Capítulo IV Novos Produtos em Turismo
IV.4. Novos produtos no âmbito do Turismo de Negócios e Incentivos
A razão deste capítulo prende-se com o facto de se encontrarem neste segmento de turismo,
as bases da proposta que se pretende lançar com este estudo exploratório. Neste contexto,
será apresentado, em traços gerais, o que caracteriza este segmento turístico, e quais os seus impactos nos locais de destino.
Pretende-se também demonstrar a relevância deste segmento face às novas tendências do
turismo contemporâneo, e como pode ramificar-se sob diferentes modelos ou propostas
turísticas, com o objectivo de criar bem-estar e melhorar as apetências profissionais dos seus destinatários.
Dado o seu crescimento nestes últimos anos, devido à expansão dos negócios internacionais, por efeito da globalização, o turismo de negócios representa uma oportunidade para todos os
agentes do sector, designadamente da hotelaria, dos operadores turísticos e dos transportes
aéreos.
O segmento de “turista de negócios” inclui “todos os visitantes que se deslocam para fora do seu ambiente natural, por um período inferior a um ano, por razões profissionais e por motivos de negócios, não exercendo qualquer actividade remunerada no local visitado” (Lopes, 2005).
Mais concretamente, o turismo de negócios consiste na realização de viagens de incentivos
oferecidas pelas empresas aos seus colaboradores/empregados, vendedores ou clientes,
sob condições previamente estabelecidas. A finalidade deste tipo de turismo é incentivar o
aumento da capacidade produtiva ou o volume de vendas das empresas. Para Otto – Rieke
(2001), citado porMarhuenda et al. (2005), a viagem de negócios pode não ser turismo na sua verdadeira acepção. É, porém, um negócio em franco desenvolvimento.
Ejarque (2005) salienta que este produto é dirigido aos movimentos dos executivos e dos homens e mulheres de negócios das grandes empresas e enquadra-se no assim chamado “Turismo
MICE” (Meeting, Incentive Congress and Exhibition). Por exemplo, Barcelona e Lisboa são dois
exemplos de destinos turísticos de negócios.
Na última década assistiu-se à recuperação do turismo de negócios enquanto segmento de mercado de valor elevado, tendo-se registado uma tendência de crescimento significativa neste domínio, da motivação de negócios (Lopes, 2005).
O World Tourism & Travel Council informou, em 2004, que os gastos com o turismo de negócios ascenderam a cerca de 595 mil milhões de dólares, prevendo-se que venham a atingir os 895 mil milhões de dólares, num período de dez anos (DGT, 2005). Este segmento de mercado tem-se afirmado, e apresenta-se como solução para atenuar os picos da sazonalidade de alguns
O crescimento deste tipo de turismo, que integra três produtos principais (Feiras, Congressos e Incentivos), tem registado uma forte tendência competitiva pela disputa entre diferentes lugares (nacionais e internacionais), para atrair “eventos” susceptíveis de satisfazer esse mercado. Isto demonstra a consciencialização e o sentido de oportunidade, por parte de destinos
turísticos emergentes, de captar potenciais clientes oriundos do grande mercado emissor (países europeus) contribuindo, deste modo, para resultados com múltiplos impactos positivos, ao nível de outros subsectores que deles dependem.
Trata-se de uma modalidade turística que muito beneficia do seu impacto junto da
comunicação social, contribuindo para criar uma marca de excelência do destino “MICE”, em
múltiplos mercados emissores. É também uma modalidade turística diferenciada das restantes, na medida em que exige uma preparação antecipada e minuciosa. Quem desfruta é um grupo de
poder aquisitivo elevado ou médio-alto, habituado a um consumo de gosto requintado e
variado” (Ejarque, 2005). Todavia, a importância deste segmento não se circunscreve apenas às vantagens acima referidas.
O turismo de negócios oferece também mais divisas do que qualquer outra modalidade de
turismo, com o consequente efeito na rentabilidade e impacto no PIB dos países receptores. Os seus visitantes têm um poder de compra elevado, sendo o grupo turístico que mais gasta, principalmente em compras (Ejarque, 2005).
Em muitas ocasiões, o turista que viaja por motivos de negócios, utiliza os mesmos serviços e estruturas de quem está de férias. Aparentemente, confunde-se com o turista de ócio e com as suas motivações. Contudo, existe uma grande diferença na forma de utilizar os serviços.
O que distingue o turista de negócios do turista de ócio é que aquele não viaja por espontânea vontade ou por seu próprio prazer, mas sim por motivos da sua agenda
profissional. Ou seja, consome os serviços do destino, mas não escolhe visitar voluntariamente. Não realiza uma planificação específica da viagem, tal como se faz quando se vai de férias. A empresa para quem trabalha é quem toma as decisões sobre o programa, desde a
planificação da viagem à participação em programas, até ao seu regresso (Ejarque, 2005).
A finalidade do turista de negócios é específica. Sozinho ou acompanhado, destina-se a
participar em reuniões ou conferências, previamente agendadas pela empresa ou entidade empregadora.
Está também associado a esta modalidade de turismo um outro factor diferenciador. O turista de negócios realiza viagens de curta duração (a média não supera os dois dias); dá menos importância ao preço, ainda que este factor tenha cada vez mais peso, inclusive, neste tipo de viagens; é também um turista experiente, porque viaja bastante.
A viagem de incentivo, um dos subprodutos deste tipo de turismo, é considerada como um meio
e estimular as relações interpessoais entre empresa/colaborador ou trabalhador. Para além
de proporcionar momentos de descanso e de lazer, torna-se ainda mais gratificante participar nestes programas de incentivo pelo reconhecimento profissional e pessoal, até porque não acarreta despesas com a deslocação e estadias para o beneficiário (Ejarque, 2005).
O “turismo de incentivo” é uma modalidade do mercado turístico que tem vindo a crescer nestes últimos anos (Lopes, 2005),tendo sido reconhecido como um factor particularmente eficaz de
motivação dos colaboradores das empresas.
Embora se trate de um subsegmento muito sensível ao preço, favorece-o, actualmente, a
redução de preços nos transportes aéreos, reflectindo-se na maior procura de viagens de longa distância (Lopes, 2005).
De modo a ir ao encontro dos desejos dos seus destinatários, o produto viagens de incentivo
tem vindo a registar sinais de alteração no que respeita ao tempo de estadia. O alojamento,
uma das componentes cruciais no contexto do turismo de incentivo, aposta nos hotéis de
qualidade, localizados nos centros das cidades, beneficiando desta localização outros
segmentos de turismo, como sejam o turismo cultural e urbano (Lopes, 2005). Se os turistas de negócios regressam a casa satisfeitos, são eles que, voluntariamente, decidem regressar ao
local, muito provavelmente acompanhados da família e de amigos.
O turismo de negócios está dependente de um conjunto de factores críticos, que lhe permite o seu sucesso. Consiste num conjunto de requisitos, que vai desde a existência de estruturas
culturais, hotéis e outros espaços, designadamente para eventos culturais de qualidade, à proximidade do aeroporto, do local dos congressos, à acessibilidade interna e aos voos
regulares, bem como a uma eficiente articulação entre os sectores público e privado (Ejarque, 2005). De acordo com os requisitos atrás mencionados, o sucesso de um destino dependerá da
competitividade das várias entidades envolvidas na oferta dos serviços, que irão constituir o produto.
Os eventos são, por esse motivo, “uma área de negócios fundamental para um país”, sendo
necessário sabê-los rentabilizar como “valor acrescentado”, não apenas pelas mais valias dos próprios eventos, mas pelos efeitos multiplicadores, num conjunto de sectores que saem beneficiados, refere António Brito, principal impulsionador da Portugal Eventos e director da Ecotex (Diário Económico, 6 de Abril de 2006).
No final da década de 90, a OMT previa um crescimento médio anual de 10% ao ano até 2008/
2010 mesmo com a “desvantagem” das novas tecnologias, através da introdução das
videoconferências e da Internet, o que, obviamente, vem abrandar esse crescimento. Por isso, a WTTC, ao apresentar dados mais recentes, fê-lo com alguma prudência, apontando para valores
Seja como for, o turismo de negócios apresenta tendências de crescimento, incidindo também
sobre a modalidade do turismo de incentivos, no âmbito do qual, a presente proposta do novo
produto turístico dirigido aos gestores das empresas, se poderá situar.