Quem trata a Questão de Olivença?
B.2. O G.A.O “Grupo de Amigos de Olivença
B.2.1. O aparecimento do G.A.O e os seus objetivos
O “Grupo dos Amigos de Olivença” (G.A.O) é uma associação nacional apartidária de fins patrióticos, culturais, históricos, beneficentes e sem interesse lucrativo. Os seus objectivos constam dos seus estatutos e têm como princípios, a defesa da unidade nacional, a salvaguarda da integridade territorial e a afirmação da Soberania portuguesa.
Os seus objectivos principais são os seguintes81:
- Pugnar, por meios não violentos, pela reintegração de Olivença em Portugal;
- Pressionar os órgãos de soberania a não alienarem esta parcela do território em obediência à Constituição da Republica82;
81 Os estatutos da G.A.O. foram obtidos na sede da Associação. 82
Artigo 5º. (Território) da Constituição da República Portuguesa
1. Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.
2. A lei define a extensão e o limite das águas territoriais, a zona económica exclusiva e os direitos de Portugal nos fundos marítimos contíguos.
- Conservar e alimentar o interesse nacional sobre a história, a cultura e o bem-estar das populações de Olivença;
- Colaborar com os órgãos de soberania na defesa dos direitos portugueses sobre Olivença, designadamente os resultados do Congresso de Viena de 1815;
- Promover o culto do amor pela Pátria portuguesa, o respeito e a admiração pelas grandes figuras da História de Portugal, especialmente as relacionadas com Olivença e todo o Alentejo;
- Defender activamente, o nosso património cultural enquanto matriz de identidade portuguesa;
- O “Grupo dos Amigos de Olivença” é uma associação nacional aberta a todos os que se interessam pela Questão de Olivença e por Portugal, independentemente das suas convicções ideológicas, politicas ou outras; incorpora pessoas de todas as profissões, condições sociais e culturais e vindas dos mais diversos quadrantes da vida nacional e não só.
O “Grupo dos Amigos de Olivença” foi fundado em Lisboa a 15 de Agosto do ano de 1938, tendo na altura tomado a designação de “Sociedade Pró-Olivença”. A iniciativa de criar esta associação apartidária, com fins patrióticos, deve-se a três alentejanos, inconformados, patriotas e insatisfeitos com o destino de Olivença.
São eles Ventura Ledesma Abrantes, livreiro e escritor oliventino, que pelas suas posições pro-portuguesas “foi obrigado”, a deixar Olivença e criar novas raízes em Lisboa onde continua a ser livreiro e a escrever principalmente sobre a sua cidade natal, procurando justificar, que de facto, aquela cidade devia ser portuguesa, porque ser espanhola deve-se a um erro histórico, assente numa usurpação.
Amadeu Rodrigues Pires e Francisco de Sousa Lamy eram, na altura, importantes comerciantes, com estabelecimentos em Lisboa e no Alentejo.
Em 26 de Novembro de 1945 a Associação dá o grande passo para oficializar a sua existência; realizam uma assembleia geral e na acta inaugural pode-se ler que a Associação toma a sua actual designação “Grupo dos Amigos de Olivença”, que compreende já na altura, com quarenta sócios fundadores e dentre eles convém referenciar os nomes do General Humberto Delgado, Prof. Dr. Queirós Velloso, General Ferreira 3. O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.
Martins, General Raul Esteves, Dr. Paulo Caratão Soromenho, Dr. José Pontes e ainda os Srs. João Afonso Corte Real e Luís Lupi.
A primeira direcção também criada naquela data foi presidida pelo Dr. Maria Cardoso, um dos quarenta sócios fundadores, que tomaram como sede a “Casa do Alentejo”, em Lisboa, mas é o dinamismo, a vontade, o sentir e o idealismo de Ventura Ledesma Abrantes que atraia para a Associação personalidades da vida pública, cultural e intelectual portuguesa, que os levam a inscrever-se e a aderir ao Grupo e de entre estes “novos” associados, contam-se nomes bem conhecidos na época, como, Dr. Joaquim Cortesão, Padre Raul Machado, Hermano Neves, Gustavo de Matos Sequeira, Sidónio Muralha e Hipólito Raposo.
A Associação teve a honra de ter como presidentes doutas figuras como o Duque de Palmela (1954/55), Prof. Dr. Hermano Cidade (1971/774), Dr. Caratão Soromenho (1974/81): e como Presidente da Mesa da Assembleia o General Humberto Delgado (1958). Com o crescimento do “Grupo dos Amigos de Olivença”, outras individualidades foram inscritas nos seus ficheiros, como Gustavo de Matos Sequeira, Rocha Júnior, Tomaz Ribeiro Colaço, Dr. Cancela de Abreu, Almirante Henrique Tenreiro, Dr. Veiga Macedo, Copertino Miranda, Tomé Feteira, Dr. Torcato de Sousa Soares, Prof. Dr. Eduardo Lourenço, entre outros não menos conhecidos.
O “Grupo dos Amigos de Olivença” criou no Porto o seu primeiro núcleo sob o impulso do Prof. Eleutério Cerdeira e de Alves Moura, que trouxeram para a Associação novos sócios, realizando conferências que trazem novos amigos à causa de Olivença.
A Associação elabora novos estatutos em 1958, mas não serão aprovados pelo Estado Novo, com receio de que a Associação possa ter no seu interior o desenvolvimento de uma oposição ao governo e ao regime, e por outro lado, Salazar não pretendia ter equívocos com Franco, senhor de uma forte ditadura, que não queria ouvir qualquer comentário a respeito de Olivença, quanto mais entrega-la a Portugal; para ele, a cidade e o seu termo fazem parte da Espanha desde 1801.
No artigo 2º. dos Estatutos do G.A.O., são definidos os objectivos, cujo o principal é efectuar as diligências necessárias junto das autoridades portuguesas, com vista a restabelecer a soberania nacional no território de Olivença. De acordo com os princípios do Grupo, está o artigo 3º. – Actividades e na sua alínea b), diz que o Grupo procurará: “… empreender, estimular e secundar estudos, conferências, visitas, romagens e toda a actividade de qualquer natureza, que visando o fim a alcançar torne conhecido, - quer dos nacionais, quer de estrangeiros – os factos e documentos existentes de natureza linguística, histórica e
jurídica, que legitimam os direitos de Portugal, ao regresso à sua soberania do território oliventino …”83.
A existência do Grupo, as suas diligências e o seu trabalho têm uma importância nacional já que a partir da década de 1860 não se encontram documentos que possam garantir a contestação permanente do governo português. De facto, o Duque de Palmela fez um trabalho meritório e excelente, mas depois dele, pouco ou nada foi feito quanto à exigência. Os responsáveis por Portugal deviam continuar, já que é certo, que tem a razão do seu lado, mas parecem querer viver num alheamento, numa inércia incompreendida.
Se a questão de Olivença não está esquecida é porque existe este “Grupo de Amigos de Olivença”, que tudo têm feito para que a Questão seja conhecida pela população portuguesa, dando assim seguimento ao artigo 3º. do seu Estatuto, cujos objectivos são: “…Robustecer na Alma Nacional o sentimento de Olivença como parte integrante do Território Nacional, e manter uma vigilância atenta e permanente sobre as relações diplomáticas, politicas e económicas entre Portugal e Espanha, de modo a intervir com pertinência e oportunidade em defesa dos interesses duradoiros da Nação Portuguesa e a contactar continuamente com as autoridades dos dois países afirmando com denodo e determinação os nossos direitos e reivindicando a satisfação de compromisso nunca cumprido por parte do Estado espanhol…”84.
Para que a questão de Olivença não acabe no esquecimento, o “Grupo dos Amigos de Olivença” procura ter iniciativas que sensibilizem não só os vários órgãos do Estado relacionados com este problema, mas também a população portuguesa, utilizando os vários meios de comunicação.
Anotam-se algumas das iniciativas tomadas 85:
- Sensibilizar os autarcas para a perpetuação na toponímia local da denominação de Olivença;
- Edição de opúsculos sobre a situação de Olivença;
- Publicação da Revista “Olivença”, órgão doutrinário do Grupo;
- Organização de conferências e sessões culturais, onde se debate a problemática oliventina, convidando para o efeito especialistas de várias áreas culturais;
- Contacto com órgãos de soberania;
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Idem, Estatutos do G.A.O.
- Constituição de núcleos de propaganda em Portugal e nos países de língua portuguesa; - Participação nas cerimonia do 1º. De Dezembro.
B.2.2. Os momentos difíceis no G.A.O. e os seus objectivos