• Nenhum resultado encontrado

2 EDUCAÇÃO INCLUSIVA E FORMAÇÃO CONTINUADA:

4.2 O CONTEXTO ESCOLAR EM QUE O PROCESSO FORMATIVO FO

Neste momento tecemos algumas considerações sobre o contexto da pesquisa, a partir da nossa imersão no campo como partícipe e pesquisadora, com o intuito de situar o

locus da investigação. Para tanto, recorremos às anotações feitas no diário de campo e

informações levantadas junto à secretaria da escola.

Essa pesquisa-intervenção foi desenvolvida no ano de 2008, em uma escola da rede municipal de ensino de Natal/RN, localizada na zona oeste da cidade, no bairro Alecrim.

A escolha da referida escola baseou-se nos seguintes critérios: 1) ser uma escola da rede pública de ensino; 2) possuir alunos com necessidades educacionais especiais matriculados em classes regulares; 3) disponibilidade do corpo docente em participar voluntariamente desta pesquisa-intervenção, analisando, elaborando e discutindo casos de ensino.

Desde os primeiros contatos com a instituição percebemos a preocupação da equipe escolar em prestar um atendimento de melhor qualidade a todos os seus alunos, e o desejo de fazer desta, uma escola, de fato, inclusiva. Acreditamos que tal postura contribuiu para a adesão do grupo à nossa proposta formativa pautada na reflexão da prática. Considerando que um trabalho de natureza colaborativa só acontece com a implicação de todos nesse processo, tal fator constituiu-se fundamental na definição da escola locus dessa investigação.

A escola atende a alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental, do 1° ao 5° ano, desenvolvendo suas atividades nos turnos matutino e vespertino. Convém mencionar que, até o ano em que esta pesquisa foi realizada, a escola funcionava apenas no turno matutino, ocupando as mesmas instalações de outra escola, também da rede municipal, que atendia alunos do 6° ao 9° ano nos turnos vespertino e noturno.

A clientela atendida pela escola é oriunda, predominantemente, das camadas populares que residem, em sua maioria, no próprio bairro. Durante o ano de 2008 havia 6 alunos com necessidades educacionais especiais matriculados na escola, dos quais, 3

possuíam Deficiência Física8, sendo 2 apresentavam Paralisia Cerebral9 e 1 Hidrocefalia10; 1 Transtorno Global do Desenvolvimento (Síndrome de Asperger)11, 1 Deficiência Mental12 e 1 Altas Habilidades13, detalhados no quadro abaixo:

Quadro 2: Demonstrativo dos alunos com deficiência14 matriculados na escola em 2008.

Nome Tipo de Deficiência Nascimento Ano

Jéssica Síndrome de Asperger 03/06/1998 3º

Luis Paralisia Cerebral 21/03/1995 4º

Maria Paralisia Cerebral 31/12/1993 4º

Mariana Deficiência Intelectual 13/03/2000 2º

Tiago Altas Habilidades 01/08/1996 5º

Vanessa Hidrocefalia 05/02/2000 1º

Fonte: Quadro elaborado pela autora com base nos dados fornecidos pela escola.

Constatamos, por meio de nossas observações e ao longo do processo de intervenção, que a assiduidade desses alunos constituía-se um óbice, uma vez que a frequência escolar estava reduzida. Problemas de saúde e falta de condições da família para levar os filhos à

8 Variedade de condições não sensoriais que afetam o indivíduo em termos de mobilidade, de coordenação

motora geral ou da fala, como decorrência de lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, ou, ainda, de malformações congênitas ou adquiridas (BRASIL, 1999, p. 26).

9 O termo “Paralisia Cerebral” designa diversos distúrbios motores e alterações posturais permanentes, causados por lesão cerebral (encefálica não progressiva) ocorrida antes, durante ou depois do nascimento, podendo ou não estar associado a outras alterações, a saber: déficits sensoriais, dificuldades de aprendizagem, alteração da percepção, déficit intelectual e problemas emocionais (GERSH, 2007).

10 Hidrocefalia é o acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano (liquor), dentro do cérebro. Ela pode ocorrer por aumento da produção (mais raro) ou por obstrução ao livre trânsito do líquido no interior das cavidades ventriculares do cérebro.

11 A Síndrome de Asperger compõe a categoria dos Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) que se caracterizam por prejuízos severos e invasivos em diversas áreas do desenvolvimento, como: (a) habilidades de interação social recíproca, (b) habilidades de comunicação, e (c) presença de comportamentos, interesses e atividades estereotipadas (LOPES-HERRERA; ALMEIDA, 2007).

12 A “deficiência mental” vem sendo reconceituada como “deficiência intelectual”. De acordo com o sistema de classificação da American Association for Mental Retardation (AAMR, 2002), a Deficiência Mental é caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual global, acompanhadas por dificuldades acentuadas no comportamento adaptativo, manifestadas antes dos dezoito anos de idade. Sua conceituação envolve cinco dimensões que se referem a diferentes aspectos do desenvolvimento do indivíduo, do ambiente em que vive e dos suportes de que dispõe: habilidades intelectuais; comportamento adaptativo; participação, interação e papel social; saúde; contextos (CARVALHO; MACIEL, 2003).

13 O indivíduo com Altas Habilidades/Superdotação caracteriza-se por notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos isolados ou combinados: capacidade intelectual geral; aptidão acadêmica específica; pensamento criativo ou produtivo; capacidade de liderança; talento especial para artes dramáticas e/ou música; e capacidade psicomotora (BRASIL, 1999).

14 A classificação dos tipos de deficiência foi informada pela escola. O uso do termo deficiência é utilizado no sentido de diferenciar tais alunos dos demais que podem vir a apresentar algum tipo de necessidade educacional especial.

escola eram os motivos mais comuns. A precariedade das instalações da escola, no ano de 2008, em razão da obra que estava sendo realizada era considerada, pela direção e pelos professores, como fator agravante desta situação.

Quanto à equipe da escola, esta era constituída por um número de funcionários bastante razoável para a realização das atividades burocráticas, administrativas e pedagógicas. É importante ressaltar, contudo, a insatisfação dos professores e gestores da escola quanto à inexistência de apoio especializado para alunos com necessidades educacionais especiais matriculados na escola, bem como para os profissionais que trabalham com esses alunos em sala de aula. Informações relativas aos funcionários da instituição podem ser visualizadas no quadro a seguir:

Quadro 3: Demonstrativo dos servidores que atuavam na escola no ano de 2008.

Função que exercem Número de servidores que

exercem a função

Diretora 1

Vice-diretora 1

Bibliotecário 4

Professor de sala de aula (Educação Infantil e 1º ao 5º ano) 16

Professor da sala de vídeo 3

Coordenador pedagógico 2 Inspetor Escolar 1 Orientadora Educacional 1 Auxiliar de secretaria 5 Servente 12 Merendeira 2 Auxiliar de merendeira 2 Vigia 2 Porteiro 2

Professor da sala de Artes 1

Professor da sala de Informática 2

Professor de Educação Física 2

Professor de Reforço Escolar 1

Professor de Apoio Pedagógico 4

Fonte: Quadro elaborado pela autora com base nos dados fornecidos pela escola.

Em relação ao aspecto físico, é importante salientar que, no período em que esta pesquisa foi realizada, a escola passava por uma situação peculiar, uma vez que estava em pleno processo de construção do prédio, inaugurado no dia 1° de dezembro de 2008. Após a conclusão da nova sede – que representou uma conquista, um sonho alcançado por toda a

comunidade escolar –, a escola passou a apresentar a seguinte estrutura, visualizada no quadro abaixo.

Quadro 4: Estrutura física da escola.

Instalações Quantidade

Direção 1

Secretaria 1

Sala dos professores 1

Cozinha 1

Refeitório 1

Salas de aula (EI e Ensino Fundamental) 8

Sala de Informática 1 Sala de Vídeo 1 Sala de Artes 1 Sala de Apoio/Reforço 1 Quadra de esportes 1 Biblioteca 1 Parque Infantil 1 Banheiro Masculino 4 Banheiro Feminino 4 Banheiros Adaptados 2

Fonte: Quadro elaborado pela autora com base nos dados fornecidos pela escola.

Convém registrar que, como a obra só foi concluída no final do ano de 2008, durante o processo de intervenção, os profissionais da escola campo da investigação, desenvolviam suas atividades em dois espaços, de modo que as aulas eram ministradas nas salas da sede nova, enquanto que as demais instalações, como secretaria, sala de informática, sala dos professores, biblioteca, sala de vídeo, quadra de esportes, cozinha, refeitório, banheiros e área de recreação, eram compartilhadas com outra escola da rede, situada no mesmo quarteirão onde estava sediada.

Atualmente, além dos banheiros adaptados, as novas instalações da escola possuem rampas de acesso aos diversos ambientes da escola, salas com portas que permitem a passagem da cadeira de rodas e piso tátil, aspectos estes que se constituem em fatores de acessibilidade.

Ainda em relação à infra-estrutura, observamos que a quadra de esportes tem cobertura, o que facilita a realização das aulas de Educação Física mesmo nos dias de chuva ou sol intenso. Também existe uma área coberta na escola, onde funciona o refeitório e são realizadas as reuniões e festividades da escola, sendo utilizada, também, como auditório. A

sala de artes, biblioteca e sala de informática, além de amplas, são climatizadas. Em relação à biblioteca, porém, observou-se que a altura das estantes dificulta o acesso aos livros localizados na parte superior, particularmente pelos alunos que utilizam cadeira de rodas.

As demais salas de aulas são menores, o que não chega a comprometer a circulação dos alunos, pois as carteiras estão, em geral, organizadas em semicírculo ou em pequenos grupos (duplas ou trios). Todas dispõem de um quadro branco e um quadro verde. Em termos de mobiliário e material pedagógico, notamos que há, na escola, apenas uma mesa adaptada para alunos com paralisia cerebral.

Uma vez apresentada a escola onde a pesquisa foi realizada, passamos a descrever o grupo participante da pesquisa.