O artigo 211 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
determina que é dever da União, os Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
oferecer educação para todos os brasileiros, independentemente da idade, raça ou cor,
conforme dito anteriormente.
De acordo com o texto constitucional, a União é responsável pelo sistema
federal de ensino e dos Territórios, além de financiar as instituições de ensino públicas
federais. Os Estados e Distrito Federal exercem o dever de atuar no ensino
fundamental e médio. Os Municípios devem atender a demanda relativa ao ensino
fundamental e a educação infantil.
138136
LIBERATI, Wilson Donizeti. Direito à educação: uma questão de justiça. São Paulo:Malheiros, 2004. p. 236.
137
LIBERATI, Wilson Donizeti. Direito à educação: uma questão de justiça. 138
Wilson Donizeti Liberatti esclarece:
O sistema de competências (pelo menos para o desenvolvimento do ensino fundamental) está proposto no art. 211 da CF. Sabe-se, pela disposição constitucional, que esta competência é concorrente para Municípios e Estados. São eles os desencadeadores e provedores do direito (fundamental) à ―educação‖. Por sua vez, a União atuará, supletivamente, na distribuição de recursos financeiros.139
De acordo com o artigo 208 da Constituição Federativa da Republica do
Brasil de 1988:
O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I – ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria;
II – progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV – educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até cinco (05) anos de idade (grifo nosso) [...].140
Está evidenciado que o artigo 208 da Constituição da Republica
Federativa do Brasil de 1988 ―especifica as garantias que incumbem ao Estado o
adimplemento do dever de promover e incentivar a educação‖.
141Além disso, tal
atividade é de competência do município, que deverá contar com a cooperação técnica
e financeira dos Estados e da União para situações especificas, baseado no art. 30 e
incisos V, VI, VII da CRFB de 1988.
142Nesse sentido:
[...] O prefeito salientou a importância da creche para o bairro. ―Sabemos que a creche é fundamental para o pai e a mãe que trabalha fora. Com esse novo prédio estamos oferecendo mais estrutura para atender as famílias da região do Tombadouro, não pelo serviço e pelo carinho que é oferecido pela Associação, que sei que já é excelente, mas pelo espaço físico que é bem melhor‖, argumenta.143
139
LIBERATI, Wilson Donizeti. Direito à educação: uma questão de justiça. São Paulo:Malheiros, 2004. p. 213.
140
BRASIL. Constituição de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 12 de outubro de 2009.
141
CENEVIVA, Walter. Direito Constitucional Brasileiro. 3. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 407. 142
SILVA, Moacyr Motta da. A tutela jurisdicional dos direitos da criança e do adolescente. São Paulo: LTr, 1998. p. 128.
143
BUENO, Sirlene Virgílio. Populares e autoridades prestigiam inauguração da creche de Tombadouro. Disponível em: < http://www.indaiatuba.sp.gov.br/gabinete/imprensa/noticias/9559/>. Acesso em: 24 de outubro de 2009.
Apesar da obrigação do município em oferecer vagas em creches para
crianças, o Poder Público não consegue assegurar vagas para todos os infantes e por
causa disso, o Município de Florianópolis instituiu a Portaria nº 079/2009
144, que seria
uma forma de
―filtrar‖ as inscrições nas creches municipais e analisar cada caso,
concedendo as vagas para as famílias que estiverem de acordo com os requisitos
estipulados pela Secretaria Municipal de Educação.
144
4 A GARANTIA DO DIREITO À VAGA EM CRECHE
O direito de crianças a vagas em creche é considerado fundamental, previsto
na Constituição Federativa na Republica do Brasil de 1988 e também determinado pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente
– Lei 8.069/90, conforme constatado no
desenvolvimento do segundo capítulo.
Apesar da previsão legal, a realidade apresentada no país é bem diferente,
tendo em vista que o ―direito à creche‖ não está assegurado nas instituições. A
realidade é que faltam vagas nas instituições de ensino municipais, ou seja, milhares de
crianças estão com seu direito violado
145.
Neste sentido, Elaine Granconato:
A administração contesta o déficit de vagas apontado na ação civil pública interposta pelo Ministério Público. Em 2007, 8.350 estariam fora da escola. A Prefeitura aponta 3.125 crianças hoje na fila de espera. Os próprios conselheiros tutelares confirmaram o déficit em torno de 8.000 para os pais. "Todo pedido que entra para vagas em creches encaminhamos diretamente para a Prefeitura (Secretaria de Educação), que tem o controle da lista de espera. Hoje, gira em torno de 8,000", afirmou a conselheira Maria do Socorro da Silva.146
Primeiramente, os pais devem dirigir-se até a creche municipal mais próxima
de sua residência ou local de trabalho e realizar a inscrição da criança na respectiva
instituição.
A respeito do assunto, Elaine Gancronato apresenta:
"Nunca bateram na minha porta", desabafou a cabeleireira Michele Ferreira da Silva, 21 anos, moradora no Jardim Arco Íris, que inscreveu a filha de 3 anos na creche do bairro. O protocolo é do dia 5 de junho de 2008. Além de Michele, apenas a avó de outra criança mantinha um número de protocolo passado pela instituição. As outras mães entrevistadas pelo Diário afirmaram não ter recebido nada das escolas que comprovasse o pedido. "Nem o nome anotaram", acusou a auxiliar de limpeza Maria Aparecida Araújo de Carvalho, 23, do Jardim Casa
145
GRANCONATO, Elaine. Pais reclamam da falta de vaga em creche em Diadema. Disponível em: <http://home.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=1&id=5769645>. Acesso em: 19 de outubro de 2009.
146
Grande, que em março de 2008 bateu na porta da creche em busca de vagas para a filha de 3 anos. "Ganho salário-mínimo e pago R$ 250 de aluguel, como posso pagar uma escolinha", indagou, ao acrescentar que voltou neste ano novamente. O conselheiro Fábio Cássio Alves reforçou a necessidade de ver qual órgão estaria falhando ao não emitir o comprovante às famílias. "Aqui apenas encaminhamos os pedidos. Cobrar vagas desculpem, mas é obrigação da Prefeitura", argumentou.147
Ressalta-se que este procedimento tem que ser iniciado no final do mês de
outubro, pois todas as fichas de matriculas são encaminhadas para uma comissão
analisá-las, conforme os critérios estabelecidos pela Portaria 070/2009 da Secretaria
Municipal de Educação de Florianópolis/SC
148.
A comissão analisa cada ficha de inscrição e após alguns dias, a listagem
das crianças ―contempladas‖ estará afixada no mural de cada creche municipal, das
suas respectivas regiões
149.
Caso os genitores verifiquem que a criança não foi contemplada, estes
devem procurar o Conselho Tutelar para garantir o direito a creche, conforme a
seguinte informação:
Precisando trabalhar e sem ter com quem deixar o filha de pouco mais de um ano, uma mãe residente na Vila Luiza, recorreu a Uirapuru apelando por uma creche, pois a mesma está há dois meses procurando vaga e não consegue. Ela alega que não tem condições de pagar uma creche particular. Em contato com o setor pedagógico da Secretaria de Educação, fomos informados que no bairro não há creche municipal e nesse caso específico a mãe deve procurar o Conselho Tutelar para garantir o direito a vaga em alguma creche da cidade.150
As providências adotadas pelo Conselho Tutelar serão descritas a seguir.
147
GRANCONATO, Elaine. Pais reclamam da falta de vaga em creche em Diadema. Disponível em: <http://home.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=1&id=5769645>. Acesso em 19 outubro 2009. 148 Portaria 079/2009 - anexo. 149 Portaria 079/2009 - anexo. 150
UIRAPURU, Rádio. Falta de vaga em creche pública: mãe busca garantir o direito do filho.
Disponível em: < http://www.rduirapuru.com.br/?menu=noticialer&id=3436>. Acesso em: 19 de outubro de 2009.