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PARTE I – CAMINHOS QUE SE CRUZAM EM DIREÇÃO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

CAPÍTULO 3 – ABORDAGEM COMUNICATIVA EXPERIENCIAL ENQUANTO ABORDAGEM

3.1. O CONCEITO DE ABORDAGEM COMUNICATIVA EXPERIENCIAL

Enquanto apologistas da pedagogia para a autonomia (Raya et al., 2007) e, como tal, de uma postura ativa e reflexiva por parte dos alunos face às suas aprendizagens, não podíamos concordar mais com Chickering & Gamson (1987, p. 5), que afirmam que

Learning is not a spectator sport. Students do not learn much just sitting in classes listening to teachers, memorising prepackaged assignments, and spitting out answers. They must talk about what they are learning, write about it, relate it to past experiences, and apply it to their daily lives.

Na atualidade do ensino, tarefas mecânicas, abstratas e pouco relacionadas com o mundo real tendem a ser pouco proveitosas e não contribuem para uma conexão efetiva e afetiva do aluno com a aprendizagem, especialmente no ensino de línguas, que tem uma relação tão direta com o quotidiano e com a cultura (Fernández-Corbacho, 2014). É necessário, pois, levar o mundo real à sala de aula, “convirtiendo la lengua en una herramienta de comunicación, de crecimiento, conectando el contenido con la vida del alumnado, con sus experiencias pasadas o futuras” (Fernández-Corbacho, 2014, p. 1), o que por sua vez contribui para construir aprendizagens linguísticas mais autênticas e genuínas.

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Torna-se, assim, importante desenvolver aprendizagens que sejam experienciais e (hiper)sensoriais, procurando que os alunos contactem com experiências que para eles sejam válidas, relevantes e significativas, devido à existência de uma relação com os contextos em que os alunos estão inseridos (cf. Almeida & Cruz, 2019). Como referido por Cruz (2018, p. 283), esse tipo de aprendizagens

transform the senses into channels of perception that activate, in turn, brain connections (...), giving students the opportunity to experience something, by better retaining the information they receive, through the manipulation and simulation of tasks in the surrounding reality.

É nesta linha de pensamento que surge a abordagem comunicativa experiencial. De acordo com Fernández-Corbacho (2014), a abordagem comunicativa experiencial assenta precisamente na ideia de que se aprende melhor através de aprendizagens experienciais, significativas e (consequentemente) memoráveis. Isso só é possível quando o aluno se identifica com o que está a aprender e se sente envolvido no processo de aprendizagem, não só fisicamente, mas também emocionalmente, provocando aquilo que pode ser designado de “encendido emocional” (Mora, 2013). Ou seja, apelar às emoções do aprendente para ganhar a sua atenção e motivá-lo a participar e a aprender. Isto porque o ser humano tende a recordar melhor aquilo que sente e experiencia, e também aquilo que o motiva, que capta a sua atenção e lhe desperta a curiosidade (cf. Fernández-Corbacho, 2014). Fernández-Corbacho salienta que “actividades que permiten cierto grado de iniciativa y autodirección por parte del aprendiz posibilitan experiencias emocionales profundas” (2014, p. 2). Contudo, igualmente importante é refletir sobre as próprias experiências de aprendizagem, de forma a consolidá-las e a dar-lhes sentido, transformando-as assim em conhecimento novo, conhecimento esse que o aluno poderá aplicar em situações futuras, inclusive para realizar novas aprendizagens, ao relacioná-las com aprendizagens anteriores. Foi o caso de algumas das atividades que constituíram as nossas práticas (e que apresentaremos em maior detalhe na Parte II), como por exemplo, aprender a usar um dicionário bilingue Português-Inglês/Inglês-Português a partir do que já aprenderam/sabem sobre como utilizar um dicionário da Língua Portuguesa, ou aprender a fazer storytelling com uma história já conhecida.

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No nosso entender, a abordagem comunicativa experiencial é também uma abordagem holística que considera as especificidades dos alunos. Isto significa que não só a interação e a comunicação desempenham um papel fundamental no processo de ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira, mas também as necessidades e interesses de cada aluno, pois as práticas concebidas a partir desta abordagem “convidam o aluno a desenvolver o seu interesse em explorar a sociedade local sempre em interação com o Outro, tendo a criatividade, a flexibilidade, a necessidade de assumir riscos e de desenvolver liderança(s) como pano de fundo” (Almeida & Cruz, 2019, p. 5).

Para a concretização efetiva da abordagem comunicativa experiencial, Fernández-Corbacho (2014) aponta alguns requisitos essenciais: a) as tarefas devem implicar os alunos em estratégias cooperativas, fazendo deles responsáveis pelo que aprendem; b) é aconselhável a utilização autêntica da linguagem com atividades estimulantes e significativas; c) cada tarefa deve apresentar desafios e gerar interesse; d) mobilização de atividades (hiper)sensoriais, as quais se devem apoiar nas tecnologias Web 2.0/3.0 e aplicações gamificadas; e) deve-se variar o tipo de atividades realizadas, de forma a atender aos distintos perfis de aprendentes que existem na mesma turma; f) afeto e segurança são de extrema importância, pois os alunos precisam de se sentir seguros, de sentir que pertencem a uma comunidade e, simultaneamente, de se sentir recompensados pelas suas conquistas.

Em suma, o que esta abordagem advoga é que para que a aprendizagem de uma língua seja eficaz e perdure, o aluno deve sentir, experimentar e refletir sobre a língua e as suas experiências dentro e fora do contexto escolar. Até porque, “cuando usan su propia experiencia los estudiantes autodirigen y construyen su aprendizaje según sus necesidades y su forma de aprender.” (Fernández-Corbacho, 2014, p. 3).

Posto isto, consideramos que esta abordagem, aliada à pedagogia para a autonomia, deve ser o ponto de partida para a planificação de aulas destinadas a autonomizar os alunos e a desenvolver as suas creactical skills, na medida em que possibilita o desenvolvimento de tais competências em contexto, trabalhando com situações práticas e até problemas reais que

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apelem os alunos a tomar iniciativa e a convocar essas mesmas competências. Da mesma maneira que queremos que façam no mundo que os espera quando saem do espaço escolar.

No tópico seguinte, debruçar-nos-emos em como concretizar isto, por meio de uma metodologia holística.

3.2. A IMPLEMENTAÇÃO DE UMA METODOLOGIA HOLÍSTICA NO