita que o sistema deve dispor de um reservatório domiciliar de água fria, superior ou inferior, com volume de água necessário para o combate a incêndio, além do volume de água necessário para consumo dos usuários.
De acordo com a parte da norma que descreve a saúde, higiene e qualidade do ar, o sistema de água fria deve ser separado fisicamente de qualquer outra instalação que conduza água não potável ou fluido de qualidade insatisfatória, desconhecida ou questionável.
Por fim, os materiais e produtos a serem utilizados nos sistemas hidrossanitários devem atender as suas normas prescritivas específicas, sendo uma alternativa a consulta do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H).