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4. O CENTRO DE ALTA COMPLEXIDADE EM ONCOLOGIA DE IJUÍ/RS ENQUANTO

4.3 CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA ONCOLOGIA

4.3.3 O cotidiano de trabalho dos /as assistentes sociais

Neste item são apresentadas as discussões de duas questões que nortearam esta pesquisa caracterizando o trabalho do/ a assistente social, as quais foram identificadas a seguir: Qual o

instrumental utilizado para materializar as intervenções? Quais são os desafios e possibilidades no trabalho do/ assistente social? Para que fosse possível respondê-las foram

aplicadas as seguintes questões no roteiro de entrevista aos assistentes sociais: Como você percebe o objeto de trabalho para o/a assistente social? Quais as principais competências requisitadas ao profissional assistente social para o seu trabalho? Existem atribuições privativas? Quais os instrumentos e técnicas que você utiliza em seu trabalho? Quais os principais desafios que você vivencia em seu trabalho? Na sua percepção, quais são as possibilidades e contribuições do trabalho do assistente social no CACON? Como você descreve o cotidiano do seu trabalho?

Nas questões referentes ao objeto de trabalho dos assistentes sociais foi possível identificar que ambos os entrevistados relacionaram as demandas institucionais72 e as demandas que surgem da

relação profissional-usuário, enquanto expressões da Questão Social73(objeto de intervenção da

profissão). Assim, foram evidencia-se como demandas institucionais pelos assistentes sociais, a requisição de atendimento ―as necessidades dos usuários perante o tratamento‖, conforme relata o seguinte enunciado:

Precisamos conhecer a necessidade do paciente e conseguir supri-lás, então isso é o serviço social, é nós vermos a necessidade e não estar esperando ele (usuário) vir até nós, pois, quando ele vem é porque não tem a quem mais recorrer (S1)

Essas necessidades apreendidas por situações sociais vividas pelos sujeitos, tem a mesma estrutural e histórica raiz na desigualdade de classe e suas determinações, que se expressam pela ausência e precariedade de um conjunto de direitos como emprego, saúde, educação, moradia, transporte, distribuição de renda, entre outras formas de expressão da questão social74(CFESS,

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A demanda institucional representa a imediaticidade/resolutividade, ou seja, a demanda para a qual o profissional é solicitado a intervir de acordo com os objetivos da instituição empregadora.

73 Os assistentes sociais defrontam-se, cotidianamente, com as mais variadas expressões da questão social, como a

violência, a pobreza, o desemprego, a falta de acesso à saúde, à educação, ao trabalho, à habitação, entre outros (FEREIRA, 2008, p.40)

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A questão social não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão (IAMAMOTO; CARVALHO, 1983, p. 77).

2011) Assim, os assistente sociais intervém sobre as necessidades sociais, isto é, ―necessidades de reprodução social, dadas nas diversas realidades sociais em que estão inseridos os sujeitos‖ (CAMARGO, 2007, p.83), estas vinculam na saúde pelos seus determinantes e condicionantes75, que são predominantes para sua efetivação como direito.

Por isso, a intervenção profissional dos assistentes sociais sob essas necessidades não deve restringir-se às abordagens que tratam as necessidades sociais como ―problemas e responsabilidades individuais e grupais‖ (CFESS, 2011), conforme pressupõe a conjuntura neoliberal definindo ―não existir necessidades sociais, mas preferências individuais que só podem ser suprimida pelo mercado‖ (PEREIRA, 2010, p.15), nessa lógica a satisfação de necessidades básicas por meio de direitos sociais não são prioridades do Estado, mas o crescimento econômico ou o favorecimento da rentabilidade privada.

Em relação às demandas dos usuários evidencia-se que os assistentes sociais as identificam pela garantia de acesso à benefícios previdenciários e assistenciais, através da perspectiva dos usuários possuírem ou não condições econômicas (representado pelo trabalho formal) para acessar os programas ou benefícios previdenciários durante o adoecimento, entretanto, é necessário romper com essa identidade histórica sobre a garantia de direitos numa lógica de cidadania regulada76.

[...] ele não pensa que um dia, ele vai envelhecer e que vai ter esse problema de não ter renda, que ele está naquela faixa de 50 anos e ele não se enquadra no BPC (Benefício de Prestação Continuada77, porque não tem idade (S1)

Principalmente por não ser contribuinte, daí recebe os benefícios assistenciais, na minha concepção a maior dificuldade é a questão econômica (S2).

Entende-se que esta condição demanda ao assistente social reafirmar seu projeto profissional78 na perspectiva da garantia de direitos sem restrições ou ações focalizadas, pois, tem enquanto compromisso ético politico posicionar-se ―a favor da equidade e da justiça social, na perspectiva da universalização do acesso a bens e a serviços relativos às políticas e programas sociais‖ (NETTO, 1999, p.16).

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Na lei 8.080/90 em seu art. 3o Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. (Redação dada pela Lei nº 12.864, de 2013).

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No decorrer do século XX, a estruturação da seguridade social brasileira esteve ancorada na ―cidadania regulada‖ através da organização do seguro social, contexto em que eram considerados cidadãos os trabalhadores inseridos no mercado formal, vinculando-se o direito social à saúde ao registro formal de trabalho no âmbito da previdência social, representado pelo binômio medicina/trabalho formal (SANTOS, 1979).

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Benefício de Prestação Continuada previsto na Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS).

78 Os projetos profissionais apresentam a auto-imagem de uma profissão, elegem os valores que a legitimam

socialmente, delimitam e priorizam seus objetivos e funções, formulam os requisitos (teóricos, práticos e institucionais) para o seu exercício(NETTO,1999, p.4)

Nesse contexto, a vinculação do objeto da profissão também se expressa na demanda institucional, devido à condição dos assistentes sociais ―se inserem no cerne dos objetos organizacionais, instituídos socialmente para atender às demandas fragmentadas, separadas da questão social. Nesse processo, o objeto profissional se confunde com o objeto organizacional‖ (GENTILLI, 2000). Assim, essa apropriação expressa uma relação contraditória entre a direção social assumida no projeto ético-político do Serviço Social e com a direção imprimida pelas instituições empregadoras que atuam com as diversas expressões da questão social. Entretanto, reconhecendo este profissional como possuidor de uma relativa autonomia79, entende-se que estes detêm compromisso ético politico com sua categoria profissional em contribuir ―na qualidade dos serviços prestados à população‖ (NETTO, 1999, p.16), assim como ―posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas sociais, bem como sua gestão democrática‖ (CFESS, 2012, 5º princípio ético).

Outra demanda relevante que se pode perceber a partir da fala do entrevistado S1, foi o

trabalho informal80 dos usuários que aparece vinculado ao ato de adoecer, conforme explicito: ―[...]

não se tem vínculo empregatício nenhum, trabalhou a vida inteira sem carteira‖(S1). Esses sujeitos são desprotegidos de seus direitos trabalhistas na medida em que passam a vivenciar uma condição de adoecimento. Segundo Wünsch e Mendes (2011, p.171) a perda da saúde foi uma forma de apropriação do capital sobre o trabalho e a vida do trabalhador, as consequências desse processo, ou seja, as necessidades de proteção, não são atendidas. Ainda há de se considerar que, mesmo para o trabalhador assalariado, a negação desse direito tem se constituído numa realidade adversa para as suas necessidades.

Sobre as competências profissionais e atribuições privativas previstas pela Lei de regulamentação da Profissão (Lei nº 8.662/93) dos assistentes sociais, destacam-se que estes são requisitados para o desenvolvimento de sua capacidade de gestão, planejamento e coordenação das atividades no contexto institucional. Conforme observado na seguinte fala:

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Por um lado, na relativa autonomia do assistente social na condução da atividade profissional regulada, socialmente legitimada como ―liberal‟, condicionada pelas lutas hegemônicas inerentes ao modo de produção capitalista que ampliam ou reduzem as bases sociais que sustentam sua direção social e teleologia. Por outro, no fato de o exercício profissional se realizar pela mediação do trabalho assalariado, sob a forma de mercantilização da força de trabalho, subordinado aos ditames do trabalho abstrato e processos de alienação, sendo o Estado e os organismos privados os maiores responsáveis pelos espaços sócio-ocupacionais nos quais se inserem os assistentes sociais (IAMAMOTO, 2008).

80 Uma fenomenologia preliminar dos modos de ser da informalidade demonstra a ampliação acentuada de trabalhos

submetidos a sucessivos contratos temporários, sem estabilidade, sem registro em carteira, dentro ou fora do espaço produtivo das empresas, quer em atividades mais instáveis ou temporárias, quando não na condição de desempregado (ANTUNES, 2011, p.408)

[...] eu acho que está mudando o quadro do Serviço Social na instituição, desde que nós conseguimos nossa coordenação que é um assistente social. Então já vê de outra forma, eu acho que antes o serviço social, era só aquele que tava aqui porque precisava e agora nós estamos saindo daqui, nós queremos fazer um trabalho diferente, de ir até o paciente, antes era só o paciente que vinha até nós (S1).

Tais elementos revelam ―as tendências que impõem aos profissionais atribuições que exigem competências e habilidades para assumir responsabilidades em desdobramentos da iniciativa, participação, decisão, ação e avaliação em diferentes frentes de trabalho‖ (SILVA, 2014, p.176). Esta condição é característica do processo de descentralização das políticas sociais que tem requisitado aos assistentes sociais atuarem nos níveis de planejamento, gestão e coordenação de equipes, programas e projetos, na área da saúde, possibilitando ―a realização de estudos e pesquisas que revelem as reais condições de vida e as demandas da classe trabalhadora, além dos estudos sobre o perfil e situação de saúde dos usuários e/ou coletividade‖ (CFESS, 2010, p.60).

Ainda, os assistentes sociais identificam como atribuições privativas neste espaço sócio- ocupacional, a realização, em especialmente, de: estudos sociais, avaliações sociais e pareceres sobre a matéria de Serviço Social, algumas destacam-se no art. 5º(§I; II e IV) da Lei de Regulamentação da profissão, conforme foi afirmado no seguinte fragmento: ―[...] foram feitos alguns estudos sociais, avaliações e relatórios de funcionários da instituição e de usuários, principalmente de quem não possui familiar e precisa de alta hospitalar81‖ (S2).

É referenciado também como competência profissional, a necessidade de sistematização de dados e o registro de suas atividades no cotidiano de trabalho, conforme é exposto: ―[...] a gente tem que colocar dados da realidade do paciente, é importante para fazer estatística para conhecer quem são os usuários, nessa avaliação estamos tentando cada vez mais aprimorar (S1)‖. Sendo reconhecida a necessidade de ―planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social para subsidiar ações profissionais‖ (CFESS, 1993, Art.4 § VII). A pesquisa é de suma importância para a construção de propostas de trabalho, não pode ser vista como ―um luxo intelectual, é uma necessidade de realização consequente da profissão, mas condição de possibilidade de rupturas com atitudes e práticas voluntaristas, tópicas e impensadas‖ (PEREIRA, 2005, p.16).

A documentação no cotidiano de trabalho, também pressupõem, ―[...] a base para a investigação e para o direcionamento do exercício profissional. Longe de se constituir em mera burocracia no cotidiano profissional‖( MIOTO, 2001 apud LIMA; MIOTO; DAL PRÁ, 2007, p.96).

81 A alta hospitalar é outra demanda que precisa ser refletida pela equipe a fim de estabelecer as atribuições dos diversos

profissionais. Parte-se do pressuposto de que a participação do assistente social no acompanhamento dos usuários e/ou família é que vai indicar se há demanda para intervenção direta do profissional no processo de alta(CFESS, 2010, p.48)

Isto porque a documentação está em constante movimento e a sua utilização está vinculada aos objetivos do profissional (de conhecer ou intervir), às exigências do trabalho profissional (atendimento direto em situações singulares, planejamento e gestão, assessoria aos movimentos sociais e organizações populares, ensino e formação profissional), ao arcabouço teórico e ético- político do profissional (MIOTO, 2001 apud LIMA; MIOTO; DAL PRÁ, 2007).

Assim, utilizar documentos enquanto ―meios de trabalho‖ possibilita aos assistentes sociais registrar, sistematizar e avaliar o próprio trabalho profissional, isto é, qualificar o exercício profissional a partir dos atendimentos prestados aos usuários.

Quando questionados sobre quais instrumentos e técnicas são utilizados para realizar as ações profissionais, os assistentes sociais, evidenciaram à elaboração de avaliação social82 e uso da técnica de entrevista83. Os extratos descritos pelos participantes identificam os elementos sistematizados: ―o que a instituição requisita é fazer a entrevista e a avaliação social no primeiro atendimento, ver de exames, consultas, ver motivo de falta de paciente no serviço‖(S2) e ―[...] o que eu mais uso é avaliação social‖ (S1).

Considerando que a instrumentalidade de trabalho não se resume ao conjunto de instrumentos e técnicas, ou seja, conforme Guerra (2000) define a capacidade ou a propriedade que adquire na medida em que vai concretizando seus objetivos. É através dessa capacidade que os profissionais, por meio do exercício profissional conseguem modificar, transformar e alterar as condições objetivas e subjetivas bem como as relações sociais e interpessoais existentes no cotidiano. No trabalho do/a assistente social, a materialização do instrumental determina ir além das condições de trabalho ter clareza ético-política e ter domínio teórico- metodológico, que desarticulada das demais dimensões, contribui para a despolitização e fragmentação do trabalho profissional, levando a valorização da ―técnica pela técnica‖. Portanto, a dimensão técnico- operativa consiste no conjunto de conhecimentos, habilidades, atribuições, competências e compromissos necessários a realização dos processos de trabalho em que se inserem os assistentes sociais, em qualquer espaço ou âmbito de atuação onde é realizado.

Ao que se referem os desafios profissionais, assinalam-se as condições de trabalho dos assistentes sociais no contexto enfatizado, visto que nestes destacaram-se elementos como:

82 As avaliações socioeconômicas dos usuários têm por objetivo ser um meio que possibilite a mobilização dos mesmos

para a garantia de direitos e não um ―instrumento que impeça o acesso aos serviços, ou seja, deve-se buscar evitar que a avaliação socioeconômica funcione como critério de elegibilidade e/ou seletividade estrutural, ainda que considerando os limites institucionais‖ (CFESS, 2010, p.43).

83 A entrevista é uma técnica investigativa que, ―por meio de informações extraídas diretamente da realidade, mas a sua

preparação, em grande medida, dependeu de conhecimentos indiretos sobre vários temas que nos habilitaram a realizá- la‖ (GUERRA, 2009, p.14).

exigência de polivalência, funções atribuídas e a caracterização de um trabalho intelectual cansativo, rotineiro e burocrático nas relações cotidianas. Assim, as respostas comunicam múltiplas percepções, significados e elaborações referentes ao cotidiano84 de trabalho. Nessa análise tais elementos sistematizados representam um modelo de organização do trabalho voltado aos tempos de reestruturação produtiva. 85

[...] às vezes a gente está tão cansado, às vezes a gente não consegue escutar tudo e nem ele (usuário), tem dias que você faz 20, 30 atendimentos(S1).

[...] porque eu acho assim, quando a gente vai para uma instituição, as vezes que a gente acaba fazendo coisas que nem é da nossa área (S1).

Ele é bem cansativo, tem dias assim que é muita coisa, por isso que eu digo se for analisar 30 dias do teu trabalho, tem dias que você atende quarenta pessoas daí tem dias que você atende dez pessoas (S1).

[...] não é um serviço que exige esforço físico, mas intelectual, você sempre está realizando as mesmas orientações, é repetitivo, isso acaba cansado, sempre são as mesmas demandas, então parece um trabalho que dura 8 horas diárias não 6 horas (S1) Neste contexto de ―reconfigurações‖ sobre o mundo do trabalho, é possível perceber que ―o trabalho dos/as assistentes sociais se efetiva na elação contraditória entre condição de trabalhador assalariado e o projeto ético-político profissional, cujo dilema reside numa dupla dimensão‖ (IAMAMOTO, 2008). Assim, ao sustentar sua condição de trabalhador assalariado, compreende-se que ―os assistentes sociais se submetem ao poder e condições sociais concretas ofertadas pelas instituições empregadoras‖ (SILVA, 2014, p.119). Por outro lado este profissional possui bagagem teórica para realizar mediações cotidianas viabilizando a defesa do projeto profissional frente ao mundo contemporâneo do trabalho, sendo indispensável ao assistente social reconhecer limites e possibilidades em seu exercício profissional.

Ainda ressalta-se, na medida em que os desafios profissionais são reflexos do agravamento das múltiplas expressões da questão social, a necessidade aperfeiçoamento intelectual86 deve ser um compromisso ético político do assistente social, conforme relatado nas seguintes falas: ―Principalmente na área da saúde que está sempre evoluindo, você precisa estar acompanhando essa demanda para poder suprir as necessidades do paciente (S2) e ― Cada dia um novo desafio, que

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Segundo Netto (2005, p.51) é na vida cotidiana que ―se consolidam, se perpetuam ou se transformam, no mundo moderno, as condições de vida mais amplas. E é nela e sobre que realizamos nossa prática. Muitas vezes, buscamos nosso referencial de ação nas complexas relações sociais de reprodução e dominação ignorando o cotidiano como palco onde estas mesmas relações se concretizam e se afirmam‖.

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Para Alves (2007) a reestruturação produtiva ―captura‖ a subjetividade do trabalho, que é indispensável para o funcionamento dos dispositivos organizacionais do toyotismo (just-in-time) pois, o capital precisa do envolvimento do trabalhador. Ainda, ressalta-se ―As flutuações da gestão do trabalho exigem disponibilidade dos trabalhadores para desterritorialização (que requer atender demandas requisitadas ou solucionar problemas por meio das redes informatiza da independente de horário regulado ou espaço físico), rotatividade e ocupações com prolongadas jornadas de trabalho, etc‖ (SILVA, 2014, p.63-64).

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Enquanto 10º princípio ético do Código de Ética da profissão, se tem ―o compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional‖(CFESS,2011)

demanda desse profissional se aperfeiçoar, estudando, buscar material para se atualizar e que também traz muitos ensinamentos a cada dia. Cada dia é um dia diferente, você nunca sabe a demanda que vai aparece‖ (S2). Conforme Netto(1999) é fundamental a ênfase numa formação acadêmica qualificada, fundada em concepções teórico metodológicas críticas e sólidas, capazes de viabilizar uma análise concreta da realidade social – formação que deve abrir a via à preocupação com a (auto) formação permanente estimular uma constante preocupação investigativa.

Considerando que as possibilidades estão dadas na realidade, ―mas não são automaticamente transformadas em alternativas profissionais. Cabe aos profissionais apropriarem-se dessas possibilidades e, como sujeitos, desenvolvê-las transformando-as em projetos e frentes de trabalho‖ (IAMAMOTO, 2012, p.21). Entende-se que o Serviço Social tem sido reconhecido neste espaço sócio-ocupacional ao ser enfatizada uma ―visibilidade‖ da profissão, a partir do movimento da categoria profissional em buscar seu ―lugar‖ no contexto institucional através de práticas educativas de ensino para se discutir os processos consecutivos de seu trabalho, o que pode ser visualizado na fala a seguir:

[...] antes a equipe de serviço social não era unida, estávamos divididos em setores e sem articulação, contudo, está mais visível o serviço social na instituição tanto que estamos construindo seminários e jornadas que nunca foram discutidos, o que também está levando o nome do hospital (S1)

Evidencia-se, portanto, outra possibilidade no trabalho profissional que inicialmente surgem da compreensão enquanto categoria instrumental, a mediação, sistematizada pelas seguintes falas: ―o assistente social na verdade é aquele que vai ligar o usuário com outros profissionais [...] faz a ligação com o usuário para que seus direitos sejam efetivados‖ (S2). No entanto, as mediações compreendem o próprio trabalho, na medida em que ―[...] procura apreender o fenômeno na articulação de relações com os demais fenômenos e no conjunto das manifestações daquela realidade da qual ele faz parte, seja como fenômeno essencial ou não‖ (PRATES, 2005, p. 138).

Esta categoria dialética também pode assumir caráter político na luta dos melhores condições de trabalho dos assistentes sociais, assim, ―o trabalho profissional na perspectiva do projeto ético‑politico, exige um sujeito profissional qualificado capaz de realizar um trabalho complexo social e coletivo, que tenha competência para propor, negociar com os empregadores privados ou públicos‖ (RAICHELIS, 2011, p.427). Para tanto, a defesa do projeto ético político do Serviço Social, também apresenta como premissa ―articular-se com os segmentos de outras categorias profissionais que compartilham de propostas similares e, notadamente, com os movimentos que se solidarizam com a luta geral dos trabalhadores‖ (NETTO, 1999, p.16).

CONSIDERAÇOES FINAIS

Este Trabalho de Conclusão de Curso teve como objetivo evidenciar e analisar as contribuições do trabalho do/a assistente social no Centro de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) de Ijuí- RS, a fim de dar visibilidade ao trabalho realizado para a efetivação dos direitos sociais dos usuários. Sua realização foi motivada pela experiência de Estágios Supervisionados em Serviço Social I, II, e III neste espaço sócio-ocupacional, no período de Março de 2013 à Junho de 2014, os quais contribuíram para o interesse no tema da pesquisa.

Desta forma, o problema que orientou a realização da pesquisa foi: ―Como o trabalho do/a

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