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Uma única questão faz parte desta categoria. Pensamos em colocá-la junto com outras questões anteriores em categorias diversas, porém entendemos que há elementos nessa questão que a torna específica o bastante para requerer espaço de análise. O comportamento dos estudantes é o tema da questão que coloca em evidência para os membros, especialmente os estudantes o que se entende como comportamento ideal e ao mesmo tempo, levanta-se análise sobre as possibilidades, geradas pelo Conselho, como estratégia para lidar com as manifestações de indisciplina dentro das escolas. Uma questão que coloca em discussão a

posição dos próprios estudantes e professores (sujeitos diretos do processo) e todos os outros segmentos em relação ao tema. A questão dez do questionário traz essas evidências.

Sobre o comportamento dos alunos, o Conselho deveria (...) (%)- Q. 10

A análise volta à questão dos comportamentos entre estudantes e na relação dos estudantes com a escola. Uma pergunta interessante porque sinaliza a percepção dos pais e professores e dos próprios estudantes, os sujeitos da questão. Até que ponto o Conselho Escolar auxilia a escola no momento de pensar os comportamentos dos estudantes? O que se desenvolve na escola, as manifestações dos estudantes devem ser interpretadas como atitudes desviantes? O que significa indisciplina para os membros do Conselho? Ainda, qual o papel do Conselho no momento de “tratar” estudantes que manifestam comportamentos interpretados como contrários às normas?

Estas inquietações foram pensadas ao longo da elaboração dos questionários específicos e demonstram, por vezes, os dilemas que a escola enfrenta, principalmente no momento de interpretação do sentido da ação. O que é um ato de indisciplina? O que vem a significar atos violentos na escola? Quais as consequências destes comportamentos para a organização da vida escolar, o percurso pedagógico das crianças, adolescentes na escola?

A questão proposta para os conselheiros tenta compreender de que maneira as ações do Conselho Escolar podem interferir no campo da organização estudantil dentro dos padrões da escola e compreender como o comportamento dos estudantes é representado pelos conselheiros. Para esta análise, propomos quatro possibilidades de respostas. Estas análises estão dispostas a seguir.

Tabela 19 - Sobre o Comportamento dos alunos, o Conselho deveria (...) (%)- Q.10

Análise dos resultados M F Total

Modificar seu regimento e inserir como atribuição o controle e a possibilidade de punir os estudantes que promovem inquietação e

desrespeito às normas da escola 18 55% 22 58% 40 56%

Discutir mais sobre as manifestações de indisciplina dos estudantes

e promover formas de conscientização entre os estudantes 9 27% 7 18% 16 23%

Fazer nada. Os estudantes formam um grupo que deve ser sempre

acolhido e nunca punido 4 12% 6 16% 10 14%

Sem resposta 2 6% 3 8% 5 7%

TOTAL 33 100% 38 100% 71 100%

Os dados apresentados na Tabela 19 anunciam uma postura de análise crítica sobre o comportamento dos estudantes. Tendo como referência os dados coletados nas observações e nas entrevistas, pode-se afirmar que, na escola situada na sede do Município, as manifestações de comportamentos que evidenciam indisciplina são mais frequentes. Não se sabe se o fato de estar no contexto urbano e suscetível às possibilidades de violência se constitui como fator que influencia na composição das posturas dos estudantes. Muito embora, pelos dados e através das interpretações dos sujeitos, membros do Conselho, a presença marcante da escola em um bairro com histórico de violência e marginalidade, pode gerar um tipo de influência sobre o comportamento dos estudantes, o que equivale dizer que elementos como pressão social, exposição a comportamentos violentos na comunidade e a proximidade de um contexto com usuários de drogas podem interferir no comportamento dos adolescentes e jovens na escola.

Para muitos pais e professores, as manifestações de indisciplina e violência (agressão ou violência simbólica) iniciam com o que os adolescentes chamam de “brincadeiras sem graça”, cuja tradução seria uma forma de diversão que se constitui uma forma de prazer para o que realiza a ação e vergonha, constrangimento para o outro. Nesse caso, os respondentes tiveram estes relatos como referência, bem como os comportamentos mais graves com ameaça a professores através da construção de ambientes que pressionam os docentes, que geram medo e receio de obedecer a critérios pedagógicos ou considerar as ameaças de estudantes frente a avaliações.

Muito embora esta realidade não seja específica desta escola, na sede do município (outras escolas da região apresentam dados semelhantes), os relatos da direção da escola evidenciaram esta realidade. Em termos menos expressivos, dados semelhantes foram encontrados na escola analisada na zona rural do Município.

Nos questionários, há predominância da resposta “Modificar seu regimento e inserir

como atribuição o controle e a possibilidade de punir os estudantes que promovem inquietação e desrespeito às normas da escola”, em que 56% dos respondentes reiteram a necessidade de alteração das normas da escola para que sejam possíveis novas formas de punição dos estudantes, resposta mais frequente no segmento Professores e Pais. No entanto, esta estratégia pode não parecer tão promissora quando no tratamento de jovens, uma vez que a possibilidade de, pela punição, criar um ambiente mais opressor na escola é mais presente. Mesmo assim, pela frequência dos comportamentos, as respostas evidenciam um tipo de

imagem criada pelos membros do Conselho e colocam em relevo uma das atribuições do Conselho: o seu caráter normativo, também voltado à estruturação do regimento escolar.

Outras respostas também tiveram significativa expressividade, entre elas o seguinte posicionamento do grupo respondente: “Discutir mais sobre as manifestações de indisciplina dos estudantes e promover formas de conscientização entre os estudantes”. Esta resposta representou 23% da defesa dos respondentes e também ratificam um outro aspecto da realidade: a defesa do processo de conscientização em detrimento do processo de punição dos sujeitos envolvidos com atos de indisciplina na escola.

Embora este posicionamento estivesse presente como forma/estratégia de ação, foi possível identificar outra resposta na construção dos sujeitos: a possibilidade de punição em

caso de descontrole e não regulação pela escola. Nesse caso, encontram-se os estudantes que

estão na classificação como estudantes com recorrentes reclamações por parte dos professores e outros alunos. Percebe-se ainda a quantidade expressiva de respostas que vinculam a ação do Conselho a questões de passividade, como na resposta: “Fazer nada. Os estudantes

formam um grupo que deve ser sempre acolhido e nunca punido”, com 14% de frequência de

respostas. É um posicionamento radicalmente diferente das outras respostas. Aqui a representação da dualidade: liberdade - punição torna-se incoerente. Liberdade e acolhimento, segundo a resposta, devem ser elementos condutor do trabalho e do perfil da escola no trato com os estudantes.

2.3- OS DADOS DAS ENTREVISTAS: AS VOZES, AS LEITURAS, AS IMAGENS