CAPÍTULO 01 ASPECTOS DA HISTÓRIA SOCIAL DA INFÂNCIA NO BRASIL
1.4 O Período do Direito do Menor
1.4.1 O Direito do Menor
Embora a idéia de menoridade tenha suas raízes no Brasil imperial, a sua consolidação jurídica será representada pela edição do primeiro Código de Menores, Decreto no 17.934-A, de 12 de outubro de 1927. O Código foi elaborado por uma
comissão de juristas liderados pelo então Juiz de Menores do Rio de Janeiro, José Cândido de Mello Mattos. Símbolo da cultura menorista produzida desde o início do século, procurou consolidar todas as legislações relativas à menoridade e também ao trabalho de menores como pode ser observado no capítulo IX, estabelecendo a idade mínima para o trabalho em doze anos, a proibição do trabalho nas minas e de trabalho noturno aos menores de dezoito anos e na praça pública aos menores de quatorze anos, dentre outras limitações.79
O Código de Menores de 1927 conseguiu corporificar leis e decretos que, desde 1902, propunham-se a aprovar um mecanismo legal que desse especial relevo à questão do “menor”. De acordo com VERONESE, “O Código de Menores veio alterar e substituir concepções obsoletas como as de discernimento, culpabilidade, penalidade, responsabilidade, pátrio poder, passando a assumir a assistência ao menor de idade sob a perspectiva educacional.”80
A preocupação com o desenvolvimento da criança foi elevada a tal grau de importância que a violação dos dispositivos de proteção ao trabalho do “menor” ocasionavam a imposição de multas e, havendo reincidência, até a imposição de
78 ______. Decreto n. 17.934-A, de 12 de outubro de 1927. Coleção de Leis do Brasil, Poder
Executivo, Rio de Janeiro, v. 2, p. 476, c. 1, 31 dez. 1927.
79 MORAES FILHO, Evaristo de, MORAES, Antônio Carlos Flores de. Introdução ao Direito do
Trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, 1993, p. 88.
80 VERONESE, Josiane Rose Petry. Os direitos da criança e do adolescente. São Paulo: LTr, 1999, p.
prisão celular de oito dias a treze meses, conforme o art. 110 do novo Código. Segundo CORRÊA:
No Brasil, o que se decretou foi um Código de Menores, em 1927, do qual constava a proibição do trabalho de crianças até 12 anos e sua impunidade até os 14 anos. Dos 14 aos 18 anos, as crianças poderiam ser internadas em ‘estabelecimentos especiais’ e dos 18 anos em diante seriam puníveis pelos crimes cometidos. As crianças da categoria dos 14 aos 18 anos, desde então numa espécie de limbo legal, serão transformadas em menores, e os estabelecimentos especiais destinados a elas, bem como os agentes sociais que delas deveriam se encarregar, passar a ser objeto da atenção de médicos e juristas, de psicólogos e pedagogos.81
No citado Código de Menores, seu art. 1o definiu que: “o menor, de um ou
outro sexo, abandonado, ou delinqüente, que tiver menos de 18 anos de idade, será submetido pela autoridade competente às medidas de assistência e proteção contidas neste Código”. Constata-se que as medidas eram destinadas apenas àqueles que fossem abandonados ou delinqüentes e, assim, a atribuição do Estado seria a assistência e a proteção daqueles que assim se encontrassem.
O art. 26 do Código de Menores definia o conceito de menor abandonado envolvendo os menores de 18 anos que, entre outras características apontadas, seriam, segundo o inciso V, aqueles “que se encontrem em estado habitual de vadiagem, mendicância ou libertinagem”.
Sendo a vadiagem e a mendicância socialmente reprováveis, a resposta estatal era a assistência que envolvia, também, a formação ou o desenvolvimento de atividade laboral. Havia, inclusive, o interesse na proteção dos jovens, por isso, o inciso VII, “c” do art. 26, também caracterizava como menores, os “empregados em ocupações proibidas ou manifestamente contrárias à moral e aos bons costumes, ou que lhes ponham em risco a vida e a saúde”.
No mesmo sentido, o art. 28 fixava quem eram os menores vadios, entendidos como aqueles que “vivem em casa dos pais ou tutor ou guarda, porém se mostram refratários a receber instrução ou entregar-se ao trabalho sério e útil, vagando habitualmente pelas ruas e logradouros públicos”. A responsabilidade dos pais também era ponto de preocupação do Código. O art. 34, inciso II, possibilitava a suspensão do pátrio poder ao pai ou mãe “que deixar o filho em estado de habitual vadiagem, mendicidade, libertinagem, ou tiver excitado, favorecido, produzido o 81 CORRÊA, Mariza. A cidade de menores: uma utopia dos anos 30. In: FREITAS, Marcos Cezar de (Org.). História Social da Infância no Brasil. 2. ed. São Paulo: Cortez/USF, 1999, p. 79-80.
estado em que se achar o filho, ou de qualquer modo tiver concorrido para a perversão deste ou para o tornar alcoólico”.
Entre as medidas aplicáveis aos menores abandonados estavam a assistência e a institucionalização, objetivando fornecer instrução, saúde, profissão, educação e vigilância. Conforme o caso, a autoridade competente poderia determinar que o menor fosse entregue à pessoa idônea ou interná-lo em hospital, asilo, instituto de educação, oficina, escola de preservação ou de reforma.
Segundo PASSETTI, deste modo:
Fechavam-se os trinta primeiros anos da República com um investimento na criança pobre vista como criança potencialmente abandonada e perigosa, a ser atendida pelo Estado. Integrá-la ao mercado de trabalho significava tirá- la da vida delinqüencial, ainda associada aos efeitos da politização anarquista e educá-la com o intuito de incutir-lhe a obediência.82
Com a Revolução de 1930, há uma intensificação quanto à edição de legislações garantidoras dos direitos fundados na anterior regulamentação elaborada nos vários anos de atividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), resultando numa solidificação do tratamento destinado à idade mínima.
Há a ascensão do discurso da educação neste período, especialmente aquela considerada como integral envolvendo aspectos de higiene, moral e trabalho. Para crianças empobrecidas, colocá-las no trabalho também seria uma forma de educação e se este trabalho fosse realizado via institucionalização estatal, estariam se cumprindo os maiores desejos da moralidade estabelecida.
O pano de fundo das práticas jurídicas brasileiras nesta época tinha na institucionalização e no disciplinamento, os caminhos para o efetivo controle social do Estado sobre as individualidades consideradas perigosas. A educação neste contexto serviria como instrumento de controle e vigilância das massas pelo poder centralizador. As instituições de caráter filantrópico desempenhavam papéis considerados relevantes, sob o discurso da assistência aos desamparados; atuavam como instâncias de controle localizado a serviço dos interesses e valores dominantes. A ação política filantrópica e assistencial produziu uma ampla rede institucional de controle, tais como as Escolas de Menores Abandonados e as Escolas de Menores Delinqüentes.
82 PASSETTI, Edson. Crianças carentes e políticas públicas. In: PRIORE, Mary Del (org.). História das
Em 1932, por exemplo, o Decreto n. 22.042, de 03 de novembro, estabelece novas condições para o trabalho de menores na indústria, determinando a idade mínima de quatorze anos e obrigações específicas tais como saber ler, escrever e contar para o exercício de trabalho. O que parecia um avanço para a época, perdia sua consistência nas entrelinhas do texto do decreto, pois o limite de idade mínima poderia ser desconsiderado se provada a necessidade do trabalho para a subsistência individual ou familiar da criança.83
Ora, não era de se esperar que as crianças estivessem trabalhando nas indústrias por mera distração. A necessidade de subsistência foi o fator primordial que levou as crianças ao trabalho nas indústrias. As normas com esse caráter serviam a uma medida muito prática: dar visibilidade internacional, principalmente perante a Organização Internacional do Trabalho, de que algo estaria sendo feito neste campo, mas ao mesmo tempo preservando os interesses dos industriais da época com a manutenção de uma mão-de-obra barata.
Outro aspecto curioso, diz respeito à autorização para as instituições beneficentes utilizarem o trabalho de crianças sem limite de idade mínima para o trabalho, mais uma vez reforçando as práticas de caridade e filantropia como instrumentos de exploração.
Em 1934, o Brasil adotou uma nova Constituição com conteúdo mais social.84 Neste momento seria inaugurada a proteção constitucional contra a
exploração do trabalho infantil no Brasil.
A Constituição determinava em seu art. 121, § 1o, alínea “d” a “proibição
do trabalho a menores de quatorze anos; de trabalho noturno a menores de dezesseis; e em industrias insalubres, a menores de 18 anos[...]”.85 Previsão, por
óbvio, decorrente da ratificação das Convenções nos. 5 e 6 da OIT, realizada no
mesmo ano pelo governo brasileiro.
A Constituição de 1934 também reconheceu a instrução como direito de todos, independentemente da condição social ou econômica, elevando o direito à educação à esfera constitucional, nos seguintes termos:
83 BRASIL. Decreto nº 22.042, de 03 de novembro de 1932. Estabelece as condições de trabalho dos
menores na indústria. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 5, p. 10, 31 dez. 1832.
84 BRASIL. Constituição (1934). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial [da] União, Poder Legislativo, Rio de Janeiro, p. 1. c. 1, 16 jul. 1934.
Art. 149 - A educação é direito de todos e deve ser ministrada pela família e pelos poderes públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e a estrangeiros domiciliados no país, de modo que possibilite eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação, e desenvolva num espírito brasileiro a consciência da solidariedade humana.86
A inspiração social da década de 30 terá curta duração, mas as práticas referentes à filantropia e à assistência institucionalizada continuaram sendo ampliadas e controladas pelo Estado, por meio das subvenções e controle dos regulamentos.87
No período entre 1935 e 1936, são tomadas medidas no direito internacional, quando o país assume compromissos com a garantia dos limites de idade mínima para o trabalho em variados setores de atividade econômica ao ratificar as convenções da Organização Internacional do Trabalho e adotar os princípios de suas respectivas recomendações.88 Também surgem novas formas de
organização do Poder Judiciário, competentes para processar e julgar as infrações às leis de assistência e proteção aos menores.89
No entanto, este seria o período de estabelecimento de um modelo de estado autoritário no Brasil. ARENDT propõe como imagem para o governo
86 Idem, Ibidem.
87 Cf. ______. Decreto nº 24.760, de 14 de julho de 1934. Considera institutos oficiais Casa Maternal
Melo Matos, o Abrigo Infantil Arthur Bernardes e a Casa das Mãezinhas e dá outras providências.
Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 4, p. 1143, 31 dez. 1934.
______. Decreto nº 498, de 13 de dezembro de 1935. Confia ao Patronato de Menores a direção e administração da Divisão Feminina do Instituto Sete de Setembro, a partir de 1 de janeiro de 1936 e dá outras providências. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 3, p. 246, 31 dez. 1935.
88 BRASIL. Decreto nº 423, de 12 de novembro de 1935. Promulga quatro Projetos de Convenção,
aprovados pela Organização Internacional do Trabalho, da Liga das Nações, por ocasião da Conferência de Washington, convocada pelo Governo dos Estados Unidos da América a 29 de outubro de 1919, pelo Brasil adotados, a saber: Convenção relativa ao emprego das mulheres antes e depois do parto; Convenção relativa ao trabalho noturno das mulheres; Convenção que fixa a idade mínima de admissão das crianças nos trabalhos industriais; Convenção relativa ao trabalho noturno das crianças na indústria. Coleção Leis do Brasil, Rio de Janeiro, v. 3, p. 159, 31 dez. 1935.
______. Decreto Legislativo nº 9, de 22 de dezembro de 1935. Ratifica as Convenções elaboradas pela Organização Internacional do Trabalho sobre Idade Mínima de admissão dos menores ao trabalho marítimo. Diário Oficial [da] União, Poder Legislativo, Rio de Janeiro, RJ, 22 dez. 1935. ______. Decreto nº 812, de 12 de maio de 1936. Faz público o depósito de instrumento de ratificação, por parte da Áustria, da Convenção para fixar a idade mínima de admissão de crianças nos trabalhos industriais. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 001, p. 443, 31 dez. 1936. ______. Decreto nº 1.398, de 19 de janeiro de 1937. Promulga a Convenção relativa ao exame médico obrigatório das crianças e menores empregados a bordo dos vapores, firmada por ocasião da 3ª Sessão da Conferencia Geral da Organização Internacional, do Trabalho, reunida em Genebra, a 25 de outubro de 1921. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Rio de Janeiro, p. 2144, 27 jan. 1937.
89 ______. Lei nº 65, de 13 de junho de 1935. Estabelece a competência do juiz de menores do
Distrito Federal para processar e julgar as infrações de leis e regulamentos de assistência e proteção a menores, e dispõe sobre os exames a que devem ser submetidos os menores processados. Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Rio de Janeiro, RJ. v.01, p.169, 31 dez. 1935.
autoritário:
[...] a forma de pirâmide, bem conhecida no pensamento político tradicional. A pirâmide, com efeito, é uma imagem particularmente ajustada a uma estrutura governamental cuja fonte de autoridade jaz externa a si mesmo, porém cuja sede de poder se localiza em seu topo, do qual a autoridade e o poder se filtram para a base de maneira tal que cada camada consecutiva possua alguma autoridade, embora menos que a imediatamente superior e onde, precisamente devido a esse cuidadoso processo de filtragem, todos os níveis desde o topo até à base [...].90
Com estas características Getúlio Vargas institui no Brasil o Estado Novo, outorgando uma Constituição em 10 de novembro de 1937.91 Embora, a inspiração
autoritária trouxesse profundas mudanças institucionais no campo do trabalho, não se observou qualquer alteração nos limites de idade mínima para o trabalho, prevista no art. 137, “k” e também nenhuma medida significativa foi tomada para tornar efetiva a disposição.
Neste contexto, CORRÊIA anota que:
A coincidência entre a política internacional da época e a do Estado Novo se articulou, internamente, a uma série de iniciativas corporativas (dentre as quais da corporação médica são apenas um exemplo) que retomaram e oficializaram tendências que vinham se delineando no cenário nacional desde os anos 20 mas que assumirão, nos anos 30, uma nítida feição de política de Estado. Assim, várias iniciativas no campo da educação, no controle da imigração, no campo do direito do trabalho, na identificação da população civil, que alguns anos antes estavam postas em discussão, nos seus âmbitos específicos, serão como que enfeixadas em propostas mais definidas, e definitivas algumas, nesse momento. A questão da criança, ou do menor, transfiguração rápida de um adjetivo em substantivo nessa mesma época, é mais um exemplo desse movimento geral.92
Em 1938, são criados o Serviço Social de Menores e o Conselho Nacional de Serviço Social.93 No entanto, pouco poderia se esperar numa sociedade em que
até mesmo o direito à educação na Constituição era limitado pelo que se entendia por capacidades individuais, aptidões e tendências vocacionais, ou seja, as idéias racistas e do determinismo biológico continuavam em vigor com muita força.
90 ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 5 ed. São Paulo: Perspectiva, 2005, p. 135.
91 BRASIL. Constituição (1937). Constituição dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial [da] União,
Poder Legislativo, p. 22359, 10 nov. 1937.
92 CORRÊA, Mariza. A cidade de menores: uma utopia dos anos 30. In: FREITAS, Marcos Cezar de (Org.). História Social da Infância no Brasil. 2. ed. São Paulo: Cortez/USF, 1999, p. 79.
93 BRASIL. Decreto-Lei nº 525, de 01 de julho de 1938. Institui o Conselho Nacional de Serviço Social
e fixa as bases da organização do serviço social em todo o país. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 3, p. 1, 31 dez. 1938.
Da mesma forma, o trabalho de crianças constituía regra, mesmo diante da revisão dos compromissos junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT), que concentrava esforços para os países-membros ratificarem suas convenções. Nesta época, as convenções internacionais ainda estavam restritas à proteção das condições especiais de trabalho de acordo com os setores de atividade econômica, como por exemplo, no trabalho marítimo.94
Neste período, segundo MARTINS,
Todo um aparato policial foi edificado no período de modo a coibir atos considerados como vadiagem. Uma vez que a permanência na ociosidade significava a escalada inicial para a vida criminal, e que a vadiagem era tida como um atributo exclusivo dos homens pobres, foi para essa categoria que se voltou toda a preocupação policial, recolhendo às prisões adultos e crianças tidos por indolentes e vadios.95
As instituições de recolhimento, com a livre atuação do sistema policial, reforçaram práticas de segregação e violência contra a população empobrecida, especialmente àquelas à margem dos interesses do sistema capitalista de produção que se afirmava. As instituições “assistenciais” assumiam o caráter de verdadeiros depósitos humanos, mantendo crianças, adultos e idosos indistintamente abandonados por detrás dos muros da caridade, da filantropia e da assistência.96
Com o objetivo de reorganizar as ações institucionais, em 1940, é criado o Departamento Nacional da Criança, vinculado ao Ministério da Educação, com a finalidade de coordenar as atividades relativas à proteção à infância, à maternidade
94 BRASIL. Decreto nº 2.737, de 8 de junho de 1938. Denuncia a Convenção fixando a idade mínima
de admissão de menores no trabalho marítimo, firmada em Gênova, a 9 de julho de 1920, por ocasião da 2ª sessão da Conferência Internacional do Trabalho. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 2, p. 360, 31 dez. 1938.
______. Decreto-Lei nº 480, de 8 de junho de 1938. Aprova a Convenção relativa à admissão de menores no trabalho marítimo, firmada em Genebra a 5 de dezembro de 1936, por ocasião da 22a sessão da Conferência Internacional do Trabalho. Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, v. 002, p. 219, 31 dez. 1938.
______. Decreto nº 3.342, de 30 de novembro de 1938. Promulga a Convenção sobre idade mínima para admissão de menores no trabalho marítimo (revista em 1936), firmada em Genebra, por ocasião da 22ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 4, p. 366, 31 dez. 1938.
95 MARTINS, Silvia Helena Zanirato. Artífices do Ócio: mendigos e vadios em São Paulo (1933 – 1942). Londrina: UEL, 1998, p. 254.
96 Cf. BRASIL. Decreto nº 4.682, de 19 de setembro de 1939. Declara de utilidade pública a “Obra de
Assistência nos Mendigos e Menores Desamparados da Cidade do Rio de Janeiro”. Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, v. 007 p. 012, 31 dez. 1939.
______. Decreto nº 1.797, de 23 de novembro de 1939. Reorganiza o Instituto Sete de Setembro e dá outras providências. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 8, p. 211, 31 dez. 1939.
e à adolescência.97
O desejo de nacionalização das práticas de controle proporciona em 1941, a realização das primeiras conferências nacionais com a finalidade de estabelecer políticas sobre saúde e educação.98 A reorganização da assistência
social também foi uma forma alternativa para legitimar o uso do trabalho infantil pelas próprias instituições, que garantiam condições básicas de alimentação e atendimento em troca do trabalho gratuito de meninos e meninas.99
A ação assistencial contava com a colaboração do Estado que oferecia subvenções, imóveis e recursos para o funcionamento das organizações. Neste ano, o Instituto Sete de Setembro é transformado em Serviço de Assistência aos Menores, alguns dias antes da aprovação da nova lei de introdução ao Código Penal.100
Ainda sob vigência do Código de Mello Mattos, em 1941, a criação do Serviço de Assistência ao Menor visava a amparar socialmente os menores desvalidos e infratores através de atendimento psicossocial, prestado mediante a internação em instituições capazes de recuperar os jovens afastando-os de influências maléficas da sociedade.
A implementação do Serviço de Assistência ao Menor efetivou-se através de uma política nacional centralizadora, resultando num modelo praticamente ineficaz e que, em 1964, foi substituído pela Política Nacional do Bem-Estar do Menor (PNBEM).
Como obra de um conjunto articulado de ações que não desvinculavam as idéias de criminalidade e trabalho, foi aprovada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.
97 ______. Decreto-Lei nº 2.024, de 17 de fevereiro de 1940. Fixa as bases da organização da
proteção à maternidade, à infância e à adolescência em todo o país. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 1, p. 98, 31 dez. 1940.
98 ______. Decreto nº 6.788, de 30 de janeiro de 1941. Convoca a 1ª Conferência Nacional de
Educação e a 1ª Conferência Nacional de Saúde e dá outras providências. Coleção Leis do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, v. 2, p. 156, 31 dez. 1941.
99 Cf. ______. Decreto-Lei nº 3.218, de 28 de abril de 1941. Autoriza a Fundação Darcy Vargas a
contratar com instituições da previdência social a construção e a administração de um restaurante para menores trabalhadores. Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, v. 003, p. 074, 31 dez. 1941.
100 BRASIL. Decreto nº 3.799, de 05 de novembro de 1941. Transforma o Instituto Sete de Setembro
em Serviço de Assistência a Menores e dá outras providências. Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, v. 007, p. 361, 31 dez. 1941.
______. Decreto-Lei nº 3.914, de 09 de dezembro de 1941. Lei de Introdução ao Código Penal. Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, v. 007, p. 612, 31 dez. 1941.
Na mesma época, o governo estabelece os regulamentos da organização do Serviço Social, os cursos de puericultura e especialização de médicos do Departamento Nacional da Criança, com a finalidade de oferecer suporte para formação dos profissionais de educação e saúde para o atendimento especializado que deveria ser oferecido nas instituições.101