O PIB representa a dimensão dos agregados macroeconômicos de um país ou estado. no caso brasileiro, somente nos últimos meses foi divulgada a primeira série histórica do PIB relativo aos municípios, compreendendo o período de 1999 e 2002. Caso o IBGe, órgão responsável pela elaboração des- se instrumento estatístico, mantenha a sistemática de divulgá-lo anualmente, pode-se acompanhar de forma sistemática o desempenho macroeconômico dos municípios também.
a Tabela 10 apresenta a evolução do PIB e PIB per capita para os estados com municípios presentes na listagem dos cem maiores, para o período 1999-2002. Inicialmente, nota-se uma queda dos valores agregados para todos os estados com municípios presentes no ranking no último ano da série, o que implica um comportamento semelhante do PIB per capita. esse movimento deve estar relacionado com problemas nos dados, conforme alerta o próprio IBGe.
3
Nead Estudos 11Tabela 10:
Produto Interno Bruto e Produto Interno Bruto per capita, segundo o total para cadaestado em que há municípios no ranking dos cem maiores tomadores de crédito – 1999-2002
UF
Produto Interno Bruto
1999 2000 2001 2002 A preços de março de 2005 (1.000 R$) Per capita (R$) A preços de março de 2005 (1.000 R$) Per capita (R$) A preços de março de 2005 (1.000 R$) Per capita (R$) A preços de março de 2005 (1.000 R$) Per capita (R$) BA 79.116.509,88 6.078,63 82.607.556,58 6.283,02 81.114.970,52 6.107,70 76.268.190,89 5.685,20 MA 14.901.838,29 2.652,20 15.780.073,94 2.769,42 15.979.628,95 2.765,71 14.024.434,15 2.393,89 MG 176.427.797,59 9.915,17 181.967.908,68 10.092,53 176.250.454,17 9.648,21 153.989.637,82 8.320,21 MS 20.514.966,97 9.937,23 20.329.451,40 9.693,69 21.324.673,63 10.011,04 18.842.421,15 8.709,64 MT 22.020.924,38 8.869,97 23.015.418,77 9.078,69 22.437.202,05 8.670,04 21.968.706,06 8.317,53 PA 31.379.127,99 5.100,16 32.417.112,69 5.153,81 33.762.891,76 5.252,38 31.353.736,90 4.773,88 RO 9.453.577,90 6.664,01 9.640.908,24 6.663,38 9.443.366,31 6.401,09 8.945.384,48 5.947,72 PR 116.160.122,52 12.211,03 113.067.089,60 11.734,66 112.973.045,29 11.576,71 100.027.637,67 10.120,86 RS 141.992.422,18 14.003,13 145.921.509,84 14.228,72 146.062.403,90 14.083,05 128.276.252,22 12.229,81 SC 67.150.718,31 12.623,98 72.719.486,43 13.444,53 72.242.971,52 13.137,57 63.650.007,38 11.386,35 Brasil 1.832.708.253,65 10.860,26 1.887.496.080,87 11.019,95 1.860.989.780,32 10.706,31 1.653.052.435,53 9.371,52 Fonte: IBGE, diretoria de pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais. Dados deflacionados para março de 2005. Nota: Em 2002, segundo o IBGE, dados sujeitos à revisão
no entanto, o comportamento do PIB nos municípios (anexo4) ajuda a entender melhor a dinâmica dos agregados macroeconômicos. de um modo geral, em apenas 25 municípios da amostra ocorreu evolução dos valores abso- lutos no último ano da série. Cabem aqui duas considerações: a primeira em relação aos dados, pois o próprio IBGe alerta sobre as informações de 2002, que estão sujeitas à revisão, o que pode ter influenciado os resultados; a segunda diz respeito ao comportamento geral da economia, que, em 2002, passou por uma forte recessão decorrente de instabilidades econômica e política.
agregando-se os municípios do ranking em termos das grandes regiões do país, dos 25 locais que tiveram expansão do PIB, 20 estavam na região Sul, sendo dez no RS; oito em SC e apenas dois no PR. deve-se registrar também que, dos seis municípios da lista pertencentes ao estado do Pará, quatro deles tiveram aumento dos valores absolutos.
Impactos do Pronaf: análise de indicadores
39
entre os estados com municípios no ranking que sofreram reduções do PIB encontra-se o RS (33); PR (19) e SC (10). esses números agregados correspon- dem a 62% dos municípios da lista dos cem maiores.
Todavia, para qualificar melhor a dinâmica do processo produtivo local é importante observar a participação setorial na composição final do PIB (anexo 5). essa é a forma clássica que o IBGe, tradicionalmente, vem apresentando as informações agregadas, tanto para estados e municípios como para o conjunto do país. Porém, com a modernização agrícola, sabe-se que ocorreu inter-relação entre agricultura e indústria, ficando tênue a margem que separa os dois setores, pois as relações a montante e a jusante são extremamente fortes. Infelizmente, é esse tipo de informação que está disponível para analisar comparativamente o desempenho agregado e sua composição setorial na esfera dos municípios.
Com o intuito de acompanhar o papel do setor agropecuário nas economias locais, organizou-se um escalonamento dos municípios da amostra, de acordo com o percentual de participação do setor agropecuário no conjunto do PIB municipal.
participação entre 0% a 20%: nessa faixa situam-se 31 municípios do ranking, 18 deles localizados no RS; cinco em SC; e quatro no PR. Registre-se ainda que em 21 municípios houve aumento do PIB setorial no último ano da série; participação entre 21% e 40%: situam-se 27 municípios da lista, oito deles lo- calizados no RS; oito no PR; e cinco em SC. Ressalta-se que em 16 municípios dessa faixa ocorreu aumento do PIB setorial no último ano;
participação entre 41% e 60%: situam-se 37 municípios do ranking, 16 deles lo- calizados no RS; oito no PR; e sete em SC. em 28 municípios ocorreu aumento do PIB setorial no último ano;
participação entre 61% e 80%: situam-se três municípios da listagem, em dois deles verificou-se aumento do PIB setorial no último ano;
participação acima de 80%: situam-se dois municípios do ranking, dois locali- zados no estado do Pará e tendo apresentado aumento no último ano da série. Verifica-se que em 69 municípios do ranking dos cem maiores tomadores de crédito ocorreu aumento do PIB agropecuário, indicando que o desempe- nho altamente favorável do setor agropecuário no ano de 2002 acabou evitando que o PIB global caísse ainda mais no conjunto dos municípios. Foi o setor agropecuário que sustentou o PIB municipal em aproximadamente 70% dos municípios da listagem.
Os dados e informações anteriores sugerem que está havendo um efeito po- sitivo do financiamento realizado pelo Pronaf sobre a produção agropecuária de a)
b)
c)
d) e)
0
Nead Estudos 11base familiar, o qual está sendo transmitido para o conjunto da economia local. esses reflexos podem ser mensurados, tanto pelo comportamento do PIB como por outras variáveis, sobretudo as relativas à dinâmica da produção agropecuária.