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5.2 AS IMAGENS DA MATRIZ

5.2.1 Imagens que Pertencem ao Acervo da Igreja até Hoje:

5.2.1.1 Imagens de madeira

5.2.1.1.3 Nossa Senhora das Dores

Figuras 71 e 72 – Nossa Senhora das Dores, escultura de vestir em madeira policromada e articulada, 108 x 38 x 25,5 cm, fotos Lívia Ferrari, 2011.

Figuras 73 e 74 – Nossa Senhora das Dores, frente e parte posterior, fotos Maria Cristina Correia L. Pereira e Rachel Diniz Ferreira, 2006.

Figuras 75, 76 e 77 – Detalhes da expressão, articulações das mãos esquerda e direita de Nossa Senhora das Dores. Fotos Maria Cristina Correia L. Pereira e Rachel Diniz Ferreira, 2006.

Descrição

Escultura representando uma figura feminina jovem, de pé sobre uma base simples em formato octogonal. Como é típico nas imagens de vestir, a talha da face, das mãos e das pernas são bem elaboradas, pois estas áreas ficam expostas, contrastando com o restante do corpo, que é entalhado de modo mais simplificado e

sem acabamento, com os braços e antebraços articulados, porque ficam escondidos sob as vestimentas.

A imagem apresenta a cabeça ligeiramente inclinada para baixo, com o rosto em formato oval, grandes olhos de vidro, sobrancelhas pintadas, nariz longo e afilado, boca pequena, fechada, com furos nos lóbulos das orelhas para colocação de brincos. As mãos são espalmadas, com dedos finos e longos. O tronco imita uma túnica bem ajustada na cintura. Atualmente apresenta cinco orifícios na base para passar as varas do andor.

Análise iconográfica

A devoção em torno das Dores de Nossa Senhora apresenta diferentes tipos iconográficos que mostram o sofrimento da Virgem pela Paixão de Cristo. O ciclo desta devoção é mais frequentemente composto pelas invocações de Nossa Senhora das Angústias, Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Soledade e Nossa Senhora das Dores.

As sete dores de Nossa Senhora estão ligadas à infância e à paixão de Jesus e são: 1- A profecia de Simeão, durante a apresentação de Jesus no templo.

Simeão prevê o sofrimento de Maria durante a morte de seu filho.

2- A fuga para o Egito. Quando José e Maria fogem com o menino Jesus da sentença de morte imposta por Herodes.

3- A perda do menino Jesus. Quando este desaparece por três dias e é encontrado no templo entre doutores.

4- O caminho do Calvário. 5- A crucificação de Jesus. 6- Descendimento da cruz. 7- Sepultamento de Jesus.

O culto dedicado a Nossa Senhora das Dores, segundo Célia Alves, surgiu como uma representação independente a partir do século XVIII:

A invocação da Senhora das Dores iniciou-se como pública e específica desde que o Papa Benedito XIII, em 22 de agosto de 1727 ordenou aos católicos rezar sobre as Dores de Nossa Senhora determinando que tal fato fosse inscrito nos Breviários.423

Em Portugal, ele foi instituído pela Congregação do Oratório Divino na cidade de Braga em 1761,424 difundindo-se rapidamente por todo o reino. Eram conhecidos primeiramente como Servos de Nossa Senhora das Dores, sendo posteriormente chamado apenas de Servitas, transformando-se depois na Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário.

A devoção a Nossa Senhora das Dores, embora seja mais recente que as outras duas, alcançou no Brasil uma grande repercussão, sendo considerado o segundo maior culto religioso católico dedicado a Maria em Minas Gerais.

Na iconografia da Dolorosa podem ser encontradas ainda duas representações. A primeira, quando ela é representada de pé ou sentada com a fisionomia angustiada, e seu peito é transpassado por sete punhais (correspondentes às sete dores de Nossa Senhora) ou apenas por uma espada. A segunda, quando é representada também atormentada, de pé, com as mãos cruzadas sobre o peito. Em imagens de vestir e de roca é comum que esta Virgem carregue um lenço de renda na mão e esteja vestida com uma túnica e um manto roxos, longos, com a cabeça totalmente coberta.

Análise estilística

Imagem de autoria desconhecida, bastante realista e expressiva no que diz respeito às partes expostas, como rosto, pescoço e mãos, que remetem às esculturas devocionais brasileiras do fim do século XVIII. As partes cobertas pela vestimenta ou

423

ALVES, Célio Macedo. Um estudo iconográfico. In: COELHO, Beatriz. (Org.). Devoção e arte: imaginária religiosa em Minas Gerais. São Paulo: Edusp, 2005, p. 81.

424

peruca possuem talha e policromia menos elaborada, típica das imagens de vestir. As articulações são expostas nos ombros e braços, que apresentam uma anatomia apenas sugerida, sem musculatura e o restante do corpo é representado por uma túnica simples, com pregas simplificadas.

Os cabelos são castanhos avermelhados, de fios naturais, levemente ondulados, terminando na altura dos seios. Estão parcialmente encobertos pelo longo manto que se estende até a altura dos pés da figura.

Apresenta o rosto oval com um alargamento na parte superior formando um trapézio invertido, porém discreto que lhe confere uma impressão de magreza. A testa é ampla e as sobrancelhas são marrom avermelhadas, finas e ligeiramente arqueadas, quase retas. As pálpebras são grandes e levemente abaixadas, acentuando a expressão de tristeza e desamparo. Os olhos são de vidro, grandes e castanhos com o formato amendoado e o olhar voltado para baixo, tem o canal lacrimal acentuado, com a íris marrom escuro e a pupila preta. O nariz é reto e longo com narinas bem marcadas. O sulco naso-labial é formado por duas arestas que unem as narinas ao lábio superior. A boca é pequena, fechada, com o lábio superior um pouco mais fino que o inferior. O queixo tem formato levemente arredondado, quase pontudo, sutilmente projetado para fora. As orelhas são pequenas e delicadas, com lóbulos arredondados, bem unidos ao crânio.

O pescoço é comprido e arredondado e o colo é longo encoberto pela vestimenta. Tem o tronco esguio e a cintura fina e bem marcada. Os braços são um pouco curtos, estão flexionados e posicionados junto ao corpo. As mãos são delicadas, com dedos finos, sendo que a direita apresenta os dedos retos enquanto a esquerda os tem levemente flexionados. Os polegares são mais afastados que os demais dedos, assim como o dedo mínimo da mão esquerda e as unhas são marcadas por sulcos arredondados.

Apresenta a indumentária feita de tecido roxo, sendo o manto de veludo e a túnica em seda em tom mais claro, ambas são decoradas com galões dourados e lantejoulas. A túnica possui corte reto, mangas compridas e gola alta com os volumes da cintura e do tórax bem definidos. O manto recobre a parte posterior da imagem caindo nos ombros, alongando-se até a altura dos pés.