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conteúdo da disciplina geral e passa a integrar os currículos dos cursos de formação de professores como disciplina específica ou identificada como História da Educação II.

A partir de 1996, com a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9324/96) a maioria dos cursos de formação de professores passa por reformulações, buscando adequar-se às novas orientações e propostas. O Parecer CNE/CP 09/2001, de 8 de maio de 200117, que institui diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da Educação Básica em nível superior, licenciatura de graduação plena, preconiza que o "curso de Pedagogia deve ter em seu currículo um núcleo de conteúdos básicos, articuladores da relação teoria e prática, considerados obrigatórios pelas IES para a organização de sua estrutura curricular e relativos – ao contexto histórico e sociocultural, compreendendo os fundamentos filosóficos, históricos, políticos, econômicos, sociológicos, psicológicos e antropológicos necessários para a reflexão crítica nos diversos setores da educação na sociedade contemporânea". Dessa forma, a disciplina História da Educação e/ou História da Educação do Brasil permanece no currículo da maioria dos cursos de Pedagogia, em suas diferentes modalidades, mas varia no título e conteúdo, como em carga horária e semestre ministrada.

Em 2005, O Conselho Nacional de Educação ao instituir as "diretrizes curriculares nacionais para os cursos de graduação em Pedagogia", entre os objetivos da formação (art 3º) destaca o de "conhecer e avaliar teorias da educação geradas no contexto brasileiro e da América Latina, estabelecendo diálogo com pensamentos oriundos de outros contextos, a fim de elaborar propostas educaciona is consistentes e inovadoras". Essa meta, para ser plenamente alcançada, necessita um currículo com ênfase nos fundamentos filosóficos, sociológicos e históricos da educação, em uma perspectiva comparada.

A Disciplina História da Educação

Em 1945, a disciplina de História da Educação é ministrada pelo professor catedrático Irmão Gelásio e pelo professor contratado Moacyr Empinotti, na segunda e terceira série do curso, respectivamente. Há registro de quatro formandos em 1945.

De 1945 a 2002, a disciplina teve vinte e três professores (anexo 1). Para ampliar a compreensão do ensino da disciplina na PUCRS, realizamos um levantamento de características comuns das biografias dos docentes que a ministraram (anexo 2). Constata-se que os professores advêm de formação bastante diversificada: pedagogia, filosofia, sociologia, história, No grupo de professores, identificamos alguns poucos que produziram artigos ou capítulos de livros integrados à temática da disciplina: Alda Cardoso Kremer19, Edgar Hegemülle20, Aidê Dill21, Lenira Weil22.

A carga horária da disciplina apresentou pouca variação ao longo do período analisado.

De 1945 a 1961, o curso de Pedagogia era divido por séries anuais, sendo a disciplina ministrada na segunda e terceira série do curso, com 4 horas-aula semanais. De 1962 a 1971, a disciplina passa a ser ministrada somente na primeira série, com carga horária de 4 horas semanais. A partir de 1972, a disciplina é semestralizada, sendo ministrada no primeiro e segundo semestre do curso, com a denominação de História da Educação I e História da Educação II, com carga horária semanal de 4 horas, totalizando 60 horas-aula em cada semestre. A partir de 1980, as disciplinas passam a ter carga-horária semestral de 45 horas-aula, com três horas-semanais.

Quanto à ementa da disciplina, somente a partir da década de 1970, os programas a apresentam – uma descrição resumida do conteúdo do programa oficial. Isto é, anunciam um resumo ou sumário do que vai ser ministrado. Observa-se que as ementas da década de 70 sumariam os conteúdos trabalhados, seguindo o programa que vinha sendo adotado nas disciplinas, sem mudanças aparentes. Na década dos anos 90, constata-se uma modificação significativa: as ementas passam a sinalizar um conjunto de intenções analíticas (anexo 3).

Para a análise dos conteúdos programáticos das disciplinas23, optamos por selecionar um plano para cada década como representativo do período, sem deixar de assinalar as mudanças observadas. A ênfase dos programas recai em uma exposição linear da história, passando em revista a educação e a escola desde a antiguidade até a época contemporânea, com uma visão sobre as doutrinas pedagógicas e seus principais representantes. O olhar está centrado nas contribuições advindas da Europa.

O plano da disciplina datado de 1969 apresenta somente a listagem dos conteúdos programáticos, minuciosamente discriminados: conceito de história; finalidades da história;

fatores que atuam no processo histórico; conceito de pedagogia, educação, concluindo com sentido do estudo da história da educação na formação de professores; metodologia no estudo de

19 Escreve "Panorama da Educação", na obra Rio Grande do Sul. Terra e Povo (1963, p. 259-283)

20 Irmão Lassalista, atuando na UNILASALLE (Canoas), recentemente defendeu dissertação de mestrado na área de História da Educação: La Salle: uma leitura de leituras – La Salle visto por autores ligados à história da educação e da pedagogia (UNISINOS, 1997).

21 Tem publicações na área da disciplina, especialmente sobre a educação no Estado: Diretrizes educacionais do governo de Antonio Augusto Borges de Medeiros (1898-1928) (1984); Ensino (1987); O Ensino no Rio Grande do Sul (1987)

22 Tem participado dos eventos da área apresentando trabalhos: A formação, os modelos pedagógicos e as instituições educacionais rio-grandense no século XVIII (ASPHE, 2001); A produção educacional da mulher na primeira República no Rio Grande do Sul (Luso-Brasileiro, 2000); A historicidade dos saberes pedagógicos (ASPHE, 2003).

23 É a organização didática dos conteúdos atendendo princípios de ensino e aprendizagem.O programa da disciplina envolve a distribuição temática dos conteúdos, considerados em seus aspectos estruturais e apresentados como uma totalidade relacionada, coerente e integrada.

história da educação; variação do conceito de educação através da história – Antigüidade: entre os povos primit ivos, entre as primeiras civilizações, na Antigüidade grega, em Esparta, em Atenas, os sofistas, Sócrates, Platão, Aristóteles, entre os romanos; na Idade Média: a interrupção do humanismo educacional com a invasão dos bárbaros no século V, o aparecimento de uma nova civilização influenciada pelo cristianismo, a educação dos leigos, a educação cristã, a educação dos camponeses, a educação dos letrados, as escolas dos mosteiros, as escolas catedrais ou episcopais e as escolas paroquiais, evolução histórica até a fundação das Universidades nos séculos XI, XII e XIII, as universidades, a escolástica; na Renascença; as concepções educacionais modernas; os métodos de ensino através da História: os métodos didáticos, os métodos atraentes, o método interrogativo, os métodos intuitivos, os métodos ativos. Observa-se uma ênfase na história da civilização, da Antigüidade clássica à Renascença, em uma visão macro da educação e das instituições escolares. Os pensadores gregos são os destacados para estudo, não havendo preocupação com as idéias pedagógicas gestadas em outros momentos históricos. Cabe ainda assinalar o destaque dado para os métodos de ensino, como unidade final da disciplina, o que dimensiona uma visão voltada à didatização da formação docente.

Na década de 1970, há ainda um cuidadoso detalhamento do conteúdo da disciplina História da Educação I e II (anexo 4), conforme já observado nas ementas. A seqüência adotada tem forte aproximação com o detalhamento programático proposto em 1942, com ênfase na história da educação geral, sendo a educação brasileira enfocada como uma unidade do programa.

A disciplina História da Educação I inicia estudando o conceito de educação e pedagogia e suas correlações; o método e as fontes de estudo da História da Educação, seu valor e importância; a História da Educação entre os povos primitivos; a educação entre as culturas orientais; a educação grego-romana; a educação na cultura ocidental; a educação na renascença. A disciplina História da Educação II continua com os temas: época do naturalismo pedagógico; a educação geral humana na pedagogia da Revolução e do Neo-humanismo; a educação no século XIX, a educação no século XX; história da educação brasileira (estudo dos diversos períodos).

Na década de 1980, os programas mantêm a mesma distribuição dos conteúdos programáticos: conceito de educação; educação e pedagogia e suas correlações; método de estudo da história da educação; fontes de estudo da história da educação, seu valor e importância; história da educação entre os povos primitivos; a educação entre as culturas orientais; a educação greco-romana; a educação cristã primitiva; a educação medieval; a educação no Renascimento, humanismo e educação reformada; educação e o liberalismo burguês; educação contemporânea.

Para a História da Educação II ou Brasil, o conteúdo privilegia os momentos históricos consagrados pela historiografia: educação colonial; educação imperial; da República Velha ao Estado Novo; Educação brasileira: do fim do Estado Novo a 1964; Educação brasileira: de 1964 ao Brasil atual.

Quanto aos procedimentos didáticos, assinalados nos planos da disciplina, há referência de que "além das preleções", havia trabalhos objetivos, relatórios de leitura, observações e debates (década de 1970). Na década de 1980, observa-se o uso de filmes (O Nome da Rosa) como recurso didático, a pesquisa bibliográfica e a produção textual dos alunos a partir de questões formuladas previamente. Na década de 90 a preocupação é a formação do aluno como pesquisador através de "pesquisa bibliográfica e empírica: desenvolvendo a criticidade, coerência, realidade, estudo e autonomia". O plano apresenta um roteiro de pesquisa bibliográfica em que sinaliza quatro pontos:

questão de pesquisa – relações da educação de uma sociedade e/ou civilização ou período histórico, com as realidades econômicas, políticas, culturais, sociais e religiosas no contexto histórico e relações com a atualidade; objetivo – estabelecer relações, analogias,

análises dos momentos históricos;pesquisa bibliográfica – através da pesquisa resgatar as questões de organização social, relações políticas e religiosas, propostas econômicas, culturais, e as questões educacionais (educadores, métodos, teorias, procedimentos contextualizados, proposta pedagógica com a preocupação de conquistar a visão de totalidade da educação no período); pesquisa empírica – observação e/ou entrevista com pessoas fontes (através de instrumento construído previamente) evidenciando os conhecimentos estudados, para que assim, critérios e análises do que foi pesquisado possa ser explicitado e produzido textualmente (1999).

A preocupação em formar o pesquisador fica evidenciada na avaliação, quando são definidas as exigências de produção textual, participação em seminários e trabalhos em grupos para a pesquisa de campo.

Quanto à avaliação, na década de 1970 e de 1980, há indicação de sabatinas e provas escritas, fichas de leitura e documentação de pesquisas, freqüência e participação. O exame de alguns exemplares de provas permite verificar que a avaliação residia sobre o conteúdo ministrado, com ênfase na memória de fatos, datas, nomes, etc. As provas24 sinalizam as leituras realizadas e utilizadas pelo professor para formular as questões de prova, pois apresentam excertos das obras de Roger Gal (1955;1968), Frederick Mayer (1960;1967), René Hubert (1948;1952), Robert Ulrich (1945;1970), a maioria em edições em espanhol (Paidós/Buenos Aires). Nóvoa (1994, p. 33) assinala esses manuais com predominância na Europa entre a Segunda Guerra Mundial e os anos de 1960.

Nos anos 80, a bibliografia de História da Educação I (Geral) ainda recomenda os manuais clássicos produzidos na década de 60 e 70: Abbagnano, N; Visalberghi, A. História da pedagogia (1957); Luzuriaga, Lorenzo. História da Educação e da pedagogia (1969) , Dicionário de Pedagogia (1960); Manacorda, Mário. História da Educação (1989); Marrou, Henri-Irenée.

História da Educação na Antigüidade (1973); Monroe, Paul. História da Educação (1958); Ponce, Aníbal. Educação e luta de classes (1981); Larroyo, Francisco. História Geral da Pedagogia (1970); Eby, Frederick. História da Educação Moderna (1976-2ªed). Entre os autores brasileiros de manuais de história da educação destacam-se: Rosa, Maria da Glória. História da Educação através de textos (1971); Peixoto, Afrânio. Noções de História da Educação (1933); as obras de Nunes, Rui Afonso da Costa – História da Educação na Antiguidade Cristã (1978), História da Educação na Idade Média (1979), História da Educação no renascimento (1980), História da Educação no século XVII (1981); Piletti, Cláudio & Piletti, Nelson. Filosofia e história da educação (1993); Aranha, Maria Lucia de Arruda. História da Educação (1989); Gadotti, Moacyr.

História das Idéias Pedagógicas (1993). Além destes, os planos incluem bibliografia de leitura geral, em que há indicação de obras fundamentais de Dewey, Gramsci, Durkheim, Rousseau.

Para a disciplina História da Educação II (Brasil), a bibliografia indicada de forma sistemática pelos planos da década de 80 são de produção mais recente e constam de obras de:

Ribeiro, Maria Luisa. História da Educação Brasileira (1978); Romanelli, Otaíza. História da Educação no Brasil (1980-2ªed); Chagas, Valmir. Educação Brasileira. O ensino de 1º e 2º graus (1982- 3ªed); Werebe, Maria José Garcia. Grandezas e Misérias do Ensino no Brasil (1968-3ªed);

Nagle, Jorge. Educação e Sociedade na Primeira República (1974); Teixeira, Anísio. Educação no Brasil (1969); Lima, Lauro de. Estórias da Educação no Brasil: de Pombal a Passarinho (1960-3ªed); Azevedo, Fernando de. A Cultura Brasileira (1971-5ªed); Freitag, Bárbara. Escola, Estado e

24 Foram localizadas várias provas da disciplina História da Educação I e II, da década de setenta e oitenta. Esse rico material necessita ainda ser analisado com cuidado, pois permite verificar as ênfases formativas buscadas pela disciplina.

Sociedade (1979-3ªed); Freire, Paulo (várias obras); Saviani, Dermeval (várias obras); Barros, Roque Spencer Maciel de. Diretrizes e Bases da educação (1960).

Nos planos dos anos 90, permanecem muitas das obras já assinaladas, mas são incluídos autores identificados com a tendência mais crítica da escola capitalista: Apple, Michael. Educação e poder (1989), Ideologia e Currículo (1982); Enguita, Mariano. A face oculta da escola (1989);

Durand, José Carlos. Educação e hegemonia de classes (1983); Pistrack, A escola do Trabalho (1981). Para a disciplina de história da Educação no Brasil destacam-se nomes como Luis Antonio Cunha, Carlos Jamil Cury, Celso Beisegel, Edgar Carone, Carlos Brandão, Raimundo Faoro, Manfredo Berger, Leôncio Basbaun,. Xavier, Maria Elisabeth e outros. História da Educação. A escola no Brasil (1995). Como assinala Bontempi Junior (2002), há uma aproximação da história da educação com a literatura produzida na área da sociologia da educação.

Atualmente, no curso de Pedagogia da PUCRS, as disciplinas História da Educação I e História da Educação II são ministradas no primeiro e no segundo semestre, respectivamente, dos cursos de Pedagogia Educação Infantil, Pedagogia - Séries Iniciais do Ensino Fundamental, Pedagogia – Educação Especial (Deficientes Mentais) com carga horária de 45 horas, cada uma, com três períodos semanais. O curso Pedagogia - Multimeios e Informática Educativa, criado em 1998, não incluiu a disciplina, mas no novo currículo, adotado a partir de 2003, inclui uma disciplina de História da Educação, no primeiro semestre, com 45 horas. Os cursos de Pedagogia – Orientação Educacional e Supervisão Escolar (currículo em suspensão) e de Psicopedagogia não apresentam a disciplina no currículo.