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4. Resultados e Discussão

4.4. Análise Univariada

4.4.1. Atributos Microbiológicos do Solo

4.4.1.2. Nitrogênio da Biomassa Microbiana

De acordo com a Análise de Variância das variáveis NBM_1_1 (nitrogênio da biomassa microbiana no final do primeiro cultivo de milho), NBM_1_2 (nitrogênio da biomassa microbiana no primeiro cultivo de aveia – coleta 1) e NBM_1_3 (nitrogênio da biomassa microbiana no final do segundo cultivo de milho) (Tabela 4), os tratamentos não apresentaram diferença significativa (nível mínimo de significância de 72,56%, 58,1% e 12,42%, respectivamente), podendo as diferenças (quando existentes) serem por outros motivos que não os tratamentos. A única variável que apresentou diferença significativa entre os tratamentos, segundo a Análise de Variância (Tabela 44 em anexo) foi NBM_2_2 (nitrogênio da biomassa microbiana no final do primeiro cultivo de aveia), sendo que 88,23% da variabilidade total é explicada pelo modelo. Na Tabela 10 são apresentados os resultados que não apresentaram diferença significativa (NBM_1_1, NBM_1_2 e NBM_1_3).

Tabela 10: Nitrogênio da Biomassa Microbiana (mg N.kg solo seco-1) no término do primeiro cultivo

de milho (27/5/2003), coleta 1 do primeiro cultivo de aveia (20/8/2003) e final do segundo cultivo de milho (12/5/2004) em um Argissolo Vermelho Amarelo típico com diferentes formas de adubação nitrogenada, com uma (1X) e duas (2X) vezes a necessidade da cultura.

Tratamento Milho 1 - (27/5/2003) Média ± erro padrão Média ± erro padrãoAveia 1 - (20/8/2003) Média ± erro padrãoMilho 2 - (12/5/2004)

Experimento 78,88 ± 6,40 114,30 ± 7,25 84,18 ± 7,03 Testemunha 93,70 ± 24,51 a 97,73 ± 4,51 a 51,05 ± 14,72 b Adubação Química 1X 83,97 ± 16,39 a 123,57 ± 22,82 a 69,88 ± 26,71 ab Esterco Líquido 1X 79,42 ± 14,65 a 128,97 ± 22,93 a 87,45 ± 14,13 ab Cama Sobreposta 1X 78,15 ± 6,04 a 109,35 ± 19,77 a 105,26 ± 20,59 a Adubação Química 2X 64,97 ± 19,18 a 123,96 ± 29,12 a 91,00 ± 18,12 a Esterco Líquido 2X 64,92 ± 18,86 a 115,80 ± 23,70 a 83,95 ± 11,88 ab Cama Sobreposta 2X 87,03 ± 22,52 a 100,74 ± 12,29 a 100,64 ± 20,04 a

Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste T (p<0,05).

Nota-se maiores valores médios de nitrogênio da biomassa microbiana na primeira coleta da aveia em relação ao final do primeiro cultivo de milho. Isso se deu em função do menor tempo decorrido para determinar o nitrogênio da biomassa microbiana das amostras (5 meses para a determinação das amostras do final do primeiro cultivo de milho e um mês e quinze dias para a primeira coleta do primeiro cultivo de aveia). O que pode ser verificado

durante o período de execução dos trabalhos é que conforme aumenta o tempo para fazer as determinações diminui os valores de nitrogênio da biomassa microbiana, ou seja, quanto mais rápidas forem as determinações, menor será a variação encontrada. Segundo Nuernberg et al. (1984), as maiores populações de microorganismos são verificadas no período imediatamente após as colheitas, devido à maior disponibilidade de material orgânico servindo de substrato para o crescimento microbiano.

No término do segundo cultivo de milho também não houve diferença significativa entre os tratamentos, exceção à testemunha que diferiu apenas dos tratamentos com cama sobreposta. Conforme já citado anteriormente, houve um período muito chuvoso na época em que foi colhido o segundo cultivo de milho, que interferiu diretamente no carbono da biomassa microbiana, mas que não afetou de forma negativa o nitrogênio da biomassa microbiana. A pequena queda no nitrogênio da biomassa microbiana no final do segundo cultivo de milho em alguns dos tratamentos, pode estar relacionada a outros fatores, já que a mineralização do N não sofre efeitos das altas precipitações como ocorre com o C (Wardle, 1998). Porém, Moreira & Siqueira (2002), afirmam que as altas precipitações provocam anoxia no solo e reduzem a imobilização/mineralização do N no solo, sendo, portanto, um tema controverso entre os autores.

De acordo com a Análise de Variância da variável NBM_2_2 (nitrogênio da biomassa microbiana no final do primeiro cultivo de aveia) (Tabela 44 em anexo), os tratamentos apresentaram diferença significativa, e 88,23% da variabilidade total é explicada pelo modelo. Os dados referentes ao nitrogênio da biomassa microbiana no término do primeiro cultivo de aveia são apresentados na Tabela 11. De acordo com os resultados apresentados, houve a formação de quatro grupos. O tratamento que se destacou perante os demais foi o com cama sobreposta (2X). Em segundo lugar ficaram os tratamentos com esterco líquido (2X) e adubação química (2X), que não apresentaram diferença significativa para os tratamentos com esterco líquido (1X) e com cama sobreposta (1X). Esses dois últimos, por sua vez, não diferiram estatisticamente do tratamento adubação química (1X), que formou o terceiro grupo. Por último ficou a testemunha. Os maiores valores de nitrogênio da biomassa microbiana para o tratamento com cama sobreposta (2X) se devem provavelmente à redução da relação C:N do composto, propiciando uma maior imobilização dos nutrientes pela biomassa microbiana, evitando que esses nutrientes sejam perdidos. No segundo grupo, pode-se destacar os tratamentos com cama sobreposta (1X) e com esterco líquido (1X), que não diferiram significativamente dos tratamentos com adubação química (2X), esterco líquido (2X). Os

tratamentos orgânicos com a dosagem recomendada apresentaram atividade do nitrogênio da biomassa microbiana semelhantes ao tratamento químico e ao tratamento com esterco líquido com o dobro da necessidade, evidenciando que boa parte dos nutrientes aplicados em excesso não estão sendo imobilizados pela biomassa microbiana, podendo estar sendo perdidos ou por volatilização ou por lixiviação. O tratamento com adubação química (1X) apresentou atividade do nitrogênio da biomassa microbiana superior apenas à testemunha. Se for levado em conta os tratamentos com a dosagem recomendada, os tratamentos orgânicos não apresentaram diferença entre si, mas foram superiores ao tratamento químico. Segundo Nuernberg et al. (1984), os microrganismos utilizam o nitrogênio orgânico dos resíduos orgânicos para dar atendimento às suas necessidades metabólicas, sendo que sua concentração naqueles resíduos funciona como regulador da velocidade de decomposição dos mesmos e, conseqüentemente, sobre a liberação de CO2 e concentração de amônio e nitrato no solo.

Tabela 11: Nitrogênio da Biomassa Microbiana (mg N.kg solo seco-1) no término do primeiro cultivo

de aveia (25/10/2003) em um Argissolo Vermelho Amarelo típico com diferentes formas de adubação nitrogenada, com uma (1X) e duas (2X) vezes a necessidade da cultura. Tratamento Média ± erro padrão

Experimento 149,97 ± 5,80 Testemunha 94,20 ± 5,45 d Adubação Química 1X 137,65 ± 6,44 c Esterco Líquido 1X 155,82 ± 9,88 bc Cama Sobreposta 1X 151,84 ± 5,01 bc Adubação Química 2X 160,48 ± 4,57 b Esterco Líquido 2X 161,49 ± 3,98 b Cama Sobreposta 2X 188,28 ± 14,67 a

Média de dois blocos (dados referentes às determinações das amostras dos blocos 3 e 4. As amostras dos blocos 1 e 2 foram perdidas em virtude de armazenamento em temperatura inadequada e período de tempo excessivo). Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste T (p<0,05).

Com os dados obtidos nos dois atributos microbiológicos avaliados, pode-se concluir que as adubações com o dobro da necessidade da cultura em geral não resultam em maior atividade microbiológica do solo, salvo algumas exceções. Outra conclusão que pode ser tirada é com relação a atividade biológica em função da adição de adubos de síntese química. Em boa parte das análises, salvo algumas exceções, a atividade biológica proporcionada por esses fertilizantes foi inferior a dos fertilizantes orgânicos. Tendo em vista que os fertilizantes orgânicos são um recurso interno da propriedade, e desde que bem manejados, podem aumentar tanto a atividade biológica quanto a fertilidade do solo, a aquisição de adubos de

síntese química só aumentaria os custos de produção além de que seus efeitos negativos sobre alguns atributos químicos do solo serão discutidos no item 4.4.2.

4.4.2. Atributos Químicos do Solo

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