1- INTRODUÇÃO
4.3 A normalidade e a comparação dos dados
De acordo com as avaliações realizadas em cada momento (T), no decorrer do estudo, foram realizados testes de normalidade (Kolmogov-Smirnov) para cada fator (Ajuda, Clima positivo, Empatia, Cuidado e Partilha); e observou-se que, para todos os fatores tanto da Escola A houve aderência à distribuição normal; e na Escola B apenas o fator Empatia em T1 não apresentou normalidade dos dados.
Com o teste Kolmogorov-smirnov, verificando a aderência da amostra à distribuição normal, observaram-se resultados apresentados nas tabelas 8, 9 e 10:
Tabela 8- Teste de normalidade da Escola A
Fator N Média Desvio Padrão Kolmogorov-Smirnov Z p- valor Ajuda1 19 22,0526 6,72040 1,017 ,252 Ajuda2 18 24,1667 7,89080 ,594 ,872 Ajuda3 17 22,1765 8,90390 ,392 ,998 Partilha1 19 26,8947 6,64910 ,546 ,927 Partilha2 18 24,2222 9,45301 ,543 ,930 Partilha3 16 23,8125 8,71947 ,740 ,644 Cuidado1 19 36,7895 7,37548 ,741 ,642 Cuidado2 18 34,5556 8,95231 ,623 ,832 Cuidado3 16 23,3750 5,07116 ,573 ,898 Clima1 19 34,3684 8,13914 ,438 ,991 Clima2 18 34,2778 7,77481 ,673 ,755 Clima3 16 43,0625 10,56074 ,557 ,916 Empatia1 19 12,3684 3,04066 1,005 ,265 Empatia2 18 9,7222 3,98240 ,918 ,369 Empatia3 16 11,2500 2,51661 ,526 ,945
Tabela 9- Teste de normalidade da Escola B
Fator N Média Desvio Padrão Kolmogorov-Smirnov Z p-valor
Ajuda1 19 19,73 3,348 ,135 ,200 Ajuda2 19 16,00 6,500 ,243 ,017 Ajuda3 18 19,60 5,578 ,199 ,113 Partilha1 19 19,46 4,223 ,189 ,154 Partilha2 19 23,46 8,166 ,244 ,017 Partilha3 18 1,63 6,341 ,108 ,200 Cuidado1 19 35,20 3,967 ,128 ,200 Cuidado2 19 32,93 10,388 ,152 ,200 Cuidado3 18 33,40 8,209 ,204 ,093 Clima1 19 38,93 4,861 ,157 ,200 Clima2 19 31,46 8,365 ,206 ,087 Clima3 18 31,20 5,894 ,179 ,200 Empatia1 19 8,06 1,279 ,300 ,001 Empatia2 19 9,06 3,239 ,151 ,200 Empatia3 18 9,00 3,093 ,208 ,081
Para o teste de normalidade da amostra total, as variáveis Ajuda 1, Ajuda 2, Partilha 1, Empatia 1 e Empatia 2 não apresentaram aderência à normalidade.
Tabela 10- Teste de normalidade da amostra total
Fator N Média Desvio Padrão Kolmogorov-Smirnov Z p-valor
Ajuda1 38 20,65 5,024 ,158 ,046 Ajuda2 37 22,00 7,651 ,163 ,036 Ajuda3 35 22,52 6,371 ,145 ,095 Partilha1 38 22,77 6,281 ,162 ,037 Partilha2 37 23,90 9,005 ,127 ,200* Partilha3 34 23,45 7,545 ,110 ,200* Cuidado1 38 36,16 5,995 ,120 ,200* Cuidado2 37 34,16 9,713 ,134 ,168 Cuidado3 34 28,23 8,381 ,133 ,176 Clima1 38 36,45 7,275 ,143 ,107 Clima2 37 33,00 8,165 ,107 ,200* Clima3 34 37,32 10,406 ,141 ,117 Empatia1 38 10,23 3,212 ,197 ,003 Empatia2 37 9,61 3,639 ,196 ,004 Empatia3 34 10,16 2,990 ,150 ,073
Para a comparação das médias e respectivas significâncias estatísticas, adotou-se o Teste t pareado, para verificar as diferenças entre cada avaliação em cada Escola; o Teste t não pareado para verificar as diferenças em cada momento de avaliação entre as duas Escolas.
Utilizou-se também o teste não paramétrico de Wilcoxon, que independe da distribuição da amostra para sua aplicação a fim de confirmar os resultados apresentados para as amostras pareadas, e o teste de Mann-Whitney para confirmar os resultados das analises de comparação entre as Escolas, ou seja, amostras independentes.
Na Escola A, em relação ao fator Ajuda, houve tendência à melhora imediatamente após a intervenção; houve tendência ao declínio após seis meses; mas apresentou, de modo geral entre T1 e T3, uma tendência de melhora do fator, ou seja, avaliando-se os participantes e da intervenção e seis meses após o término, o fator Ajuda presentou resultado médias diferentes positivamente.
Em relação ao fator Clima Positivo, observou-se uma tendência positiva entre T2 e T3; e na análise geral entre o início da intervenção e ao final de seis meses após o término houve tendência de melhora. Quanto ao fator Empatia, observou-se tendência à melhora entre T2 e T3, porém na avaliação do seguimento completo houve tendência negativa no
desenvolvimento de Empatia. Os fatores Partilha e Cuidado também apresentaram tendências negativas, em todos os momentos de avaliação.
Já para a Escola B os dados mostram que, para o fator Ajuda imediatamente antes do início da intervenção e imediatamente após a intervenção não houve diferenças; porém após seis meses do término houve tendência à melhora. Quanto ao fator Partilha, imediatamente antes do início e após o término houve tendência melhora, mas entre o início e até seis meses depois houve uma leve tendência negativa.
Os fatores Clima Positivo, Cuidado e Empatia, tiverem tendências diferentes ao longo do estudo (melhora e piora).
A Tabela 11 apresenta os resultados do Teste t e do teste não parametrico de Wilcoxon para a Escola A. Os fatores Ajuda e Partilha não apresentaram diferenças estatisticamente significativas em nenhuma das comparações (T1,T2 e T3), considerando um intervalo de confiança de 95%. Cuidado apresentou diferença siganificativa (p=0,001) na comparação entre T2 e T3; nas avaliações imediatamente após o término da intervenção e seis meses após; e também apresentou diferença estatisticamente significante (p=0,000); nas comparações entre T1 e T3, a avaliação no incio do estudo e a última avaliação; o que sugere que, para esse fator houve melhora e tendência a manutenção dos comportamentos referentes a ele ao longo do tempo.
Tabela 11- teste t pareado Escola A
Comparação entre grupos Diferenças emparelhadas Teste t Wilcoxon Média Desvio padrão Erro padrão IC 95% t p Z P Inferior Superior Ajuda1 - ajuda2 -1,778 8,063 1,900 -5,787 2,232 -,935 ,363 -,596 ,551 Ajuda2 - ajuda3 1,706 7,034 1,706 -1,910 5,322 1,000 ,332 -1,138 ,255 Ajuda1 - ajuda3 -,588 9,200 2,231 -5,318 4,142 -,264 ,795 -,543 ,587 Partilha1 - partilha2 2,444 8,487 2,000 -1,776 6,665 1,222 ,238 -1,221 ,222 Partilha2 - partilha3 ,500 11,994 2,999 -5,891 6,891 ,167 ,870 -,725 ,468 Partilha1 - partilha3 2,063 9,553 2,388 -3,028 7,153 ,864 ,401 -,711 ,477 Cuidado1 - cuidado2 2,611 10,738 2,531 -2,729 7,951 1,032 ,317 -,877 ,381 Cuidado2 - cuidado3 11,938 8,873 2,218 7,209 16,666 5,382 ,000 -3,264 ,001 Cuidado1 - cuidado3 13,688 7,569 1,892 9,654 17,721 7,233 ,000 -3,520 ,000 Clima1 - clima2 ,333 10,841 2,555 -5,058 5,724 ,130 ,898 -,213 ,831 Clima2 - clima3 -8,625 10,538 2,635 -14,240 -3,010 -3,274 ,005 -2,588 ,010 Clima1 - clima3 -8,938 8,652 2,163 -13,548 -4,327 -4,132 ,001 -2,897 ,004 Empatia1 - empatia2 2,556 4,878 1,150 ,130 4,981 2,223 ,040 -1,904 ,057 Empatia2 - empatia3 -1,125 4,349 1,087 -3,443 1,193 -1,035 ,317 -,882 ,378 Empatia1 - empatia3 1,000 3,688 ,922 -,965 2,965 1,085 ,295 -1,186 ,236
O fator Clima Positivo apresentou significância (p=0,010) na comparação entre T2 e T3; e entre T1 e T3 (p=0,004), indicando que houve diferenças relevantes após a intervenção e sugerindo internalização de valores e atitudes que possibilitam comportamentos relacionados ao Clima Positivo e por consequência a situações sociais benéficas.
E por fim, o fator Empatia, apresentou diferença significativa na comparação entre T1 e T2, apontando para melhoras nos aspectos da compreensão e respeito ao Outro imediatamente após a intervenção.
Para a Escola B, os resultados Teste t pareado e do teste de Wilcoxon são apresentados na Tabela 12. Os fatores Ajuda e Cuidado não apresentaram diferenças estatísticas significantes em nenhum momento de comparação.
Entretanto, o fator Partilha apresentou diferença estatisticamente significante na comparação entre T1 e T2 (p=0,016); apomtando quee com a intervenção houve melhora.
O fator Clima Positivo também apresentou relevância estatística nas comparações entre T1 e T2 (p = 0,002); entre T1 e T3 (p= 0,002); tal como o fator Partilha, houve mudança significativa no padrão desse fator, após seis meses ainda se pode observar melhora, o que sugere manutenção na internalização de valores e atitudes de Clima Positivo.
Finalmente, o fator Empatia não apresentou diferença significativa.
Desse modo, verifica-se que, dentro do mesmo grupo (amostras pareadas), houve diferenças em alguns fatores que se mantiveram ao longo do tempo, o que sugere que há um grau de eficácia da intervenção. Em estudo utilizando a mesma escala de avaliação com adolescentes realizado por Pajares et al., em 2015 com uma amostra de 21 participantes não obteve nenhum resultado estatisticamente significante entre os dados das avaliações pré e pós intervenção; este estudo conta com um N=38, o que permite supor que, com a possibilidade de intervenção em amostras maiores possivelmente os resultados significativos sejam mais expressivos.
É necessário ressaltar que, estudos de intervenção, principalmente com crianças e adolescentes encontram entraves para sua realização, devido a questões éticas e burocráticas, logo, s possibilidades de grandes amostras tornam-se reduzidas. Outro aspecto relevante é o fato de que realizar intervenções em grandes amostras demanda equipe treinada, o que vem a ser outro entrave devido aos recursos limitados. Fica claro então que uma das limitações do estudo refere-se à dificuldade de aplicação de um
programa de intervenção extenso e consistente devido às limitações de tempo, recursos e equipe.
Verifica-se que, em cada uma das Escolas, mesclam-se resultados que apontam para mudanças significativas nos padrões de comportamentos pró-sociais, possibilitando a adesão a novas perspectivas de relacionamentos interpessoais, que levam a condutas socialmente adaptadas e construtivas entre os adolescentes, tanto em ambiente escolar quanto fora dele.
Tabela 12- Teste t pareado Escola B Comparação entre
grupos
Diferenças emparelhadas Teste t Wilcoxon Média Desvio padrão Erro padrão IC 95% t p Z P Inferior Superior Ajuda1 - ajuda2 ,00000 4,130 ,973 -2,053 2,053 ,000 1,000 -2,38 0,812 Ajuda2 - ajuda3 -1,80000 7,673 1,981 -6,049 2,449 -,908 ,379 -,881 0,379 Ajuda1 - ajuda3 -1,66667 6,229 1,608 -5,116 1,783 -1,036 ,318 -,514 0,607 Partilha1 – partilha2 -4,55556 7,196 1,696 -8,134 -,976 -2,686 ,016 -2,399 0,016 Partilha2 - partilha3 ,40000 7,385 1,906 -3,689 4,489 ,210 ,837 -228 0,820 Partilha1 - partilha3 -3,60000 6,423 1,658 -7,157 -,042 -2,171 ,048 -1,851 0,604 Cuidado1 - cuidado2 1,33333 11,088 2,613 -4,180 6,847 ,510 ,616 -,498 0,619 Cuidado2 - cuidado3 -,46667 11,525 2,975 -6,849 5,915 -,157 ,878 -,283 0,777 Cuidado1 - cuidado3 1,80000 6,699 1,729 -1,910 5,510 1,041 ,316 -,826 0,409 Clima1 - clima2 5,88889 6,694 1,577 2,560 9,217 3,732 ,002 -3,058 0,002 Clima2 - clima3 ,26667 9,338 2,411 -4,904 5,438 ,111 ,914 -,252 0,801 Clima1 - clima3 7,73333 8,013 2,068 3,295 12,173 3,738 ,002 -2,643 0,008 Empatia1 - empatia2 -,94444 3,368 ,794 -2,619 ,730 -1,189 ,251 -1,215 0,225 Empatia2 - empatia3 ,06250 3,732 ,933 -1,926 2,051 ,067 ,947 0,000 1,000 Empatia1 - empatia3 -,75000 2,886 ,721 -2,288 ,788 -1,039 ,315 -,814 0,416
Assim, pode-se concluir que, em grupos distintos, há diferenças significativas para alguns fatores de pró-socialidade, sugerindo que as mudanças independem do grupo; confirmando a hipótese de que existe eficácia em programas de intervenção para modificar o comportamento entre os adolescentes. Ainda que nem todos os fatores apresentem diferenças relevantes também se deve considerer que este é um modelo que leva em conta esses fatores, mas podem haver outras variáveis que compõem a realidade dos grupos adolescentes que certamente contribuem para o desenvolvimento, implementação e manutenção do seu repertório comportamental, por isso estudos dessa natureza merecem ser ampliados a fim de proporcionar discussões e propor mecanismos de atuação professional para possibilitar um desenvolvimento biopsicosocial mais saudável aos adolescentes em seus contextos particulares.