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O conceito de risco e de gestão de risco

No documento Fevereiro 2017 (páginas 40-44)

Parte I - Enquadramento teórico

Capítulo 2 - A gestão de riscos

2.1 O conceito de risco e de gestão de risco

Risco, em administração, designa a combinação entre a probabilidade de ocorrência

de um determinado evento (aleatório, futuro e independente da vontade humana) e os

impactos (positivos ou negativos) resultantes, caso ele ocorra.9

Para Oliveira (2015), o conceito de “risco” tem-se tornado cada vez mais presente na

vida das organizações. Desde sempre que os gestores e os decisores têm presente na sua

consciência que gerir a vida da sua organização ou do seu sistema implica também a gestão

do risco.

Nos dias de hoje, o risco é universalmente entendido como um conceito que

incorpora uma parte negativa que pode impedir as organizações de atingirem os seus

objetivos, mas também uma parte positiva que é a oportunidade de estas obterem ganhos.

Morais e Martins (2013), defendem que, é da responsabilidade do Órgão de Gestão a

gestão do risco, incluindo a conceção e manutenção do processo de gestão de risco.

Os primeiros anos do novo milénio apresentam-nos um mundo mais complexo e

imprevisível. A sociedade em geral está cada vez menos tolerante ao risco, a comunicação

social e os analistas estão mais atentos e a legislação e os regulamentos, exigem cada vez

mais execução de procedimentos específicos que demonstrem “as boas práticas” das

organizações.

Desde o início dos anos 1970, o conceito de gestão de risco financeiro evoluiu de

forma considerável, tornou-se uma importante ferramenta de proteção concorrente que

complementa várias outras atividades de gestão de risco. Após a Segunda Guerra Mundial,

grandes empresas com ativos físicos elevados, iniciaram o desenvolvimento de seguros

contra os riscos.

Segundo Stikin e Pablo (1992), o risco representa uma importante característica com

três dimensões, o resultado interno, a expetativa de resultado e o resultado operacional.

Segundo os autores, pode ser fundamental a criação de um modelo integrado que

determine que o comportamento em relação ao risco resulte de uma série de elementos cuja

influência seja mediada pela perceção de risco.

Sílvia Rodrigues (2013), na sua tese refere que a abordagem à gestão de risco se

pode agregar em 3 épocas:

- Entre 1960 e 1970: era utilizada uma abordagem passiva para a gestão de riscos,

que eram analisados não ao nível da organização em si, mas associados a determinado

processo ou atividade. Contudo políticas governamentais mais rígidas, clientes mais

exigentes e preocupações crescentes por parte do público, tornaram inadequadas estas

abordagens ad hoc e passivas.

- Entre 1970 e 1980: as organizações adotaram vários conceitos oriundos da gestão

da qualidade com vista à redução das variações nos processos produtivos através de uma

abordagem pró-ativa para a gestão de perdas e falhas.

- A partir de meados dos anos 90: as organizações passaram a focalizar-se nos riscos

internos e externos que podem ameaçar a sua estratégia, passando a empregar standards de

gestão de risco e ferramentas como guias para gerirem sistematicamente os riscos.

Nos últimos anos a gestão de risco tem tido um papel de destaque devido à

mediatização de escândalos financeiros, desastres ambientais e catástrofes em

consequência de fenómenos naturais, cujas causas foram atribuídas a falhas na gestão de

risco. Falhas estas que podem originar elevados custos financeiros, ambientais e até

individuais.

A escala de riscos constitui uma característica distinta e que limita a escolha das

técnicas e metodologias de identificação, análise e avaliação de riscos empresariais.

Segundo a KPMG Advisory – Consultores de Gestão, SA, a evolução ao nível

regulamentar e legislativo do setor empresarial, bem como a evolução da concorrência,

conduzem a uma necessidade cada vez maior de uma gestão de riscos eficiente. Aspetos

como a quebra da governação a uma escala global, o crescimento insustentável da

população mundial, as disparidades económicas e sociais em zonas geográficas diferentes

que, suportam a estrutura económica e social atual, e são riscos que devem assumir uma

importância crescente nas empresas.

De uma forma geral, o desafio das empresas está relacionado com a definição de

parâmetros em que se rege a gestão de risco e efetuar uma implementação efetiva do

processo. É, pois, importante que a empresa possa avaliar os riscos da sua área de

concorrência, em associação com o risco fiscal.

A definição de gestão de risco é um conjunto de meios utilizados na identificação,

avaliação e relato do risco empresarial, que surgiu nos EUA, e foi referido pela primeira

vez no artigo publicado no Harvard Business Review em 1956. Somente no final do século

XX, a gestão de risco é considerada como uma ferramenta fundamental na gestão

empresarial, e faz parte das boas práticas de gestão (Beja, 2004).

O referido autor defende, ainda, que,

“A organização do processo de “risk management” pode revestir formas

diversas consoante a cultura de gestão, a área de atividade e a dimensão de

cada empresa. Desenvolve-se, no entanto, com base na responsabilização dos

gestores dos centros operacionais e respetiva linha hierárquica ascendente,

num fluxo de baixo para cima, com o suporte técnico de departamentos de

apoio e/ou consultoria, como o planeamento e controlo de gestão, a auditoria

interna ou, quando exista essa função, o gestor de riscos. Aos órgãos de gestão

compete decidir e promover a implementação efetiva de todo o processo e a

todos os restantes colaboradores da empresa é requerida uma cooperação

proactiva e sistemática.”

A gestão de riscos deve ser um processo contínuo e em constante desenvolvimento

aplicado à estratégia da organização e à implementação dessa mesma estratégia,

controlando o seu nível de risco. Envolve análise sistemática de todos os riscos inerentes às

atividades passadas, presentes e, em especial, futuras de uma organização. Deve ser

integrada à cultura da organização, com uma política eficaz e um programa conduzido pela

alta administração. Deve traduzir a estratégia em objetivos táticos e operacionais,

atribuindo responsabilidades na gestão dos riscos em todos os níveis da organização, como

parte integrante da descrição de funções.

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Esta prática sustenta a responsabilização, a avaliação do desempenho e respetiva

recompensa, promovendo desta forma a eficiência operacional em todos os níveis.

Os elementos-chave para um programa eficaz de gestão de risco são: políticas,

procedimentos e padrões. Neste sentido, a política descreve os objetivos principais do

programa de gestão de riscos, os procedimentos determinam a forma como a política é

implementada e os padrões fornecem as principais orientações sobre as questões

específicas do programa de gestão de riscos.

Segundo Funston (2003), a gestão de risco representa um importante processo que

modifica a forma como as organizações gerem o risco, ao mesmo tempo que possibilita a

avaliação dos riscos de forma continuada.

Correr riscos faz parte da realidade empresarial, a performance depende, deste modo,

da boa gestão de riscos de forma a minimiza-los ou transforma-los em oportunidades, no

sentido de criar valor para a empresa. A perda de uma oportunidade pode implicar o

surgimento de um risco e indicar uma redução de valor para a empresa.

Mais importante do que conhecer a definição de risco é saber como o gerir, com o

intuito de minimizar perdas futuras, produzindo respostas, ou tirar partido disso, no sentido

de obter vantagens competitivas e, portante, aproveitar oportunidades para conseguir

resultados positivos. Numa publicação feita em 1999, o IFAC definiu risco como um

acontecimento futuro incerto.

No setor público, torna-se cada vez mais essencial – pelo menos nas sociedades

democráticas – a identificação dos riscos e a consequente gestão, tendo em vista um cada

vez melhor comportamento de prestação de serviço público aos cidadãos e um adequado

uso de todos os recursos ao dispor dos agentes ativos do serviço publico, nos seus diversos

setores.

Por sua vez, a gestão de risco deve ser uma das componentes da cultura

organizacional dos Municípios, assim como ser considerada em todos os processos de

gestão e ser uma responsabilidade de todos os trabalhadores, independentemente das suas

funções e nível hierárquico.

No documento Fevereiro 2017 (páginas 40-44)