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Capítulo 3 Formação Continuada de Professores

3.3 O Acompanhamento Pedagógico e seus Protagonistas

compreendemos por que Christov (2004a) afirma que essa modalidade envolve diversas ações, tais como, participação em cursos, seminários, estudos individuais, e também orientações técnicas. Todos esses momentos, quando organizados e planejados de forma a considerar o contexto vivido pelos professores, oportunizam a reflexão crítica sobre a prática e o, consequente, crescimento profissional.

A partir de visitas ao local de realização da pesquisa, podemos perceber que, naquele contexto, o acompanhamento pedagógico é um instrumento que faz parte de um processo formativo continuado oferecido aos professores das escolas rurais, por isso se constitui como um importante elemento nessa área de formação.

Na maioria das vezes, a organização das escolas situadas em áreas rurais acontece por meio de nucleações. Essa forma organizacional compreende um núcleo, com em média seis escolas de pequeno porte, ou seja, que atendem uma ou duas turmas em classes, geralmente, bi ou multisseriadas. Dessa forma, os profissionais da rede de ensino se responsabilizam por acompanhar pedagogicamente tais núcleos.

Nessas realidades, essa situação de acompanhamento acontece de duas formas principais. A primeira modalidade acontece quando das visitas às escolas, por esses profissionais. A segunda, durante a realização de encontros com todos os professores dessas escolas, geralmente na sede do município.

Em realidades de escolas rurais independentes, o acompanhamento pedagógico é oferecido dentro do próprio ambiente escolar. Essas escolas, por serem de maior porte e terem número de matrículas superior a 100 alunos, possuem profissionais fixos, sendo assim, as orientações fazem parte do cotidiano escolar.

Durante toda a realização da pesquisa tivemos a oportunidade de visitar escolas rurais e Secretarias de Educação de alguns municípios pernambucanos. No decorrer dessas visitas percebemos que no trabalho dos diversos profissionais nas escolas são discutidos diferentes temas junto a professores, alunos e familiares relativos ao funcionamento da escola, temas esses que estão vinculados às situações específicas da escola e da região em que ela está situada. Na abordagem de aspectos pedagógicos ficou claro que o profissional mais envolvido é o de supervisão.

Além das visitas às escolas, no caso das nucleações, e dos momentos com os professores, no caso das escolas independentes, de maneira geral, as Secretarias de Educação ou redes de ensino organizam reuniões coletivas com os professores. Um dos objetivos dessas reuniões é a socialização das experiências dos professores e o planejamento de atividades com o auxílio de todos os profissionais envolvidos no processo educativo.

A organização do acompanhamento pedagógico presenciado nos remete a percebê-lo como fundamental para a formação continuada de professores de escolas rurais. Nesses momentos, entre outros aspectos, os professores têm a oportunidade, através da interação com outros profissionais da rede, de aperfeiçoamento profissional em serviço. Em nossa pesquisa destacaremos o acompanhamento pedagógico oferecido no ambiente escolar, sendo assim, nossa hipótese é que esses momentos podem promover a reflexão de maneira a considerar mais fortemente as práticas dos professores, pois o contato entre esses e os supervisores é mais direto. Também compreendemos que durante o acompanhamento pedagógico os professores têm a oportunidade de aperfeiçoar os conhecimentos sobre os conteúdos do currículo escolar, incluindo os matemáticos.

De maneira geral, o papel desempenhado pelos supervisores envolvidos no acompanhamento de professores em escolas rurais tende a ser diferente daqueles que atuam em áreas urbanas. Nessas últimas os profissionais envolvidos no trabalho fazem parte da escola, no sentido de acompanhar o dia a dia escolar. Portanto, os professores e os próprios alunos podem, mais facilmente, recorrer ao atendimento e às orientações deles. Essa realidade, em escolas rurais, só é possível naquelas que são de grande porte. Nas de pequeno porte, os profissionais envolvidos no acompanhamento pedagógico, sendo responsáveis por

um núcleo de escolas, podem não participar do cotidiano das unidades mais intensamente. Principalmente porque aspectos externos ao ambiente escolar influenciam no cronograma de visitas a serem realizadas, tais como, o difícil acesso as escolas, a precariedade de transporte disponibilizado, elementos climáticos, como as intensas chuvas, entre outros.

Essa prática de acompanhamento pedagógico por meio de visitas foi registrada também em décadas passadas em realidades rurais. Destaca-se que nos anos de 1950 a 1970 elas eram concentradas na avaliação do andamento da escola, na constatação de possíveis dificuldades, na análise dos planejamentos das aulas, na verificação da frequência tanto de alunos quanto de docentes e na conferência das documentações pertinentes (GARNICA; MARTINS, 2006).

Por meio das visitas às escolas rurais e Secretarias de Educação que realizamos, podemos perceber que três principais profissionais desempenham funções relacionadas à formação continuada de professores nas escolas: os gestores, os supervisores locais e os supervisores gerais. Entretanto, é possível que outros profissionais estejam envolvidos nessa situação de acompanhamento, bem como, também é possível a existência de casos nos quais as Secretarias de Educação não disponham de todos esses profissionais.

Azevedo e Monteiro (2009) realizaram uma caracterização do acompanhamento pedagógico em escolas rurais da Região Metropolitana do Recife, esses autores identificaram que algumas redes de ensino possuem apenas o supervisor regional, responsável por até 10 escolas em todo o município. Sendo responsável por muitas escolas, nem sempre o profissional de supervisão consegue exercer atividades de cunho pedagógico de forma satisfatória, muitas vezes as funções administrativas são ressaltadas em detrimentos das discussões com os professores sobre suas dificuldades e necessidades em sala de aula.

A figura do supervisor nos pareceu sempre presente na realização de atividades do acompanhamento pedagógico. Saviani (2003) faz um histórico da atuação do profissional da supervisão e discute essa função dentro do ambiente escolar. Para esse autor a ideia de supervisão surge ainda no Ratio Studiorium, documento que remota a época da Companhia de Jesus (1552). Nesse documento o profissional era denominado “prefeito de estudo” e desempenhava atividades de orientação aos professores quanto às matérias a serem ensinadas, ouvia e observava as aulas dos professores, organizava situações de estudos, entre outras.

Segundo Saviani (2003) a função supervisora permeia toda a história da Educação, ainda que sejam utilizadas outras nomenclaturas para designar o profissional da supervisão.

Entre algumas, ele destaca a figura do inspetor geral de ensino, que durante muito tempo também realizou atividades semelhantes a do supervisor.

Para Rangel (2003) nos anos de 1960 e 1970 a função supervisora era vista como uma forma de controlar e direcionar as atividades educativas promovidas pela escola, e para o exercício dessa função era necessário um especialista da Educação. Assim, a autora destaca esse momento como sendo de grande valorização das habilitações em supervisão. Para Silva Jr. (2001), nessa mesma época, o espaço da escola estava apenas retratando a sociedade na qual essa instituição estava inserida, sendo assim, para uma sociedade controlada exigia-se uma Educação também controlada, e esse era o papel do supervisor.

Já na década de 1980 há um declínio na procura e na oferta por essa habilitação, pois se requeria, naquela ocasião, não mais a segregação de atividades com as funções dos especialistas, muito embora, os professores tenham demonstrado sentir a ausência do supervisor nas escolas. Para Rangel (2003) a volta desse profissional, em meados da década de 1990, restitui ao professor uma oportunidade de ter quem acompanhasse o desenvolvimento de seu trabalho. Silva Jr. (2001) destaca o momento da volta do supervisor como uma oportunidade para que, junto com o professor, ele pudesse construir mensagens que mostrem o papel desse profissional na Educação.