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Perceber o sentido e o significado da educação em Portugal hoje implica que procedamos a uma brevíssima perspetiva de natureza diacrónica, incidindo no espaço temporal entre 1950 e 2011.

O ensino primário obrigatório só veio a ter a duração de 4 anos a partir de 1956, para os alunos do sexo masculino (Decreto-Lei n.º 40 964, de 31 de Dezembro), e só quatro anos depois foi extensivo às crianças do sexo feminino (Decreto-Lei n.º 42 994, de 28 de Maio de 1960), tendo passado a denominar-se ensino básico em vez de ensino primário (Eurybase, 2006-2007). Três anos mais tarde, a escolaridade obrigatória foi alargada para seis anos. Este alargamento deveu-se, segundo Mendonça (2009), mais a pressões internacionais (nomeadamente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - OCDE) do que à vontade política do Governo Português. Começa-se, então, a perceber que a escolarização de toda a população é fundamental, na medida em que pode dar um precioso contributo para o processo de desenvolvimento do país. Com a expansão da escolaridade, as raparigas, que até meados do século passado faziam percursos escolares mais curtos do que os rapazes, acedendo a

patamares superiores da escolaridade em número muito reduzido, começaram a inverter esta tendência, facto que ainda se mantém na atualidade.

Em 1964 foi criada a Telescola, visando sobretudo o acesso à escolaridade de seis anos para as populações não urbanas. O ciclo preparatório do ensino secundário foi criado em 1967 e unificou as duas vias de estudo (1.º ciclo dos liceus e ciclo preparatório do ensino técnico), com o objetivo, não só de alargar a cultura geral de base dos alunos que pretendiam prosseguir os estudos, mas também para servir de orientação àqueles que tinham de fazer uma opção vocacional após a sua conclusão: frequência do curso geral do ensino liceal ou dos cursos gerais do ensino técnico, com a duração de três anos cada (Eurybase, 2006-2007).

Foi na década de setenta, quando o ministro Veiga Simão era responsável pela pasta da Educação Nacional, que foi aprovada uma Lei de Bases a que deveria obedecer a reforma do sistema educativo (Lei n.º 5/73, de 25 de Julho). Foi uma tentativa de lançar as bases de um sistema que, além de pretender efetivar a escolaridade obrigatória, visava também democratizar o ensino. À escolaridade obrigatória seguir-se-iam quatro anos de ensino secundário a funcionar nos liceus existentes, que deveriam evoluir para escolas secundárias polivalentes, com opções de estudos diversificados (cursos liceais, cursos comerciais e cursos industriais). A Lei n.º 5/73, embora não tenha sido revogada até 1986, não chegou a ser aplicada. A partir de 1974, a escolaridade básica obrigatória continuou a ser de 6 anos. A dualidade liceus/escolas técnicas desapareceu, para dar lugar às escolas secundárias, tendo sido extinto o ensino técnico-profissional. A escolaridade obrigatória passou a ser de 9 anos, com obrigatoriedade de frequência da escola até aos 15 anos de idade (Eurybase, 2006-2007).

Porém, apesar das reformas de Veiga Simão, em 1974, o país continuava a debater-se com um crónico défice de educação.

No novo modelo educativo, publicado no Despacho Ministerial nº 24/A/74, de 2 de Setembro, o sistema de avaliação passa a contemplar as vertentes diagnóstica, formativa e sumativa com carácter de avaliação contínua.

Só a partir de 1976 começaram a surgir publicações sobre o insucesso, numa perspetiva da igualdade de acesso e de sucesso no sistema educativo, ainda que de modo disperso e pontual. Após o 25 de Abril (nomeadamente de 1974 a 1976), tomaram-se

medidas para alterar as elevadíssimas percentagens de insucesso escolar, como, por exemplo, novos curricula e organização do ensino primário em duas fases. Foram, ainda, lançadas estruturas de apoio ao trabalho dos professores e de enquadramento dos alunos no ensino básico: por exemplo, Unidades de Orientação e de Apoio Educativo (UOAE) e Centros de Apoio Pedagógico (CAP). Segundo Benavente (1990), estas experiências perderam-se sem qualquer avaliação nem alternativa. No fim da década de setenta, foi de realçar, segundo Mendonça (2009), “(…) a tentativa de estabelecer uma coerência entre as finalidades da educação e o sistema de valores da sociedade, bem como a existência da vontade política em promover o alargamento da escolarização” (p.31), tendo em vista objetivos de desenvolvimento e objetivos sociais, “(…) servindo como veículo suscetível de propiciar um enriquecimento sociocultural do país” (Ibidem). Uma outra tendência que se desenvolveu nas políticas educativas da Europa, nos anos 70, segundo Azevedo (1999), foi a diversificação da oferta do ensino secundário, por via do desenvolvimento de opções dos ensinos técnico e profissional no seio dos modelos escolares.3

Foi em 1986, através da Lei de Bases do Sistema Educativo, que se edificaram novos pressupostos para conceitos como universalidade, obrigatoriedade e gratuitidade. Definiu-se a escolaridade obrigatória de nove anos, correspondente à duração do ensino básico, sendo a sua grande inovação a reorganização do sistema educativo através da subdivisão em educação pré-escolar, escolar (ensino básico, secundário e superior) e extraescolar. Nascia, então, um novo conceito de escola que, sem se circunscrever ao edifício escolar, reforçava o seu papel junto da comunidade, denominada comunidade educativa, que incluía o estreitar de relações e compromissos com os pais, a autarquia e a restante comunidade envolvente, partindo da elaboração de um projeto educativo autónomo, partilhado e apropriado por todos. Mas só em Dezembro de 1987, sob pressão da integração europeia, aparece, em Portugal, um programa oficial que afirma o insucesso escolar como um problema do sistema de ensino que exige uma intervenção urgente: a resolução do Conselho de Ministros de 10 de Dezembro de 1987 (Diário da República, II série, n.°17, de 21 de Janeiro de 1988, p. 537-542) aprova um Programa Interministerial de Promoção do Sucesso Educativo (PIPSE). O seu aparecimento tardio

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Esta política era justificada principalmente por duas circunstâncias: pelo crescimento do número de jovens que saía do sistema escolar regular e se encontrava desempregado e pela necessidade de diversificar as vias de frequência e de saída do ensino secundário, agora que começava a ser procurado por percentagens cada vez mais elevadas do respetivo grupo etário, grupo este que transitava cada vez mais massivamente do fim da escolaridade obrigatória para estudos pós-obrigatórios (Azevedo, 1999).

criou um ambiente de expectativa positiva, pois era sentimento geral que a evidência do insucesso escolar não podia continuar a ser escamoteada. Este Programa aparece como uma intervenção de «urgência» justaposta e sem articulação aparente com o Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE), com a Comissão da Reforma do Sistema Educativo e com projetos parcelares existentes em direções-gerais do Ministério (por exemplo, o Projeto das «Zonas Degradadas» da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário).

Em 1989, através do Dec-Lei nº 286/89, emergiu um novo perfil do ensino secundário com base em Cursos Secundários Predominantemente Orientados para o Prosseguimento dos Estudos (CSPOPE) e os Cursos Secundários Predominantemente Orientados Para a Vida Ativa (CSPOVA), mais conhecidos por cursos tecnológicos. Neste ano, foram ainda criadas as escolas profissionais (Decreto-Lei nº 26/89, de 21/19), bem como o Ensino Recorrente. Esta reforma do ensino secundário foi generalizada no ano letivo de 1993/1994. Em 1997, deu-se início à discussão sobre uma nova reforma do ensino secundário.

Nas décadas de 80 e 90, a educação começou a estruturar-se em função da sua utilidade para a modernização da economia e o combate ao desemprego juvenil, sofrendo um acréscimo de influência do mundo empresarial. No entanto, segundo Mendonça (2009), este novo posicionamento não conseguiu eliminar “(…) as problemáticas da reprodução e da hierarquização social (…) tendo sido interpretadas como uma consequência de um excessivo protagonismo do Estado no campo educativo (…) e passando, mais recentemente, a articular-se com a sua utilidade social, nomeadamente no combate à exclusão social” (p.40).

Começa, então, a desenhar-se um novo olhar sobre o papel da educação, em geral, e das escolas, em particular, passando a ser claro que o êxito de um sistema educativo não depende exclusivamente da forma como o sistema de ensino está organizado, mas também de outras variáveis, como é o caso dos professores, de quem se espera o domínio de competências científicas, pedagógicas e organizacionais e a posse de qualidades que assegurem o respeito pela diferença entre os alunos. Passam a ter lugar os currículos alternativos, para tentar responder à diferenciação pedagógica decorrente das diferenças entre os alunos. Por outro lado, a escola, para além de assegurar as aprendizagens tradicionais da Língua Materna, da Matemática e das Ciências, alarga o seu espectro de ação a atribuições de índole social, ao incorporar áreas como: a

Educação para a Saúde, a Educação Social, a Educação para a Cidadania, a Educação Sexual e, também, a Educação para a Defesa do Ambiente. Esta abrangência teoricamente bem intencionada e com objetivos importantes, provocou uma acumulação de funções nos professores e uma dispersão curricular, como é o caso de disciplinas como o estudo acompanhado, Área de projeto e Formação cívica.

Em 2005, sob a tutela da então Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, assistiu-se a mais uma reforma do sistema de ensino, que se pautou por significativas alterações em vários domínios da educação. O modelo de gestão escolar dito "democrático" foi substituído por outro, uninominal, centralizado na figura de um Diretor, tendo-se assistido ainda à divisão (pouco consensual) dos professores em duas categorias: titulares e não-titulares. O mandato desta Ministra atingiu o máximo de contestação às suas políticas educativas em 2008, aquando da introdução de um sistema de avaliação dos professores baseado em objetivos individuais. De relevar a introdução de um novo modelo de formação profissional nas escolas públicas, que fez com que, entre 2005 e 2009, o número de alunos passasse de 30 mil para 120 mil alunos.4 Visando o combate ao insucesso escolar, no ano letivo de 2006/07 foi reeditado o Programa TEIP, através do Despacho Normativo nº 55/2008, de 23 de outubro de 2008, com a designação de TEIP2.5

Também no ano de 2007 foi dado início a um programa de requalificação e modernização das escolas secundárias públicas e em 2009 foi decretada a escolaridade obrigatória de 12 anos.

O ano letivo de 2011-2012 iniciou-se já sob a alçada de um novo ministro da Educação, Nuno Crato, tendo sido posta em discussão pública uma nova reforma curricular, cujos traços dominantes passam por acabar com a dispersão curricular retomando a iniciativa de agregar as escolas por decreto. Ainda no decurso do ano lectivo de 2011-2012, foi posto em discussão pública o estatuto da carreira docente.

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Fontes, C. Relatório de PISA: O que Mudou na Educação em Portugal? [Em linha]. Disponível em: http://educar.no.sapo.pt/PISA2009.htm[Consultado em 06/09/2010].

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Em Portugal, o Programa TEIP foi influenciado fortemente pelas «zones d’éducation prioritaires» (ZEP) criadas em França, em 1988. Foi instituído em 1996 pelo Despacho nº 147-B/ME/96, de 1 de agosto, e complementado posteriormente pelo Despacho Conjunto 73/SEAE/SEEI/96.

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