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2.3 FENÔMENO BULLYING

2.3.1 O B ULLYING NA E SCOLA

A escola é, depois da família, o segundo cimento social com o qual o aluno deverá edificar seu mundo: cultural, afetivo, cognitivo, social, físico, psicológico, político, espiritual, ecológico, interno, externo – democrático, enfim. Os alunos

encontram-se na escola para trocar idéias, para fazer amigos, para aprender a viver em sociedade, para adquirir conhecimento. Para enfim, conviver, na tentativa de um crescimento pessoal que lhes assegurará um futuro melhor e mais enriquecedor, contando com uma educação que leve a cidadania a sério, como diz o autor a seguir:

A educação se cumpre num diálogo de saberes, não em simples troca de informações, nem em mero assentimento acrítico a posições alheias, mas na busca do entendimento compartilhado entre todos os que participam da mesma comunidade de vida, de trabalho, de uma comunidade discursiva de argumentação (MARQUES,1996, p. 14).

Mas, na contramão do que diz Marques (1996), no âmago da escola, existem enfrentamentos de várias instâncias: de ordem disciplinar, distúrbios entre colegas de classe, entre professores e alunos, entre professores e professores, entre a própria escola e o poder público; entre os governos estadual e federal; de ordem econômica, de rendimento e de expectativas diversas. Dentro desse quadro angustiante que engloba principalmente os discentes; questiona-se o porquê de tantas ameaças verbais entre colegas, tão pouca tolerância com os diferentes, tão pouca paciência com a heterogeneidade. No ambiente escolar, tais agressões podem ocorrer nas salas de aula, corredores, pátios, banheiros, quadra de esportes ou até nos arredores, nas saídas da escola. As causas para essa intolerância estão sendo contínua e exaustivamente estudadas e apontam que esse tipo de agressão advêm de diversos fatores: busca de espaço de reconhecimento pelo agressor que, na maioria das vezes, vem de lares desestruturados e sem limites; - enfoque na competição por parte do corpo docente, da sociedade e da escola; - desejo de ser aceito pelos outros do grupo; - descaso da família com um olhar mais cuidadoso aos seus filhos que em inúmeros lares ficam muito tempo sozinhos e dizem aos professores: se nem minha mãe manda em mim, quem tu pensa que é prá mandar eu ficar quieto? Nesse caso, o agressor, em busca de aceitação por seus pares torna-se então o “palhaço” da turma que põe apelidos nos outros, onde mostra intolerância com as diferenças, denunciando a influência demasiado forte dos meios de comunicação de massa que “elegem” os mais belos, a miss, o mais inteligente, o mais rápido, o mais forte, o mais bem-sucedido, o mais hilário. Dentre os alunos agressores encontram-se muitos repetentes, que por serem mais velhos que os

outros, tiram proveito de seu tamanho ou acham-se no direito de “comandarem” a turma.

O que está acontecendo de momento com esse fenômeno chamado bullying são as dimensões que ele está alcançando tamanha a violência que deriva dessa tentativa de desprestigiar aqueles que destoam dos modelos dos padrões de comportamento e beleza e isso tem despertado o interesse de estudiosos do comportamento humano pelas conseqüências que tal intimidação provoca na formação da personalidade desses sujeitos acometidos por tal perseguição verbal, pois como sabem esses estudiosos, como Zoboli (2007, p. 251):

É sobretudo no corpo que nossa identidade se manifesta. O corpo traz as marcas que nos posicionam: ser (ou não ser) magro, baixo, negro, loiro, deficiente, etc.., ter (ou não ter) tal ou qual sexo, idade, nacionalidade, etc...Partilhar (ou não partilhar) de tal ou qual costume, tradição, território, classe social, etc...Essas marcas, cujos significados não são estáveis nem tem a mesma importância ou penetração relativa, combinam-se e recombinam-se permanentemente entre si e é principalmente no corpo que se tornam visíveis.

Conforme Zoboli então, “o corpo é o lugar onde o ser humano se experimenta como pertencente a uma espécie, como um ser existente”. E se ele é alvo de estereótipos e rejeitado em função disso como vítima de bullying; ele habita um limbo, um “não lugar” na cadeia social e essa inserção é considerada determinante em seu processo de “ser” alguém, de se sentir pertencente a algum grupo.

Os episódios de perseguições são considerados bullying quando ocorrem agressões contínuas e insistentes na direção de uma mesma pessoa; se a intimidação é ocasional ela não caracteriza o fenômeno, o que não deixa de ser preocupante também, dada a falta de respeito com os diferentes que convivem nesses lugares. Como já vimos, essas intimidações acontecem em muitos lugares, e a escola é um dos locais preferidos para esse tipo de discriminação, haja vista a quantidade de pessoas diferentes que circulam em seu meio. Essa prática de colocar apelidos pejorativos que ferem os outros, muitas vezes passa despercebida da maioria dos dirigentes desses espaços, dada a naturalidade com que as crianças trocam ofensas verbais atualmente.

É um comportamento cruel, intrínseco nas relações interpessoais, em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de diversão e prazer, através de brincadeiras que disfarçam o propósito de maltratar e intimidar.

Esse comportamento cruel a que se refere Fante (2005), é observado nas escolas, local onde o currículo sofre permanente expansão dada a imensa demanda que hoje lhe compete - e quando os olhares dessa sociedade se voltam constantemente para ela, como a perguntar que papel ela – escola - desempenha nesse mundo tão volátil de hoje o que ela mesma nos responde? Que cobra-se da escola atual, um papel que outrora foi da família, de transmitir os primeiros valores de cidadania, de boa convivência, de respeito, de limites. O papel da escola contemporânea se multiplicou, abarcou todo tipo de desníveis que a sociedade e as famílias atuais muitas vezes desestruturadas, infligiram a seus componentes e aos trabalhadores em educação, alunos e funcionários.

E é justamente essa multiplicidade de papéis que coloca a escola atual como campo de intervenção social muito importante, lugar onde todos passarão um dia e esse “todos” se afirma cada vez com mais convicção, dado o volume de programas de incentivo ao combate do analfabetismo, à entrada das crianças mais cedo na escola e da obrigatoriedade de cursá-la para ter acesso a certos programas sociais de governo. Continua sendo papel fundamental da escola, lidar com aquele que tem menos recursos, com aquele que tem dificuldades em Matemática, que tem superfacilidade nos esportes, que tem dislexia, dislalia, com aquele que adora ler, e também com aqueles que volta e meia ameaçam abandonar a escola através de faltas injustificadas ou de desculpas das mais esdrúxulas imagináveis. E isso não tem sido tarefa simples, acomodar todo esse tipo de clientela, das mais diferentes classes sociais e culturais. Antigamente a escola era lugar dos mais abonados, acostumados a uma cultura de saber e poder, classicista. Hoje a escola se tornou obrigatória até os 14 anos, pelo menos. Para todos. E existem projetos para torná-la obrigatória até os 17 anos.

E sobre a fachada física da escola atual, esconde-se uma angústia ímpar, uma dúvida que assola os seus transeuntes: para que serve a escola hoje se há informação para todos os lados? Que peso tem a escola atual na formação moral dos sujeitos? A escola está dando conta do que é da sua conta? A educação está “saindo” a contento?

A educação é o alargamento do horizonte cultural, relacional e expressivo, na dinâmica das experiências vividas e na totalidade da aprendizagem da humanidade pelos homens. Nela, pessoas e grupos com experiências diversificadas confrontam-se no diálogo aventuroso da aprendizagem coletiva, em que cada um, a seu modo, dá testemunho das múltiplas possibilidades humanas (GUDSDORF, 1993, p 14-26 in MARQUES).

A escola é então, como diz o autor acima; um lugar de encontros, de possibilidades, no qual se poderia trocar, experienciar, acolher pessoas diferentes e integrá-las como novidades bem-vindas num mundo tão veloz e cada vez mais tecnológico, digital/frio e excludente. Acontece esse acolhimento do diferente nas escolas atuais? Esses diferentes se encontram e trocam “possibilidades”? Nem sempre é isso que acontece, no entanto. Temos respostas para essas falhas?

Festejar a diferença, para que haja crescimento - esse seria o mote principal desse espaço. Congregar os diferentes em torno de um ideal comum: o amadurecimento do sujeito como cidadão, que pode desfrutar dos alicerces básicos da vida em comum: a justiça, os direitos humanos, a ética, a moral, enfim, a educação cidadã, uma educação política e universal.

Assim, a cultura escolar intervém em outras práticas culturais da sociedade da mesma forma em que sofre a sua intervenção: há entre as práticas escolares e as demais práticas sociais uma relação de tensão constante - e não de submissão permanente. Portanto, não é porque a violência cresce assustadoramente extramuros que ela possa arranjar abrigo nos espaços escolares sem nenhuma hesitação e os responsáveis por ela – escola – ficarem achando que isso é uma “onda” que vai passar ou que é exagero da mídia para vender jornal.

Se a violência explode fora dos muros da escola, esta precisa preparar-se para o momento em que aquela violência externa transpuser seus limites antes tão seguros, sempre tentando evitar sua invasão e permanência. Quando acontecer de a violência se instalar mesmo que provisoriamente, é necessário tentar combatê-la, compreendendo-a, investigando onde ela nasce, porquê surge e aí sim, neutralizá-la firmemente e bani-la de lugar considerado outrora tão sagrado.

As violências que acontecem nos meios educacionais quebram os paradigmas da equidade, rompem com a tranqüilidade de uma população, acostumada àquele discurso de que todos são iguais perante a oportunidade de aprender, à ideia de que a educação eleva o grau de cidadania de um povo. Violência e escola não podem ser coadjuvantes.

Entretanto, a intolerância com o diferente, com aqueles que escapam aos estereótipos vigentes e que são alvos de perseguições ou exclusões é um problema crucial nas escolas de hoje e levam a um tipo de violência silenciosa, mascarada, “por debaixo dos panos”. Os alunos ao professarem religiões divergentes, times opostos, partidos políticos diversos, maneira de vestir desiguais – criam motivos para discórdia, discussões, separatismo; ao invés de se tirar partido desse multiculturalismo próprio dos espaços globalizados.

Com certeza, a problematização em torno das questões ligadas ao mundo “fora da escola” e/ou ao próprio mercado regulador capitalista/consumista é mais que necessária; não como obediência da escola aos ditames monetários vigentes, (afinal, educação não é mercadoria), mas como possibilidade de intervenção social para contribuir em sua transformação, haja vista que a escola como agente que recolhe e devolve “reciclado” aquilo que acontece ao nosso redor é a via onde se busca melhorar essas interações entre classes mais abastadas e as menos abonadas, e ela não pode abraçar a causa de que aquilo que vale é o que se têm não aquilo que se é. A escola deve priorizar seus espaços, como sendo um dos lugares onde procuramos nos humanizar constantemente através da troca de culturas. No entanto, ás vezes acaba sendo também um espaço doloroso para aqueles que procuram inserção e encontram discriminação.

Na escola existem diversos conflitos, visto que os alunos vêm de lares diferentes, que professam valores divergentes entre si e antes de chegarem à escola convivem com pessoas de todas as idades entre as famílias onde são educados. Em casa, supostamente as pessoas são mais velhas que eles e têm uma relação de poder para com eles, ou seja, o adulto manda e a criança por vezes obedece em sua casa, e ela aceita essa situação como fazendo parte de sua educação. Quando essa criança sai do seio de sua família para o mundo fora de casa, é geralmente no ambiente da escola que ela buscará identificação, inserção social, visto que ali ela encontra outras crianças que têm a mesma idade e interesses afins e ela se sente em igualdade de condições, ela está por ela mesma, tem que se “virar”. Mas se esses “iguais” o recusam, num episódio de bullying, a vivência infantil perde um pouco de seu colorido, magoa, surge a insegurança. Como pode aquele amiguinho da mesma idade achar que manda em mim, que pode me excluir das rodinhas, dos joguinhos?

Se a criança é recusada em sua espontaneidade por outra criança, o encontro torna-se frustrante e a tentativa de reaproximação fica mais tímida ou algumas vezes mais agressiva. A criança sofre quando os amiguinhos se afastam, quando fazem dela motivo de “chacota, de galhofa, de risos”, de exclusão. Ela não entende porque pelo simples fato de ser negra, ninguém quer lhe dar a mão. Porque, sendo mais gordinha, não é convidada a brincar de roda. Porque, só por causa de seus tênis serem tão gastos, ela é motivo de risinhos e cochichos, de deboche. Esses são episódios de bullying infantil que não tem a mínima graça, nem inocência e que precisam da intervenção de um adulto para que não se tornem costumeiros.

Se a televisão e a internet diuturnamente lançam modelos de consumo e idealização dos padrões de aparência, a escola há que discutir essa tentativa de absolutização, padronização e homogeneização ditadas pela mídia, com argumentos que visem à alteridade, à aceitação de tipos físicos alternativos, de respeito à diferença e às escolhas sexuais de cada um.

A escola não pode ser conivente com tais exclusões, ela precisa fazer um diagnóstico do motivo dessas estigmatizações, junto aos alunos, funcionários e docentes. Discutir esse assunto do bullying e tentar saná-lo é a tentativa de se transmitir o legado de uma "qualidade social" em educação democrática, justaposto a um projeto de sociedade igualitária, sem relações de dominação de nenhuma natureza (seja de classe, de gênero, de etnia ou de raça, por exemplo).

Calhau (2007, p.3), aponta algumas soluções para esses casos:

Sem a participação efetiva dos estudantes na reconstrução da situação problemática a resposta imposta pode ser temporária e não resolver o problema das vítimas. Assim, é preciso buscar um diagnóstico do bullying naquela realidade escolar local. O esclarecimento pode, em muitos casos, facilitar o controle dessas situações. Para que isso seja conseguido, é necessário que haja um diálogo franco entre os envolvidos.

Estudos feitos pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção para a Infância e Adolescência), sediada no Rio de Janeiro/RJ, referência nacional no estudo do bullying, mostram que as crianças vítimas dessa violência demonstram sinais - nem sempre entendidos pelos pais/professores - de que não querem retornar à escola onde estão sofrendo esse assédio. Segundo essa associação (ABRAPIA), o bullying pode ser caracterizado por agressões:

- Físicas – agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, perseguir. - Materiais – quebrar pertences, roubar, esconder.

- Morais – difamar, caluniar, espalhar boatos e fofocas.

- Psicológicas: amedrontar, aterrorizar, discriminar, dominar, excluir,ignorar, intimidar, isolar, tiranizar, mentir.

- Sexuais – abusar, assediar, insinuar, bolinar.

- Verbais – apelidar, criticar, gozar, humilhar, ofender, xingar, ridicularizar. - Virtuais – praticado por meio do celular ou internet, como mensagens de texto, blogs e sites.

- Diretas – em geral, praticado por meninos (roubo do lanche, destruição ou quebra de pertences da vítima, agressão física).

- Indiretas – a forma preferida das meninas e crianças pequenas, que forçam a vítima ao isolamento social por meio de fofocas e da recusa em socializar- se com ela.

- Ditatoriais/Institucionais – feito por alguém que ocupa cargo superior ao da pessoa que foi agredida, como: chefes, professores, diretores, presidentes de associações, firmas, autarquias e outros.

A incidência desse fenômeno no meio educacional tem como agravante a interferência no processo de aprendizagem e de socialização, que estende suas consequências para o resto da vida.

As crianças que são vítimas do bullying dentro da escola ficam, por prolongado tempo, solitárias, incompreendidas, isoladas, desconectadas, indefesas. Muitas vezes essas crianças se tornam indiferentes aos procedimentos educacionais que pregam a paz, o amor, a fraternidade e descrentes desses valores se tornam insensíveis aos apelos de um abraço, um afago, um gesto cordial ou qualquer tentativa de aproximação corporal. Esse sentimento de abandono e nenhuma interferência por parte de um adulto foi descrito por um aluno como uma dor moída que não tem nome (FANTE, 2005).

Segundo Pedra (apud Fante, 2005, p 11),

As crianças vitimizadas pelo comportamento bullying sofrem terrivelmente ao longo dos anos, muitas vezes sob a vista de seus professores no ambiente escolar, nas salas de aula. Sofrem silenciosamente, de maneira cruel e velada, maus-tratos, humilhação pública, rejeição social, gozações, perseguições, angústias, medos,

desrespeito constante e repetitivo, quase sempre por serem diferentes em seu biotipo.

Essas crianças e adolescentes vítimas de bullying podem carregar esse trauma pela vida toda. De acordo com especialistas da ABRAPIA, se o problema não for bem resolvido antes de se chegar à idade adulta, sequelas como dificuldades para tomar a iniciativa ou para se expressar, podem atrapalhar os relacionamentos pessoais e até profissionais. O sofrimento psicológico é internalizado e a criança passa a achar que ninguém gosta dela, que viver é exercício penoso e triste. Como espaço de vivências e experiências, a escola perde o encanto para ela. Sente-se rejeitada e se isola, sofre muito e muitas vezes silenciosamente por medo de represálias familiares. E a tendência é querer se afastar sem saber explicar porquê; a criança sente um vazio existencial e pode tornar-se apática e desinteressada aos futuros contatos sociais.

Segundo uma matéria divulgada pelo Jornal do Senado, Brasília/DF, de 05 de maio de 2008, na seção Especial Cidadania: “Bullying: Violência disfarçada de brincadeira” os sinais enviados pela criança vítima desse fenômeno, podem ser:

a) A criança começa a arrumar motivos ou desculpas para não ir à escola. b) Pede para mudar de sala ou de escola sem motivo.

c) Tem medo de ir ou de voltar sozinha da escola.

d) Está desmotivada, tem queda de rendimento ou dificuldades de concentração e de aprendizagem.

e) Para de falar sobre a escola.

f) Volta da escola irritada ou triste, machucada ou com as roupas ou materiais sujos ou danificados.

g) Muitas vezes parece contrariada, deprimida, aflita.

h) Tem dificuldades em relacionar-se e em fazer amizades, ou troca de amizades subitamente.

i) Age de forma estranha, isola-se e não quer contato com outras pessoas a não ser os familiares.

j) Tem problemas para dormir e apresentam mudanças de humor.

l) Tem comportamento agressivo em casa (às vezes a criança que sofre bullying pode descontar nos irmãos).

No Brasil, dois casos de bullying chamaram a atenção. Em fevereiro de 2004, em Remanso (BA), o jovem D., com 17 anos, matou duas pessoas e feriu três. Ele sofria humilhações na escola. O garoto revelou que matou F., 13 anos, porque este, além de sempre ridicularizá-lo, no dia do crime, teria jogado um balde de lama nele. Em janeiro de 2003, Edmar Freitas, 18 anos, entrou no colégio onde havia estudado, em Taiúva (interior de SP), e feriu oito pessoas com tiros. Em seguida, se matou. Obeso, era vítima constante de apelidos humilhantes (Folha de S. Paulo, 04.06.2006).

Os estudantes que praticaram esses atos há quantos anos freqüentavam essas escolas? Nesses casos, impõem-se alguns questionamentos: onde a escola falha, quando a diferença afasta, ao invés de aproximar para a troca de novos olhares, novas aprendizagens? Que lugar a alteridade ocupa nesses espaços de encontros? Alteridade aqui entendida como o encontro do “eu” com o outro, diferente de mim.

Que valores seriam ideais de implementar nas escolas, para que a boa convivência sobrepujasse a violência que desiguala e exclui?

Que tipo de cultura a escola reproduz em seu falar, ou em seu “calar”? Na análise de casos como esses, Marcos Rolim, ex-deputado, hoje conferencista e estudioso do assunto bullying; no Seminário do CPERS em São Luiz Gonzaga, em agosto 2007 declarou:

Entregamos nossos filhos aos professores numa tácita recomendação e com a legítima expectativa de que os introduzam pelos caminhos luminosos do conhecimento. Nessa “entrega” simbólica encontra-se, na verdade, a promessa civilizatória por excelência. É o momento em que o tempo nos oferece sua herança, em que recebemos das gerações passadas seus legados mais preciosos e suas perguntas centrais. Podemos afirmar que renascemos quando nos educamos.

O questionamento prossegue e se amplia quando se trata de aprofundar questões como essa. Portanto, convém questionar até que ponto os professores têm clareza quanto ao fenômeno bullying e quando ele acontece? Os pais podem deixar seus filhos tranqüilos na escola? Esses episódios diários de bullying satisfazem a