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O Custo do Pastejo

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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.3 O Custo do Pastejo

Aspectos correlatos a relação benefício-custo das diversas variedades de forragens para fins do dimensionamento da base alimentar para pecuária devem ser ponderados. Acredita-se que a evolução no caminho do melhoramento das forragens, seja no sentido da qualidade nutricional e/ou adaptabilidade operacional, com conseqüente aumento da produção de massa verde. Aonde estes ganhos venham acompanhados da elevação das despesas de implantação e manutenção destas pastagens, no entanto, as mesmas estariam criando possibilidade do aumento da quantidade de animais por área, melhorando a produtividade e

tendo como conseqüência a geração de maior volume financeiro resultante, mantendo a relação benefício-custo satisfatória.

Há de se conhecer as comparações entre o volume de dinheiro colocado a disposição do negócio, para aquisição de maior quantidade de adubo, sementes mais caras, manejo mais apurado e maior imobilização com animais, já que o sistema permitiria maior carga animal. Sistemas de pastagens menos eficientes na capacidade de suportar maior carga animal, poderá ter a relação benefício-custo satisfatória, já que as diversas imobilizações foram menos solicitadas. A apuração financeira de um negócio pecuário com este perfil deverá ter menor volume de dinheiro, o que obrigatoriamente não tem nada haver com o lucro, nem com a relação benefício-custo e muito menos com estratégia e nível tecnológico da atividade.

Considerações também podem ser feitas com relação ao custo destas pastagens (as com mais e as com menos despesas), ou melhor, o custo da tonelada do capim produzido por estas pastagens, que em linhas gerais deverá estar muito próximo uma da outra, o diferencial deverá ser a quantidade de suportar animais por área. Maiores investimentos em insumos, maior produção, menores investimentos em insumos, menor produção, no entanto, o custo do produto final (tonelada de capim produzido) deverá ser próximo um do outro, já que o custo de produção da tonelada de capim produzido em uma pastagem deverá ser o valor resultante entre o volume financeiro investido na área, dividido pelo volume em toneladas produzido.

A princípio, pode-se entender que maior imobilização financeira em uma pastagem (respeitando o limite fisiológico das plantas), levaria a maior produção de capim. Menor imobilização financeira em uma pastagem, menor seria a produção de capim, criando possibilidades na equiparação no custo final da tonelada de capim produzido nas duas formas. Caso contrário, não seria econômico imobilizar maior capital em pastagens melhoradas. Ou seja, a utilização de alta tecnologia em pastagens, obrigatoriamente tem que possibilitar o aumento da carga animal em uma determinada área, sem aumentar custo de produção (apesar do aumento das despesas), caso contrário esta melhora tecnológica seria invalidada pelo viés econômico. Estes pressupostos podem ser visualizados na Figura 3.

Para fim de obtenção do custo da forragem por momento de seu pastejo foi utilizado modelo de estrutura de orçamento de custos para seis tipos de forrageiras (Coast cross, Tanzânia, Mombaça, Braquiária decumbens, Braquiária brizantha e Setária) proposta por Resende (2005), devendo ser ressaltado que este modelo de orçamento se assemelha a outros existentes, que também poderiam ser utilizados neste trabalho.

As variedades de forrageiras orçadas se diferenciavam pela capacidade esperada de produção de matéria seca (MS), respectivamente: 25, 20, 20, 14, 14 e 14 toneladas por hectare por ano. Os volumes projetados de produção de MS eram esperados devido a capacidade diferenciada das plantas em produzir massa verde, quando aliados as devidas correções de exigências nutricionais, atendidas as necessidades hídricas dentro da normalidade e as quantidades necessárias de horas de calor para o desenvolvimento das plantas.

Outro princípio também deve reger as produções esperadas, que é a necessidade de maiores quantidades de insumos. Quanto maior for a produção esperada, seguindo a lógica, ou forrageiras mais produtivas seriam também mais exigentes, conseqüentemente necessitariam de maior imobilização de capital para sua implantação e manutenção. Maior imobilização de capital necessariamente não deve significar que, forrageiras mais produtivas custem mais caros do que forrageiras menos produtivas. Teoricamente, em condições produtivas idênticas as maiores imobilizações seriam diluídas pelas maiores produções, assim como as forrageiras menos exigentes teriam produções menores, desta forma, o custo final que seria mensurado em forma de custo da tonelada de MS ou mesmo por tonelada de matéria verde ou original, deveria ser parecido. O diferencial em se usar forrageiras melhoradas ou mais produtivas, deverá acontecer pela maior capacidade de alimentar ou suportar animais em

uma mesma área, seria o chamado ganho de escala. Na Tabela 12 pode ser verificado o efeito dos custos parecidos.

Tabela 12 – Custo da tonelada de MS em seis forrageiras.

Forrageira R$/ha t/MS/ano R$/t/MS

Coast cross 1.261,40 25 50,46 Tanzânia 984,23 20 49,23 Mombaça 984,63 20 49,23 B.brizantha 734,03 14 52,43 Setária 729,89 14 52,14 B.decumbens 713,93 14 51,00 Média 50,75

Fonte: Adaptado de Resende, valores para junho de 2010.

Por esta mesma linha de pensamento, poder-se-ia concluir que mesmo as variedades forrageiras não melhoradas ou naturais, podem ser incluídas dentro destes custos, já que não existem parâmetros para definir que custos teriam as forrageiras não melhoradas ou naturais. Como já citado anteriormente, quase 18,7% do território brasileiro é composto por pastagens, uma das maiores áreas de pastagens do planeta. Desses, 36,1% são de pastagens não melhoradas ou naturais e não atribuir custos a esta imensa base alimentar dos bovinos brasileiros, poderá levar a vários setores do agronegócio da carne bovina a entender que os pecuaristas representam a etapa desse negócio, que pode suportar todas as flutuações provocadas pelo mercado.

As pastagens compostas por forrageiras nativas ou naturais têm situação conhecida e regular no tocante a sua capacidade de suporte, ou seja, devido as condições naturais de estabelecimento e tipo não melhorado de forrageiras, as mesmas têm baixa capacidade de suporte para bovinos quando comparada a sistema de produção tecnicamente racionalizado. Este fato é devido a baixa produção de forragens desses campos nativos, portanto, mesmo com baixa imobilização ou aparentemente nenhuma imobilização de capital, as pastagens nativas também responderiam com baixa produção de MS, no entanto, a princípio, os custos poderiam ser semelhantes a pastagens implantadas, já que o balizador dos custos deverá estar localizado na produção de MS por área e não na imobilização de capital para implantação da mesma, a diferença estaria na capacidade de suportar bovinos por hectare de pastagem implantada ou o chamado ganho de escala (produtividade).

Esta teoria também poderia levar a uma visão diferenciada do que seria a relação benefício-custo percebida na fisiologia dos animais e das plantas, em comparação com a relação benefício-custo desta teoria. Os animais e as plantas respondem ao incremento de suas produções com tendência exponencial, ou seja, ao se incrementar de forma indiscriminada a alimentação dos animais ou a disponibilização de nutrientes para as plantas, a curva resultante do crescimento fisiológico quando comparada aos custos destes incrementos, deverá atingir um ápice, seguida de estabilização e queda em relação ao aumento dos custos desses incrementos. Na teoria proposta não está em discussão a fisiologia dos campos de pastagens, mas sim a imobilização de capitais para estabelecimento de áreas destinadas ao pastejo dos bovinos, onde o respeito fisiológico, econômico e ambiental ao limite produtivo desses campos já foram estabelecidos.

A proposição desta linha teórica tem a finalidade de criar entendimento que todos os tipos de pastagens, a princípio, teriam custos iguais, a diferença estaria na quantidade de animais suportados por área, já que a relação benefício-custo seria a mesma. Com base na

estrutura de orçamento de custos proposta por Resende (2005), no valor do salário mínimo brasileiro e custos dos insumos em junho de 2010, a tonelada de MS de forragem deverá estar custando ao pecuarista em média de R$50,75. O correspondente em matéria verde (MV), foi baseado em Valadares et al., (2002), que após 599 análises de 62 variedades de forrageiras, encontraram como média 27,73% de MS, com desvio padrão de 8,44 pontos, sendo estabelecido por esse trabalho, a média de 25% MS como referencial para obtenção do valor da tonelada de MV. Com este valor buscou-se segurança no que se refere a média de MS das forrageiras e praticidade de metodologia na obtenção do valor financeiro para a tonelada de MV, estipulada em R$12,69 (+/-25% de R$50,75) para junho de 2010.

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