• Nenhum resultado encontrado

A partir do relato feito até o momento, relatando a genealogia do poder e sua relação com o controle da sexualidade, percebe-se os processos denominado de normalização das condutas. Na verdade, Foucault já vai perceber, a partir da sua obra A História da

Sexualidade, que a forma mais ‘fácil’ de controlar as pessoas era através do controle de seu

corpo, e vai demonstrar como isto aconteceu ao longo da história. Este controle do corpo e da alma, da subjetividade vai impor um padrão de conduta socialmente aceitável, tornando desviante os padrões de condutas e comportamentos que não se adequarem neste padrão.

O paradigma da normalidade nos traz diversas possibilidades de uso, pois, afinal, o que é normalidade? Usamos muito este termo em produções acadêmicas, em falas cotidianas, não precisando, necessariamente, ter um único significado. Por definição “normalidade” seria o que condiz com a norma, um hábito, um exemplo. Assim traz uma definição de um dicionário de filosofia, que o “normal” seria uma conformidade com a norma, um equilíbrio. Cria-se uma lista de especificidades das quais caracterizam, inclusive, as condutas dos seres sociais. Esse processo de classificação das condutas em normais e anormais é visto historicamente, quando da escravidão, da mudança de valores morais e éticos, da visão sobre relacionamentos, padrões estéticos, etc. E de qualquer forma, sempre é possível identificar quais seriam os padrões aceitos diante da sociedade.

A julgar pelos momentos históricos, cada grupo social cria um determinado comportamento que constitui uma normalidade, dependendo da natureza das coisas. Quando um indivíduo se comporta de forma diversa temos a anormalidade, o que não é bem visto pelo grupo social, pois, simplesmente, não é o exemplo imposto. A normalidade é invariável, impossibilidade de modificação ou flexibilização, o que torna as coisas um pouco

contraditórias é que até a nossa noção de normalidade é variada de tempos em tempos. Trabalhando com um cenário histórico pós-moderno, uma pessoa é considerada normal quando está mais próxima do que chamamos de ideal, ou seja, quanto mais encaixe houver com os padrões de saúde/relacionamento/vida social, mais normal alguém seria considerado.

O meio social em si cria definições para normal e anormal, estabelecendo o destino de quem se encaixa em determinada conceituação dentro da sociedade, mas isso não quer dizer que as definições sejam unânimes. O que se percebe a partir de Foucault é que estes padrões sociais são permeados por relações de poder, sejam ele poder disciplinar ou biopolítica. Portanto, são através dos dispositivos de poder que os padrões de comportamento e condutas vai sendo moldados no cotidiano. Deste modo, enquanto construção social permeada por relações de poder, o que acontece é que ao coexistirem, normal e anormal, ao mesmo tempo que um indivíduo considerado normal em uma comunidade, pode ser considerado anormal em outra, considerando as duas no mesmo espaço social. A exemplo disto têm as comunidades de apoio a diferentes causas dentro de um mesmo espaço social.

As condutas anormais, que fogem da normalização, acabam se tornando instrumentos do poder para que as mesmas condutas sejam reguladas (normatizadas) e, nesse sentido, é clara a conclusão de que a norma não pretende apenas o regramento, mas também a punição para quem foge do estabelecido. Essa noção de normal/anormal vai ser estudada por Foucault no campo da ciência, onde se têm as práticas clínicas de psiquiatria, entre o final do século XVII e o início do século XIX. Ele trata o poder psiquiátrico como um “intensificador da realidade”, que funciona como um poder suplementar dado à realidade, sendo uma maneira de regrar em uma tentativa de dominação. O que nos remete ao controle pelo poder novamente, onde o indivíduo está sujeito a uma vontade e um saber alheio.

É necessário o entendimento desse campo da psiquiatria para os estudos em Foucault, pois sua composição de aulas no curso de 1975 dedica-se ao estudo do “monstro humano”. Anteriormente a essa data, a figura do monstro remetia diretamente a de “transgressão”, pois consistiria em um ser que transgredia a ordem natural, fosse ela civil ou religiosa, ou ambas. Já ao fim do século XVII, esse termo será substituído pela noção de irregularidade, a exemplo do sujeito hermafrodita (FOUCAULT, 2010).

Então, ao ligar os termos monstruosidade e irregularidade, tem-se uma noção de que determinado sujeito considerado irregular é o sujeito distante do acordado jurídica e naturalmente, ou seja, passando a serem relacionados com a conduta do sujeito. Fala-se, ainda, em monstro moral, no qual a estranheza está presente em seu comportamento, diferindo do “erro” da natureza. A exemplo de monstro moral pode ser citado o rei tirano, quando faz do seu próprio interesse uma imposição a todos seus súditos, situando acima do poder jurídico. Outro aspecto interessante em se falando de monstro moral é quando este é representado pelo povo que se revolta, de forma revolucionária, também saindo dos ditames normais de imposição do poder. (FOUCAULT, 2010).

Ao longo dos tempos as condutas são manipuladas sem que sequer percebamos. A submissão aos instrumentos de poder é feita de forma silenciosa. Se trouxermos isso de forma mais palpável temos o exemplo mais corriqueiro na sociedade contemporânea, que é a invasão na vida dos sujeitos através das redes sociais. Não estar presente nesse meio pode fazer com o sujeito seja considerado “fora do normal” e, até mesmo, excluído. Confrontamos pelo consumo excessivo e a necessidade de cada vez maior visibilidade, nos flagramos com uma reformulação das identidades como formas de assegurar princípios como inclusão e exclusão, que são produtos do mercado (BAUMAN, 2008 apud SILVA, p. 3, 2012).

Enfim, apesar dos estudos sobre normalidade, não se define de forma definitiva um conceito do mesmo. A genealogia dos anormais indica que, sobretudo após a configuração das noções de normal e de anormal no seio do saber e das práticas da psiquiatria, enquanto poder, é que será possível a difusão maciça das tecnologias do poder de normalização para todas as outras instâncias da sociedade.

A constante busca pelo que tornou a identidade do sujeito o que é hoje e como o processo histórico influenciou, e influencia, nesse processo é traço característico nos estudos de Michel Foucault.

(...) todas estas lutas contemporâneas giram em torno da questão: quem somos nós? Elas são uma recusa a estas abstrações, do estado de violência econômico e ideológico, que ignora quem somos individualmente, e também uma recusa de uma investigação científica ou administrativa que determina quem somos.

Em suma, o principal objetivo destas lutas é atacar, não tanto ‘tal ou tal’ instituição de poder ou grupo ou elite ou classe, mas, antes, uma técnica, uma forma de poder. Esta forma de poder aplica-se à vida cotidiana imediata que categoriza o indivíduo, marca-o com sua própria individualidade, liga-o à sua própria identidade, impõem- lhe uma lei de verdade, que devemos reconhecer e que os outros têm que reconhecer nele. É uma forma de poder que faz dos indivíduos sujeitos. Há dois significados

para a palavra ‘sujeito’: sujeito a alguém pelo controle e dependência, e preso à sua própria identidade por uma consciência ou autoconhecimento. Ambos sugerem uma forma de poder que subjuga e torna sujeito a. (FOUCAULT, 1995, p.235).

Porém é necessário cuidado quando tentamos diferenciar e conceituar indivíduo e sujeito dentro da obra do filósofo. Devemos pensar que o início de sua análise não se dá pelo sujeito, mas através dele, estudando como variados e variáveis processos de objetivação e subjetivação constroem o ser humano em sujeito. O termo sujeito pode significar o indivíduo que está ligado a uma identidade que reconhece sendo sua. Se utilizando da genealogia, Foucault explicita a identidade do indivíduo moderno: objeto dócil-e-útil e sujeito; carregando em seu manto de estudo também um personagem fundamental da filosofia no ocidente, o sujeito de conhecimento (FONSECA, 2011, p. 26).

Explana-se sobre condutas normais e anormais, normativas, desvios de conduta; classificam-se os sujeitos como heterossexuais, homossexuais, trans, bi, pan, plurissexuais. A busca da identidade através da sexualidade é o que nos move nos tempos de modernidade, e a construção histórica do sujeito nos mostra isso, como a sexualidade influenciou e serviu como meio de controle, regramento e até repressão. (XAVIER, 2003, p. 2).

O dispositivo da sexualidade, neste estudo, deve ser pensado como um dispositivo capaz de permitir a proliferação do discurso sobre a própria sexualidade. O termo “sexo” surge como uma das funções desse dispositivo para Foucault (1993), como meio de construção de domínios da sexualidade, ou seja, sendo o produto do dispositivo e não o fundamento em si. Segundo ele,

O discurso de sexualidade não se aplicou inicialmente ao sexo, mas ao corpo, aos órgãos sexuais, aos prazeres, às relações de aliança, às relações inter-individuais, etc. (...) um conjunto heterogêneo que estava recoberto pelo dispositivo de sexualidade que produziu, em determinado momento, como elemento essencial de seu próprio discurso e talvez de seu próprio funcionamento, a ideia de sexo (FOUCAULT, 1993, p. 259).

A sexualidade seria uma forma de buscar definir a identidade de quem somos, nossa subjetividade. Quando o objeto sexo surge como produto do dispositivo, vão começar a serem identificadas as práticas de suporte desse discurso, como os atos homossexuais, que apesar de já existirem na história não eram definidos como uma “condição diferenciada”. Assim, passam a categorizar grupos e indivíduos, variados sujeitos da sexualidade.

Como já visto em a História da Sexualidade, ao longo da história foram usados diversos procedimentos para que se pudesse descobrir uma ligação entre práticas e verdade, forçando o sujeito a reproduzir o discurso sobre a sexualidade, um desses procedimentos será a confissão, por exemplo. O homem (considera-se homem como indivíduo dentro da sociedade) é, portanto, produto histórico e, além disso, é um produto de forças que são as relações de poder, pois todas as suas vontades e ações se entrelaçam a essas forças, são resultados. Na Idade Média o homem só poderia ser o produto de forças que o conectavam com deus, sendo em si parte dessa conexão. Já na época moderna, o homem rompe esses únicos laços, passa a se compreender conforme seu limite e potência são caracterizados, não “fugindo” de seu próprio corpo. Enquanto o homem pós-moderno não é produto de forças que são “ligadas aos céus” e nem se limita ao próprio corpo, mas sim produto das relações de poder no meio social, dos questionamentos sobre a vida (PEZ, 2010, p. 3).

Incluindo a experiência individual em torno do sexo, produzindo a subjetividade, pois tem-se um meio de identificação da maneira de ser feito pelo próprio ser.

Para Foucault não existe subjetividade e sim processos de subjetivação. Mas o que seriam processos de subjetivação? Machado L. (1999: 214) esclarece: que acreditamos ser nossa personalidade, nosso mais íntimo desejo, são expressões-em- nós da história de nossa época. A própria necessidade de acreditarmos que temos coisas que nos são particulares e que nos diferenciam do resto do mundo é uma produção própria do momento que vivemos hoje. Nós somos atravessados por toda uma complexa teia de aspectos desejantes, políticos, econômicos, científicos, tecnológicos, familiares, culturais, afetivos, televisivos... Entretanto, cada um de nós tem uma história de vida que é singular, mas que não é interior. (Souza; Machado; Bianco, 2008, p. 20 – 21).

Há a mudança de identidade para identificação, para que faça parte de um dispositivo para que funcione como realidade, ou seja, um modo de ser, de se conduzir e se relacionar. Resgata-se a característica do que é semelhante/relativo na identidade e usa-se no mecanismo da identificação para que isso aconteça. Assim, ganham-se novos domínios da sexualidade, a partir de uma posição que se assume. Essa posição é uma soma da qualidade e da qualificação, do que é semelhante e da ação que acontece em determinado meio de regramentos que configuram uma experiência histórica da sexualidade. A partir daí temos a enunciação, que é uma exposição que possibilita a fala, a prática do discurso e, logo, para que o sujeito tome um posicionamento sobre sua identidade (XAVIER, 2003, p. 11-12).

O que pode ser absorvido dos estudos de Foucault sobre o processo de construção da identidade do sujeito é o fato desse processo ser um movimento além do que é visto em seu

momento histórico. Pois sempre busca mostrar onde as forças de poder estão realmente presentes, onde parece não existir dominação ou onde parece ser absoluta. Assim, temos as práticas de liberdade, a renovação contínua do sujeito em sua identidade, que cria novas singularidades e, logo, novas formas de pensar a vida e seus propósitos. Os conceitos trabalhados em Foucault também não devem ser considerados estáticos, visto o trabalho histórico e ligação íntima com as relações de poder, que são, na verdade, microrrelações (PEZ, 2010, p.6).

A impossibilidade de ter uma perspectiva imediata de nossos corpos e das forças que o moldam é crítica, porque nos é apresentado um leque de interpretações agradáveis sobre essas forças, como elas podem ser positivas e convincentes buscando que melhoremos sempre, sem, sequer, nos lembrarmos que é necessária uma discussão sobre isso, já que é considerado algo da “normalidade”.

Enfim, esse movimento construtivo é, ao mesmo tempo, uma desestabilização e uma construção do que conhecemos e do que consideramos normal-anormal. A identidade está entrelaçada com a sexualidade que, assim, está amarrada ao controle do corpo que é objeto de variados questionamentos e uma criação histórica e social. Do mesmo modo, a identidade e o poder estão entrelaçados com os estereótipos de gênero.

Desta forma, será o sexo biológico o definidor que pré determinará as expectativas sociais e econômicas do sujeito, a partir das dicotomias masculino/feminino, também é esperada a coerência entre corpo, comportamento, vestimenta, carreira profissional, gênero, práticas sócias, entre outras. Deste modo, a partir do controle dos corpos, realizado por meio das instituições que se prestam ao exercício do poder, como o direito, são estabelecidas as determinações de gênero (SCOTT, 1990).

A partir da teoria de poder e dos estudos sobre sexualidade Foucault é que são constituídas as atuais definições de gênero, como a de Joan Scott (1990), para quem este é a organização social da relação entre os sexos, presentes em todas as relações sociais, em todas as sociedades e épocas, sendo, portanto, atemporais e universais. É, de acordo com a autora, tanto um elemento constitutivo das relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos, quanto uma maneira primária de significar relações de poder, cuja construção

apresenta três características principais: uma dimensão relacional, a construção social das diferenças percebidas entre os sexos e um campo primordial onde o poder se articula.

A constante mutabilidade dos instrumentos de legitimação se distancia da precisa identificação destes. Porém, é possível afirmar que essas tecnologias de controle apenas mudaram para que pudessem se adaptar às novas realidades da sociedade, denominada por alguns pensadores de pós-moderna. Assim, com base em Foucault, o estilo com que se governa define os demais aspectos da vida dos governados por meio do biopoder, colocando o Direito e o Estado a serviço de toda essa normatização. A dominação passa sutilmente pelas massas, de modo que os indivíduos são inseridos em um cenário estratégico, onde são percebidos como úteis ou inúteis, assim, acreditando em qual conduta seria “normal” ou “anormal”, por pura razão instrumental.

A (i)legitimidade das condutas se torna cada vez mais evidente com o passar dos anos, especialmente com a evidencia de que o ordenamento jurídico adotou um gênero em suas normas, anormalizando condutas que não se encaixem perfeitamente. O grande clímax chega quando a realidade evidencia que os corpos, na verdade, não são dóceis, e que a definição de gênero é, como ensina Butler (2008), uma complexidade cuja totalidade é permanentemente protelada, jamais plenamente exibida em qualquer conjuntura considerada, uma assembleia que permita múltiplas convergências e divergências, sem obediência a um telos normativo e definidor.

Como fonte de estudo, temos Judith Butler (2008), em sua obra Problemas de gênero:

feminismo e subversão da identidade, filósofa pós-estruturalista e considerada, também, pós-

feminista, faz os questionamentos sobre as noções de gênero e sexualidade, verdades prontas, e, também, sobre o corpo, pois, para a autora, não existe corpo anterior ao choque cultural, predeterminado, apenas como resultado biológico, mas sim produzido pelas mesmas tecnologias discursivas que amparam sexos, gêneros e sexualidades.

Segundo a filósofa, a própria compreensão sobre identidade tem como centro a discussão sobre gênero que, na linha do que aconselhava Foucault, as pessoas só se tornam inteligíveis ao adquirir seu gênero em conformidade com padrões reconhecíveis de inteligibilidade do gênero. Como gêneros inteligíveis, define Butler (2008), serão aqueles que mantêm uma relação de coerência entre sexo, gênero, pratica sexual e desejo, restando

marginalizados pelas leis a causalidade entre o sexo biológico e o gênero culturalmente construído.

Não se pode deixar de lado que em Foucault, Butler (2008) afirma que o sexo não corresponde ao ambiente politicamente neutro sobre o qual a cultura se insere, mas que é um resultado de discursos que expressam determinados interesses, sejam eles políticos e sociais. Assim, a concepção de sexo como um dado natural/biológico é um efeito da construção cultural de que devemos esperar certos comportamentos dos sujeitos, pois, só assim, seriam adequados as regras sociais.

Deste modo, a problemática do sujeito é constitutiva do projeto de Foucault, segundo constata Fonseca (2002). O sujeito transcendental, herdeiro do iluminismo, como medida de todas as coisas, é questionado e relegado. Combate-se a soberania, do homem, enquanto sujeito; o homem não é aquilo a partir do qual se organiza o sentido. Ele é mesmo produto de certa prática discursiva que determina suas condições e possibilidades. Segundo Fonseca, é nesse contexto que Foucault “determina a ‘morte do homem’”. Trata-se não mais de pensar o homem a partir do próprio homem, mas de examinar os modos de normalização e constituição do sujeito, ou seja, as operações discursivas pelas quais o individuo se constitui a si próprio como louco, delinquente, doente, saudável, cidadão, mulher, homem, etc. Há que se considerar que no decurso de tais operações discursivas de normalização o direito ocupa um papel privilegiado de efetivação do controle e do poder.

Assim, a principal consequência desse empreendimento filosófico reside, de acordo com Fonseca (2002), na possibilidade de abertura, do pensamento a um novo espaço: o de poder pensar como, em uma cultura como a nossa, se instituem relações de alteridade e se realizam as constituições de identidade e diferença. A par disso têm-se inegáveis contribuições para a reflexão acerca de uma nova ética que se contraponha aos discursos normalizantes dos dispositivos de dominação, discursos estes que produzem sujeitos a partir da submissão a uma moralidade hegemônica religiosa ou legal. A problematização foucaultiana na busca de uma nova forma de constituição da subjetividade, de novos modos de sujeição que se estabeleçam como uma escolha ativa e pessoal na construção de uma existência bela - como uma estética da existência - permanece fundamental na atualidade.

CONCLUSÃO

Saber a diferença entre os termos sexo e gênero é muito importante para que se possa fazer uma desconstrução de discursos usados durante séculos. Esses discursos se limitam a categorizar as diferenças em características anatômicas, estereótipos entre masculinidade e feminilidade e, ainda, sobre papeis de gênero, o caráter domiciliar e familiar ligado ao feminino, por exemplo.

Ao reconhecer um processo histórico que normaliza nossas condutas e termos a noção de que a categoria gênero é reconhecida, podemos dizer que é fundamental para que possamos entender a necessidade da igualdade entre homens e mulheres, no que diz respeito a diversas esferas da sociedade. Igualdade em quaisquer direitos dentro dessa sociedade, sejam eles políticos, sociais, econômicos, familiares, etc.

O estudo de gênero e sexualidade, explanada um pouco de sua história na obra de Michel Foucault (História da Sexualidade), demonstra claramente a importância do momento histórico, social e político, para que conceitos como estes sejam formados, mesmo que nunca sejam estagnados. E a influência constante das relações de poder para a constituição da subjetividade dos sujeitos dentro da sociedade.

Dentro de um convívio social temos diversas culturas, classes, histórias e

Documentos relacionados