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4.2 Facilitadores do Processo de Identização Docente

4.2.5 O Contributo do PPP

De modo geral, compreendemos que o PPP traz benefícios para o curso de Educação Física – Licenciatura do CEFD, visto que, algumas mudanças foram feitas no ano de 2004, com sua nova reestruturação. No estudo de Ilha (2010), a autora faz uma análise do PPP desse

mesmo curso e destaca que mesmo com algumas informações ultrapassadas e certas incoerências teóricas, o projeto procura fundamentar os processos de formação desenvolvidos no curso, mantendo relação estreita com a docência da EFE.

Neste sentido, como facilitadores do processo de identização docente, destacam-se, a partir das falas dos participantes, alguns pontos significativos. Um deles é a própria

modificação estrutural curricular, que apresenta na sua grade curricular três (3) ECS.

Professor Frederico apresenta bem esta situação ao colocar que: “[...] no curso antigo,

currículo de 90, tinha um estágio de 60 horas, que era uma vergonha [...] então a gente tem hoje três estágios de 120 horas, os alunos saem com muito mais experiência na escola”.

Vale ressaltar que essa mudança no estágio foi oriunda da Resolução CNE/CP 2/2002 (BRASIL, 2002b), que destaca “400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso”. Nesta direção, podemos perceber a busca do curso em seguir esta demanda, que ao ver dos participantes, trouxe benefícios para a formação do acadêmico, ou seja, para a constituição do processo de identização docente desse futuro professor.

Conforme Marques; Ilha e Krug (2009) um dos mais importantes componentes curriculares e de indiscutível relevância para a formação dos acadêmicos é a disciplina de ECS. Essa tem por atribuições precípuas colocar o futuro profissional em contato com a realidade educacional, desenvolvendo-se estilos de ensino, possibilitando adequadas seleções de objetivos, conteúdos, estratégias e avaliações, entre outras finalidades. Para tanto, o ECS deve fornecer subsídios para a formação do futuro professor, tanto no aspecto teórico quanto prático a fim de que possa desenvolver um trabalho docente competente (TEIXEIRA, 1994).

Ainda nesta direção, também é salientado o acréscimo em algumas disciplinas das práticas curriculares, que buscaram traçar um maior contato dos acadêmicos com a sua área de atuação. “[...] outro dispositivo são as experiências extracurriculares que muitas

disciplinas, além do trabalho aqui no CEFD, os alunos tem que fazer, com inserções, observações, dinâmicas [...] no ambiente escolar” (Professor Frederico). Olívia também

destaca esse ponto, onde fala que: “[...] até tem algumas disciplinas que proporcionam

vivências práticas ou de inserção na escola ou nas instituições especiais de ensino, isso também auxilia”.

Estas práticas curriculares salientadas pelos professores, também são modificações derivadas da Resolução CNE/CP 2/2002 (BRASIL, 2002b) que coloca “400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, vivenciadas ao longo do curso”. Cabe destacar, se realmente o curso está preocupado em desenvolver estas práticas, proporcionando ao futuro

professor um maior contato com seu ambiente de trabalho, esta ação pode ser significativa. Conforme Marques; Ilha e Krug (2009) a realidade do dia-a-dia da escola é uma instância privilegiada para a formação dos acadêmicos de Educação Física e sua interação com o ambiente escolar possibilita aos mesmos ter conhecimentos sobre os alunos, seus interesses, bem como, com os professores e a escola como um todo.

Para o Professor Miguel, o PPP proporciona enquanto contribuição para a identização docente dos futuros professores uma somatória de conhecimentos. No PPP (2005), a estrutura curricular está dividida em duas áreas de conhecimento: os conhecimentos de

formação ampliada e os conhecimentos identificadores de área18, sendo assim, ele procura elencar os diversos conhecimentos que o futuro professor necessita para sua atuação profissional.

Como já mencionamos no subcapítulo anterior, a construção da identização docente também está ligada ao conhecimento que é necessário para a profissão. Lopes et al. (2004, p. 69) salientam que é na formação inicial que há a necessidade de uma articulação que possibilite uma “aquisição de saberes relativos a um campo especializado de actividade, os saberes profissionais”. Para os autores, essa aquisição pode auxiliar na construção do ser professor, que se estabelece a partir da socialização dos saberes que o acadêmico já possui sobre a escola com os novos saberes adquiridos na formação inicial de professores.

Outro aspecto levantado é a importância do PPP como base para as ações dos

professores, lembrado pela Professora Cristina:

Eu acho que está diretamente ligado as nossas ações, né, porque quando ele foi criado, construído, já há algum tempo, mas eu lembro, quando ele foi construído, foi pensando realmente nessa formação, nesse profissional que iria atuar dessa forma, quais as bases que sustentariam isso? Quais as disciplinas que estariam diretamente ou indiretamente ligadas para essas bases? Eu acho que há uma ligação direta nisso, das disciplinas e seus objetivos, que sustenta a nossa atuação nas disciplinas (Professora Cristina).

Ela destaca a contribuição que o PPP tem com a atuação dos docentes dentro da formação inicial. A sustentação do profissional desejado pelo curso pode também estar diretamente ligada à maneira como o professor de ensino superior articula a sua docência com o que está proposto no projeto, e este fato, vai conduzir ou não para a constituição do processo de identização docente deste profissional.

18 Conhecimentos apresentados no capítulo 2, subcapítulo 2.3 Licenciatura em Educação Física: o CEFD/UFSM

Conforme Libâneo; Oliveira e Toschi (2005) o PPP tem um importante papel para o curso de graduação, pois define muitas ações que o mesmo deseja atingir. Os autores destacam que “o projeto pedagógico-curricular é um documento que reflete as intenções, os objetivos, as aspirações e os ideais da equipe escolar, tendo em vista um processo de escolarização que atenda a todos os alunos” (p. 357).