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5.2 AS IMAGENS DA MATRIZ

5.2.1 Imagens que Pertencem ao Acervo da Igreja até Hoje:

5.2.1.1 Imagens de madeira

5.2.1.1.2 Nossa Senhora do Rosário

Figuras 62 e 63: Nossa Senhora do Rosário, frente e parte posterior, escultura em madeira policromada e dourada, 97 x 48 x 30cm (Virgem) e 22 x 11,8 x 10 cm (Menino Jesus). Fotos: Julia Pimentel Paternostro, 2012.

Figuras 64 e 65: Face e querubins de Nossa Senhora do Rosário. Fotos: Julia Pimentel Paternostro, 2012.

Figuras 66 e 67 – Nossa Senhora do Rosário, repintura antiga. Fotos: Maria Cristina Correia L. Pereira e Rachel Diniz Ferreira, 2006.

Figuras 68, 69 e 70 – Detalhes da imagem de Nossa Senhora do Rosário com o menino Jesus, perdas da repintura na face e nos querubins. Fotos: Maria Cristina Correia L. Pereira e Rachel Diniz Ferreira, 2006.

Descrição

Figura feminina, jovem, de pé sobre uma peanha formada por nuvens e quatro querubins, apoiada sobre base com quatro faces côncavas. Possui outra base retangular anexada à primeira para fixação da imagem no andor.

Apresenta véu que cobre quase toda a cabeça, deixando uma pequena mostra de cabelos ligeiramente ondulados na parte frontal. Seu rosto tem formato oval, olhos de vidro, sobrancelhas pintadas, nariz afilado, boca pequena e fechada. No braço esquerdo carrega o menino Jesus e na mão direita segura um rosário. A perna direita está levemente flexionada para frente e os pés não estão aparentes.

Veste túnica marcada na cintura e manto longo, ambos com ornamentação de flores e barra dourada. Em fotografias de 2006, a imagem apresentava camadas de repinturas, mas com grandes áreas de perda deixando aparente uma camada de policromia de ótima qualidade que parecia ser original. A imagem sofreu nova intervenção de repintura e aplicação de folha de ouro recente.

Análise iconográfica

De acordo com Juliana Beatriz de Souza, a origem da devoção a Nossa Senhora do Rosário teria ocorrido durante a cruzada iniciada pelo papa Inocêncio III, em 1208,418 quando o religioso Domingo de Gusmão (1170-1221), preocupado com a violência na luta contra os albigenses, no sul da França, dedicava suas orações a Nossa Senhora nos templos em que passava. Numa dessas ocasiões, na igreja de Notre Dame de la Dreche, a Virgem teria lhe feito uma aparição e entregue um rosário, instruindo-lhe a usar a oração do rosário como remédio contra a heresia. Esta cena

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SOUZA, Juliana Beatriz Almeida de. Virgem imperial: Nossa Senhora do Rosário no império ultramontano português. In: Anais do I Simpósio Internacional sobre Representações Cristãs. Vitória: UFES, 2004, p. 6.

deu origem a várias representações da Virgem entregando ao religioso o rosário, que adquiriu um caráter sagrado, vinculado a Nossa Senhora, tornando-se símbolo na luta contra os inimigos do cristianismo.

O papa Alexandre VI (1492-1503), segundo a autora, foi o primeiro a aprovar a prática do rosário, incentivando o crescimento de seu culto. Mas, foi no papado de Pio V (1504-1572) que o rosário foi oficialmente vinculado à aparição de Nossa Senhora a Santo Domingos de Gusmão. No dia da festa deste Santo, em 7 de março de 1571, Pio V assinou o acordo da Santa Liga contra a dominação turca. De acordo com este papa, a vitória contra os turcos ocorreu na batalha de Lepanto, através da intercessão da Virgem em resposta aos rosários lhe oferecidos. Em comemoração à vitória foi instituído pela bula Salvatoris Domini, em 1572, uma festa celebrada todos os anos no primeiro sábado de outubro. Em 1573, o papa Gregório XIII (1572-1585) mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário, inserindo- a no calendário litúrgico através da bula Monet Apostulus deste mesmo ano.419

A devoção ao rosário tornou-se muito popular e ganhou força no contexto da Reforma Católica, como forma de afirmação da cristandade romana, num momento em que a Igreja estava enfraquecida pela luta contra os infiéis e pelas críticas dos protestantes. Estes últimos acreditavam que o rosário introduziu-se na cultura da época como objeto de ostentação e alimento para a indústria dos fabricantes de contas que se enriqueceram com sua ampla produção.420

Na Europa e na África, a devoção a Nossa Senhora do Rosário foi divulgada pelos frades dominicanos. No Brasil, o seu culto foi trazido através da ação dos missionários nos primeiros tempos da colonização, mas ganhou grande adesão por parte dos escravos, sendo assim considerada padroeira dos homens pretos.

As principais formas de representação de Nossa Senhora do Rosário são três.421 Na primeira delas, a Virgem aparece sentada sobre nuvens ou num trono, com o menino Jesus nos braços entregando o rosário a São Domingos de Gusmão, que está ajoelhado em atitude de adoração. Na segunda forma, a Virgem é apresentada de pé ou sentada com o menino Jesus nos braços, levando na mão um rosário e um 419 SOUZA, 2004, p. 7. 420 Ibidem, p. 9. 421 Ibidem, p. 10.

cetro, e na cabeça uma coroa. Na terceira, a mais frequente nas imagens brasileiras, Nossa Senhora do Rosário é representada de pé, sobre nuvens com querubins, sustentando o Menino Jesus em um braço, geralmente o esquerdo, e um rosário na outra mão, portando uma coroa real na cabeça.

Análise estilística

Imagem de autoria desconhecida, datada provavelmente do século XVIII. De acordo com Maria Cristina Pereira, de todo acervo esta escultura possui a talha mais sofisticada, com grande movimentação em relação ao corpo e ao panejamento, que é formado por um conjunto de pregas e dobras de diferentes tipos, assimétricas, com particular elegância na área dos seios. 422

Os traços da face são delicados, com olhos amendoados, nariz longo e afilado e boca bem marcada. As mãos são suaves e possuem dedos roliços com as pontas mais finas. A base composta por nuvens também apresenta composição assimétrica, mas em menor proporção do que a imagem. Possui quatro querubins com feições delicadas como as da Virgem e um rico e variado entalhamento nos cabelos.

O Menino Jesus também apresenta grande movimentação no corpo, com pernas e braços flexionados, e as feições delicadas e bem marcadas. Destacam-se particularmente as orelhas totalmente expostas e os cabelos em forma de mechas separadas umas das outras.

Os maiores problemas desta imagem dizem respeito à policromia: a pintura original foi recoberta por grosseiras camadas de repinturas, alterando a sua apreciação estética.

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PEREIRA, Maria Cristina Correa Leandro. Análise estilística das imagens. In: FERREIRA, Rachel Diniz. Proposta técnico-financeira para o projeto de restauração dos elementos agregados e

móveis da igreja de Nossa Senhora da Conceição (Serra-ES): Instituto Goia, v. 1 Esculturas, 2006,