NOTA 1 (2014): Para fazer corretamente o kime (definição) usamos o relaxamento máximo durante todo o tempo, exceto na hora do "encaixe" da forma final de cada técnica. Nesse momento específico todos os músculos do corpo vibram, a partir do Tanden, assim a força vem da pressão das solas dos pés e é transferida para o soco, defesa, golpe ou chute que atinge o alvo. Quanto mais rápido e no menor tempo pudermos fazer a máxima contração de todos os músculos do corpo, torcendo os tendões e encaixando os ossos, mais poder e definição vamos gerar. Logo após a definição, ou kime, relaxamos totalmente mas nunca deixamos o corpo largado e nem deixamos a postura da técnica recém completada, pelo contrário, relaxamos os músculos mas nossa estrutura óssea se mantém firme, fazendo com que a postura pareça exatamente igual à do instante em que usamos o kime. É proibido parecer um bonecão do posto após completar uma técnica!
NOTA 2 (2014): Nenhuma arte marcial em que os estudantes sejam iludidos de que treinando algumas semanas ou meses e com esse breve treinamento estarão aptos a se defender de qualquer perigo é uma arte séria. O nome disso é picaretagem. Na arte marcial verdadeira (onde os professores não dizem aos estudantes que após uns 2 meses vão lutar como Anderson Silva), sabemos que se leva anos para dominar os movimentos corporais, as estratégias de combate, a etiqueta tradicional, levamos anos para desenvolver o controle sobre nossas emoções e sobre nossa mente. Tudo isso é necessário para a ciência da autodefesa. Nesse processo de aperfeiçoamento que leva anos, alguns demoram um pouco menos, outros um pouco mais, porque é natural. Somos diferentes, temos uma individualidade biológica, emocional e mental. Cada um aprende em um ritmo e isso está certo, não há problemas nem erros de ninguém. Apenas não ficamos nos comparando com o colega do lado, pois é uma preocupação narcisista do ego. Treinamos para nós mesmos. Eu tento ser melhor que meu eu de ontem. A cada dia cada um procura se aprimorar e assim o grupo todo cresce, cada um dá o seu melhor, todos os membros do Dojo crescem. Arte marcial, Budo, é um caminho prolongado, não há atalhos e nem fórmulas mágicas! OSU!
NOTA 3 (2014): Soco direto (choku-zuki), soco direto em perseguição (oi-zuki), etc. são feitos com seiken (nó superior dos dedos indicador e médio). Quando a técnica de soco é completa e usamos o kime, apenas o seiken acerta o adversário, os outros nós superiores dos dedos anelar e mínimo, bem como o polegar não tocam o alvo. Tomamos esse cuidado pois esses outros dedos são muito mais frágeis e poderiam sofrer lesões com os impactos. OSU!
NOTA 4 (2014): Funakoshi Gichin sensei, fundador do nosso estilo de Karate, o estilo Shotokan, deixou 20 ensinamentos (ou regras) chamadas Niju Kun. Entre estas, a 15a. nos alerta de que devemos considerar mentalmente que os braços e pernas do adversário são como espadas. O significado disto é que o adversário pode ser altamente treinado e caso nos toque com um de seus golpes pode nos matar instantaneamente, assim como na luta de espadas (Kenjutsu). Ora, reside aí o principal conceito da autodefesa que deve ser treinado desde o primeiro dia, no primeiro Gohon Kumite (luta de cinco passos): NUNCA DEIXE QUE O GOLPE DO ADVERSÁRIO TOQUE SEU CORPO! NUNCA!! OSU!
NOTAS DE TREINAMENTO
NOTA 5 (2014): A maioria das pessoas quando inicia o treinamento do Karate-Do, do Judo, do Aikido ou de qualquer outra arte marcial japonesa (Budo) se pergunta o que essas palavras do idioma nipônico significam. Quando pesquisamos na internet e mesmo em muitos livros (incluindo aí obras importantes como os volumes de Nakayama sensei), encontramos a tradução Karate = Mãos Vazias. De fato o primeiro ideograma (kanji) para Karate é Kara (空), que significa vazio, e tem muitos usos. Um dos
usos é a designação de um espaço vazio comum, uma vaga de estacionamento livre por exemplo. Porém é também usado na filosofia oriental, especialmente no Budismo, como designação para o mais profundo estágio e nível da Consciência ou da Totalidade, o Anel do Vazio ou Kuurin ( 空輪). Quando escreveu os livros Karate-Do Kyohan e Karate-Do Nyumon, na primeira metade do século XX, Funakoshi Gichin sensei deixou bem claro que era a esse "Vazio Espiritual" que se referia, afirmando entre outras coisas que para alcançar o verdadeiro domínio da arte, o karate-ka precisava livrar-se dos desejos, dos apegos e das suas limitações internas. Estava diretamente influenciado pela filosofia budista. Este é, portanto, a primeira razão pela qual não devemos pensar em Karate como mãos vazias ou livre de armas, como muitos propõem. O próprio Funakoshi sensei nesses livros refuta esse significado. Ao entrar no tópico de que Karate é a "arte das mãos vazias", onde não se usam armas, caímos na segunda questão: não se usa mesmo nenhuma arma no treinamento de Karate-Do? Usa-se! São as armas tradicionais do Okinawa Kobudo, também usadas na China e, conforme os mitos, inspiradas nas ferramentas rurais. Quando começou a lecionar no Japão, Funakoshi sensei ensinava o uso do Bo (bastão longo) e Sai (gancho de três pontas), além de usar outros equipamentos relacionados às práticas com armas que são as ferramentas de enrijecimento corporal (tanren), como na foto abaixo. Por razões políticas (o Japão já tinha seu Kobudo, que empregava a Katana, a Naginata, o Kyu, o Yari e outras armas), a Nihon Karate Kyokai (depois JKA) exclui o treinamento com armas dos currículos do Karate e passa a defender a tradução do nome "Mãos Vazias" associado ao não uso de armas. Mesmo com essa jogada que dominou a mente de muitos praticantes por anos, outros estilos como Goju-ryu, Shito-ryu, Ryuei-ryu e muitos outros, além de dissidências dentro do próprio Shotokan mantiveram o treinamento de Kobudo (Caminho das Armas Ancestrais) associado ao Karate-Do. Sendo assim, para defender tanto a memória do trabalho de Funakoshi sensei, quanto os fundamentos vitais do Karate original, há muitos anos venho defendendo que se abandone a tradução "mãos vazias" e passemos para a tradução mais adequada "Caminho das Mãos do Vazio". Essa tradução nos lembra que trilhamos uma senda (Do) onde através do aperfeiçoamento de nosso corpo, de nossas mãos e técnicas (Te) chegaremos à evolução de nosso caráter e também avançaremos espiritualmente, pois temos uma meta que é nos aproximar desse Vazio (Kara). A mensagem por trás da mudança do nome Karate ( 唐手 = mãos dos Tang - China) para Karate-Do (空手道 = Caminho das Mãos do Vazio) pretende sugerir-nos que trilhemos um caminho integral, desenvolvendo corpo, mente e espírito! OSU!
NOTAS DE TREINAMENTO
Nota 6 (2014): Transição em Kiba-dachi (postura do cavaleiro) deve ser feita com o tanden comandando o deslizamento do pé e de toda a perna traseira em direção à perna dianteira, sempre ocupando o espaço médio entre os pés para obter o máximo equilíbrio, como se caminhássemos sobre um muro estreito (ukimi-waza). Exemplos de uso desse passo são os deslocamentos no kihon para chutar lateralmente (yoko-geri) e em kata como Tekki e Gojushiho. Osu!
Nota 7 (2014): Shotokan (松涛館) foi o nome do estilo que acabou se propagando pelo mundo com a disseminação do Karate ensinado por Funakoshi sensei. No início, o mestre escrevia suas caligrafias (como a memorável "Hatsu Un Jin Do" = afastando as nuvens, buscando o Caminho) e ao invés de assinar como Gichin Funakoshi as assinava como "Shoto". Com o tempo os antigos alunos (como Egami, Kase, Hironishi e outros) começaram a chamar o estilo de Shotokan (escola ou academia de Shoto, sendo que referiam-se, portanto, à escola de Funakoshi que usava esse pseudônimo). E de fato, juntaram um bom dinheiro e construíram um Dojo em Tokyo, onde finalmente o mestre passou a ter um lugar próprio para ensinar, e que batizaram de Shotokan. Esse Dojo foi destruído no final da Segunda Guerra Mundial com os bombardeios dos norte-americanos e, sendo assim , o prédio não existe mais. Atualmente no Japão não se fala em estilos e sim nas escolas (as pessoas dizem; "eu faço o karate da Kyokai", eu faço karate da Renmei", eu faço karate da Shito-kai", etc), portanto no Japão o nome Shotokan está em certo desuso, apesar de internacionalmente ser a forma como todos que praticam aquele Karate que de alguma forma tem suas origens na técnica ensinada por Funakoshi o chamam.
Nota 8 (2014): o mae geri (chute frontal) deverá sempre ser feito com o pé de base voltado para a frente, sem que esse pé gire para fora ou que o joelho desestabilizado torça para qualquer direção. A posição correta, onde pé, joelho e quadril estão alinhados e voltados para a frente envia mais força ao chute e ajuda a impedir que o efeito da força normal desequilibre quem está chutando, fazendo-o cair para trás. De fato a força normal é transferida para o solo quando o calcanhar está bem plantado e não há giros desnecessários, mantendo o enraizamento. Outro ponto importante é que ao mantermos a base correta, quando recebemos um bloqueio efetivo ao nosso mae geri não seremos jogados para o lado desequilibrando e até girando (às vezes quem está com o pé de base frouxe e aberto gira tanto que acaba caindo de costas para o adversário que defendeu, totalmente vulnerável). Para não ser desequilibrado é fundamental estar com quadril joelhos e tornozelos firmes, e a sola dos pés totalmente apoiada no chão sem que essa gire, deve estar sempre pra frente. Com uma boa postura continuamos seguindo para frente e o adversário mesmo atacando pode ser golpeado com um soco direto. Um último ponto é que essa posição correta (as articulações do membro inferior alinhadas e gerando força para frente) também protege as articulações de entorses que poderiam gerar lesões sérias. Bom para a eficácia, bom como proteção e bom para a saúde, esse é o mae geri correto. Osu!
Nota 9 (2014): A importância em utilizar quadris associados aos joelhos e pés - trata-se da única forma de gerar tensão correta nos membros inferiores, pelve e coluna vertebral, criando a pressão contra o solo e a postura corretas para cada técnica. Quando usamos a base (tachi) correta nos conectamos ao solo e geramos uma força muito maior do que a força dos músculos quando trabalham isolados. Sempre rote seus quadris com os 9 pontos da sola os pés no chão! (relembrando os nove pontos: bola grande e bola pequena do pé, que formam o koshi; sola dos 5 artelhos; faca do pé, o sokuto; e o calcanhar, ou kakato).
NOTAS DE TREINAMENTO
Nota 10 (2014): O Ti (Mão) de Okinawa parece ter surgido entre os Heimin (plebeus/agricultores) do arquipélago de Ryukyu no século XIII ou XIV, e depois foi apropriado pelos Peichin (guerreiros), que passaram a aperfeiçoar a arte através do contato com militares chineses (sapposhi), principalmente no século XVII. Entre os Peichin havia o costume de se passar os conhecimentos marciais, inclusive o Karate/Ti apenas para os primogênitos de cada família. Esse costume chamava-se Isshi-soden. Nesse contato com os chineses, incorporaram parcialmente a ideia de que existiam artes marciais internas (Nei- jia) e artes marciais externas (Wai-jia), criando os conceitos para classificação dos kata em Shorin e Shorei. Mais tarde, com a visita de Jigoro Kano à Okinawa (1927), os mestres locais criam a denominação das principais linhas do Karate/Ti de acordo com a cidade onde teriam se originado: Naha-Te, Shuri-Te e Tomari-Te.
Nota 11 (2014): O rito de início e final das sessões de treinamento nos lembra sempre do nosso Espírito Guerreiro. Primeiro, ao honrarmos a direção principal (Shomen), estamos nos conectando com os símbolos maiores do que nós, maiores do que nossa individualidade. Entre esse símbolo às vezes está um pequeno oratório (em honra aos deuses), bandeiras do país (em honra à terra natal), foto do mestre fundador (em honra à linhagem que criou ou estruturou a arte), entre outros, mas sempre nos lembrando do "compromisso transpessoal" do Guerreiro, o compromisso com coisas maiores do que nossa individualidade, que transcendem nosso senso egoísta. Na segunda saudação reverenciamos o Sensei, o professor. A tradução literal do japonês para Sensei é "aquele que nasceu antes", ou "ancião", pois nasceu antes para aquela prática/arte e lidera, guia os demais no Caminho exemplificando através da sua experiência. Quando honramos o ancião aceitamos a liderança, horamos o valor da hierarquia enquanto ferramenta organizadora da atividade (caso contrário teríamos um caos aonde seria impossível aprender algo) e agradecemos pelo que vamos aprender (no caso do início da sessão de treinamento) ou pelo que aprendemos (no caso do encerramento). Na terceira saudação fazemos um cumprimento mútuo (Otagai), que nos lembra que somos todos iguais. Nesse momento todos os estudantes, os mais novos (kouhai) e os mais antigos (senpai) e também o Sensei levam a cabeça próximo ao chão. Todos são parte do Todo e o Todo é cada um de nós (Ichi wa Zen, Zen wa Ichi = 一は全、全は一!). Todos somos manifestações individuais da mesma essência, do mesmo Do, que é o Caminho, é caminhar e também é quem caminha. Ao saudarmos lembramos o compromisso de liderarmos a nós mesmos desenvolvendo a disciplina (do inglês disciple of me = discípulo de mim mesmo). Nos comprometemos a estar presentes, procurando compreender os ensinamentos dessa tradição que chega até nós e aceitamos seguir as regras que aqueles que tem mais experiência nos propõe, assim poderemos trilhar a senda de forma mais eficaz. Esses são, portanto, alguns dos "porquês" de fazermos a ritualística de início e final dos treinamentos, lembrando e relembrando o nosso propósito a cada vez que pisamos no tatami: desenvolver o Espírito Guerreiro e trilhar o Caminho (Do) todo dia, vestindo o Karate-gi para despojarmo-nos de nossos papéis e explorar todos os nossos potenciais físicos e mentais. Osu!
Nota 12 (2014): Mesmo sendo, atualmente, considerado um "desporto japonês" as raízes do Karate enquanto prática cultural remontam a períodos anteriores à sua introdução no Japão (que só ocorreu de fato em 1921). Antes disso, por cerca de oito séculos foi praticado e desenvolvido no arquipélago de Ryukyu, primeiro como técnica local de auto-defesa e depois (a partir do século XVI ou XVII) como uma arte que se desenvolve através das trocas culturais com os Chineses que passam a ser muito influentes na região.
NOTAS DE TREINAMENTO
Os kata que hoje fazem parte da pedagogia de treinamento do Karate-Do tem origem nessa sistematização que ocorre em Okinawa, com muita influência dos militares chineses e são classificados em Shorin ou Shorei, como se essas duas vertentes fossem equivalentes à Wai-jia (arte externa) e Nei-jia (arte interna). Essa classificação falha ás vezes nos afasta da compreensão da origem de alguns kata nos Quan-fa (método do punho, as artes marciais desarmadas da China). Um bom exemplo disso é o kata Hangetsu, que faz parte do currículo de praticamente todos os estilos de Karate (com os nomes de Seishan, Seisan e semelhantes), cuja metade inicial é baseada nas técnicas do Hung Gar Kuen e a segunda metade no Mizhong Quan. Há uma dificuldade imensa em recuperar a origem de todas as técnicas do Karate, pois desenvolveu-se o discurso dos japoneses para não confundir-se a técnica oquinauense com a técnica chinesa - um total desconhecimento e negação dos fatos históricos! Osu!
Nota 13 (2014): Zanshin - espírito de alerta. Em nossa última aula presenciamos um fato curioso: enquanto um grupo de colegas praticava os Kata e os outros deveriam assistir para que fossem aprendendo um pouco mais, começaram alguns movimentos impacientes que tiraram várias pessoas do momento presente. Vários levantaram-se e foram tentar encomendar material, beber água, conferir se algo diferente apareceu no seu celular, etc. Seja qual tenha sido a desculpa que apareceu para as várias saídas o fato é que a mesma coisa ocorreu com todos esses vários participantes que ali estavam: saíram da presença e do estado de alerta, chamado Zanshin. Zanshin é uma das coisas mais importantes em Karate-Do, pois é a única garantia que temos de ter alguma chance de reação quando um perigo se aproxima. Sempre que nos distraímos ou ficamos "sonhando com a morte da bezerra" estamos expostos. Mentalmente estamos vulneráveis. Mentalmente vulneráveis nossa energia fica torpe e nosso corpo não responde ao meio. Estamos mortos. A única coisa que garante nossa possibilidade de reagir é o Zanshin, que deve ser treinado a todo instante na sessão de treinamento - devemos estar alertas a tudo que ocorre no treino, a todos os comandos do sensei e a todas as ações dos colegas pois isso tudo também é uma forma de exercitar o estado de alerta. Vamos nos puxar para que aproveitemos cada pequeno detalhe do treinamento, não apenas aquelas coisas mais mirabolantes que chama mais a nossa atenção! Osu!
Nota 14 (2014): Keage são os chutes ascendentes: ke (keri = chute) e age (ascendente, como em jodan age uke = defesa ascendente para o nível alto). Sendo assim devemos dedicar o máximo cuidado
para não executar os chutes keage na forma de kekomi (chutes de estocada, penetrantes) em alta velocidade. Isso é algo que está se tornando muito comum nas competições, mas além de ser um erro fatal de demonstração do desconhecimento das aplicações dos kata é também uma demonstração do total desconhecimento dos fundamentos do Karate. Devemos ter cuidado para não modificar o uso dos fundamentos, Há kata que treinam keage e outros que treinam kekomi (como Nijushiho, Junro Godan, Kankuyoku Shodan, etc). Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e não se mistura coisas diferentes. Cada macaco no seu galho! Osu!
Nota 15 (2014): A primeira aparição do Karate no Japão continental é creditada à famosa luta entre Motobu Choki e um pugilista russo que estava a vencer vários japoneses em Tóquio. Motobu Choki era considerado o Tijikun da sua época (o grande mestre do Ti, o escolhido de Buzaganashi, o deus da guerra em Okinawa). Essa vitória de Motobu sobre o russo rendeu entre outas coisas a curiosidade de Hirohito, herdeiro do trono japonês, em conhecer o Karate em sua visita à Okinawa em 1921.
NOTAS DE TREINAMENTO
Essa visita e a demonstração feita a ele renderam o convite para que a arte de Okinawa fosse demonstrada no Japão em 1921, na I Exibição Atlética Nacional. O mestre oquinauense escolhido para levar o Karate para esse evento foi Funakoshi Gichin que posteriormente seria considerado o pai do Karate Moderno e o fundador do estilo Shotokan. Um caso curioso é que em 1925 foi publicado na King Magazine, uma revista japonesa, uma matéria que contava o episódio em que um mestre de Okinawa Karate teria vencido um russo e recuperado a honra dos japoneses. Nessa reportagem, os editores usaram as fotos do 1º livro de Funakoshi, Rentan Goshin Karate-Jutsu, publicado no mesmo ano, para ilustrar a luta com o russo. Isso passou ao público a ideia de que Funakoshi e não Motobu teria vencido o estrangeiro e se instalou uma séria confusão entre o Tijikun e o pai do Karate Moderno, na ocasião! Mais detalhes em: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/63142
Nota 16 (2014): Chakugan - a visão focada. Um dos elementos de avaliação do Kata e da proficiência de um Karate-ka em geral é sua capacidade de utilizar corretamente o foco do olhar em cada situação. Capacidade de formar um triângulo cujos vértices são os ombros relaxados e o ponto entre as sobrancelhas. Capacidade de dirigir sua atenção numa direção que é a mesma de onde está vindo o adversário mais próximo sobre o qual descarregaremos nossa ação seguinte. Nos antigos clássicos das artes marciais é explicado: a mente (shin) conduz a energia (ki), e a energia conduz o corpo (tai). O olhar acompanha a direção da execução das técnicas para aumentar seu poder assim como o tigre observa atentamente sua presa enquanto caça. Um detalhe importante sobre isso está na técnica de rotação dos quadris (koshi kaiten): devemos rotar fortemente essas articulações associadas aos joelhos e aos pés para que joguem a força da terra até a coluna vertebral e dali para explodir nos braços e/ou mãos, mas a cabeça não deve acompanhar esse movimento. A cabeça se mantém voltada para frente, na direção do adversário, para onde a energia do ataque é destinada. Osu!
Nota 17 (2014): Meu sensei diz: está cansado, treina mais. Está com medo, treina mais. Está com a técnica ruim e com vergonha de mostrar, treina mais. Está brabo comigo, treina mais porque só falando não convence de nada.
Nota 18 (2014): Tanden - tanden é o centro de gravidade e de poder. Quando o corpo se move há duas formas de fazê-lo: com força muscular, dissociando os membros do tanden, ou com a dinâmica corporal a partir do tanden. O centro a qual estamos nos referindo até aqui é o centro inferior (saika tanden), cujo ponto central está localizado três dedos para baixo e para dentro do ponto do umbigo. Está relacionado ao nosso baixo ventre, ao diafragma urogenital, ao complexo muscular psoas, aos quadris e energeticamente à energia que vem da Terra (que os chineses chamam de Jing). O segundo centro é o centro médio (chu tanden) que deve estar sempre (a não ser em raras exceções) alinhado com saika tanden. Esse alinhamento nos dá mais potência evita a perda da inércia e permite mais aceleração. Evita também que os chutes fiquem fracos pois o alinhamento garante que a força normal do impacto contra o adversário será desviada para a terra. O centro médio está relacionado com o timo, o coração, o diafragma, os pulmões, à cintura escapular, à consciência (Shin) e energeticamente à energia do plano humano (Ki). O centro superior (kami tanden) deve estar sempre alinhado com os outros dois centros, devendo-se ter cuidado especial com o desalinhamento em que a cabeça fica projetada para frente como nas pessoas que trabalham demais em frente ao computador ou que são muito controladoras e tem o