2.3.5 Avaliação da Rentabilidade
2.3.5.5 O conflito entre Rentabilidade e Liquidez
A administração financeira é a área responsável pela ad ministração dos recursos financeiros da empresa, proporcionando condições que garantam sua rentabilidade e liquidez.
A rentabilidade é alcançada à medida que as atividades operacionais da empresa pr oporcionem a maximi zação dos retornos dos investimentos feitos pelos proprietários. Contudo, a rentabilidade
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máxima pode comprometer a liquidez da empresa, pois os retornos estão submetidos a diferentes períodos de tempo.
A liquidez é a capacidade que uma empr esa tem de pagar suas dívidas nas datas dos vencimentos. A recomendação é que a e mpresa deva aplicar boa parte dos fundos disponíveis e manter inativa outra parte como proteção ou defesa contra r iscos de não se conseguir pagar algum débito. O problema é que esses recursos inativos não produzem retorno aos investidores. A ssim, a ma ximização da rentabilidade e da liquidez, ao mes mo tempo, não é possível. Daí o conflito entre a máxima rentabilidade e a máxi ma liquidez: não é possível maximizar os dois objetivos ao mes mo tempo, entretanto, a rentabilidade deve ter prioridade sobre a liquidez.
2.4 A Pecu ária e a Bubalinocu ltu ra
2.4.1 Alteração do Pad rão Locacion al da Pecuária no Brasil
A té meados da década de sessenta, a A mazônia per maneceu co m reduzida capacidade de sustentação econômica para as atividades agropecuárias. A extensão territorial, o vazio geográfico, o elevado custo de transporte e as de mais dificuldades para a exploração econômic a (infra-estruturas, mercados consumidores, assistência técnica, etc. ) inviabilizava m a sua ocupação econômica (Puga, 2005).
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E m 1970, a área des matada na A mazônia era de apenas 3,0% de sua área total, sendo 0,3% deste total ocupado com lavouras, 0,7% co m pastos, e os restantes 2,0% eram áreas inutilizadas ou em descanso.
A partir dos anos setenta, a ocupação da A mazônia passa a ser percebida pelo governo militar da época co mo solução para as tensões sociais internas vividas no país, decorrentes da expulsão de pequenos produtores do Nordeste e do Sudeste por uma agricultura mais moderna.
Inicia-se a etapa do planejamento regional da A mazônia, ainda que de for ma pouco estruturada.
E m 1966, o Banco de Crédito da A mazônia (BCA) se transfor mou no Banco da A mazônia S .A. (BASA) e a S uperintendência do P lano de V alorização Econômica da A mazônia (SPVEA) tornou-se a Superintendência de D esenvolvimento da A mazônia (SUDA M). O BASA e a SUDA M foram os dois instrumentos financeiros do governo brasileiro para desenvolver atividades agropecuárias na região (V eiga et al., 2001).
Com esse aporte institucional, vislumbrava-se um projeto geopolítico para a A mazônia apoiado, sobretudo, em estratégias territoriais que dera m início a ocupação regional, se m incluir qualquer discussão a mbiental ou como se daria a apropriação de seus recursos naturais. As principais estratégias, segundo Becker (2004) foram:
Implantação de redes de integração espacial rede rodoviária (cerca de 12.000 km de estradas foram construídas e m menos de cinco
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anos), rede de telecomunicações comandada por satélite, rede urbana e rede hidroelétrica.
Subsídios ao fluxo de capital e indução dos fluxos migratórios. A partir de 1968, mecanismos fiscais e creditícios subsidiaram o fluxo de capital do Sudeste e do exterior para a região, por meio de bancos oficiais, particular mente, o Banco da Amazônia S .A. (BASA). Por outro lado, induziu-se a migração por meio de múltiplos mecanismos, inclusive projetos de colonização.
Superposição de territórios federais sobre os estaduais. A manipulação do território pela apropriação de terras dos Estados foi um elemento fundamental da estratégia do governo federal, que criou por decreto territórios sobre os quais exercia jurisdição absoluta e/ou direito de propriedade. Com essa estratégia, o gover no federal passou a controlar a distribuição de terras, adquirindo grande poder de barganha e dificultando o planeja mento governamental.
A s medidas implementadas pelo governo militar constituíram-se efetiva mente no ponto de inflexão das características até então observadas. A atividade agropecuária passa a ser viável, com o que se introduz o elemento dinamizador e acelerador da velocidade de ocupação. A ainda inexistente infra-estrutura econômica, associada à baixa densidade demográfica, implicou preços de terra reduzidos, quando não cedidos gratuitamente pelo Estado, gerando estímulos para sua articulação ao resto do país (Puga, 2005).
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V ários tipos de colonização, diferindo no tipo de atuação por parte do INCRA , foram previstos para a A mazônia. Na região do entorno da Rodovia Transamazônica, o objetivo do INCRA er a de instalar oficial mente 100.000 famílias até 1974 e 1.000.000 de famílias até 1980 ao longo dos 5.400 quilômetr os de extensão da rodovia. Prevaleceram na região os Projetos Integr ados de Colonização, por meio dos quais fora m distribuídos lotes de 100 hectares para pequenos colonos ao longo da estrada e das suas vicinais ou travessões, construídos a cada 5 km, tanto no sentido norte como no sul (Puga, 2005).
A inda na fase de planejamento da ocupação da A mazônia, a pecuária foi considerada atividade apropriada para colonizar a região, dado que ocupa grandes extensões de terra sem a necessidade de um f orte capital humano.
A ssim, enquanto a agricultura fa miliar desenvolvia-se baseada e m sistemas de produção mais diversificados, as grandes propriedades concentravam-se na criação de gado.
A partir de 1974, contudo, com o início do governo G eisel (1974-1979), as atenções para o processo de colonização da Transamazônica foram diminuindo e, consequentemente, a assistência técnica aos colonos foi deixada e m segundo plano, bem co mo o apoio a saúde.
E m mais da metade dos lotes de assentamento houve desistência da exploração agrícola por parte dos colonos, devido, entre outros fatores, às dificuldades de escoa mento, aos baixos preços de produtos e à
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incidência da malária e de outras doenças. Esses fatos contribuíram par a o início de um processo de concentração de terras, e m que um proprietário passava a adquirir as terras que iam sendo abandonadas pelos colonos. Parte desses colonos avançava em novas áreas, confor mando o chamado desmata mento por vizinhança, (Puga, 2005).
A experiência prévia com a atividade e a tradição. A maioria dos grandes produtores provém de fa mílias co m tradições agrícola e pecuária, enquanto que os agricultores familiares, em grande parte, já haviam trabalhado em f azendas de gado antes de instalar-se na região;
A eficácia na i mplementação e no manejo das pastagens de capi m-braquiarão (Brachiaria brizantha), que garante uma boa qualidade do pasto e resistência contra espécies invasoras; e,
A alta produtividade de pastage m advinda do processo de mineralização de nutrientes da floresta.
Enquanto estes autores destaca m esses fator es para explicar a motivação do produtor da A mazônia por optar pela exploração da pecuária f rente a outras atividades, estudos do IDA M (Plano de Ação de A tividades, 2007) apontam como as principais causas do crescimento recente da pecuár ia na região:
O baixo pr eço da terra; e,
A maior produtividade das pastagens e, conseqüentemente, a maior lucratividade quando comparada a outras regiões do país.
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A lém disso, o relatório afirma que na região N orte do país os produtores se beneficia m:
D e créditos mais favoráveis, por meio do Fundo Constitucional do N orte FNO; e,
D a baixa aplicação do código florestal, o que dá margem à exploração ilegal de madeira que, por sua vez, se constitui e m u ma fonte de renda adicional.
N esse contexto, a pecuária impõe-se no uso e ocupação do solo da A mazônia, co m maior importância e m alguns Estados do que e m outros e, particular mente, no P ará em sua por ção sudeste.
A lém da força da pecuária, dados todos os deter minantes comentados, agrega m-se vantagens locacionais de natureza estrutural para encadear-se com frigoríficos e outr as atividades produtivas associadas, densificando-se fortes relações de produção e contribuindo assim para a for mação de cadeias produtivas.
Instala-se em regiões preferenciais do Estado um capital físico produtivo, repr esentado por frigoríficos de porte médio e grande, por infra-estrutura econô mica de apoio, e por outras atividades complementares, tanto no segmento industrial co mo no comér cio e serviços. Com essa cadeia multi-nucleada, internaliza m-s e de forma crescente segmentos i mportantes da cadeia pecuária, implicando efeitos multiplicadores totais i mportantes para o incremento das atividades produtivas.
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Como conseqüência desses fatores, observa-se que entre os 10 estados com maior produção pecuária do Brasil, observou-se que, excetuando os três Estados, P ará, Mato G rosso e Rondônia, todos os demais apresentaram tendência praticamente constante com r elação ao ta manho do rebanho. O u seja, entre 1990 e 2004, ao contrário do Pará, Mato Grosso e Rondônia, estes outros Estados não assistiram a um crescimento significativo de seus rebanhos bovinos.
N esse contexto, segundo os dados oficiais do IBGE, em 2004 o Estado do Mato G rosso passou a ter o maior rebanho bovino do país, co m quase 26 milhões de cabeças, enquanto que o Pará passou a ocupar a posição de quinto maior estado produtor de gado bovino no Brasil, co m cerca de 17,5 milhões. O bserve o gráfico 1.
Gráfico 1. Efetivo bovino nos 10 Estados maiores produtores, 1990/04 (base 1990 = 100).
Fonte: IBGE
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O gráfico 1 baliza a dinâ mica do direciona mento da pecuária no país, oferecendo clara sinalização do movimento e m direção a alguns Estados da A mazônia Legal, alterando o padrão locacional da pecuária no Brasil entre 1990 e 2004.
O s diversos fatores explicativos das razões desse movimento são, além dos fatores tradicionais como, o baixo custo da terra, o mercado, as motivações empresariais, os investimentos em infra-estrutura de transporte, aparecem outros como a expansão da soja em detrimento da pecuária em alguns estados, portanto há uma transferência da carga de expansão dessa atividade para a Região N orte do país, dando-se maior atenção ao Estado do P ará e sua porção sudeste.
O s mapas apresentados a seguir mostra m esta alteração no padrão locacional da pecuária no Brasil entre 1990 e 2004. A figura 2 expõe o padrão locacional da pecuár ia no Brasil no ano de 1994, no qual podemos notar a concentração da atividade nas regiões Centro-O este, Sul e Sudeste.
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Figura 2. Mapa da distribuição do rebanho bovino no Brasil, ano 1990 Fonte: Arcadis Tetraplan
A figura 3 expõe o padrão locacional da pecuária no Brasil no ano de 2004, no qual podemos notar a alteração do padrão, no qual a pecuária adentra na A mazônia Legal via estado do Pará, avançando na direção do Estado do A mazonas.
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Figura 3. Mapa da distribuição do rebanho bovino no Brasil, ano 2004 Fonte: Arcadis Tetraplan.