4. Realização da Prática Profissional
4.1. Área 1: Organização e Gestão do Processo de Ensino e da Aprendizagem
4.1.3. Realização – Ação e Intervenção
4.1.3.1. O(s) aluno(s) como elemento definidor na nossa profissão
Uma turma é composta por inúmeras individualidades e invariavelmente provenientes de histórias particulares, de culturas específicas, de meios socioeconómicos distintos, de formas determinantes de socialização, entre outras dimensões geradoras de educação. Esta panóplia de características pessoais e sociais é relevante para o processo de ensino-aprendizagem de cada individuo e a escola deve permitir que “os jovens devem ver facilitados os seus processos de desenvolvimento pessoal em diferentes etapas e espaços do seu percurso formativo” (Rosado & Mesquita, 2009, p. 10).
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No desporto perspetivamos o desenvolvimento pessoal através do “valor do auto-conceito, do auto-controlo, da auto-realização, de valorização do esforço, da perseverança, do auto-aperfeiçoamento e da harmonia pessoal” (Rosado & Mesquita, 2009, p. 11). A educação desportiva não olha só para a pessoa como desportista, prevê o Homem na sua totalidade e por esse motivo existe transferência do mundo desportivo para outros domínios da vida de cada ser humano. A minha intervenção, atendendo a estes pressupostos, revelava- se não só numa perspetiva desportiva e de ensino mas também no âmbito da identidade pessoal. Foi necessário realizar uma caracterização individual para poder clarificar o quadro que perante mim se apresentava, após esta análise e com o decorrer das aulas iniciais onde quis conhecer os alunos, saber o seu nome, saber como se relacionam com o professor e com os colegas, como consideram o desporto e a EF, pude então começar a direcionar a minha intervenção para a individualidade.
Para desenhar a UT de cada modalidade a lecionar é preciso identificar o nível em que o(s) aluno(s) se apresentam na AD e a partir deste conhecimento individual definir conteúdos adequados para os alunos, tentando sempre definir objetivos e finalidades ajustadas à realidade que tinha na minha turma.
Este respeito pela especificidade que cada um apresenta levou-me a pensar o ensino de uma forma diferenciada, pois fez-me querer chegar a cada um de forma a que estes possam tornar-se melhores pessoas, melhores alunos e melhores desportistas. A EF desempenha uma importante ponte nas relações entre alunos e o professor de EF deve ser o condutor destas relações. Estes e outros valores respeitantes ao quadro desportivo foram transmitidos de uma forma diversa, através de conversas para a turma, conversas individuais com o aluno, em determinados exercícios em que pretendi que os alunos se relacionassem e que se respeitassem determinadas regras. Todo este exercício de perspetivar no ambiente desportivo condições de desenvolvimento para todos sem esquecer a pessoa individual é trabalhoso, mas desafiante.
A reflexão constante das aulas permitiu-me precisamente perceber que determinado aluno já conseguia realizar esta ou aquela habilidade, e que o
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outro ainda não, que necessitava de mais tempo para aprender essa habilidade. Ou que determinado aluno já correspondia positivamente às regras estipuladas para a turma e que outro ainda não, ainda necessitava de feedbacks nesse sentido. A reflexão permitiu-me ser mais justo com os meus alunos, olhei para os problemas individuais e tentei sempre faze-los chegar aos objetivos propostos, o que não é tarefa fácil, olhar individualmente para dezoito alunos e identificar carências, dificuldades, potencialidades e facilidades, mas com o decorrer do EP e ao conhecer melhor o(s) aluno(s) foi-se tornando uma tarefa mais acessível. Esta situação revia-se em determinado exercício onde tinha que ter o cuidado de corrigir um erro frequente num aluno, mas para outro que estava a realizar o exercício com mais facilidade tinha que olhar para o critério de êxito e sugerir que passasse a cumprir outro objetivo.
«Se os alunos apresentam níveis distintos como poderia ensinar a todos?» Ao definir o nível dos alunos e ao decidir quais os conteúdos mais
ajustados para a turma tive que alargar o planeamento da aula para a definição de grupos específicos de trabalho, por exemplo, nas estações que utilizei nas aulas de basquetebol do primeiro período, optei por criar grupos de níveis distintos de competências, e sem apontar essas diferenças aos alunos, coloquei os grupos nos locais em que eu tinha definido distâncias distintas. No exercício de lançamento em apoio, os alunos que tinham muitas dificuldades em executar corretamente o gesto técnico, optei por colocar o local de lançamento mais próximo do cesto. Estas pequenas diferenças na construção dos exercícios, que eram praticamente impercetiveis aos olhos dos alunos, permitiram-me não só especificar o ensino, como identificar mais facilmente o grupo em que tinha que me focar em determinados objetivos comportamentais e componentes criticas e a partir desse conhecimento moldar a minha atuação.
“(…) tendo os grupos de dois ou três elementos que realizar uma sequência de drible de progressão, de lançamento na passada e de ressalto ofensivo. Todos os elementos técnico-táticos previstos para a aula foram contemplados apesar de termos modificado a organização deste exercício. Desta forma todos os alunos estiveram
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a realizar o exercício aumentando exponencialmente o tempo na tarefa.” (Reflexão da aula n.º19 e 20).
A grande diferença cultural que a minha turma apresentava permitiu-me olhar para a missão do desporto como forma de intervenção específica. Por vezes senti a necessidade de juntar ou afastar determinados alunos para que a aula pudesse decorrer com um ambiente que promovesse o ensino. Mesquita (2002) cit. por Rosado & Mesquita (2009, p. 26) revela a importância de se cumprir com as questões éticas, afetivas e sociais que prevalecem em contextos de prática caracterizados pela diversidade e pluralidade de vivências pessoais e sociais, quer pelo agente de ensino quer por parte de quem aprende.
4.1.3.2. A aula de Educação Física como metamorfose