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Novos projetos de ensino de L.I – O Ensino de L.I em uma perspectiva educacional

3. CAPÍTULO 1 – AS TEORIAS DOS NOVOS LETRAMENTOS

3.2. Novos projetos de ensino de L.I – O Ensino de L.I em uma perspectiva educacional

Depois deste breve resumo histórico das metodologias, voltamos a abordar a respeito de como o ensino e aprendizagem de língua estrangeira tem sido considerado algo problemático, agora em âmbito mais amplo. Essa mesma insatisfação, descrita entre os protagonistas da educação, como alunos e professores, também pode ser sentida através da criação de novos documentos pelo Ministério da Educação, propondo uma nova visão e uma nova abordagem para o ensino de língua estrangeira com os Parâmetros Curriculares Nacionais, tanto para o Ensino Fundamental, a partir de 1998, como para o Ensino Médio, a partir de 1999. Recentemente em 2006, uma nova proposta foi elaborada, tendo sido apresentada como orientações curriculares e não mais como parâmetros.

Conforme já mencionado, no trecho a seguir, reitero o destaque dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua estrangeira do Ensino Fundamental (1998, p.65), ao comentar sobre objetivos, o documento declara explicitamente essa mesma percepção de insatisfação, como nos outros segmentos: “deve-se encontrar maneiras de garantir que essa aprendizagem deixe de ser uma experiência decepcionante, levando à atitude fatalista de que língua estrangeira não pode ser aprendida na escola.”

No mesmo documento acima citado, podemos notar ainda uma preocupação com uma mudança de paradigmas em relação aos objetivos do ensino de língua estrangeira, a saber, uma ênfase especial no aspecto educacional do ensino de línguas.

Delineia-se assim, que o ensino de língua estrangeira deve contribuir para o processo educacional como um todo, indo muito além da aquisição de habilidades linguísticas específicas. A descrição dos objetivos vai desde uma nova percepção da natureza e funcionamento da linguagem, apreciação de costumes e valores de outras culturas para desenvolvimento da percepção da própria cultura, até a promoção da aceitação de diferenças interculturais.

Destaca-se ainda que:

A aprendizagem de língua estrangeira no Ensino Fundamental não é só um exercício intelectual... é sim, uma experiência de vida pois amplia as possibilidades de se agir discursivamente no mundo. O papel educacional da Língua estrangeira é importante, desse modo, para o desenvolvimento integral do indivíduo, devendo seu ensino proporcionar ao aluno essa nova experiência de vida (1998, p.37).

No trecho dos PCNs supra citado, ao se comentar sobre o desenvolvimento integral do indivíduo, pode-se passar a impressão de que o ensino de línguas estrangeiras poderia suprir as necessidades do mesmo, com conteúdos, preenchendo-o até que se tornasse “completo”. No entanto, interpretamos que o desenvolvimento do sujeito não visaria a ser integral, tendo como prerrogativa a heterogeneidade constitutiva dos sujeitos, e que significa, outrossim, permitir que o indivíduo se envolva por experiência em todos os processos ideológicos e discursivos da sociedade na qual está inserido, a fim de que ele compreenda sua posição dentro da mesma, porque ocupa este lugar e suas possibilidades de mudança e transformação.

Há que se destacar que o conceito de indivíduo-sujeito ao qual nos referimos aqui, é aquele cindido, constituído de forma heterogênea, marcado sócio-historicamente por variados discursos que se inscrevem em formações ideológicas. (CORACINI, 2000). A construção de suas identidades são um processo sócio-histórico-ideológico ininterrupto, heterogêneo, contraditório, fragmentado, inacabado e contingente (HALL, 1997; PENNYCOOK, 2001).

Em outro documento, nas OCEM, 2006, com as mesmas prerrogativas de orientação para o ensino de línguas para o ensino médio, já um pouco mais recente, visto tratar-se de uma revisão feita em 2006, podemos notar a mesma preocupação a respeito da insatisfação com o ensino de línguas na escola formal, através de citações de duas pesquisas, as quais salientam os resultados desiguais no ensino de Inglês na escola formal e o ensino na escola de idiomas. A primeira citação descreve que

o sistema educacional brasileiro coloca no mercado de trabalho professores despreparados e muitos recorrem aos cursos de especialização em busca de uma regraduação, o que naturalmente não encontram. Esse contexto reforça, dia-a-dia, o preconceito de que só se aprende língua estrangeira em cursos livres (apud DUTRA e MELLO, 2004, p. 37).

A segunda pesquisa (UECHI, 2006) destacada no documento ressalta a busca de soluções para o fracasso do ensino de inglês da escola formal através da implementação de estruturas paralelas como convênios com cursos de idiomas, montagem de centro de línguas e terceirização do ensino.

Neste documento verifica-se ainda, um conflito de objetivos do ensino de língua estrangeira, contrapondo a escola de educação formal e a escola de idiomas, esta última, vista muitas vezes como sendo um modelo de eficiência na aprendizagem de línguas. No entanto, observa Uechi, os objetivos da escola formal e da escola de idiomas são diferentes, pois sua

finalidade é diferenciada: a primeira devendo se concentrar nos aprendizes e na formação desses; já a segunda, concentrando-se nos aspectos linguísticos e instrumentais do ensino de línguas (OCEM, 2006, p.89-91).

Como vimos, nos variados níveis do processo educacional, desde a preocupação governamental na produção das orientações curriculares, passando por pesquisadores, da formação de professores até os próprios alunos, incluindo pais, professores e pedagogos, a insatisfação ou inadequação do ensino de língua estrangeira nas escolas formais tem, em consequência da frustração nos envolvidos, gerado uma busca por solução.

Entre essas buscas de solução para o problema da ineficácia do ensino de línguas na escola de educação formal, soluções essas aparentemente rápidas, eficazes e de fácil implantação, surgiram as parcerias com as escolas de idiomas já atuantes no ensino de língua estrangeira. Retomando o objeto desta pesquisa, este constitui-se, portanto, no estudo de uma dessas parcerias de um instituto de idiomas com uma escola regular, visando ao ensino de língua estrangeira.

As escolas de idiomas, na percepção da ineficiência do ensino de línguas nas escolas de educação formal, identificaram na abertura para a terceirização uma grande oportunidade de atuação. A partir dessa percepção, foram então disseminadas as parcerias em várias modalidades, sendo oferecidos os seguintes serviços: implantação de um núcleo de idiomas na própria escola; parceria com a instituição de ensino em caráter extracurricular ou intracurricular; ou ainda no formato de convênio, onde os alunos têm descontos especiais nas unidades da escola de idiomas. São oferecidos ainda, vários tipos de assessoria como: material didático e material de apoio (vídeos, CD-ROMs, etc), treinamento de professores, workshops.

Esta pesquisa focaliza especificamente a parceria ou terceirização de serviços no formato intracurricular, onde o contratante – a escola particular – delega a disciplina – no caso, língua estrangeira, Inglês – para a instituição contratada, uma escola de idiomas, que dispõe de seus métodos, recursos didáticos e professores no ensino de língua estrangeira contratado.

3.3. Subsídios teóricos para proposta educacional de L.I.