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Observar como processo – “Se podes olhar, vê Se podes ver, repara.”

4. Realização da Prática Profissional

4.1. Área 1: Organização e Gestão do Processo de Ensino e da Aprendizagem

4.1.6. Observar como processo – “Se podes olhar, vê Se podes ver, repara.”

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Uma das tarefas que nos cumpria realizar enquanto estudantes- estagiários era a de observar outros professores na sua prática e, desse olhar lançado sobre o professor, ou sobre a aula, ser capaz de recolher informações. Com o início das aulas comecei logo a acompanhar as dos colegas estudante-estagiários e da PC. Estas primeiras observações eram importantes para me familiarizar com o contexto e o com o conteúdo das turmas de cada docente. A observação desempenhou, de facto, um papel fundamental pois, permitiu-me conhecer os alunos, saber os seus nomes, perceber como reagiam a algumas situações da aula e como o docente se relacionava com a turma. O preenchimento da ficha de caracterização da turma complementou estas observações iniciais.

Decidi então optar por seguir os métodos de observação tradicional, pois este modelo permitia-me preencher as fichas de registo de incidentes das aulas observadas e ainda ter um julgamento intuitivo. Esta tomada de decisão recaiu essencialmente sobre três aulas observadas nas aulas de estudantes- estagiários do primeiro período. A utilização deste método de observação levou-me a responder fundamentalmente a três questões. O que observar?

Quem observa? Como observar? Ao responder a «o que observar?», ou

seja, o objeto de observação, apontei para o aluno e suas ações nas aulas de EF pois parecia-me ser a maneira mais indicada de melhorar a minha capacidade de observação do aluno na prática, bem como, me permitia observar o professor como agente promotor dessa ação do aluno. A resposta a «quem observa?» recai sobre o autor da observação, que era eu, enquanto “objeto estranho” à turma. Daí a importância atribuída a uma presença constante nas aulas como observador, pois possibilitaria enquadrar-me naquele contexto específico. Na resposta a «como observar?» centrei-me na seleção do método a utilizar para conseguir cumprir com o objetivo da minha observação. Quis então perceber e descrever como é que os alunos despendem o seu tempo na aula de EF, olhando para a forma como os alunos se empenhavam e perceber qual o tempo que dedicavam a cada categoria previamente definida parecia-me ser o caminho indicado para auxiliar a estudante-estagiária que estava a exercer a prática pedagógica. Tal, poderia

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potenciar a minha própria maneira de lecionar, uma vez que, ao olhar para o aluno na atividade prática estava também a perceber a forma de atuar do professor.

Em paralelo observei regularmente as aulas da PC o que me permitia observar um docente experiente em atuação. De certa forma esta dupla observação, de um par em formação inicial e de um par com experiência, possibilitou-me organizar o processo de observação.

No segundo período e, após um breve reflexão sobre o tema, decidi optar por observar apenas professores experientes, optei por manter a observação tradicional e melhorar a minha forma de observar. Ao observar estes professores experientes estava a olhar para tudo, desde a relação com os alunos até à organização do exercício, tudo era motivo de observação. A minha perspetiva dos comportamentos do docente na sua atividade centrava- se no tempo e na qualidade da aprendizagem.

As características e capacidades individuais influenciam a atuação do professor na sua prática. Enquanto observador teria que olhar para o processo de ensino-aprendizagem alicerçado nas minhas crenças e vivências anteriores, mas tentando perceber essas diferenças para os demais sujeitos que estavam a ser observados por mim. O recurso a instrumentos e métodos específicos de observação seria fundamental para poder realizar observações rigorosas e para que o mesmo observador, em momentos distintos, fosse capaz de identificar e classificar de igual modo um comportamento ou conjunto de comportamentos.

No terceiro período passei então a utilizar o método de observação sistemática e utilizei o student time expenditure (STE) como ferramenta da minha atuação como observador. Defini previamente cinco categorias a serem observadas, pretendia perceber e descrever como é que os alunos despendiam o seu tempo no decorrer da aula de EF. As categorias foram as de comportamentos de gestão, organização, de espera, de atividade, de instrução e fora da tarefa. Em todas as aulas observadas registamos o comportamento de determinado aluno em três períodos distintos de cinco minutos e subdivididos em períodos de dez segundos. Como registar? O registo foi

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realizado na tabela de observação criada para o efeito e, posteriormente, alvo de análise e reflexão da minha parte. Não se traduziu numa tarefa complicada, pois ao desenhar a tabela familiarizei-me com a mesma e o objeto observado era um elemento da amostra total, ou seja, um aluno da turma. Neste sentido ao iniciar o período de registo focava a minha atenção nesse aluno e no papel do professor durante esse período. (Anexo II). Surgem então novas questões,

o que interpretar? Após a aula havia sempre um momento em que

comentávamos o sucedido durante a aula, ouvíamos as sugestões da professora cooperante e posteriormente analisava os dados retirados da aula. Utilizei o Microsoft Office Excel 2010 para tratar esses dados e poder distribuir os comportamentos registados em gráficos que representavam o tempo despendido pelo aluno nas subcategorias observadas em cada período de cinco minutos de observação. Essa percentagem era ainda acompanhada de alguma contextualização através da descrição do exercício em que estava inserido e de como poderia ter estado empenhado na situação em questão. Algumas anotações sobre a intervenção do professor em questão também foram tomadas em conta. Todo este processo de análise, de discussão e de reflexão levaram-me a produzir os documentos de reflexão sobre as observações realizadas. O que alterar? A modificação do processo de ensino- aprendizagem surgia após esta etapa estar concluída assim, pude constatar que este processo de observação e posterior reflexão me permitiu ajudar as minhas colegas estudantes-estagiárias. Também foi crucial para mim, pois conseguia identificar mais facilmente esses comportamentos na minha ação prática. Após cada reflexão reiniciava-se todo este processo o que promoveu a experiência pessoal nesta tarefa, bem como, na reflexão sobre a prática no sentido de poder envolver os alunos em comportamentos mais ajustados e mais ativos nas aulas de EF.

Nunca me senti constrangido na minha atuação mesmo a estar também em constante avaliação por parte das minhas colegas que desempenhavam o mesmo papel de observadoras nas minhas sessões e da presença da professora cooperante. Desde o primeiro dia que o facto de termos sempre ali alguém a observar todos os nossos movimentos que me pareceu uma boa

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oportunidade para poder aprender. Esta disponibilidade possibilitou-me escutar as críticas que se seguiam às minhas aulas como aspetos positivos. Julgo que algumas das alterações que promovi na minha maneira de atuar nasceram de conversas informais após as aulas com o restante núcleo de estágio, pois existiu confronto de ideias. As alterações promovidas concorreram para o meu desenvolvimento profissional pois este processo desempenhou um papel fundamental na atenção que prestava à minha prática através da observação de outras práticas.

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4.2. Área 2 e 3 – Participação na Escola e relações com a