nal, o que é ser emocionalmente normal? Quando apresentei as seis dimensões do estilo emocional, espero ter deixado claro que não existe estilo ideal. Na verdade, além de não existir um que seja melhor, penso que a civilização jamais teria avançado até o ponto em que estamos hoje sem a diversidade de estilos.
Se você considera que a existência de coisas como iPads, celulares, bancos on-line e redes sociais é algo bom, então deveria se alegrar com o fato de existirem pessoas que preferem interagir com máquinas a se inter-relacionar com outros indivíduos – pessoas que provavelmente estão no extremo desnorteado do espectro da Intuição Social. Se para você é um alívio que os assassinatos políticos não ocorram com mais frequência, deverá car feliz de saber que os agentes do serviço secreto estão no lado socialmente intuitivo da dimensão Intuição Social, o que os torna extremamente sensíveis às pistas sutis, não verbais, do ambiente. Se você acha bom que existam professores bem-sucedidos e líderes e cientes na sociedade moderna, deve car feliz com o fato de haver pessoas que se situam no lado de recuperação rápida da dimensão Resiliência, no lado positivo da dimensão Atitude, no lado socialmente intuitivo da dimensão Intuição Social (professores e líderes precisam ser sensíveis aos sinais emitidos por aqueles que estão ao seu redor) e no lado antenado da dimensão Sensibilidade ao Contexto (precisam ainda ser sensíveis às nuances do ambiente social, para responder de forma adequada a cada situação). Em resumo, as variações no estilo emocional são bené cas à sociedade, porque possibilitam que diferentes pessoas desenvolvam habilidades distintas e complementares.
No entanto, às vezes um estilo pode ser extremo a ponto de interferir na rotina da pessoa. Quando isso ocorre, torna-se uma patologia. A pressão arterial, o nível de colesterol, a frequência cardíaca e outras medidas siológicas variam, assim como as dimensões do estilo emocional. Para todos esses parâmetros, existe um ponto de corte além do qual um valor é considerado patológico, por estar associado a doenças, como um risco maior de AVC ou de doença cardiovascular. A fronteira entre a saúde e a doença é um tanto arbitrária e pode mudar com o avanço da pesquisa biomédica – considere, por exemplo, a redução no nível de colesterol classi cado como saudável. No entanto, em geral essa fronteira está no ponto em que uma medida siológica passa a resultar em prejuízos à vida diária. Poderíamos ter uma discussão acadêmica interessante sobre o que vem a ser uma capacidade pulmonar saudável, mas acho que todos concordaríamos com a ideia de que, se uma pessoa não consegue subir uma escada sem car completamente sem fôlego, chegamos ao limite do
patológico.
O mesmo vale para o estilo emocional. Quando uma pessoa tem uma recuperação tão lenta que o menor revés a faz mergulhar em mais um episódio agudo de pânico ou ansiedade, signi ca que ele se tornou patológico. Quando a atitude de uma pessoa é tão negativa que a ausência de alegria em sua vida a faz pensar seriamente em acabar com tudo, quer dizer que ele se tornou patológico. Quando alguém é tão socialmente desnorteado que tem di culdade em compreender interações sociais básicas e não consegue estabelecer relações próximas, seu estilo se tornou patológico e ele pode até estar no espectro autista. Quando uma pessoa é tão autoignorante que não consegue perceber que seu nível de estresse chegou às alturas, ela não se dá conta de que precisa tomar medidas para reduzir a tensão, o que aumenta seu risco de contrair doenças. Quando uma pessoa é tão desligada do ambiente que a cerca que confunde a sirene de uma ambulância com um alerta para evacuação no campo de batalha, signi ca que ele se tornou patológico, chegando a apresentar transtorno do estresse pós-traumático. Quando uma pessoa é tão desconcentrada que não consegue nem sequer completar tarefas simples ou aprender o que precisa para ser bem-sucedida acadêmica ou pro ssionalmente, isso quer dizer que seu estilo de atenção se tornou patológico e pode até indicar um transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.
No caso de algumas dessas dimensões, o extremo oposto também pode ser patológico. Por exemplo: se o estilo de uma pessoa na dimensão Atitude for excessivamente positivo, ela talvez corra o risco de sofrer de transtorno bipolar ou de variantes de mania marcadas por emoções positivas inadequadas. Pode ser tão autoperceptiva e inundada de sensações do próprio corpo a ponto de ter tendência a ataques de pânico. Ou pode ser tão concentrada que não se dê conta de coisas ou pessoas que exigem sua atenção.
A partir desses exemplos, você deve ter percebido que praticamente todas as principais formas de transtorno psiquiátrico envolvem algum desequilíbrio emocional – logo, talvez pense que o estilo emocional determina quanto uma pessoa será vulnerável a doenças mentais. Embora não possa, por si só, causar doenças mentais, o estilo emocional interage com outros fatores, indicando se alguém poderá ter uma doença. Por exemplo: os problemas na função emocional estão no âmago dos transtornos do humor e de ansiedade, o que não é de surpreender, pois em transtornos do humor, como a depressão, as pessoas são incapazes de manter sentimentos positivos, como a felicidade ou até mesmo o interesse, ao passo que no transtorno de ansiedade generalizada e no de ansiedade social as pessoas têm di culdade em suprimir as emoções negativas quando elas surgem. No entanto, o mais surpreendente talvez seja o fato de que os transtornos emocionais também são cruciais nos casos de esquizofrenia e de autismo. A esquizofrenia costuma ser caracterizada pela incapacidade de obter prazer com atividades normais. E pessoas com autismo têm tanta di culdade em interpretar sinais sociais inócuos – como a expressão no rosto de um estranho – que passam a vê-los como ameaças, retraindo-se cada vez mais em seu mundo, de modo que nem mesmo a súplica dos mais próximos é capaz de tirá-las dele.
PSIQUIATRIA BASEADA NA NEUROLOGIA
Ao entendermos quais dimensões do estilo emocional podem estar relacionadas com transtornos especí cos e como elas podem contribuir para os sintomas fundamentais de cada transtorno, somos capazes de reconhecer mais facilmente o espectro entre o normal e o anormal. Ao identi carmos a in uência das diferentes dimensões sobre transtornos especí cos também conseguimos de nir com clareza os sistemas cerebrais que contribuem para cada transtorno e elaborar novas estratégias para seu tratamento, alterando o estilo emocional que existe em seu âmago. Estou convencido de que esse é o futuro da pesquisa em psiquiatria. Hoje, um psiquiatra avalia os sintomas de um paciente e, se um número su ciente deles corresponder aos sintomas que caracterizam, por exemplo, a fobia social, o transtorno obsessivo-compulsivo ou o bipolar, então o paciente será classi cado como portador desse transtorno. O problema nessa abordagem é que ela deixa de reconhecer que as pessoas são diferentes e que o ponto de corte é arbitrário. O mais importante é que a divisão em 365 tipos de transtornos, o número de doenças listadas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, não corresponde ao funcionamento do cérebro. Uma abordagem mais adequada, que venho defendendo desde 1996, quando era presidente da Sociedade de Pesquisa em Psicopatologia, seria situar as pessoas em espectros baseados na neurociência.
Deixe-me usar um exemplo para explicar como isso funcionaria. Muitos transtornos psiquiátricos envolvem anormalidades na capacidade de vivenciar o prazer.1 A depressão é o caso mais evidente, mas a incapacidade de sentir felicidade, alegria ou contentamento – a anedonia – também está presente na esquizofrenia. Muitas pessoas pensam que essa doença se caracteriza principalmente por alucinações e delírios e de fato esses são os chamados sintomas positivos da esquizofrenia, em que “positivo” se refere à presença de um sintoma. Mas a esquizofrenia também possui sintomas “negativos”, isto é, a ausência de qualidades que normalmente estariam presentes. O sintoma negativo mais marcante da esquizofrenia é a anedonia. Na classi cação dos estilos emocionais, a anedonia enquadra uma pessoa no extremo negativo do espectro da Atitude. Portanto, é provável que esse estilo esteja envolvido na esquizofrenia – e também na depressão, nos transtornos de ansiedade, nos vícios e em outras doenças marcadas por problemas com as emoções positivas.
Este capítulo irá considerar a fronteira entre o normal e o anormal no caso de três dimensões do estilo emocional: a Intuição Social, que tem uma participação fundamental no autismo; a Atitude, que afeta o risco de depressão; e a Atenção, que está relacionada com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
O ESPECTRO AUTISTA
Agradeço à minha lha o fato de eu me interessar pelo autismo. Desde que Amelie teve idade su ciente para notar outras pessoas – o que, em seu caso, ocorreu pouco depois do nascimento –, cou claro que ela era extremamente sociável. Essa característica cou ainda mais evidente durante o ensino médio, quando ela ajudou Molly, uma menina autista de 11 anos. Além de auxiliá-la com o hebraico, Amelie foi uma importante conexão social para a menina. Nunca vou me esquecer do bat mitzvah de Molly, pois sei que minha lha teve enorme participação na capacidade demonstrada pela garotinha autista de recitar preces e de se colocar diante da congregação inteira sem vacilar.
A descrição clássica do autismo envolve uma tríade de sintomas. O primeiro diz respeito a problemas de interação social, de modo que autistas evitam o contato visual, com frequência não respondem quando chamados pelo nome e muitas vezes parecem não estar cientes dos sentimentos dos outros. O segundo grupo de sintomas está relacionado com problemas de comunicação, a tal ponto que alguns mal falam, ou falam em tom ou ritmo anormais, repetindo palavras ou frases sem saber o que signi cam e não conseguindo nem mesmo iniciar uma conversa. O terceiro grupo trata de comportamentos estereotipados, como movimentação repetitiva (por exemplo, agitar as mãos ou balançar o corpo) ou rotinas ou rituais especí cos, como a necessidade de sempre tomar um gole de leite no início de uma refeição e de terminar o prato principal antes de experimentar qualquer acompanhamento.
A pesquisa moderna ampliou a categoria de autismo, passando a incluir o “espectro autista”, o que signi ca que existe uma ampla variação na gravidade de cada elemento da tríade de sintomas. Por exemplo: algumas crianças têm apenas um mau contato visual e um tom ligeiramente anormal e inexpressivo da fala. Outras explodem em paroxismos aterrorizados: – e aterrorizantes – de raiva quando alguém encosta nelas, ou apenas lhes dirige a palavra, ou mesmo tenta fazer contato visual. Em outras, ainda, o sintoma mais visível é carem xadas numa parte especí ca de um brinquedo, como as rodas de um caminhão. Com isso, as pessoas que estão no espectro autista variam desde as que funcionam bem em sociedade, como a estudiosa do comportamento animal Temple Grandin, até as que sofrem de tamanha incapacidade funcional que não conseguem falar nem frequentar a escola e precisam de cuidados constantes. No entanto, independentemente do ponto em que alguém se situa nesse espectro, sempre existe alguma de ciência na interação e na comunicação social.
Durante as sessões em que Amelie ajudava Molly na nossa sala de jantar, em 1999, notei um aspecto muito marcante na menina: a ausência de contato visual. Percebi que ela prestava atenção no que Amelie dizia, pois, quando minha lha lhe pedia que lesse em voz alta trechos da Torá, era clara sua tentativa de fazer isso. Mas Molly nunca olhava para Amelie. Isso me fez questionar se a ausência de contato visual poderia servir como uma janela para vislumbrarmos a base do autismo e se isso poderia estar associado às conhecidas di culdades na comunicação social enfrentadas pelos autistas, como a incapacidade de
detectar ironia, sarcasmo ou humor. Com o tempo, ao conhecer outras pessoas e crianças com autismo, observei que, independentemente da gravidade da doença, a aversão ao contato visual era um sintoma consistente.
A essa altura da minha pesquisa eu já estava formulando minha teoria do estilo emocional e incluíra provisoriamente a Intuição Social como uma das seis dimensões. Ocorreu-me que uma das consequências da aversão ao contato visual seria má intuição social. A razão para isso é que muitos dos sinais sociais que enviamos – o interesse, o tédio, a surpresa, o prazer ou a con ança – são transmitidos pela área em torno dos olhos. Como os músculos em volta dos olhos transmitem as emoções verdadeiras, essa região da face é fundamental para a comunicação social. Eu sabia disso graças a algumas das minhas primeiras pesquisas sobre emoções, nas quais os voluntários que assistiam aos vídeos divertidos no meu laboratório na SUNY Purchase apresentavam movimentos característicos nos músculos oculares (formando rugas nos cantos dos olhos) que acompanhavam padrões de atividade cerebral. Esses foram os estudos nos quais descobrimos que a alegria verdadeira, determinada pelos sorrisos que fazem os olhos se enrugar,2 é acompanhada de picos de atividade na região pré-frontal esquerda, o que não acontece quando a alegria é falsa, sem a formação das rugas. O estudo mostrou que somente por meio da observação dos olhos podemos de fato discernir se alguém está vivenciando uma emoção positiva.
Essa memória me tomou de súbito quando notei que Molly não conseguia tar os olhos de Amelie. Tendo em vista a prevalência da aversão ao contato visual, percebi que as crianças e os adultos que se situam no espectro autista deveriam estar deixando passar importantes sinais sobre o estado emocional das pessoas. Elas não conseguiriam entender que um comentário brincalhão do tipo “Nossa, só 9,8? Acho que você não estudou muito para a prova” signi ca, na verdade, o oposto do sentido literal: “Você se matou de estudar e tirou uma nota ótima.” Não é de surpreender que autistas tenham di culdade em interagir socialmente: eles não conseguem apreender as emoções nem as palavras e os comportamentos dos outros. Suspeitei que essa cegueira social e emocional talvez não resultasse de nenhum dé cit do processamento das emoções no cérebro, como os cientistas costumavam acreditar. Talvez fosse, isso, sim, consequência de não olhar os outros nos olhos. Se os não autistas passassem um dia inteiro desviando os olhos do rosto de seus colegas, eles também perderiam todo tipo de sinal social e emocional e cariam igualmente perplexos com o mundo a seu redor. Isso sugere que se os autistas conseguissem, de alguma forma, aprender a tar os olhos das pessoas, sem desconforto nem ansiedade, boa parte de seu déficit social e emocional talvez desaparecesse.
Entretanto, isso estava muito longe do consenso dos especialistas. Vários estudos concluíram que crianças com autismo talvez tenham uma anormalidade fundamental no giro fusiforme,3 um conglomerado de neurônios situado no córtex visual, na parte posterior do cérebro, que é responsável pela percepção de faces. Em 1997, a descoberta de que existe uma região do cérebro especializada em perceber faces – não árvores, nem rochas, móveis,
comida, tampouco nenhuma outra parte da anatomia – fazia algum sentido, já que o rosto é muito importante na vida social dos seres humanos e de outros primatas. No entanto, estudos posteriores revelaram que o giro fusiforme não é necessariamente especializado em reconhecer faces. Em vez disso, é ativado sempre que as pessoas percebem um objeto que pertence a uma categoria na qual elas têm experiência. Por exemplo: em fanáticos por automóveis e especialistas em observação de aves, o giro fusiforme é ativado diante da imagem de carros e de pássaros, respectivamente. Isto é, quando um observador de aves vê guras de cardeais, chapins, patos e albatrozes e alguém lhe pede que os classi que, o giro fusiforme se enche de atividade. É por isso que os cientistas pensaram inicialmente, de forma equivocada, que o giro fusiforme fosse especializado na percepção de faces, e somente nisso: todos somos especialistas na percepção de faces, e geralmente tentamos classi cá-las. Os estudos diziam que o giro fusiforme era de ciente em pessoas com autismo. Quando crianças autistas são colocadas no aparelho de ressonância magnética para monitoração de sua atividade cerebral e são então submetidas a testes de discriminação facial – por exemplo, dizer se um rosto está fazendo uma expressão de felicidade ou de raiva –, seu giro fusiforme fica muito menos ativo que em crianças de desenvolvimento normal.
Eu tinha dúvidas quanto à ideia de que o autismo fosse causado basicamente por um dé cit inerente no giro fusiforme. Pense nisto: crianças com autismo – portanto, com terríveis problemas de relacionamento – são colocadas em um tubo ensurdecedor e claustrofóbico por um bando de estranhos que lhes dão instruções para a prática de tarefas que envolvem a percepção de faces. Parecia-me de fato mais provável que elas fossem olhar para o espaço com o olhar desfocado, tentando se acalmar, ou que apenas fechassem os olhos até que aquele suplício estivesse terminado. E, se zessem isso, é claro que seu giro fusiforme caria menos ativo. Sem que os cientistas soubessem (por que não colocar “eye trackers” na máquina de ressonância magnética, que determinassem o ponto no qual as crianças estavam xando os olhos?), as crianças autistas talvez não estivessem olhando para as faces projetadas no teto da máquina, muito menos tentando discriminar as emoções daqueles rostos. Suspeitei que a ausência de atividade no giro fusiforme não indicasse um defeito nessa região – talvez fosse apenas o resultado do fato de as crianças estarem desviando os olhos das faces que os cientistas lhes apresentavam. A conclusão de que o problema estava no giro fusiforme seria análoga à a rmação de que a ausência de atividade no córtex auditivo é a razão de seu lho adolescente não o ouvir quando você o chama para jantar, embora, na verdade, o que ocorra é que ele está ouvindo música com seus fones de ouvido. A ausência de atividade não necessariamente re ete uma função defeituosa. Pode tão só indicar a ausência de um estímulo.
QUEM NÃO OLHA NÃO VÊ
Para testar se nossa suspeita estava correta, meus colegas e eu lançamos4 o primeiro estudo para examinar os correlatos neurais à percepção de faces em crianças autistas, que englobava medir simultaneamente seu padrão de movimento ocular. As crianças usaram óculos de bra óptica com um sistema a laser infravermelho que rastreava a direção do olhar, permitindo a monitoração dos movimentos realizados por seus olhos. A tarefa era muito simples, pois queríamos que crianças de todos os níveis conseguissem realizá-la: projetamos nos óculos um único rosto durante três segundos e lhes pedimos que apertassem um de dois botões para indicar se a face era emotiva ou neutra. Com base no trabalho de Duchenne, sabíamos que as crianças teriam que fitar a região dos olhos para conseguir responder.
Ficar sentado na sala de controle, monitorando os dados coletados, foi um exercício de humildade. Como estudos anteriores haviam revelado, crianças com autismo executavam aquela tarefa com muito menos e ciência que um grupo de controle formado por crianças não autistas. As autistas classi caram corretamente 85% das faces, em comparação com 98% de acertos entre as não autistas. Esse percentual pode parecer elevado, mas tenha em mente que as crianças estudadas eram funcionais o su ciente para ir até o laboratório, interagir com estranhos, seguindo suas instruções, e tolerar o espaço apertado e os ruídos intensos do tubo de ressonância magnética. As crianças autistas também tiveram menor ativação no giro fusiforme, como outros estudos igualmente revelaram.
No entanto, zemos uma descoberta marcante. Quando cada rosto – alguns neutros, outros emotivos – aparecia nos óculos, observei o trajeto percorrido pelos olhos das crianças: muitas delas olhavam para qualquer outra região exceto os olhos. Quando examinamos o registro dos movimentos oculares das crianças autistas de forma mais sistemática, depois de coletarmos dados de todos os 30 voluntários, descobrimos que essas crianças passavam em