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O DIREITO PRUDENCIAL

No documento SebentaAssoc (páginas 42-51)

- importante fonte jurídica relacionada com o trabalho do Direito Romano;

- Direito Romano-prudencial, perdeu um pouco da sua relevância, pois, o Direito Romano é relegado para fonte subsidiária;;

- Opinião Comum dos Doutores (como fonte de direito): critério quantitativo (Baldo);

critério qualitativo (defendida em Portugal pela Escola de comentadores de Bártolo e pelo Humanismo Jurídico);

critério misto ou da maioria qualificada.

- Factores para a vitalidade da cultura jurídica no período de 1415 a 1820: Internos:

• Universidade. Externos:

• pensamento intelectual (do direito em particular): a) Humanismo (mos gallicus, que não mos italicus); b) Racionalismo.

- Humanismo Jurídico:

contestação da metodologia medieval (nomeadamente, lição de Bártolo);

referência de que os juristas medievos haviam deturpado o Direito Romano (que não seria Direito Romano clássico, autêntico);

necessidade de uma restitutio (libertação do Direito Romano de glosemas, interpolações, etc); Restitutio: atitude filológica;

Retorno ao original: coloca-se em causa o Corpus Iuris Civilis, tendente a alcançar o Direito Romano Justineaneu, clássico.

- fraca influência nos juristas lusos. - Racionalismo Jurídico:

século XVIII;

linhas de pensamento:

• Escola Racionalista do Direito Natural; • Usus modernus pandectarum; • Iluminismo.

Escola Racionalista do Direito Natural: • Hugo Grócio e outros juristas;

• Direito Natural (eterno, imutável, baseado na razão humana/recta ratio, respeitado pelo direito positivo. Usus modernus padectarum:

• ajustamento do Direito Romano aplicável à realidade. Iluminismo:

A QUESTÃO DO NOVO CÓDIGO

- morte de D. José I e o afastamento do Marquês do Pombal, fez com que em 1776, D.Maria I nomeasse uma ”Junta de Ministros” para proceder à reforma da legislação vigente:

• 15 elementos;

• verificar a vigência e racionalizar a legislação; • verificar leis antiquadas;

• verificar leis revogadas.

• Verificar leis diversas/contraditórias. - participação de Melo Freire; - Junta de Censura e Revisão; - A censura de Ribeiro dos Santos: adepto do liberalismo;

ideias fundamentais:

• monarquia consensualista e representativa;

• constituição histórica limitada por um direito superior aos Reis e aos povos; • constituição histórica limitada pelos foros tradicionais;

• monismo legalista; • codificação uniformista;

• não considerar o direito romano como subsidiário; • abolicionismo da pena de morte.

- A contradita de Melo Freire:

adepto de um despotismo iluminado;  ideias fundamentais:

• rei não deve o seu poder ao povo; • nada restringe o poder do rei;

• sucessão do rei deverá ser decidida pelas Cortes e não pelos princípios do Direito Público Universal e das Gentes;

• Rei equivale à ideia de Reino; • manutenção da pena de morte;

• não considerar o direito romano como subsidiário.

CODIFICAÇÃO CONSTITUCIONAL DO SÉCULO XIX - 2º período, 2ª fase da História do Direito Português; - Influência da História do constitucionalismo:

 sucessão das constituições escritas (actos adicionais);

alterações e ideias políticas, sociais, económicas (fenómenos sociais/factuais). - Sistema político:

ideia de constituição escrita; monarquia constitucional; separação de poderes; governo representativo;  soberania popular nacional;

liberdade e igualdade de todos os Homens perante a Lei; direitos individuais naturais do Homem e do cidadão. - Constitucionalismo do século XIX:

monopólio da lei (modo de criação do Direito); monopólio do Estado (criador/aplicador do Direito); eliminação do pluralismo da 1ª fase do 1º período - Movimento geral de codificação:

Constituições;

Outros (Código Civil francês de 1804 e Código de Seabra de 1867).

- Evolução cronológica da ideia de “Constituição”, como núcleo de princípios fundamentais da Sociedade (Constituições materiais);

- Caracteres das constituições liberais-formais (Maurice Hariou):

a) fundação efectuada por um poder constituinte (que não um mero poder legislativo); b) especial formalização dos textos constitucionais (que não poder legislativo ordinário); c) estatuto fundamental do Estado.

- Constituições antigas: • processo lento;

• condicionalismos complexos; • contrato entre Soberano e o povo. • visam o Bem Comum.

- Constituições modernas: • processo repentino;

• representação da causa final;

• contrato entre o Soberano e a comunidade (todos os membros). • visam o Bem Comum.

- Origem das principais constituições liberais; - Tipologia das constituições liberais:

a) Constituição americana de 1787 (liberalismo anglo-saxónico):

- conjunto de direitos individuais e naturais que não poderá ser racionalmente reduzido à sociedade (como por exemplo, o direito de propriedade), os quais terão de ter intervenção do Estado;

- difere do constitucionalismo inglês, porque não deu origem a qualquer texto constitucional escrito unificado. b) Constituições de origem francesa (liberalismo provindo originado pela Revolução Francesa):

- “Contrato Social”: os indivíduos são detentores da liberdade (direitos naturais), a qual atribui ao Estado, que a devolve em plena igualdade aos indivíduos;

- 1ª Constituição Francesa: 1791 (…), 1793, (…), 1795, (…), 1799, (…), 1802, (…), 1804 (…), 1814 (…), 1815 (…), 1830 (…), 1848 (…), 1852 (…), 1875 (…), 3ª República;

- 1791, Assembleia Legislativa francesa eleita por sufrágio universal e directo; c) Constituições espanholas (1812/…):

- Influência da constituição francesa;

- Influencia os textos constitucionais liberais portugueses. d) Textos constitucionais portugueses do século XIX:

- Constituição de 1822, com influências da: » Constituição de Cádis de 1812;

» Constituição francesa de 1791; » vigência: 1822/23; 1836/38.

- Carta Constitucional de 1826, com influências da: » Carta Constitucional Brasileira de 1824;

» vigência: 1826/28; 1834/36; 1842/1910. - Constituição de 1838, com influências da: » Constituição Belga de 1831;

» Constituição Espanhola de 1837; » vigência: 1838/42.

- Textos constitucionais portugueses do século XIX: indefinição institucional do Estado pós-Pombalino. - Implantação do liberalismo (ideias demo-liberais) em Portugal e sua conjugação nos textos constitucionais: lutas intrínsecas:

• consensualistas (Ribeiro dos Santos) e absolutistas (Melo Freire); • estrangeirados e tradicionalistas;

• “partido francês” e “partido inglês”.  invasões:

• espanhola (Olivença), “guerra das laranjas”; • invasões napoleónicas;

• gestão de Beresford.

pensamentos inovadores da liberdade, igualdade e fraternidade (cultura letrada humanista;  propaganda liberalista via imprensa.

- De Gomes Freire a 1820; - Revolução ou Restauração?; - As Leis Fundamentais:

Constituições anteriores a 1820 (Almeida Garrett): a) livres e representativas;

b) princípios sólidos e naturais;

c) derivação do Poder real de princípios democráticos (base representativa); d) carecia de regularidade/nexo de harmonia;

e) carecia de garantias contra infracções ilegítimas da lei ordinária. Tipologias de Constituições (António Ribeiro dos Santos): a) Leis Fundamentais escritas;

b) Leis Fundamentais consuetudinárias (costumes gerais e notórios por consentimento tácito dos seus Princeps):

- professavam a religião cristã; - indivisibilidade do reino;

- indivisibilidade dos bens, costumes, Coroa; - estabelecimento das Cortes;

- liberdade para tributar o povo (...).

 Constituição de 1822:

b) Fontes:

- Constituição Espanhola de 1812;

- Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. c) Poderes:

- legislativo, executivo, judicial; - Conselho de Estado. d) Poder Legislativo: - uma Câmara única;

- deputados eleitos por 2 anos;

- sessão legislativa de 3 meses prorrogados por mais um; - sufrágio directo e quase universal;

- veto do monarca (com efeito suspensivo).

e) Poder Executivo: exercido pelo Rei através dos Secretários de Estado, os quais eram: * demitidos livremente pelo Rei;

* responsabilizados criminalmente perante as Cortes. f) Rei:

- autoridade provinda da Nação; - irresponsável por qualquer acção; - sem iniciativa legislativa.

g) Soberania: reside essencialmente na Nação. - A contra-revolução tradicionalista:

 divergência aparente entre vintistas e realistas (defensores do Rei): • ambos são restauracionistas;

• divergem, apenas, no respectivo conteúdo; • ambos rejeitam um despotismo iluminado;

• vintistas, defendem uma “nova sociedade” com os cidadãos como elementos estruturais intermediários;  “Vilafrancada” e “Abrilada”: projectos legislativos.

- O novo Código de D. João VI:

D. João VI organizou uma Junta encarregando-a de preparar um Projecto de Lei Fundamental, composta por 14 membros e presidida pelo Duque de Palmela;

Objectivos reais da Junta:

• estruturação dos direitos fundamentais;

• aproximação analógica às mais avançadas monarquias da Europa. Extinta por ausência de consenso.

- Regresso à Ordem Tradicional: Carta Constitucional de 1826: a) Fontes: - Constituição Brasileira de 1824; - Constituição portuguesa de 1822; - Carta francesa de 1814. b) Poderes: - Legislativo; - Executivo; - Judicial;

- Moderador (Conselho de Estado). c) Poder Legislativo (Cortes Gerais): - Câmara de Deputados:

* eleita por sufrágio indirecto e restrito (censitário); * legislatura de 4 anos;

* sessão anual de 3 meses. - Câmara dos Pares:

* membros vitalícios e hereditários; * sem número fixo;

* nomeação régia.

- Legislações são votadas pelas duas Câmaras, necessitando de sancionamento do Rei, o qual tem o direito de veto absoluto.

d) Poder Moderador:

- exercido pelo Rei, com a cooperação e assistência de um Conselho de Estado, podendo: * adiar as Cortes Gerais;

* demitir a Câmara de Deputados. e) Poder Executivo:

- desenvolvido pelos ministros, os quais são nomeados/demitidos pelo Rei, e que referendam os actos deste. - 1826:

morte de D. João VI;

D. Pedro é Imperador do Brasil;

D. Miguel encontra-se no exílio em Viena;

Testamento de D. João VI: instituiu-se um Conselho de regência, sob a presidência da Infanta Dª Isabel Maria.

Questão política/Sucessão Régia (?).

- D. Pedro, sucessor da Coroa, abdica em favor de sua filha Dª Maria da Glória, de 6 anos de idade. - D. Miguel jura esponsais à sobrinha de 8 anos de idade;

- Novo texto constitucional: Constituição de 1838: a) Fontes: - Constituição de 1822; - Carta Constitucional de 1826; - Constituição Belga de 1831; - Constituição Espanhola de 1837. b) Poderes: - Legislativo;

- Executivo (sem Conselho de Estado); - Judicial.

c) Poder Legislativo, desenvolvido por duas assembleias: - Câmara dos Deputados;

- Câmara dos Senadores:

* eleitos por sufrágio directo e censitário; * deputados eleitos por 3 anos;

* leis são aprovadas pelas duas Câmaras, tendo o Rei de veto absoluto. d) Poder Executivo:

- Rei nomeia/demite livremente os ministros;

- ministros referendam os actos régios, pelos quais ficam responsáveis. - O Cabralismo;

- Os actos adicionais;

- O processo de implantação do liberalismo; - A estabilidade constitucional.

O MOVIMENTO GERAL DA CODIFICAÇÃO

- Codificação/racionalização da Ordem Jurídica: meados do século XIX; - Factores conducentes para a codificação:

amadurecimento da ciência do direito amenização da vida política.

- Influências:

autores da Escola do Direito Natural moderno; autores da corrente dos Usus Modernus Pandectarum;

 vontade política de se proceder a reformas legislativas profundas;  movimento reformista e revolucionário português, a partir de 1820;

- Recurso ao Direito Romano conforme à boa-razão, como fonte de direito subsidiária; - Recurso ao Direito das Nações estrangeiras consideradas iluminadas;

- Visão racionalista, no sentido da criação de Códigos. - Direito Comercial:

codificação comercial portuguesa: Ferreira Borges (Código Comercial de 1833); importância do comércio para Portugal e para a generalidade das nações; objectivo:

• Código de Comércio (sistema comum);

• Evitar legislação comercial fragmentária e dispersa insuficiente; • Codificar normas de direito mercantil e de direito marítimo. aplicação ao direito comercial:

• direito subsidiário: leis das nações civilizadas e polidas da Europa; • praxes e usos das praças comerciais.

- Criação de “prémios” para projectos de Códigos de Comércio: insucesso de várias Comissões instaladas; - Trabalho individual de Ferreira Borges, como primeiro Código do Direito Comercial, tendo em atenção na sua elaboração:

jurisprudência terra/mar; costumes/usos do mar;

 julgados de diferentes Tribunais mercantis; grande experiência do autor;

fontes:

• Códigos do Direito Comercial da Prússia, Flandres, França, Itália e Espanha; • Leis comerciais Inglesa, Escocesa, Russa e Alemã.

legislação pátria ultrapassada;

doutrina nacional e estrangeira diversa.

- Código Comercial de 1833 (aprovado por Decreto de 18 de Setembro de 1833), composto por três partes: comércio terrestre;

comércio marítimo;

organização do foro mercantil e das acções comerciais.

- Código Comercial de 1833 (revogado pelo Código Comercial de 1888, de Veiga Beirão), composto por quatro partes:

 comércio em geral;

contratos especiais de comércio; tradição do comércio marítimo; matéria adjectiva afastada do Código. - Direito Administrativo:

sucessivos códigos; oscilação entre:

• modelo francês centralizador; • tradicional autonomia municipal.

 Conceitos de câmara, vereador, província, concelho, comarca, perfeito, sub-perfeito, provedor, distrito, freguesia, administrador, regedor, governador civil.

- Direito Penal:

movimento de humanitarismo do Direito Penal: proporcionalidade das penas aos delitos; caracteres do Direito Penal antes do regime liberal do século XIX:

• penas corporais; • penas infamantes;

• penas arbitrárias (regra geral);

• penas de aplicação desigual (condição social do réu); • penas transmissíveis;

• punem-se factos absurdos e de escassa relevância ético-social; • admissão da tortura como meio de prova.

Caracteres do trabalho de Freire de Melo (1822):

• influência da escola humanitarista de Beccaria e Filangieri; • raízes filosóficas aos autores racionalistas (século XVII/XVIII); • ética racionalista;

• rejeita formas gravosas de reacção social (penas cruéis e infamantes, prisão perpétua, pena de morte); • proporcionalidade entre penas e delitos;

• clareza e segurança da lei penal (precisas, gerais, não deixadas ao livre arbítrio); • impugnação da transmissibilidade das penas;

• função preventiva da prisão;

• mantém pena de morte (para casos de assassínio voluntário e traição à pátria). - Direito Civil:

Código de Seabra de 1867. - Direito Processual:

Civil e Penal;

1º Código do Processo Civil (1876); Código do Processo Comercial (1939); Código do Processo Penal (1929).

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