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PROPOSAL FOR MIGRATORY CHARADRIIFORMS BANDING IN BRAZIL WITH COLOURED CODED FLAGS.

99 INTERFERÊNCIA COMPORTAMENTAL INTER E INTRA-ESPECÍFICA EM

PROPOSAL FOR MIGRATORY CHARADRIIFORMS BANDING IN BRAZIL WITH COLOURED CODED FLAGS.

Raquel C.Alves Lacerda1, Roberta Costa Rodrigues2

1 SNA/CEMAVE, FLONA Restinga de Cabedelo/PB, [email protected] 2 Programa de Pós Graduação em Biologia Animal/UFPE, [email protected]

Para aves, nenhum método de marcação obteve mais sucesso do que a utilização de anilhas, ao permitir conhecer aspectos da ecologia de populações, principalmente em espécies migratórias. Entretanto, o seu uso pode não ser eficaz, se não houver a recaptura ou encontro dos espécimes anilhados. Surgiu, então, a necessidade de utilizar marcadores auxiliares em aves que permitam identificá-los, à distância. Nos anos 80, criou-se o Pan

American Shorebirds Program (PASP) com o objetivo de montar uma rede de pesquisas

nas Américas que promovesse o uso de códigos com a combinação de marcadores coloridos (anilhas e bandeirolas com cores pré-definidas), além da anilha metálica, cuja combinação forma um código individual para monitorar aves limícolas migratórias (ordem Charadriiformes). No Brasil, o CEMAVE coordenou o uso de cerca de 4500 códigos gerados pelo PASP. Com o uso crescente, observou-se que o número de códigos possíveis com determinadas cores é limitado, exigindo o aumento na quantidade de anilhas coloridas em até 20 por indivíduo, o que se tornou inviável, criando a necessidade de novo sistema de geração de códigos. Na sua elaboração, analisou-se as deficiências no método vigente em relação ao tempo gasto na colocação das anilhas coloridas, à perda e alterações na cor e à dificuldade na recuperação visual dos códigos. Para dirimir essas dificuldades, a proposta elaborada pelo SNA/CEMAVE para uso no Brasil abrange apenas a anilha metálica e a bandeirola azul em plástico resistente a raios UV, marcada com código individual de dois ou três caracteres e de fácil leitura com binóculo ou luneta. As vantagens incluem redução do tempo gasto na marcação, redução do impacto sobre o indivíduo marcado e do custo de implementação. O novo sistema gerou através de programação em linguagem PL-SQL mais de 30 mil códigos, o que será suficiente para marcação de aves limícolas migratórias nos próximos 10 anos.

 

 

161  STATUS DE CONSERVAÇÃO DA ÁGUIA-CINZENTA (Harpyhaliaetus coronatus) NO ESTADO DE MINAS GERAIS. / GRAY EAGLE (Harpyhaliaetus coronatus) CONSERVATION STATUS AT MINAS GERAIS STATE.

Giancarlo Zorzin, Carlos Eduardo Alencar Carvalho Marcus Canuto, Eduardo Pio Mendes de Carvalho Filho & Gustavo Diniz Mendes de Carvalho.

S.O.S. FALCONIFORMES – Centro de Pesquisa para a Conservação de Aves de Rapina Neotropicais. [email protected].

A Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) é uma espécie mundialmente ameaçada, com problemas de conservação em todos os estados do sudeste do Brasil. Desde 1997 somamos dados sobre a sua distribuição e reprodução em Minas Gerais, diagnosticando problemas referentes á sua conservação local. Durante esse período registramos a espécie em 17 localidades. Entre estas, confirmamos quatro sítios ativos de reprodução, localizados em remanescentes de matas estacionais em vales fluviais, na área rural de Araguari, em Lelivéldia e Joaíma no Vale do Jequitinhonha e no Parque Nacional Grande Sertão Veredas. Os ninhos foram todos construídos em árvores emergentes, com altura média de 18 metros. Outras cinco localidades foram caracterizadas como potenciais áreas reprodutivas, através da freqüência de contatos com casais pareados e indivíduos jovens, como a área rural de Matozinhos, Ibertioga no sul do estado, em Marliéria, Unaí e na Serra do Rola Moça. Em Joaíma, documentamos o abandono da incubação pelo casal, em 2001 e 2002, devido ao intenso desmatamento e presença humana no entorno do ninho. Desta forma, individualizamos como ameaça primária o desmatamento e a descaracterização da vegetação em seus sítios de nidificação, como registrado na implantação de usinas hidrelétricas no Rio Jequitinhonha e no Rio Araguari. A perseguição e a caça são problemas secundários, o que foi documentado através de entrevistas locais. Apesar da nidificação e do acréscimo de novas localidades de ocorrência no estado, somente 06 são unidades de conservação e três entre estas pertence à categoria de proteção integral. Como estratégia de conservação imediata é preciso guarnecer proteção total aos sítios de reprodução pré-determinados e garantir a implantação de medidas avaliativas e mitigadoras na instalação de aproveitamentos hidrelétricos. Além disso, iniciar programas de educação ambiental, visando o descimento de ameaças secundárias como a caça e a perseguição.

 

 

162  DISTRIBUIÇÃO, NINHO E MORFOMETRIA DE Thamnophilus pelzelni NO LITORAL DO RIO GRANDE DO NORTE, BRASIL / DISTRIBUTION, NEST AND MORPHOMETRIC DATA OF Thamnophilus pelzelni IN COASTAL FOREST IN RIO GRANDE DO NORTE, BRAZIL.

Érica Patrícia Galvão do Nascimento¹, Bruno Rodrigo de Albuquerque França1, Marcelo

da Silva¹,3 e Mauro Pichorim²,3

1Departamento de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Potiguar, 2Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 3Grupo Ornitológico Potiguar (GOP). E-mail: [email protected]

A choca-do-planalto, Thamnophilus pelzelni, foi recentemente elevado ao nível de espécie com base em análise de plumagem, distribuição geográfica e vocalização. Apresenta-se amplamente distribuído no Brasil oriental, e era conhecido no Rio Grande do Norte por um único registro no sul do estado. Esse estudo visa fornecer novos dados referentes à distribuição geográfica, descrição do ninho e morfometria da espécie. Compilamos informações de 32 localidades no domínio de Mata Atlântica do RN durante expedições de campo realizadas entre 2005 e 2007. As observações foram realizadas com auxílio de binóculo 8x30 em trilhas e estradas pré-existentes, as quais também foram utilizadas para a montagem de redes-de-neblina. Os espécimes coletados foram depositados na Coleção Ornitológica da UFRN. Registramos T. pelzelni em 21 novas localidades no estado, 66% das áreas são representadas por floresta semidecídua, 19% por restinga arbórea e o restante por floresta decídua e campo cerrado. Em 5/08/2007 encontramos um ninho da espécie sendo construído em um fragmento de floresta semidecídua conhecido como Mata do Jiqui, município de Parnamirim. O ninho estava situado no sub-bosque a 25 m da borda em uma árvore de 4 m de altura. Apresentava-se apoiado em uma forquilha horizontal a 2,2 m em relação ao solo e possuía formato de taça, com as seguintes dimensões: diâmetro externo 93 x 58 mm, diâmetro interno 65 x 50 mm, profundidade 45 mm, altura 55 mm. O ninho possuía adornos vegetais pendurados que se estendiam para baixo por 50-80 cm. A fêmea estava no ninho quando foi descoberto e duas semanas depois o ninho estava sem ovos e filhotes e por isso não foi possível confirmar se houve reprodução. Os indivíduos machos (n=2) apresentaram as seguintes medidas: tarso direito (23,1±0,8 mm), asa flat direita (71,0±1,3 mm), cauda (57±1,4) e peso (18,6±0,8, n=5) e as fêmeas (n=2): tarso direito (24,2±0,6 mm), asa flat direita (71,5±2,1 mm), cauda (53±0 mm) e peso (17±0 g).

 

 

163  USO E SELEÇÃO DE HABITAT DE Saltator atricollis (EMBERIZIDAE) NA ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE ITIRAPINA, SÃO PAULO, BRASIL. / HABITAT USE AND SELECTION BY Saltator atricollis (EMBERIZIDAE) IN THE ECOLOGICAL STATION OF ITIRAPINA, STATE OF SÃO PAULO, BRAZIL.

Gisele Levy1;José C. Motta-Junior 1 & Mieko F. Kanegae 1

1 Laboratório de Ecologia de Aves, Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. E-mail: [email protected]

Saltator atricollis é uma ave endêmica de Cerrado e ameaçada de extinção no Estado de

São Paulo. Habita áreas abertas, mas detalhes sobre seu habitat ainda não foram estudados. Investigamos variáveis da estrutura do habitat associadas à ocorrência de S.

atricollis na Estação Ecológica de Itirapina entre setembro e dezembro/2007. Fizemos

amostragens através de pontos e consideramos nove características estruturais da vegetação ao redor de cada contato com S. atricollis e em pontos aleatórios. Para analisar quais as variáveis mais associadas à S. atricollis, utilizamos a Análise de Componentes Principais. O eixo 1 da análise explicou 33% da variância dos dados. As variáveis mais importantes foram: número de árvores e arbustos de 1 a 2 m de altura e com até 1 m de altura, porcentagem de braquiária, solo exposto, gramínea nativa e número de palmeiras (Syagrus loefgrenii). O eixo 2 explicou 21,28% da variância dos dados. As variáveis mais importantes foram número de árvores de 2 a 4 m de altura, porcentagem de serrapilheira, gramínea nativa e número de palmeiras (Attalea geraensis). S. atricollis apresentou uma alta associação com o eixo 1. A associação com árvores e arbustos pode estar relacionada ao comportamento de sentinela, em que um indivíduo do grupo fica empoleirado vigiando contra possíveis ataques de predadores. A associação com braquiária, gramínea exótica, pode indicar uma baixa sensibilidade a ambientes perturbados. A porcentagem de solo exposto, gramínea nativa e número de S. loefgrenii podem estar associados ao comportamento de forrageamento, pois S. atricollis desce ao solo para procurar alimento. Portanto, mesmo a espécie utilizando habitats alterados, é preciso preservar um ambiente com características estruturais adequadas, como árvores até 2 m de altura, para garantir a manutenção da espécie. Propomos estudos sobre comportamento de forrageamento e áreas de nidificação que poderão fornecer novas informações para a conservação desta espécie.

Palavras chave: Saltator atricollis, microhabitat, uso de habitat.

Órgãos financiadores: CNPq, Idea Wild, Neotropical Grassland Conservancy - W.J. and Virginia W. Moorhouse Memorial Grant

 

 

164  VALORES HEMATOLÓGICOS DE ARARAS CANINDÉ (A. ararauna), CANGA (A. macao) E VERMELHA (A. chloroptera) MANTIDAS EM CATIVEIRO / HEMATOLOGY VALUES OF BLUE-AND-YELLOW MACAW(A. ararauna) , SCARLET MACAW (A. macao) AND RED-AND-GREEN MACAW (A. chloroptera) IN CAPTIVITY MAINTAINED.1

Débora Malta Gomes1, Rafaela Duplat Dorea2 Maria Consuelo Caribé Ayres3, 1 [email protected]; 2[email protected]. [email protected]; 3

O gênero Ara, no qual incluem-se as Araras Canindé (A. ararauna) , Canga (A. macao) e Vermelha (A. chloroptera), encontrava-se distribuído por todo território brasileiro, porém, atualmente, restringe-se às regiões Norte, Centro-Oeste e pequenas populações em estados isolados do Nordeste e Sudeste. Devido à popularidade das araras, um grande número desses psitacídeos é mantido em cativeiro, como animais de estimação, bem como em zoológicos e estabelecimentos turísticos, estando inclusive em aberto, uma consulta pública sobre a possibilidade de criação legal destas aves em cativeiro. A relação entre esses animais e os seres humanos torna suscetível a transmissão de zoonoses, ainda pouco conhecidas e diagnosticadas, uma vez que as aves só apresentam sintomas quando as enfermidades já se encontram em estado adiantado. Portanto, estudos de aspectos sanitários que envolvem os psitacídeos revestem-se de fundamental importância para a saúde pública. Este estudo visou o estabelecimento dos valores do quadro hematológico de Ara sp. como auxílio na avaliação do estado de saúde desses psitacídeos. Foram utilizadas 23 aves de ambos os sexos, sendo 08 Araras Canidé, 08 Araras Piranga e 07 Araras Vermelhas, clinicamente sadias, adultas, identificadas com anilhas e mantidas em cativeiro em sítio ecológico na região metropolitana de Salvador/BA. De cada ave colheram-se aproximadamente 1,0ml de sangue da veia ulnar e imediatamente após a colheita, o sangue foi depositado em tubo contendo EDTA, homogeneizado e enviado ao laboratório sob refrigeração, não ultrapassando 3 horas da colheita para a realização do hemograma. Foram obtidos os valores das médias e dos limites máximos e mínimos dos parâmetros avaliados. A contagem de hemácias (X106/µL) foi igual a 2,93 (2,31 - 3,48); o

volume globular (%) 38,4, (29 - 48,5); a hemoglobina (g/dL) igual a 16,3, (13,05 - 19,5), e o número total de leucócitos (X103/µL) foi igual a 6,5, (1,8 - 15,5).

Palavras chave: Ara sp., hematologia, psitacídeos.

Órgão Financiador: bolsa CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

1 -Este trabalho é parte integrante de uma dissertação em andamento pela primeira autora, no Mestrado em Ciência Animal nos Trópicos pela Universidade Federal da Bahia.

 

 

165  VALORES HEMATOLÓGICOS DE Crax blumenbachii (MUTUM DO SUDESTE) MANTIDOS EM CATIVEIRO / HEMATOLOGICAL VALUES OF Crax

blumenbachii (RED-BILLED CURASSOW) IN CAPTIVITY

Rafael Otávio Cançado Motta¹, Mateus Henrique Gouveia¹, Roberto Motta de Avelar Azeredo² e Érika Martins Braga¹

¹ Departamento de Parasitologia ICB-UFMG – [email protected] ²Crax – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre – [email protected]

O Mutum-do-sudeste é considerado, atualmente, como “em perigo” pela BirdLife International e pela IUCN. Criações em cativeiro visam reverter o atual status dessa espécie servindo de base para projetos de reintrodução. A avaliação hematológica vem sendo utilizada freqüentemente como critério de avaliação do estado de saúde das aves e demonstra ser relevante no processo de conservação de C. blumenbachii. Em nosso estudo, foram utilizados 34 espécimes adultos de Crax blumenbachii (20 fêmeas e 14 Machos), mantidos em cativeiro pela CRAX – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre. Os animais foram contidos manualmente e a coleta de sangue foi realizada segundo a metodologia de punção da veia braquial. Após a coleta, o sangue foi transferido para tubos contendo heparina e, em seguida, refrigerado a 4ºC. O hematócrito foi realizado segundo técnica descrita por Campbell (1991), e a determinação de hemoglobina foi feita pelo método da cianometahemoglobina. A contagem total de células sangüíneas foi realizada manualmente em câmara de Neubauer, segundo metodologia descrita por Natt & Herrick (1952). As médias e desvios-padrão dos valores hematológicos encontrados foram os seguintes: eritrócitos (x 106/mm3): 2,4 + 0,3; leucócitos (x 103/mm3): 15,6 + 8,6;

hematócrito (%): 40,4 + 3,8; hemoglobina (g/dl): 12,2 + 1,0; volume globular médio (fl): 170,0 + 14,8; hemoglobina globular média (HGM – pg): 51,5 + 6,6; concentração de hemoglobina globular média (CHGM - %): 30,3 + 1,7. Não foram observadas diferenças significativas na maioria dos valores hematológicos descritos para machos e fêmeas; porém, fêmeas apresentaram contagens globais de leucócitos superiores às encontradas nos machos. Esse achado corrobora dados já observados para diversas espécies e parece estar ligado às variações hormonais a que estão submetidas as fêmeas.

 

 

166 

ECOLOGIA

 

 

167  A AVIFAUNA NA ESTAÇÃO ECOLÓGICA SERRA DAS ARARAS, MATO GROSSO, BRASIL / THE AVIFAUNA OF THE ESTAÇÃO ECOLÓGICA SERRA DAS ARARAS, MATO GROSSO, BRAZIL.

Rafael Martins Valadão1

1. Analista Ambiental da ESEC Serra das Araras. email: [email protected].

O Brasil possui uma das mais ricas avifaunas do mundo, com as estimativas recentes variando entre 1.696 e 1.731 espécies e um dos principais instrumentos para a conservação e manejo da biodiversidade é a criação de áreas protegidas. A Estação Ecológica Serra das Araras ocupa 28.700 ha no sudoeste do Mato Grosso. Faz parte da unidade geomorfológica Província Serrana, um corredor de serras paralelas que atravessa o Cerrado e liga o Bioma Amazônico ao Pantanal. Sua comunidade de aves foi estudada de janeiro de 2006 a janeiro de 2008, com três saídas a campo mensais, do nascer do Sol até quatro horas depois, totalizando 288 horas de observação. Foram percorridas três trilhas realizando-se registros visuais e/ou acústicos nas fitofisionomias campestres, savânicas e florestais, com o objetivo de determinar a riqueza avifaunística na ESEC das Araras, contribuir para um maior conhecimento da avifauna da região, para o desenvolvimento do plano de manejo e conservação de espécies. Foram registradas 350 espécies de aves (264 gêneros, 60 famílias e 21 ordens). Tal riqueza é considerada alta quando comparada com outros estudos realizados em diversas áreas do Cerrado brasileiro e se deve pela heterogeneidade ambiental presente na ESEC Serra das Araras, com relevo e vegetação variados. Vale ressaltar a presença de nove espécies de aves endêmicas do Cerrado: Nothura minor, Columbina cyanopis, Amazona xanthops, Philydor dimidiatus,

Melanopareia torquata, Antilophia galeata, Saltator atricollis, Porphyrospiza caerulescens e Cyanocorax cristatellus. Além destas, foram registradas também oito

espécies de aves ameaçadas de extinção, a saber: Tigrisoma fasciatum, Columbina

cyanopis, Pteroglossus bitorquatus, Harpyhaliaetus coronatus, Oryzoborus maximiliani, Culicivora caudacuta, Anodorhynchus hyacinthinus e Nothura minor. Esses resultados

reafirmam a importância da Estação Ecológica Serra das Araras para manutenção de uma alta riqueza de aves na região.

Palavras chave: aves, cerrado, unidade de conservação.

 

 

168  A INFLUÊNCIA DO FOGO NA UTILIZAÇÃO DOS ESTRATOS DA VEGETAÇÃO PELA AVIFAUNA EM ÁREAS DE CERRADO DO PARQUE NACIONAL DAS EMAS (GO/MS)./ FIRE INFLUENCE IN USE OF VERTICAL VEGETATION STRATA BY BIRDS IN THE CERRADO AREAS OF THE EMAS NATIONAL PARK, BRAZIL.

Nathália Machado e Sousa 1,2, Anamaria Achtschin Ferreira 2,3, Jarbas Pereira de Paula4,

Sheila Pereira de Andrade3 e José Ragusa Netto5

¹Pós-Graduação em Ecologia e Conservação, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, ²Programa FaunaCO UFG/UEG, [email protected], ³Universidade Estadual de Goiás, 4Universidade de Brasília, 5Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Em áreas de cerrado, o fogo altera a estrutura da vegetação e promove modificação na quantidade, qualidade, detectabilidade e acessibilidade de recursos disponíveis para aves. Algumas espécies como Neothraupis fasciata podem modificar os estratos utilizados para pouso, forrageamento e outras atividades. O objetivo desse estudo foi de avaliar a utilização dos estratos pela avifauna em áreas de cerrado do Parna Emas (GO/MS). O estudo foi realizado em três áreas distintas de cerrado senso restrito em relação à ocorrência do fogo: cerrado queimado totalmente (QU), queimado em mosaico (MO) (ambos em outubro de 2006) e não queimado há mais de 4 anos (CN). Adotou-se metodologia proposta pelo protocolo TEAM (Tropical Ecology, Assessment and

Monitoring) – Avian Monitoring Protocol para coleta de dados sobre a avifauna. Apesar

da passagem do fogo, altura média da vegetação foi maior em QU, diferindo significativamente das demais áreas. Houve diferença significativa em relação ao estrato utilizado pela ornitofauna, sendo que MO diferiu das demais áreas com maior utilização do estrato superior. O estrato médio utilizado por N. fasciata não diferiu entre as áreas. Porém, os estratos médios utilizados apresentaram diferentes variações (coeficiente de variação): em QU e MO houve maior variação nos primeiros meses após a queimada (52% e 44% respectivamente) e em CN houve pouca variação (9,1%). Em QU, a variação diminuiu um ano após a queima (23,6%), aumentou em MO (57,7%) e em CN (36,3%). Assim, provavelmente existe variação temporal quanto ao uso dos estratos, porém, a passagem do fogo, com conseqüente alteração da estrutura da vegetação, pode influenciar na seleção destes.

Palavras-chave: fogo, estrato, cerrado.

 

 

169  ABUNDÂNCIA E USO DE HABITAT POR MARACANÃ-DO-BURITI (Orthopsittaca manilata), EM UMA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DE CAMPO GRANDE, MATO GROSSO DO SUL – BRASIL/ ABUNDANCE AND HABITAT USE OF MARACANÃ-DO-BURITI (Orthopsittaca manilata) IN A CONSERVATION UNIT OF CAMPO GRANDE, MATO GROSSO DO SUL - BRAZIL

Patrícia Barba Malves1 e Gláucia Helena Fernandes Seixas 2

1 Bióloga, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande MS, [email protected]

2 Zootecnista, Fundação Neotrópica do Brasil e Doutoranda em Ecologia e Conservação/UFMS

A maracanã-do-buriti (Orthopsittaca manilata) é uma ave da família Psittacidae que apresenta ampla distribuição nos trópicos, incluindo: Brasil (norte e centro-oeste), Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Trindade. Embora pouco estudada, é descrita como uma espécie fortemente associada à palmeira do buriti (Mauritia flexuosa). O presente estudo teve como objetivo descrever a abundância e uso de habitat pela maracanã-do-buriti, durante os meses de junho a outubro de 2006, na Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN de 50 ha), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande MS. Utilizamos a adaptação do método de contagens por pontos, totalizando cinco pontos no cerrado e cinco pontos na mata ciliar com adensamentos de buritis (espaçamento de 200-300 m). Percorremos cada trajeto a pé, um dia por semana, no começo da manhã (~05:30h – 08:30h) e final da tarde (~15:30h – 18:30h). Também realizamos observações entre os pontos nos demais horários do dia. Em cada ponto permanecemos cinco minutos, quando registramos todas as maracanãs (avistadas e ouvidas) e suas atividades (alimentação, repouso, reprodução e vôo). Realizamos 189 registros de maracanãs-do-buriti, sendo 94,7% (n= 179) na mata ciliar. Entre junho a setembro a abundância média mensal variou de 6,3 a 8 aves na mata ciliar, com um pico em outubro (19,8 maracanãs). No cerrado a maracanã foi menos freqüente, com 5,3% (n= 10) registros de aves. Nos dois ambientes o tamanho do bando variou de dois a 12 indivíduos, sendo dois indivíduos (possivelmente casais) mais freqüentes (47%), seguidos de indivíduos isolados (26%) e quatro indivíduos (11%). Entre as atividades das maracanãs, a mais freqüente foi o vôo (69,5%) e a menos freqüente foi a reprodução (4,2%). A alimentação se concentrava nas primeiras horas do dia e no final da tarde, exclusivamente relacionadas aos frutos dos buritis. O consumo da polpa do fruto imaturo foi mais freqüente (91,2%) do que o consumo da polpa do fruto maduro (8,8%). A constante presença das maracanãs e seus diferentes usos nos ambientes que compõem a RPPN da UFMS, com destaque a mata ciliar com adensamentos de buritis, ressaltam a importância da manutenção da qualidade dessa área para a espécie.

 

 

170  ABUNDÂNCIA SAZONAL DE AVES MARINHAS EM DUAS ÁREAS COSTEIRAS AMAZÔNICAS DA ILHA DE SÃO LUÍS: PRAIA DE PANAQUATIRA E PRAIA DA RAPOSA, GOLFÃO MARANHENSE / SEASONAL ABUNDANCE OF SEABIRDS IN TWO AMAZONIAN COASTAL ISLANDS: ISLAND OF SÃO LUÍS AND THE ISLAND OF CURUPU, GULF OF MARANHÃO.

Adriana Sousa Pereira¹, Lilia Renata P. Bezerra¹, Dorinny Lisboa de Carvalho¹ e Antonio Augusto F. Rodrigues¹.

1. UFMA, e-mail:< [email protected]>

O Brasil abriga uma grande parcela da biodiversidade de aves marinhas e costeiras do mundo. Aproximadamente 148 espécies são consideradas migratórias, entretanto, muitas nidificam na costa continental, em ilhas costeiras ou oceânicas e no interior do país.