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3.3 – Necessidade de ações educacionais adequadas

3.3 – Necessidade de ações educacionais adequadas.

Em geral os alunos com TDAH apresentam dificuldades significativas no rendimento escolar. Se os sintomas são observados quando a criança ainda está nos primeiros anos de escolarização e a equipe pedagógica inicia o

acompanhamento do aluno, ações educacionais voltadas às necessidades do educando podem ser planejadas.

As interferências que o transtorno provoca na memória operacional, nas funções executivas e na modulação da memória depreciam a cognição. Estudos demonstram que ações dirigidas potencializam o aprendizado dos alunos e eleva os níveis de rendimento (LIDDLE. et.al. 2010).

Acredita-se que todas as ações educacionais destinadas a atender as necessidades dos alunos com TDAH, estejam inseridas no contexto da aprendizagem significativa. Sabe-se que a emoção é um dos moduladores da memória, se o aprendizado integra-se às práticas sociais dos alunos e proporciona experiências satisfatórias, os resultados do transtorno podem ser reduzidos.

Os documentos que norteiam a prática pedagógica da Educação Infantil e do Ciclo de Alfabetização convergem para o conceito da aprendizagem significativa. O Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil sugere que o trabalho pedagógico com as crianças, esteja inserido na perspectiva do brincar. Que os conteúdos sejam instrumentos para o desenvolvimento de habilidades fundamentais para o desenvolvimento do aluno e sequencia no processo de escolarização (BRASIL, 1998).

O ciclo de alfabetização norteia o trabalho pedagógico contextualizado à prática social do aluno. Percebem-se nos eixos norteadores princípios do pensamento de Vigotsky e Ausubel, que grosso modo, propõem a interação entre os sujeitos e o aprendizado inserido no contexto cotidiano do aluno, respectivamente (BRASIL, 2012). Estes pressupostos são estabelecidos para a educação de todos os educandos, mas tornam-se extremamente necessárias na escolarização de alunos com déficit de atenção.

A fim de potencializar a consolidação do conhecimento, cujas informações são retidas na memória curto e longo prazo, é necessário, como dito anteriormente, a continuidade no processo. Proporcionar ao educando situações nas quais, o conteúdo possa ser repetido no contexto significativo,

apresenta-se como estratégia facilitadora da aprendizagem do aluno com TDAH, pois:

Recentemente, um experimento com seres humanos fez uso de um anestésico inalado que atua especificamente sobre a amígdala: o resultado foi a abolição da memória vinculada a influências emocionais. As conclusões que se podem tirar desses experimentos são de que a amígdala recebe informações de natureza emocional [...] e as conecta com informações mnemônicas em processo de consolidação [...], fortalecendo ou enfraquecendo a emoção (LENT, p.671, 2010).

Uma das estratégias educacionais que atende a esses conceitos é o reforço escolar, a ser realizado por meio de exercícios que possibilitem a reflexão do aluno sobre os conteúdos já ministrados e que favoreçam a construção dos traços de memória. Será desejável que os recursos educacionais utilizados no reforço sejam concretos, por exemplo, jogos educativos, músicas, filmes, desenhos, entre outros que integre o conteúdo ao cotidiano do aluno (BRASIL, 2012).

No entanto, a desatenção é um dos fatores que deprecia a modulação da memória e interfere no rendimento escolar do aluno. Ao elencar estratégias para potencializar a cognição do educando, o educador deverá considerar estratégias que favoreçam a atenção. Pesquisas têm demonstrado que a administração de metilfenidato, associada a estímulos associados à motivação elevam o rendimento do sujeito em testes de controle inibitório.

Por meio de exames de imagem os pesquisadores verificam o desempenho de sujeitos com TDAH com indivíduos referência sem o transtorno. O grupo com o déficit é dividido e metade recebe apenas doses de metilfenidato, enquanto outro grupo além das doses de medicação são submetidos a estímulos motivacionais (LIDDLE. et.al. 2010).

O metilfenidato está relacionado com o aumento de dopamina e noradrenalina nas sinapses. Porém, sabe-se que apenas uso do medicamento não é recomendado pelos especialistas no tratamento do transtorno. O transitório efeito do fármaco, diante da demanda do SNC para o equilíbrio fisiológico dos circuitos neurais envolvidos com a atenção, memória de

trabalho, memória emocional, DMN, e de estruturas correlatas sustentam a necessidade de ações que potencializam a funcionalidade destas regiões (Idem).

Os resultados dos estudos demonstram que o desempenho dos alunos submetidos a essa técnica, em tarefas que exigem atenção sustentada tem aumento significativo. A desativação reduzida da DMN apresenta níveis de normalidade que se assemelham a de sujeito sem o transtorno:

In children with ADHD, attenuated DMN deactivation during an inhibitory control task can be normalised either by task-related motivational incentives or by methylphenidate (an indirect dopamine agonist), rendering their pattern of task-related DMN deactivation indistinguishable from that of typically developing children5 (LIDDLE. et.al. p.21, 2010)

Acredita-se que estas não são as únicas estratégias no âmbito educacional que atendam as necessidades de alunos com TDAH. A brevidade do trabalho fez com que merecessem destaque, pois, podem servir de fundamento para as demais. Vale ressaltar que a equipe pedagógica deve acompanhar a evolução do aluno, por meio de diversos instrumentos num processo contínuo de avaliação.

Portanto, a fim de atender as necessidades de alunos com TDAH três eixos norteadores podem ser elencados neste trabalho: O diagnóstico multidisciplinar, seguido de ações multidisciplinares realizadas por especialistas da área de saúde, entre eles, o médico e o psicólogo e ações educacionais no âmbito da escola. Estas ações realizadas de forma integrada proporcionarão melhor qualidade de vida ao sujeito, pois, atendem as lacunas provocadas pelo transtorno nas diversas esferas que constituem a vivência do indivíduo com TDAH.

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Em crianças com TDAH, atenuada desativação DMN durante uma tarefa de controle inibitório pode ser normalizada por incentivos motivacionais relacionadas com a tarefa e por metilfenidato (um agonista da dopamina indireta), tornando seu padrão de relacionado com a tarefa DMN desativação indistinguível da de crianças com desenvolvimento típico (LIDDLE et.al p.21, 2010).

CONCLUSÃO

As pesquisas para determinar os marcadores biológicos do TDAH avançam, apesar de atualmente não haver perspectiva de cura, o conhecimento sobre o déficit de atenção solidifica-se. A relação da patologia com as alterações fisiológicas e funcionais no córtex pré-frontal, hipocampo, amígdala, DMN, tronco encefálico e estruturas correlatas, convergem com disfunções, sobretudo, nos sistemas dopaminérgico e noradrenérgico.

A desatenção tem intrínseca relação com a depreciação da memória de trabalho. Esta anomalia provoca dificuldades na cognição e aprendizado, que depende das funções executivas no processamento, seleção e retenção das informações nas memórias de curto e longo prazo. A hipoativação do córtex pré-frontal ocasionada pelo transtorno potencializa estas disfunções.

A reduzida desativação da Rede Modo Padrão (DMN) também influenciada pelas disfunções fisiológicas monoaminérgicas, contribui com a desatenção. A conectividade cerebral estabelece circuitos neurais que integram, inclusive a memória, a emoção e o aprendizado. A influência da DMN nas tarefas que requerem atenção direcionada, contribuem com o baixo rendimento dos alunos com TDAH.

O transtorno afeta o aprendizado e a memória por meio da memória emocional, que além do córtex pré-frontal, possui relação com a amígdala e hipocampo. A hiperatividade e a impulsividade e os sintomas a elas atribuídos atuam, sobretudo, como moduladores da memória, depreciando sua ação. Produz ainda, atuação sobre a memória operacional, pois, o estresse gerado pelas emoções negativas não favorece a retenção das informações.

Conclui-se que há alterações fisiológicas significativas no encéfalo quando acometido de TDAH. O córtex pré-frontal, amígdala, DMN, tronco encefálico, gânglios da base, entre outras são afetadas pelo transtorno. As redes e circuitos neurais relacionados a atenção e memória, a conexão entre as regiões encefálicas possibilitam a integração anatomia, fisiológica e funcional.

Portanto, ainda que não seja possível a cura do transtorno, por meio de ações médicas, terapêuticas e educacionais direcionadas para o equilíbrio fisiológico, sobretudo, dos sistemas de dopamina e noradrenalina, em geral, com o uso de metilfenidato. O ajuste comportamental com auxílio terapêutico adequado, e ainda, ações educacionais no contexto da aprendizagem significativa, reforço positivo e ambiente escolar motivacional podem proporcionar à criança melhores condições de aprendizado e convívio social.

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