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4. Resultados e Discussão

4.4. Análise Univariada

4.4.2. Atributos Químicos do Solo

4.4.2.3. Teor de Alumínio (Al)

De acordo com a Tabela 4 que apresenta o resumo da Análise de Variância das variáveis avaliadas, a variável Al do solo não apresentou diferença significativa nos vários tratamentos no final do primeiro cultivo de milho nas profundidades de 0-15 cm (Al_1_1) e 15-30 cm (Al_2_1), e no final do primeiro cultivo de aveia na profundidade de 15-30 cm (Al_2_2), sendo que as diferenças (quando existentes), se devem a outros fatores que não os tratamentos. Porém, de acordo com a Análise de Variância das variáveis Al_1_2 (alumínio no final do primeiro cultivo de aveia na profundidade de 0-15 cm) - (Tabela 49 em anexo), Al_1_3 (alumínio no final do segundo cultivo de milho na profundidade de 0-15 cm) – (Tabela 50 em anexo) e Al_2_3 (alumínio no final do segundo cultivo de milho na profundidade de 15-30 cm) – (Tabela 51 em anexo), os tratamentos apresentaram diferença significativa, sendo que 76,92%, 82,18% e 82,07% da variabilidade total, respectivamente, foi explicada pelo modelo.

Na Tabela 16 são apresentados os teores de Al na profundidade de 0-15 cm referentes ao início do experimento, e término de cada ciclo produtivo. No final do primeiro cultivo de milho, os tratamentos não apresentaram diferença significativa. Ao final do primeiro cultivo de aveia houve redução dos teores de Al em todos os tratamentos, e quatro grupos foram formados. Essa redução se deu pela maior reatividade do calcário, e em alguns tratamentos, principalmente os com cama sobreposta, aos maiores teores de MO adicionados ao solo, ajudando na complexação do Al. Os tratamentos com adubação química (1X) e adubação química (2X) e testemunha foram os tratamentos que apresentaram os maiores teores de Al em solução. A testemunha, por sua vez, não diferiu significativamente dos tratamentos com esterco líquido (1X) e esterco líquido (2X). Este não diferiu significativamente do tratamento cama sobreposta (2X), que por sua vez, não diferiu do tratamento cama sobreposta (1X). Os tratamentos químicos apresentaram os maiores teores de Al em solução juntamente com a testemunha. Isso se deve provavelmente à acidificação do meio provocada pelos fertilizantes químicos, conforme foi discutido no item 4.4.2.1. A maior redução ocorreu no tratamento

cama sobreposta (1X), sendo que o Al na profundidade de 0-15 cm foi praticamente neutralizado. No final do segundo cultivo de milho, a exemplo do que ocorreu no final do primeiro ciclo da aveia, quatro grupos foram formados. Os maiores teores de Al foram encontrados no tratamento adubação química (2X), que praticamente dobrou os teores existentes no solo no início do experimento. Logo em seguida vieram os tratamentos esterco líquido (1X) e esterco líquido (2X), que aumentaram consideravelmente o teor de Al em solução. Esses não apresentaram diferença significativa para com o tratamento adubação química (1X), que apresentou uma pequena redução em relação ao final do primeiro ciclo da aveia. Este último, por sua vez, não diferiu da testemunha, que também apresentou redução dos teores de Al no solo. Na seqüência, vieram os tratamentos cama sobreposta (2X), que neutralizou o Al em solução, e o tratamento cama sobreposta (1X), que praticamente manteve os teores do final do primeiro ciclo de aveia.

Tabela 16: Teor de alumínio (ppm) na profundidade de 0-15 cm ao longo do período experimental em

um Argissolo Vermelho Amarelo típico com diferentes formas de adubação nitrogenada, com uma (1X) e duas vezes (2X) a necessidade da cultura.

Tratamento 7/01/03 Média* 27/05/03 - Média ± erro padrão 25/10/03 - Média ± erro padrão 12/05/04 - Média ± erro padrão Experimento 0,75 0,63 ± 0,07 0,44 ± 0,06 0,57 ± 0,10 Testemunha 0,75 0,60 ± 0,07 a 0,63 ± 0,09 ab 0,26 ± 0,12 cd Adubação Química 1X 0,75 0,73 ± 0,24 a 0,70 ± 0,18 a 0,57 ± 0,20 bc Esterco Líquido 1X 0,75 0,63 ± 0,19 a 0,38 ± 0,13 bc 0,87 ± 0,25 b Cama Sobreposta 1X 0,75 0,50 ± 0,08 a 0,08 ± 0,08 d 0,10 ± 0,07 d Adubação Química 2X 0,75 0,73 ± 0,13 a 0,70 ± 0,16 a 1,40 ± 0,00 a Esterco Líquido 2X 0,75 0,73 ± 0,36 a 0,35 ± 0,12 bcd 0,77 ± 0,29 b Cama Sobreposta 2X 0,75 0,53 ± 0,20 a 0,28 ± 0,16 cd 0,00 ± 0,00 d

*média das análises compostas dos blocos. Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste T (p<0,05).

Na profundidade de 15-30 cm, o comportamento foi semelhante ao ocorrido na profundidade de 0-15 cm, conforme pode ser verificado na Tabela 17. Conforme pode ser verificado, no final do primeiro cultivo de milho não houve diferença significativa entre os tratamentos. No final do primeiro cultivo de aveia, apesar de não terem sido verificadas diferenças estatisticamente significantes, nota-se uma tendência de diminuição dos teores de Al em praticamente todos os tratamentos, principalmente nos tratamentos com cama sobreposta, e como exceção, os tratamentos com adubos químicos. No final do segundo

cultivo de milho, os tratamentos apresentaram diferença significativa, e houve formação de três grupos. O tratamento adubação química (2X) foi o que apresentou os maiores teores de Al, chegando praticamente a dobrar os teores encontrados no início do experimento. Este, por sua vez, não diferiu significativamente dos tratamentos adubação química (1X), esterco líquido (1X) e esterco líquido (2X). Estes três últimos não diferiram da testemunha, que apresentou aumento dos teores de Al em relação ao final do primeiro cultivo de aveia. Os tratamentos com cama sobreposta formaram um grupo à parte, diferindo significativamente dos demais. O tratamento cama sobreposta (1X) manteve os teores de Al do final do primeiro cultivo de aveia, e o tratamento cama sobreposta (2X) neutralizou o Al em solução, a exemplo do ocorrido na profundidade de 0-15 cm.

Tabela 17: Teor de alumínio (ppm) na profundidade de 15-30 cm ao longo do período experimental

em um Argissolo Vermelho Amarelo típico com diferentes formas de adubação nitrogenada, com uma (1X) e duas vezes (2X) a necessidade da cultura.

Tratamento 7/01/03 Média* 27/05/03 - Média ± erro padrão 25/10/03 - Média ± erro padrão 12/05/04 - Média ± erro padrão Experimento 0,75 0,84 ± 0,08 0,54 ± 0,07 0,87 ± 0,11 Testemunha 0,75 0,88 ± 0,10 a 0,65 ± 0,15 ab 0,93 ± 0,18 b Adubação Química 1X 0,75 1,00 ± 0,29 a 0,75 ± 0,13 a 1,17 ± 0,31 ab Esterco Líquido 1X 0,75 0,83 ± 0,19 a 0,58 ± 0,20 ab 1,10 ± 0,23 ab Cama Sobreposta 1X 0,75 0,85 ± 0,33 a 0,33 ± 0,13 ab 0,33 ± 0,14 c Adubação Química 2X 0,75 0,80 ± 0,24 a 0,80 ± 0,23 a 1,47 ± 0,15 a Esterco Líquido 2X 0,75 0,80 ± 0,23 a 0,48 ± 0,18 ab 1,07 ± 0,09 ab Cama Sobreposta 2X 0,75 0,70 ± 0,17 a 0,23 ± 0,14 b 0,00 ± 0,00 c

*média das análises compostas dos blocos. Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste T (p<0,05).

De acordo com os resultados apresentados, o uso de cama sobreposta como adubo tem ajudado na neutralização do Al no solo. Em experimento semelhante, Ernani & Gianello (1983), avaliando o efeito da incorporação de esterco de bovinos e camas de aviário no solo, observaram que sua incorporação ocasionou decréscimo nos teores de Al de forma linear com o aumento da quantidade de material orgânico aplicado. Nuernberg & Stammel (1989), obtiveram resultados semelhantes. Holanda et al. (1984), obtiveram uma correlação linear positiva de 0,023 unidades.T-1 de esterco aplicada em Latossolo Amarelo e 0,016 unidades.T-1 em Argissolo. As elevações de pH foram atribuídas em parte, segundo os autores, pela decomposição do esterco no solo. A magnitude da redução do Al trocável no solo é

dependente do tipo de esterco empregado e do estado de decomposição, e se deve à complexação gradativa do Al por moléculas orgânicas, mantendo-o na forma não-iônica no solo. Este efeito, no entanto, tem duração efêmera, cessadas as aplicações de esterco. A amplitude dessas alterações depende do valor inicial do pH do esterco, da sua soma de bases, do poder tampão do solo e da qualidade do esterco (Nuernberg & Stammel, 1989).

Alguns tratamentos apresentaram aumento do teor de Al no solo, e isso traz sérias conseqüências. O Al no solo causa toxidez às plantas, sendo o sintoma mais dramático a inibição do crescimento radicular, prejudicando dessa forma a absorção de nutrientes e água. Outros sintomas são ramificações deficientes, raízes curtas e grossas, o que diminui o volume de solo explorado, além de inibir a absorção e translocação de fósforo e cálcio(Kaminski & Rheinheimer, 2000).

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