99 INTERFERÊNCIA COMPORTAMENTAL INTER E INTRA-ESPECÍFICA EM
NORTE, BRASIL / DISTRIBUTION, ECOLOGY AND CONSERVATION OF
Herpsilochmus pectoralis AND H. sellowi IN ATLANTIC RAINFOREST IN RIO GRANDE DO NORTE, BRAZIL.
Marcelo da Silva¹, Mauro Pichorim² e Márcio Zikán Cardoso2
1Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, UFRN, 2Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia, UFRN. E-mail: [email protected]
O chorozinho-de-papo-preto, Herpsilochmus pectoralis, e o chorozinho-da-caatinga, H.
sellowi, são Thamnophilidae endêmicos do nordeste brasileiro. A primeira espécie é
considerada ameaçada de extinção pelo MMA e IUCN, enquanto a segunda, consta como quase-ameaçada pela IUCN. O presente estudo teve como objetivo fornecer dados sobre distribuição, abundância, habitat e estado de conservação dessas espécies no RN, de forma a suprir carências básicas de informações que auxiliem na definição de estratégias e medidas conservacionistas. Foram amostradas 34 localidades no domínio da Mata Atlântica no RN durante o período de novembro de 2005 a março de 2008, totalizando um esforço amostral de 360 horas. As observações ocorreram principalmente entre 5h30min e 12h00min, e os registros se basearam em contados visuais e/ou auditivos. Realizaram-se censos padronizados em duas fitofisionomias diferentes para verificar abundância e densidade. Encontramos H. pectoralis em 70% (N=24) das áreas amostradas, a densidade local foi estimada em ~0.86 ind/ha e o tamanho populacional em 43.344 indivíduos. O habitat viável disponível estimado foi de 50.400 ha, do qual apenas 1,9% correspondem à unidade de conservação de proteção integral e 4% a unidades de uso sustentável.
Herpsilochmus sellowi esteve presente em 38% (N=13) das áreas, com densidade de
~0,52 ind/ha e estimativa populacional de 16.224 indivíduos, e o habitat viável estimado foi de 31.200 ha. Esses dados ampliam o conhecimento da distribuição geográfica dessas espécies a nível local e nacional, e confirmam a importância da população de H.
pectoralis do Rio Grande do Norte. É alarmante a baixa representatividade de UCs na
região, visto que as áreas particulares enfrentam problemas de fragmentação, desmatamento seletivo, queimadas e forte especulação imobiliária.
149 IMPORTÂNCIA DE FRAGMENTOS URBANOS DE VEGETAÇÃO NATIVA PARA AVES NÃO COMUMENTE ENCONTRADAS EM PRAÇAS E JARDINS / IMPORTANCE OF URBAN FRAGMENTS OF NATIVE VEGETATION FOR BIRDS NOT COMMONLY FOUND AT SQUARES AND GARDENS.
Aloysio Souza de Moura1,3, Talita Vieira Braga2,4 e Carla Terezinha Serio Abranches1,5 1Centro Universitário de Lavras – UNILAVRAS, 2Universidade Federal de Lavras – UFLA. E- mails: 3[email protected], 4[email protected], 5[email protected]
Devido à fragmentação das paisagens naturais ao redor da cidade de Lavras, sul do estado de Minas Gerais, por motivos do grande salto da agricultura a qualidade e a quantidade de recursos disponíveis à avifauna diminui. Por isso, trabalhos de listagem e comportamento de comunidades de aves em fragmentos de mata urbana são de grande interesse conservacionista, pois a capacidade desses fragmentos isolados em manter a biota regional é de grande interesse na biologia da conservação, tendo nesta mesma linha de pensamento a teoria da biogeografia de ilhas. O objetivo deste estudo foi registrar a presença de espécies de aves que utilizam o fragmento urbano de vegetação nativa, mas que não são comumente encontradas em outras áreas verdes da cidade. O fragmento em estudo, denominado “Ecolândia”, possui aproximadamente quatro hectares e é composto na sua maioria por uma vegetação de Floresta Estacional Semi-decidual e parte Floresta Paludosa. Para registro de espécies foi utilizado o método animal-focal, redes de neblina para captura, gravação de vocalização quando possível para comparações em arquivos sonoros e material bibliográfico. Foram estabelecidos dois pontos de captura, borda e interior, amostrados com esforço de doze horas, uma vez por semana durante o período de águas (janeiro a março de 2007) e seca (abril a julho 2007). Ao total de 122 espécies de aves registradas, alocadas em 37 famílias, pode-se destacar a presença de algumas delas que não possuem registro em parques e praças de cidades. São elas: o jacu-pemba (Penelope superciliaris), uma ave de grande porte; o tico-tico da floresta (Arremon
flavirostris), ave de hábitos terrestres; e a choca-barrada (Thamnophilus caerulescens),
considerada uma ave especialista. Através desses dados pode-se destacar a importância de ilhas de vegetação nativa em cidades para a conservação de espécies da avifauna que requerem ambientes mais complexos, e mesmo àquelas que estão de passagem pelo perímetro urbano.
150 INDICADORES HEMATOLÓGICOS E PARASITOLÓGICOS COMO FERRAMENTA ECOLÓGICA PARA AVALIAR A SAÚDE DE Turdus leucomelas (TURDIDAE, PASSERIFORMES) / HEMATOLOGICAL AND PARASITOLOGICAL INDICATORS AS A ECOLOGICAL TOOL TO ASSESS THE STATE OF HEALTH OF Turdus leucomelas (PASSERIFORMES)
Débora Nogueira Campos Lobato 1; Yasmine Antonini 2; Érika Martins Braga 3; Nayara
de Oliveira Belo 3
1PG-ECMVS, ICB/UFMG: debora [email protected],2Dept. de Ciências Biológicas, ICEB/UFOP 3Dept. de Parasitologia, ICB/UFMG
A saúde das aves pode ser estudada como um indicador ambiental. Diferentes tipos de estresses físicos, ambientais e antrópicos favorecem o declínio das condições de saúde das aves diminuindo sua capacidade de sobreviver e reproduzir. O objetivo deste estudo foi avaliar as condições de saúde de Turdus leucomelas no período reprodutivo (out/dez de 2006) e no período de muda das penas (fev/mar de 2007), através da análise de parâmetros hematológicos, avaliação da infecção por hemoparasitos e infestação por ectoparasitos, no Parque Estadual do Rio Preto, MG. Os objetivos específicos foram testar as predições das seguintes hipóteses: (1) “A saúde e o nível de estresse de T. leucomelas variam entre os períodos sazonais”; (2) “A infestação de ectoparasitos e a infecção por hemoparasitos varia quali e quantitativamente entre os períodos sazonais”; (3) “A taxa de parasitismo relaciona-se aos parâmetros hematológicos”. Turdus leucomelas é uma espécie cosmopolita, encontrada em áreas urbanas e silvestres. As aves capturadas com redes de neblina foram anilhadas e amostras de sangue foram coletadas para avaliar parâmetros hematológicos (hematócrito, hemoglobina e leucócitos) e hemoparasitas (através de microscopia óptica e PCR). Os ectoparasitas (piolhos, ácaros de pena e carrapatos) foram removidos utilizando um piretróide em pó. O nível de hemoglobina foi significativamente maior na estação reprodutiva (p<0,05). Plasmodium, Lankesterellla (hemoparasitos) e ectoparasitos adultos foram mais freqüentes na estação reprodutiva. Os resultados obtidos indicam que estes índices podem futuramente ser implementados para avaliar a saúde de aves silvestres em ambientes impactados (áreas urbanas) x ambientes naturais (áreas protegidas) e utilizados como ferramenta na avaliação da viabilidade de reintrodução apreendidos pelos órgãos fiscalizadores. A comparação da saúde da avifauna silvestre representa um caminho na abordagem de bioindicadores de integridade ambiental na região tropical.
151 LEVANTAMENTO DA AVIFAUNA DO PARQUE MUNICIPAL DA LAGOA DAS BATEIAS, VITÓRIA DA CONQUISTA, BA/ SURVEY OF THE AVIFAUNA OF THE PARQUE MUNICIPAL DA LAGOA DAS BATEIAS, VITORIA DA CONQUISTA, BA.
Sabrina Cordeiro Parente1; Mário Henrique Barros Silveira2
1 Graduanda em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.
2 Biólogo e discente do programa de Pós-graduação em Zoologia da Universidade Estadual de Feira de Santana. E-mail: [email protected]
O Parque Municipal da Lagoa das Bateias possui uma área de 53 ha, inserido na cidade de Vitória da Conquista, Bahia. Trata-se de um importante manancial hídrico da sub-bacia do Rio Pardo, de fundamental importância para nidificação, alimentação e descanso para aves e outros grupos animais. No entanto, essa área sofre constantes agressões em decorrência da ação antrópica. Esse trabalho visa elaboração de uma lista das espécies da avifauna local, subsidiando estratégias de educação ambiental. Foram realizadas observações mensais nessa área, entre fevereiro/2007 e janeiro/2008, através de observação direta, com auxilio de binóculos e registros fotográficos, em quatro pontos fixos no perímetro da lagoa, e em transecções de 1000 metros entre os pontos. As observações ocorreram mensalmente, das 05:30h às 10:00h, totalizando 54 horas de observação. Foram identificadas 42 espécies, pertencentes a 14 ordens e 23 famílias. A ordem Passeriformes apresentou a maior riqueza de espécies, sendo Icteridae (9,52%) e Tyrannidae (11,9%) as famílias mais signitativas. As aves que habitam áreas alagadas foram as mais representativas quanto ao número de indivíduos, tais como: Netta
erythrophthalma e Anas bahamensis (Anatidae – 7,14%); Ardea alba (Ardaeidae –
7,14%); Gallinula chloropus e Pardirallus nigrecans (Rallidae – 7,14%); Vanellus
chilensis (Charadriidae – 4,76%); Himantopus himantopus (Recurvirostridae – 3,33%); Tringa flavipes (Scolopacidae – 2,38%); Jacana jacana (Jacanidae – 2,38%). Os
resultados do presente estudo foram divulgados, por meio de eventos educativos, aos moradores de bairros próximos à área e, adicionalmente, comporão um livro que abordará a biodiversidade da Lagoa das Bateias.
152 MICRO-BACIA DO ARROIO DEMÉTRIO (MORUNGAVA): IMPORTÂNCIA AMBIENTAL E RIQUEZA DE AVES REGISTRADAS DESDE
1985/MICROBASIN OF BROOK DEMÉTRIO: ENVIRONMENTAL
IMPORTANCE AND BIRD RICHNESS REGISTERED SINCE 1985.
1Fernando Poerschke, 2Filipe Poerschke
1Acadêmico de Biologia, Universidade Luterana do Brasil Gravataí, [email protected] 2 Biólogo Consultor Ambiental, [email protected]
A área de estudo situa-se no distrito Morungava, (29° 52’40’’S 50° 56’08’’W), Rio Grande do Sul, no ecótono Planície/Escarpa do Planalto. A vegetação é típica da Floresta Estacional Semidecidual e acompanha os inúmeros córregos que formam a micro-bacia do arroio Demétrio e cortam importantes áreas urbanas, tornando-se imperativo sua preservação para futuro abastecimento de água. A partir de 1985 o ornitólogo autodidata Ruben A. Poerschke passou a realizar sucessivas amostragens ornitológicas que foram continuadas a partir de 2002 pelos autores. Os dados são qualitativos e foram coletados ao longo de uma trilha com três quilômetros, que abrange mata ciliar, campos e banhados. Foram registradas até o momento duzentas e quatorze espécies de aves representando aproximadamente 34% da avifauna listada para o Rio Grande do Sul por Bencke (2001). As alterações ocorridas neste ambiente modificaram constantemente a distribuição das espécies, empurrando algumas para onde não ocorriam ou atraindo outras pela oferta de alimento e refúgio. Este fenômeno pode explicar o fato de que alguns registros, como
Accipter bicolor, e Cyanocorax caeruleus serem antigos e escassos, e outros como Tersina viridis e Megarynchus pitangua, terem aumentado sua freqüência nos últimos
anos de monitoramento. Das espécies registradas, duas constam no livro vermelho da fauna ameaçada de extinção em nível estadual na categoria vulnerável e uma consta como dados insuficientes. O índice de comunidades, de Jaccard foi utilizado nos Cálculos de similaridade com trabalhos anteriormente realizados no Parque Estadual Delta do Jacuí e na Reserva Biológica de Itapuã que são fisionomicamente semelhantes a área de estudo diferindo apenas pela maior quantidade de ambientes aquáticos. Foi observada uma grande semelhança entre suas avifaunas, sendo os índices de similaridade de 67.9% e 64.6% respectivamente mostrando a importância de preservação da micro-bacia do arroio Demétrio.
Palavras chave: Mata ciliar, Diversidade, Antropização
153 MONITORAMENTO DE Atticora melanoleuca – ANDORINHA-DE-COLEIRA DURANTE E APÓS A FORMAÇÃO DO RESERVATÓRIO DA UHE AMADOR AGUIAR II, (BACIA DO PARANAÍBA – RIO ARAGUARI – MG) / MONITORING OF Atticora melanoleuca – BLACK-COLLARED SWALLOW DURING AND AFTER THE FORMATION OF THE UHE AMADOR AGUIAR II, (BASIN OF THE PARARANAIBA - ARAGUARI RIVER– MG)
Lúcia Paolinelli Barros1
1Biol. Biovet-Consultoria Ambiental Ltda, R. Felipe dos Santos,815/601, Lourdes, BH, MG e-mail: [email protected]
No período de set./06 a dez./07, na área de formação e de influência do reservatório da UHE Amador Aguiar II – MG (construída pelo Consórcio Capim Branco Energia – CCBE), foi realizado o monitoramento das populações de Atticora melanoleuca, considerada criticamente em perigo no estado de Minas Gerais, em set./06, pela Fundação Biodiversitas. O monitoramento visou o estudo do deslocamento das populações de A.
melanoleuca, através do censo por observação direta e captura com redes de neblina tipo
“mist net”, na área diretamente afetada e de influencia do reservatório durante a fase enchimento e pós-enchimento. Os censos por observação direta foram realizados de barco, nos períodos vespertinos e crepusculares. Na fase de enchimento foram localizados grupos variando de 3 a 157 espécimes e na fase pós-enchimento de 3 a 140 espécimes. As capturas iniciaram com o raiar do dia até o crepúsculo. Para tal, foram colocadas redes ornitológicas nas pedras e galhadas dentro do rio e vistoriadas de 10 em 10 minutos. Cada ave capturada recebeu uma anilha do CEMAVE. Dados biométricos e ponderais foram coletados e anotados em planilha de campo. Na fase de enchimento 90 espécimes foram anilhados e 12 recapturados e pós-enchimento ocorreram 73 anilhamentos e 37 recapturas. Durante a execução deste projeto ocorreram 212 capturas, sendo que destas 163(64%) receberam anilhas e 49(36%) espécimes foram recapturados. O efetivo populacional de A.
melanoleuca, na área de estudo, durante o período da realização deste projeto, oscilou
significativamente em função das alterações ocorridas no habitat com a formação do reservatório. Observou-se que estes grupos utilizam para nidificação, descanso e alimentação locais que apresentam rochas expostas com fendas no meio do rio mesmo que não tenha corredeiras. Ocorreram registros de indícios reprodutivos durante todas as campanhas realizadas, apesar disso, não é possível concluir que a espécie reproduz o ano todo. Para uma conclusão efetiva se faz necessário um tempo maior de acompanhamento da espécie. Apesar dos resultados aqui apresentados não serem conclusivos, a continuidade do monitoramento e a marcação através de anilhas auxiliará futuras observações sobre o comportamento e a estabilização destas populações.
154 NOVAS OBSERVAÇÕES DO PATO-MERGULHÃO Mergus octosetaceus NO JALAPÃO, TOCANTINS, BRASIL / NEW OBSERVATIONS OF BRASILIAN MERGANSER Mergus octosetaceus IN JALAPÃO, TOCANTINS STATE, BRAZIL.
Marcelo de Oliveira Barbosa
Instituto Natureza do Tocantins – NATURATINS, Diretoria de Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, Coordenadoria de Unidades de Conservação, 302 Norte, Alameda 01, Lt. 3, CEP. 77.016-524, Palmas - TO. E-mail: [email protected]
O pato-mergulhão Mergus octosetaceus é uma espécie que habita rios de águas límpidas e com corredeiras. No Brasil têm distribuição disjunta, com registros mais recentes nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e a leste do Tocantins na região do Jalapão. No Paraguai está localmente extinta e provavelmente na Argentina. É considerada criticamente ameaçada de extinçãocom estimativa populacional global de cerca de 250 indivíduos. No Tocantins sua ocorrência foi confirmada em maio de 2002 no rio Novo. Com o objetivo de monitorar a espécie no Parque Estadual do Jalapão e entorno, realizou- se em 2007, levantamentos por meio de caminhadas nas margens de alguns trechos dos rios Preto e Novo. Utilizou-se também de duas descidas com bote inflável (julho e setembro) ao longo do rio Novo, com dois dias e meio de duração cada. Percorreu-se um trecho de cerca 53 Km. Em julho foram detectados 13 indivíduos e em setembro 29, sendo destes últimos, três casais constituídos e em reprodução. Levantamentos anteriormente conduzidos no rio Novo apontavam registros pontuais de um indivíduo adulto isolado próximo à ponte da rodovia TO-255 e de um par nas proximidades da Cachoeira da Velha em maio de 2002 e em agosto um casal com quatro filhotes também nesta última área. Na Serra da Canastra, levantamentos mais consistentes vêm sendo realizados, os quais estimam a existência de cerca de 80 indivíduos habitando a referida área. Considerando-se toda a extensão do rio Novo e outros rios com características potenciais para a ocorrência da espécie (rios Sono, Soninho, Preto, Prata e Perdida), é possível que a população de
Mergus octosetaceus do Jalapão, fundamentada nos registros deste trabalho, seja em
número rivalizada com a da Canastra. Portanto, esforços para a proteção da espécie no Jalapão são extremamente necessários, já que se trata de um importante sítio de ocorrência.
Palavras-chave: Mergus octosetaceus, levantamento, reprodução. Órgão Financiador: NATURATINS
155 O QUE CAMERA TRAPPING (ARMADILHA FOTOGRÁFICA) PODE FAZER PELA ORNITOLOGIA? A EXPERIÊNCIA DO PARQUE ESTADUAL DO CANTÃO E ENTORNO. / WHAT CAMERA TRAPPING CAN DO FOR ORNITHOLOGY? THE EXPERIENCE OF CANTÃO STATE PARK AND ITS SURROUNDINGS.
Nuno Miguel Negrões 1, 3, Túlio Dornas 2,4, Leandro Silveira3, Anah Jácomo3, Mariana
Furtado 3, Natália Torres 3, Rahel Sollomann 3, Carlos Fonseca1 e Renato Pinheiro2,4 1. Departamento de Biologia, Universidade de Aveiro,Campus universitário de Santiago, Aveiro- Portugal, [email protected] 2. Universidade Federal do Tocantins 3. Instituto Onça-Pintada, Rodovia GO-341, km 82, Caixa Postal: 193, Mineiros-GO 4. Grupo de pesquisa em Ecologia e Conservação das Aves do Tocantins – ECOAVES-TO/UFT
A carência de informação sobre a ocorrência e ecologia de espécies silvestres ainda são verificadas em pleno século XXI, situação agravada devido à crescente pressão humana sobre os ecossistemas. Assim, a coleta de todo o tipo de dado que auxilie na avaliação da biodiversidade e definição de medidas de gestão da mesma tornam-se emergenciais. Neste sentido, métodos utilizados para estudos sobre um determinado grupo de espécies (ex: mamíferos) acabam por auxiliar no aumento do conhecimento de outros grupos (ex: aves). Tal situação foi verificada no Parque Estadual do Cantão (TO) e entorno onde dados coletados por armadilha fotográfica cujo foco principal do projeto era a onça-pintada e suas presas em região ecotonal (Cerrado-Amazônia), contribuíram para ampliar o conhecimento da distribuição e da ecologia das aves locais. Campanhas trimestrais de armadilha fotográfica, 40 dias cada, de março/2005 a janeiro/2008 registrou a ocorrência de 12 espécies de aves: Cairina moschata, Penelope superciliaris, Penelope ochrogaster,
Aburria cujubi, Mitu tuberosum, Crax fasciolata, Buteogallus urubitinga, Micrastur mintoni, Aramus guarauna, Psophia viridis, Aramides cajanea, Monasa nigrifrons.
Destacamos Micrastur mintoni e Aburria cujubi, espécies inconspícuas no vale do rio Araguaia; Penelope ochrogaster, espécie ameaçada de extinção segundo MMA; e ainda o registro exclusivo de Psophia viridis para a margem esquerda do rio Araguaia (Pará), sugerem à atuação do rio Araguaia como barreira geográfica, limitando a distribuição leste desta espécie amazônica à calha do rio Araguaia, visto que o mesmo esforço amostral para o PEC não se obteve êxito. As fotografias obtidas de P. superciliaris, P.
ochrogaster e Crax fasciolata permitiram descrever um padrão de atividade
exclusivamente diurno para as mesmas, com picos de atividade entre 5:00 e 8:00 horas e 17:00 e 19:00 horas. Portanto, fica nítido como o método de armadilhagem fotográfica em estudos de outros vertebrados pode elucidar lacunas do conhecimento da distribuição e ecologia das aves brasileiras.
Palavras-chave: armadilha fotográfica, ecotono, distribuição
156 OCORRÊNCIA DE AVES NO SOLO E ESTRATO BAIXO DE UM FRAGMENTO URBANO DE VEGETAÇÃO NATIVA EM LAVRAS, SUL DO ESTADO DE MINAS GERAIS / OCCURRENCE OF BIRDS AT THE SOIL AND AT LOW STRATUM IN A URBAN NATIVE VEGETATION FRAGMENT IN LAVRAS, SOUTH OF MINAS GERAIS STATE.
Aloysio Souza de Moura1,3, Talita Vieira Braga2, Ricardo Augusto Serpa Cerboncini2 e
Carla Terezinha Serio Abranches1
1Centro Universitário de Lavras – UNILAVRAS, 2Universidade Federal de Lavras – UFLA. E-mail: 3[email protected]
A fragmentação das paisagens naturais ao redor da cidade de Lavras, sul do estado de Minas Gerais, resulta em um mosaico vegetacional intermediado por matrizes de plantações e centros urbanos, o que dificulta o deslocamento da fauna pelos remanescentes florestais e limita a disponibilidade de recursos. Aves que utilizam preferencialmente o solo e a estratificação baixa de florestas necessitam de áreas que ofereçam todos os recursos necessários à sua sobrevivência. O fragmento urbano de vegetação nativa em estudo, denominado “Ecolândia” (23K0500803/UTM7648772), está a uma altitude de 928 m, possui aproximadamente 4 ha e é composto na sua maioria por uma vegetação de Floresta Estacional Semi-decidual e parte Floresta Paludosa. A estratificação da vegetação é representada por um estrato baixo de aproximadamente 1.5m de altura, um estrato médio de 3m a 5m e um dossel de 8m a 10m, estando as árvores emergentes a altura próxima de 15m. O objetivo do estudo foi apresentar a partir de uma listagem preliminar da comunidade de aves presentes na área aquelas que freqüentam apenas o solo e a estratificação baixa da floresta. Para o registro foi utilizado o método animal-focal, redes de neblina para captura, gravação de vocalização quando possível e material bibliográfico. Foram estabelecidos dois pontos, borda e interior, amostrados durante o período de águas (janeiro a março de 2007) e seca (abril a julho 2007), através de 4 redes de neblina de 6m com altura aproximada de 3m durante 30 h em cada ponto de amostragem por cada período. Ao total foram registradas 122 espécies de aves alocadas em 37 famílias, das quais pode-se destacar a presença das espécies Aramides cajanea,
Arremon flavirostris e Conopophaga lineata por freqüentarem obrigatoriamente o solo e a
estratificação baixa de florestas. A partir dos dados apresentados pode-se destacar a capacidade do fragmento em conservar a comunidade de aves mesmo apresentando um alto grau de isolamento e forte influência antrópica.
157 OCORRÊNCIA DE BOUBA AVIÁRIA EM PASSERIFORMES SILVESTRES BRASILEIROS / POXVIRUS OCCURENCE BRAZILIAN WILD PASSERIFORMES
Liliane Milanelo1, Lilian Sayuri Fitorra1, Bruno Simões Sergio Petri1, Márcia Bento