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Ao elaborar um projeto hidrossanitário, o projetista deve buscar a excelência do funcionamento dos sistemas hidráulicos e sanitários, para isso é preciso avaliar vários itens, entre eles a compatibilização com outros projetos, o melhor custo-benefício e a previsão de instalação de tubulações de aviso, que auxiliam na detecção de problemas no sistema e na manutenção. É preciso também tomar cuidado para não ocorrer interligação entre água potável e não potável, não podendo ocorrer conexão cruzada.

O engenheiro sanitarista Silva, J. (2015) elaborou, em parceria com a Alto QI, um guia prático com 10 itens indispensáveis para execução de um projeto hidrossanitário eficiente. Com intuito de verificar a eficiência do projeto hidrossanitário aprovado, foram analisadas as sugestões do engenheiro junto com as normas específicas, já mencionadas nos capítulos anteriores.

É importante analisar e compatibilizar o projeto hidrossanitário com os projetos elétrico, estrutural e afins, para não haver futuras modificações no traçado das tubulações durante a execução. Essa análise inicial ameniza retrabalhos e soluciona antecipadamente possíveis interferências. É possível um tubo de esgoto atravessar uma viga, mas essa situação deve ser prevista e calculada pelo projetista estrutural.

No projeto aprovado verifica-se a compatibilização do hidrossanitário com um lançamento prévio do estrutural, mas superficialmente, pois é no projeto executivo que se faz uma compatibilização mais detalhada entre os sistemas.

O sistema hidráulico seguiu a norma NBR 5626 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (1998), que impõe um volume de reservatório para suprir o consumo de, no mínimo, um dia de edificação, o consumo médio considerado foi de 200 litros/dia por habitante. Na edificação adotou-se dois reservatórios superiores de 10.000 litros cada e uma cisterna com volume de 25.000 litros.

No projeto hidrossanitário aprovado não foi previsto nenhum tipo de sistema central coletivo para aquecimento de água, apenas a utilização de aquecedores elétricos de passagem que alimentam pontos de consumo específicos conforme necessidade dos moradores.

Em relação a rede sanitária, devido à ausência de uma rede pública na região de construção da edificação, optou-se por um processo de tratamento composto por tanque séptico, filtro anaeróbico, colador e por fim conexão na rede pluvial. O dimensionamento do tanque séptico seguiu as disposições da NBR 7229 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (1997), já o dimensionamento do filtro anaeróbio seguiu as recomendações da NBR 13969 da

Associação Brasileira de Normas Técnicas (1997) e também a normativa interna da vigilância sanitária.

Outro ponto de atenção no projeto de rede sanitária é a aplicação de joelhos ou curvas de 90º em mudanças de direções horizontais dos ramais de descarga e de esgoto, como exemplificado na Figura 11. No projeto é possível verificar a utilização de joelhos de 45º ou curvas de raio longo, que facilitam o escoamento e possíveis manutenções. É comum os moradores reclamarem da espuma que se acumula nos ralos de banheiros e das cozinhas, essa geração de espuma tem a ver com a turbulência gerada pelo escoamento de água na base das colunas, usar joelhos de 45º diminuem a turbulência causada.

Figura 11 - Curvas em tubulações de esgoto

Fonte: Guia de boas práticas para projeto hidrossanitário. Alto QI. 2015.

Como os subcoletores e coletores das tubulações de esgoto serão enterrados, é necessária a aplicação de caixas de passagem nos pontos de interligação de ramais. No projeto, na planta baixa do térreo, é possível observar a utilização de caixas de passagem em mudanças de direções e quando a tubulação atinge distância de 12 metros. O dimensionamento da rede sanitária seguiu a NBR 8160 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (1999).

Uma estrutura importante da rede sanitária é a rede de ventilação. Sua função principal é manter a pressão atmosférica dentro da tubulação, evitando a geração de pressão negativa, que pode provocar a sucção da água existente nos elementos sifonados. Se há a sucção de água dos elementos sifonados, como a caixa sifonada, há o retorno de odores para o ambiente.

No projeto observa-se a coluna de ventilação ligada ao ramal de descarga, visando impedir o acesso do esgoto sanitário ao seu interior. A extremidade superior da coluna de ventilação está aberta para atmosfera na cobertura.

Também é recomendado que todos os ramais sanitários horizontais sejam instalados considerando uma pequena declividade, conforme análise do projeto foi possível identificar uma nota em todas as pranchas, que define declividades mínimas a serem executadas em função do diâmetro da tubulação.

Na edificação em questão não existe o aproveitamento de água pluvial, a mesma segue para a rede de drenagem pluvial da rua. O dimensionamento do sistema pluvial seguiu as prescrições da NBR 10844 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (1989), considerando um período de retorno de 25 anos a intensidade adotada foi de 144 mm/h, foi sugerido a utilização de calhas retangulares de 30x15 cm, sendo a lâmina d’agua de 6 cm, os condutores verticais e horizontais foram calculados conforme os ábacos fornecidos pela norma.

Após estudo do projeto hidrossanitário do edifício aprovado pelo órgão responsável, verificou-se que o projeto está dentro das normas e padrões estabelecidos. Foram conferidas as tubulações de água e esgoto, juntamente com seus respectivos diâmetros e declividade. As caixas de gordura, inspeção, pluviais e o sistema de tratamento de esgoto estão de acordo com o memorial de cálculo, o detalhamento e a planta baixa apresentada. O detalhamento do isométrico das tubulações de água fria contém o nome, o diâmetro do barrilete que para eles contribui e as cotas de toda a tubulação.

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