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Relação Conselho Escolar e o perfil dos membros constituintes

Nesta categoria, ampliamos a análise para entender o sentido estabelecido pelos membros dos Conselhos analisados, em relação ao perfil dos conselheiros. Duas questões foram selecionadas para isso. Na primeira (questão 07 do questionário), procuramos dados em torno da formação escolar dos membros: para a função de membro efetivo do Conselho, é preciso ter formação escolar? Para esta questão, propomos cinco alternativas que

consideraram a formação inicial, básica e superior, além de propor a ausência de escolarização formal como realidade dos conselheiros. Estes dados estão descritos na tabela 06.

A segunda questão que forma esta categoria é a questão treze do questionário. Esta questão levanta o debate sobre a idade mínima do conselheiro. A presença do segmento “Estudante” no conjunto de membros do Conselho lança um olhar em torno da participação de crianças e adolescentes em espaços de debate e decisão na escola. A questão foi organizada para entender o que pensam os conselheiros sobre esta realidade, o que exigiu dos respondentes um posicionamento objetivo sobre o tema.

Questão: Sobre os membros do Conselho, eles deveriam possuir (...)(%)- Q.07 O momento de construção desta etapa do questionário foi analisado sob a égide da seguinte questão: qual a formação ideal ou suficiente para participar como membro de um Conselho Escolar? Há uma formação ideal? Se não há, isso equivale dizer que todos, independente de estar/ser escolarizado ou não, podem ser eleitos como representes de segmento e seguir a todos os trâmites de funcionamento deste Núcleo. Esta questão foi lançada ao público e obtivemos repostas variadas que serão analisadas em seguida. É uma questão fechada. Propomos respostas, mas abrimos a possibilidade de construções específicas pelos sujeitos pesquisados. Para organização desta questão, consideramos os três níveis básicos da formação escolar e a educação superior, lembramos também da situação de não escolarização formal.

Tabela 06 - Sobre os membros do Conselho, eles deveriam possuir (...)(%)- Q.7

Análise dos resultados M F Total

Todos deveriam possuir no mínimo ensino fundamental

completo, só assim participariam mais e com mais qualidade 15 45% 21 55% 36 51%

Só quem possuísse nível superior completo ou não deveria participar do conselho Escolar, porque assim as decisões

seriam mais amadurecidas 3 9% 5 13% 8 11%

Ter formação escolar (fundamentam, médio ou superior) não

deve ser condição para participar como Conselheiro 5 15% 3 8% 8 11%

Independente do grau escolar as pessoas têm opiniões que

devem ser valorizadas 3 9% 4 11% 7 10%

Mesmo que seja analfabeto o membro da comunidade pode

ser conselheiro e decidir sobre a escola 3 9% 3 8% 6 8%

Sem resposta 4 12% 2 5% 0%

TOTAL 33 100% 38 100% 71 100%

Conforme os dados da tabela em questão, podemos observar que há um predomínio de respostas indicando o ensino fundamental como sendo a formação mínima esperada para os Conselheiros.

Dados da entrevista nos mostraram que, segundo os membros dos Conselhos, a formação mínima é uma maneira de melhor viabilizar o acesso do membro às questões atinentes à dinâmica do Conselho. Sobretudo pelas questões que envolvem a dimensão burocrática, a necessidade de deliberações advindas do Conselho e ainda a questão de visualização do espaço da aula como Núcleo de formação. Além disso, entram questões que enfatizam a especificidade da aula e dos processos de aprendizagem, o que requer, segundo entrevistados, uma formação escolar mínima. No entanto, analisando a Tabela 12, esse posicionamento significativo 51% não é absoluto, havendo ainda a existência de outras possibilidades presentes no imaginário dos sujeitos. É válido ressaltar que o predomínio da resposta que indica o ensino fundamental como condição precípua de participação não foi consensual entre os segmentos. Entre professores, alunos e gestores, a condição básica era o ensino fundamental, ou os primeiros anos de escolarização.

No entanto, essa mesma resposta, entre os pais, não teve predomínio, havendo nesse caso, uma mudança na concentração de resposta. Segundo os dados, 11% não se manifesta a favor da escolarização formal como condição para participação nos Conselhos. Aqui um fato interessante: das oito pessoas que responderam, cinco delas era do segmento Pais, mesmo assim, não há nos registros de identificação pai ou mãe alguma que não tenha pelo menos os primeiros anos de escolarização. Outra variável que nos chama a atenção é o fato de que, dos cinco respondentes, quatro são da zona rural, onde há uma concentração de pessoas com baixo índice de escolarização no Município.

Há uma equivalência entre a percepção sobre a relevância do ensino superior e a inexistência da formação escolarizada como um “pré-requisito” definidor da capacidade de permanência, debate, proposição, entendimento e capacidade de representação político- pedagógico-comunitária dentro dos Conselhos, respectivamente 8%.

Ainda a questão do que ultrapassaria o fato de ter ou não ou o nível da formação básica, o elemento deste novo predomínio seria o tipo de relação estabelecida com o sujeito. Como é possível ver no quadro acima, entre os pais e professores há um encontro de

perspectiva sobre a condição de escolarização do membro do Conselho. Na fala de uma professora temos o seguinte relato:

“concordo que a questão da formação não pode ser superior à noção de respeito ao membro do Conselho”, “independente de que formação possui o que deve prevalecer é o respeito”. (Professora, zona urbana)

Desta forma e diante desses dados, podemos concluir que para a maioria dos sujeitos que respondeu aos questionários, é muito importante ter uma formação básica para participação efetiva nos Conselhos, mesmo que esta formação tenha limites no que diz respeito ao nível, mas ter a formação já seria garantia de possibilidades diferenciadas de participação.

Entre as mulheres, este tipo de postura tem um predomínio. Para elas, a formação é fundamental como requisito e garantia de efetiva participação. Embora esse dado nos dê uma noção da percepção das mulheres sobre a formação no perfil do conselheiro, é também entre as mulheres que vamos observar o percentual mínimo em torno dos que entendem como sendo muito importante a questão do respeito.

A partir de quantos anos faz sentido que os alunos participem dos Conselhos- (...) (%)- Q.13

Uma das últimas questões do questionário é a questão 13. Uma questão voltada para a idade mínima capaz de dar garantias de que a participação no Conselho será efetiva, uma questão ligada diretamente aos papeis atribuído aos estudantes, sobretudo porque este segmento nas escolas analisadas é caracterizado pela pouca idade, isso devido aos níveis de ensino atendidos pelas duas escolas: infantil, fundamental e médio. Sendo a composição do segmento uma estrutura mista, justifica-se a presença de adolescentes no processo. O que vem a ser questionado é como isso está presente e é gerenciado pelos membros mais experientes, no sentido de ter mais idade.

Tabela 07: A partir de quantos anos faz sentido que os alunos participem dos Conselhos- Q.13

Análise dos resultados M F Total

A partir de 15 anos 14 42% 23 61% 37 52% A partir de 16 anos 10 30% 7 18% 17 24% Só adultos 3 9% 5 13% 8 11% A partir de 14 anos 4 12% 2 5% 6 8% A partir de 10 anos 2 6% 1 3% 3 4% TOTAL 33 100% 38 100% 71 100%

Fonte: pesquisa Conselhos Escolares e implicações sobre o cotidiano da escola pública.

Mesmo considerando a escolha de alguns membros de que é possível estar presente e decidir sobre a escola, mesmo tendo apenas 10 anos de idade (cerca de 5%), há um predomínio da idade de 15 anos como espaço-tempo ideal para começar o processo de envolvimento real com as decisões tomadas na escola. Cerca de 59% concordam que somente na adolescência é possível assumir a responsabilidade com o processo de construção da escola e decisão sobre os seus rumos.

Ainda é possível ver outro posicionamento como extremo. Para muitos membros do Conselho (leia-se Pais), somente adultos devem participar das decisões e podem assumir a responsabilidade com a representação de segmentos.

A escola, na figura dos gestores, manteve-se imparcial no momento de entrevista, reportando-se à questão da democracia do espaço público e ao princípio de participação universal dentro da escola. No entanto, na análise das respostas no questionário, a concentração de resposta entre professores, pais, funcionários e gestores se manteve considerando 14(quatorze) e 15 (quinze) anos como sendo idade mínima para compreensão dos processos da escola. Nesse caso, havendo a possibilidade de pessoas com idade inferior às citadas aqui poderiam participar, mas com a restrição de não ter voto, nem fala com validade deliberativa. Entrariam nas reuniões como aprendizes no Conselho. Entre os estudantes, as respostas foram variadas. Parece-nos do interesse estudantil que cada vez mais as idade mínimas sejam reduzidas. Segundo relato entre os estudantes-membros, reduzir a idade mínima é uma forma de “modelar- criar” perfis de estudantes que saibam o que é do interesse da escola e, consequentemente, “lutar por ela”.