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B) Discussão

2. Conhecimento do demais invocado na apelação da Ré:

2.1. Dos pressupostos do despedimento:

2.1.1. O direito do caso

consequentes), não lhe competindo substituir-se ao empregador e vir a

concluir pela improcedência do despedimento, por entender que deveriam ter sido outras as medidas a tomar perante os motivos económicos invocados.

Tal não ilide, todavia, o dever, acima apontado, que incumbe ao tribunal relativamente quer ao controlo da veracidade dos motivos invocados para o despedimento, quer à verificação quanto à existência de nexo de causalidade entre os motivos invocados pelo empregador e o despedimento, de modo a que se possa concluir, segundo juízos de razoabilidade, que tais motivos são

adequados a justificar a decisão de redução de pessoal. (...)” (fim de citação).

Teremos ainda de ter presente, como aliás o tem afirmado de modo

persistente a jurisprudência[21], que incumbe nestes casos ao trabalhador alegar e provar a relação laboral e o despedimento, recaindo por sua vez sobre a entidade empregadora o ónus de alegar e provar os factos

justificativos desse despedimento que se consideram susceptíveis de

determinar a impossibilidade da subsistência da relação de trabalho, sendo que, do mesmo modo, como se avançou já aquando da apreciação do recurso sobre a matéria de facto, que, sendo nestas situações a ilicitude do

despedimento necessariamente declarada por tribunal judicial em ação intentada pelo trabalhador, nesta acção “o empregador apenas pode invocar factos e fundamentos constantes da decisão de despedimento comunicada ao trabalhador” (artigo 387.º n.º s 1 e 3, do CT). “Daí que, para efeito de

apreciação dos fundamentos da alegada extinção do posto de trabalho, “o Tribunal esteja adstrito aos factos que foram invocados pelo empregador no procedimento como motivadores da extinção de posto de trabalho”[22].

Uma última nota se deixa, ainda no âmbito da apreciação da licitude ou ilicitude do despedimento, a propósito dos critérios estabelecidos no n.º 2 do artigo 368.º do CT[23], no sentido de que, como resulta claramente do

preceito, «“os critérios de seleção são sucessivos e hierarquizados, “existe uma ordem legal de precedência para o despedimento” [24], isto é, só é aplicável o critério seguinte se o anterior não se verificar ou se os

trabalhadores visados reunirem os mesmos requisitos relativamente a essa regra.»[25]

porventura – e não é o caso, como se verá infra – se demonstrasse serem fundados os motivos que invocou para a extinção do posto de trabalho do Autor, constata-se que, como se provou – facto aliás não impugnado pela Recorrente em sede de recurso sobre a matéria de facto, como ainda, acrescente-se, face às suas conclusões, em sede do direito –, “não fez comunicações e nem recolheu pareceres de entidades sindicais”, do que

resulta, afinal, que não deu ela cumprimento integral ao que se dispõe no n.º 1 do artigo 369.º do Código do Trabalho (CT), comunicando, por escrito, à

comissão de trabalhadores ou, na sua falta, à comissão intersindical ou comissão sindical, o que nesse se dispõe, para os efeitos do disposto do seu artigo 370.º, sendo que, como se viu anteriormente, resulta da alínea c) do artigo 384.º, do mesmo Código, que “O despedimento por extinção de posto de trabalho é ainda ilícito se o empregador: (...) c) Não tiver feito as

comunicações previstas no artigo 369.º”.

Ou seja, como aliás salienta o Apelado nas suas contra-alegações, bem como o Exmo. Procurador-Geral Adjunto no seu parecer, ao não impugnar a

Recorrente no recurso este motivo cominado por lei com a declaração de ilicitude do despedimento – que se constata ter assento na factualidade provada –, daí decorre, necessariamente, a improcedência do seu recurso na parte em que visa defender a licitude do despedimento que operou, ainda que, como se disse, lhe assistisse qualquer razão nos fundamentos que invoca.

Mas um outro fundamento ocorre que, do mesmo modo, afecta a licitude do despedimento do Autor.

É que, ainda que nos cumpra, como se disse anteriormente, não desrespeitar os critérios de gestão da empresa, na medida em que sejam razoáveis e

consequentes – não nos competindo assim substituirmo-nos à Recorrente como empregadora e vir a concluir pela improcedência do despedimento, por entendermos que deveriam ter sido outras as medidas a tomar perante os motivos económicos invocados –, já é competência do Tribunal efectuar quer o controlo da veracidade dos motivos invocados para o despedimento, quer à verificação quanto à existência de nexo de causalidade entre esses motivos e o despedimento, de modo a que se possamos concluir, segundo juízos de

razoabilidade, se esses (motivos) se mostram adequados a justificar a decisão de despedimento.

Ora, neste âmbito, relembrando que a análise terá de ser efectuada por

referência ao que se fez constar da decisão de despedimento, têm fundamento as afirmações do Tribunal a quo, supra citadas – e para onde se remete –, sobre não se ter demonstrado quer a autonomização da Ré em relação à F...

quer, também, que tenha ocorrido renovação tecnológica no seio da fábrica da ré que tenha conduzido à introdução de novos equipamentos e de novos

processos produtivos e, como consequência disso, a uma diminuição do

número de máquinas e equipamentos a operar na referida fábrica – como aí se refere, poderia esta diminuição decorrer, quanto muito, de “uma quebra

acentuada da produção por força da diminuição da procura dos produtos produzidos pela ré”. Não será de mais recordar, de novo, face à insistência da Recorrente em apresentar novos argumentos – mesmo em sede recursiva, incluindo na reapreciação da matéria de facto, como que procurando introduzir factos que, na sua óptica, permitiriam justificar a decisão de

despedimento, afastando os argumentos utilizados na decisão recorrida –, que é por referência aos concretos motivos invocados na decisão de despedimento por extinção do posto de trabalho que a apreciação da licitude ou ilicitude dessa decisão terá de ser realizada, sendo que se outros havia, esses teriam de ter sido expressamente invocados nessa decisão, como se exige nas normas legais supra citadas, de tal modo que o procedimento legalmente estabelecido se tivesse por fundadamente cumprido, justificando, se assim fosse, a causa objectiva invocada para o despedimento, assim de extinção do posto de trabalho do Autor.

O que se disse anteriormente aplica-se do mesmo modo à questão a que alude o Tribunal a quo de não terem sido respeitados os critérios para a selecção do posto de trabalho a extinguir. De facto, tendo a decisão de despedimento e antes dela a comunicação da intenção de extinção do posto de trabalho do autor considerado que desde 2012 já só havia um posto de trabalho e um trabalhador na manutenção mecânica da ré – sendo o posto de trabalho do autor meramente formal, sendo que o outro trabalhador, D..., desempenha as funções inerentes à categoria profissional de Chefia Nível IV, cujo conteúdo funcional, para além das funções da categoria do autor, incluem ainda as tarefas inerentes à gestão dos processos de manutenção –, considera-se

porém, como se refere na sentença – para onde se remete mais uma vez –, que efectiavamente os postos de trabalho do Autor e do trabalhador D... têm

materialmente o mesmo conteúdo funcional – sem que o posto de trabalho do autor tenha sido, na realidade, extinto –, existindo assim pois postos de

trabalho de conteúdo funcional idêntico na manutenção mecânica da Ré e que, por isso, a mesma tinha que respeitar os critérios de seleção do posto de

trabalho a extinguir previstos no artigo 368.º, n.º 2, do Código do Trabalho, pela ordem aí indicada, o que não fez, pois que da comunicação da intenção de extinguir o posto de trabalho do autor e da decisão de despedimento não

consta a referência a qualquer daqueles critérios, razão pela qual, também por esta razão, tal se reconduzem afirmada ilicitude do despedimento.

Conclui-se pois, tal como o fez o Tribunal a quo, pela declaração de ilicitude do despedimento determinado pela Ré/recorrente, com as consequências

decorrentes desta afirmação, assim, por referência à sentença – o que a Recorrente não questiona em sede de recurso –, por aplicação do regime previsto nos artigos 389.º, n.º 1, 390.º, n.ºs 1 e n.º 2, do CT/2009.

No entanto, como aí se refere, o apuramento dos montantes devidos implica a decisão de duas outras questões relacionadas, ou seja a fixação da antiguidade do autor e a sua retribuição, as quais, sendo objecto do recurso interposto, passaremos a analisar de seguida.