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2 O documento como objeto de estudo da Diplomática

2.2 O documento diplomático: aspectos conceituais

Conforme explicou Duranti (1995, p.23), com o passar dos tempos, o diploma (ou documento) veio a significar um “[...] escrito emitido por autoridade soberana e logo se estendeu para incluir em geral qualquer documento emitido em forma solene.” Entretanto, a origem dessa palavra teve a sua raiz na expressão grega įȚʌȜȠȝĮ (dobrado). Paulius Rabikauskas (2000) explicou que a palavra diploma, em princípio, significava para os gregos “[...] qualquer escrito que constava de duas partes unidas entre si.” Desse modo, a “[...] palavra diploma se referia a documentos escritos sobre tabuinhas articuladas por dobradiça e

chamadas de dípticos [diptychum]; durante o Império Romano, se aplicava em tipos específicos de documentos emitidos pelo imperador ou pelo senado.” É interessante observar a diferença de denominações em distintas fases da História, como veremos a seguir:

[Para os romanos os diplomas recebiam as denominações:] (a) libellus

comendatitius, com a qual algum direito se recebia no “cursu publico” para

usar ou fazer o caminho, ou para enviar cartas; (b) decretum, escrito dado aos soldados que abandonavam o exercício romano [e aqueles escritos dados aos considerados] merecedores da república, a qual lhes concedia, entre outras coisas, o direito de cidadania e o de se casar. Na Idade Média a voz “diploma” foi usada poucas vezes. Ela foi retomada pelos Humanistas que, deste modo, anotavam os documentos mais solenes. Mas como na diplomática também se considera os documentos não tão solenes, estes, e geralmente todos os escritos que [podem ser tratados] na diplomática, se chamam documentos e a mesma diplomática se pode chamar de ciência dos documentos. (PAULIUS RABIKAUSKAS, 2000).

Nessa perspectiva, Bellotto (1991) e Guimarães (1994) consideraram que a Diplomática está inserida no cerne das chamadas Ciências Documentais e tem como característica um tipo documental específico que é o documento escrito gerado na área pública.116 Sob esse aspecto, o documento diplomático interessa-nos como “[...] materialização de um ato administrativo e que, como tal, surtirá efeitos jurídicos [fazendo] parte de um contexto (aquele do órgão do qual se origina) sendo importante verificar as fases de sua elaboração e os modos de sua transmissão.” (GUIMARÃES, 1994, p.78, grifos do autor).

Assim, a Diplomática tem como objeto de estudo o documento escrito, isto é, a “[...] evidência que se produz sobre o suporte (papel, [...] disco, lâmina, etc.) por meio de um instrumento de escritura (lápis, [...] máquina de escrever, impressora, etc.) ou de um aparato que grava imagens ou vozes.” Entende-se aqui o escrito como resultado da ação intelectual de se escrever, ou seja, da expressão de “[...] idéias em uma forma que é objetivada (documental) e sintática (redigida por regras de ordenação).” (DURANTI, 1995, p.27). Em outras palavras, o escrito nada mais é do que uma informação registrada e objetivada em um suporte seguindo certas regras lingüísticas e estruturais convencionadas pelo uso e pela demanda documental.

116 Conforme mostrou Paulius Rabikauskas (2000), “[...] os documentos considerados públicos são aqueles que

emanam de uma autoridade pública [...] ou ao menos são elaborados e convalidados segundo as formas e normas usadas em suas chancelarias. Denominam-se documentos privados os que se confeccionam para negócios privados segundo as formas usadas. Ainda que o autor da ação goze de autoridade pública, o testemunho de sua ação segundo a forma de negócios privados (v.g. instrumento notarial), o documento do feito, deve se chamar privado.” Portanto, a Diplomática se interessa tanto pelo documento público que goza de fé pública, quanto pelo documento privado (notariais) nessa mesma situação.

Segundo Paulius Rabikauskas (2000), o documento diplomático é expresso num sentido estrito na língua francesa como l’acte écrit; e na língua alemã como Urkunde, ou seja, é o “[...] testemunho escrito na forma determinada da ação ou de algum feito jurídico. Nas fontes tal documento se chama: ‘preceptum’, ‘privilegium’, ‘auctorias’, ‘instrumentum’, ‘charta’, ‘pagina’, ‘literarum series’, etc.” (tradução livre).

De acordo com Tamayo (1996, p.55), a noção de documento diplomático se expressa somente nas coisas que podem proporcionar o registro de uma notícia escrita originária de um acontecimento qualquer, seja lá qual for o seu significado e a sua importância. Precisamente, o documento diplomático se refere “[...] aos feitos e acontecimentos da vida e do tráfico jurídico-econômico” e, ainda, direciona-se “[...] à materialização por escrito de um ato ou de um negócio, em virtude do qual se cria, se modifica ou se extingue uma situação jurídica.” (tradução livre).

Convergindo com o autor sobredito, Bellotto (2002, p.17) mostrou que o documento diplomático é o registro gerado e legitimado mediante um ato administrativo, sendo este ocasionado a partir de um fato administrativo ou jurídico. Tanto Bellotto (2002) como Guimarães (1994) concordaram que o ato jurídico e/ou administrativo do documento diplomático seria o seu elemento central.

Para Nuñez-Contreras (1981, p.36), o ato administrativo, que reflete a iniciativa ou ação administrativa do órgão gerador, seria o caráter peculiar dos documentos diplomáticos, pois, em um primeiro momento, sobressairia em relação ao seu valor histórico. Dessa forma, notamos a especificidade desses documentos em cumprir sua função primeira de “saciar” seus objetivos administrativos, sendo criados sem a preocupação imediata de servir posteriormente como documento histórico. Tal observação reafirma a importância desses documentos na condição de uma evidência que pode transmitir e representar a dinâmica funcional- administrativa de seus órgãos geradores, até mesmo como posteriores fontes históricas, uma vez que “[...] o interesse secundário surge quando, cumprida sua finalidade administrativa, o documento pode ser consultado pelo público, por ter adquirido valor histórico.” (tradução livre).

Nessa perspectiva, o mesmo vale para os documentos jurídicos e narrativos (criados sem a função primeira de serem históricos) que, depois de cumprida a sua função de documento primário (função originária), destacam-se pelo seu valor histórico. Destarte, o

documento diplomático (de natureza jurídico-administrativa), mesmo não tendo uma função originária histórica, terá, com o passar do tempo, valor histórico.117

Portanto, a Diplomática tem como propósito buscar a autenticidade do documento, a qual nem sempre coincide com sua autenticidade legal, embora ambas, mesmo independentes, possam levar à autenticidade histórica válida, por exemplo, em uma disputa judicial. Nesse contexto, os documentos legalmente autênticos são aqueles que “[...] suportam uma prova sobre si mesmos, a causa da intervenção durante ou depois de sua criação, de um representante de uma autoridade pública que garanta sua genuinidade.” (DURANTI, 1995, p.29). Os documentos diplomaticamente autênticos são aqueles “[...] escritos de acordo com as práticas do tempo e lugar indicados no texto e firmados com os nomes das pessoas competentes para criá-los”. Já os documentos historicamente autênticos são aqueles que comprovam e atestam a veracidade dos fatos, “[...] o que verdadeiramente teve lugar ou informam o que é a verdade.” (Ibid., p.29). Além disso, o conceito de autenticidade junto à Diplomática não deve ser confundido com o de genuinidade, pois o documento é autêntico quando “[...] possui todas as informações originais e verdadeiras de uma determinada origem; é genuíno, por sua vez, quando provém diretamente da fonte geradora.” (Ibid., p.29, tradução livre).

Embora compreendamos que a noção de “verdade histórica” seja pretensiosa em demasia (mesmo em se tratando de pesquisas no campo das ciências sociais) para interpretar documentos relacionados a fatos ou acontecimentos imersos em diferentes variantes contextuais (podendo incidir questões de ordem ideológica, política, cultural, etc.), entendemos o esforço da autora sobredita em tentar diferenciar a autenticidade diplomática daquela estritamente jurídica e histórica, especialmente quando situado no âmbito das práticas documentais (como é o caso daquelas tipicamente arquivísticas). Isso porque, nesse campo de atuação, não caberia ao profissional (arquivista, documentalista, bibliotecário, etc.), em sua prática documental diária, adentrar em questões qualitativas que são objeto de análise de disciplinas tais como a História, a Sociologia, a Ciência Política, etc.

Sob o viés das práticas arquivísticas, de acordo com Bellotto (1991, p.30) e reafirmado por Guimarães (1994, p.79-80), os documentos diplomáticos seriam “[...] de natureza estritamente jurídica que refletem, no ato escrito, as relações políticas, legais, sociais e administrativas entre o Estado e os cidadãos.” Para tanto, tais documentos deveriam obedecer

117 Para Núñez Contreras (1981, p.36), os documentos, na maioria das vezes, não são produzidos com uma

finalidade histórica, pois “[...] são os anos que pouco a pouco os vão convertendo em documentos para a História.”

a “[...] requisitos formais de redação”, ou seja, seguir as fórmulas semânticas preestabelecidas (variáveis segundo lugar, época, o órgão emissor e tipo de conteúdo) do ato escrito, visando garantir sua validade jurídico-administrativa e sua aplicabilidade. Com efeito, o documento diplomático pode exercer a importante função de valor jurídico-legal, na medida em que “[...] pode desempenhar função de prova em um processo, na maioria das vezes, na condição de instrumento público-administrativo.”

O documento diplomático é composto de três elementos fundamentais: o conteúdo escrito; a natureza estritamente jurídica, lembrando de que mesmo os documentos de natureza administrativa e histórica (narrativos em geral), embora não tenham função originária jurídica, poderão apresentá-la se forem acionados em um contexto jurídico; e a forma de redação (que pode variar segundo sua época, lugar, pessoa ou entidade produtora e conteúdo).118 (NÚÑEZ CONTRERAS, 1981, p.39).

No entanto, para Riesco Terrero (2000, p.94) os elementos básicos do documento diplomático encontram-se na “[...] existência de um emissor ou autor: material e formal; de um receptor ou destinatário: único e coletivo; de um conteúdo: mensagem, assunto, negócio [...] [dados estes que podem complementar-se] com a data e demais elementos validativos: firmas, carimbos, registros, etc.”

Em relação às características dessa documentação, podemos observar, tal como descrevem Núñez Contreras (1981), Guimarães (1994), Duranti (1995) e Bellotto (2002a), dois elementos principais, a saber: os elementos (ou caracteres) externos (também conhecidos como extrínsecos, físicos, de estrutura ou formais), e elementos internos (também conhecidos como intrínsecos, substantivos ou de substância).

Segundo salientou Núñez Contreras (1981, p.40-41), os caracteres podem ser:

9 Externos: matéria (suporte material); meio (escritura, que irá fixar o conteúdo); formato (modo em que se apresenta a matéria na sua articulação com a escritura); signos gráficos (que constituem a escritura e os selos);

118 Guimarães, Nascimento e Furlaneto Neto (2005, p.24) observaram que, ao migrar o entendimento de

documento jurídico para um suporte de papel ou eletrônico “[...] não se tem uma percepção diferenciada quanto ao que pode ser documento. A diferença reside no meio utilizado, ou seja, o tipo de suporte e forma de registro que permite a transmissão da mensagem.” Assim, relativamente à eficácia probatória jurídica frente ao documento eletrônico, será a forma (física e intelectual) desse documento que “[...] levará ao questionamento dos critérios de confiabilidade do mesmo.”(p.25). Portanto, em um contexto diplomático, o conceito de conteúdo

9 Internos: língua (articulação de signos gráficos mais a escrita na constituição de um discurso, construído mediante fórmulas determinadas).

Para o autor supracitado, esses caracteres ou elementos externos e internos são articulados no documento formando um discurso (com fórmulas determinadas) e constituindo um marco expressivo em que se enquadra seu conteúdo. Esse marco recebeu o nome de teor documental. No teor documental podem se distinguir fórmulas que constituem e integram o corpo do documento (produto) e que, ainda, em conjunto, se denominam texto.

Os caracteres ou elementos externos são aqueles que se relacionam tanto com o gênero (signos que o representam), como com a estrutura física ou a forma de apresentação do documento, estando diretamente relacionado com sua matéria ou suporte. Tais elementos são: espaço (lugar do documento); volume; quantidade; suporte; formato; forma ou tradição documental; gênero, etc. Já os caracteres ou elementos internos são aqueles que se relacionam com o conteúdo substantivo ou assunto, trazendo também a natureza de sua proveniência ou função. Tais elementos são: proveniência; funções; atividade; trâmites; conteúdo substantivo; data tópica e data cronológica. (BELLOTTO, 2002a, p.25-26).

As fórmulas que precedem o texto são chamadas de protocolo119 ou protocolo inicial e as que aparecem depois do texto são chamadas de protocolo final ou escatocolo. Assim, temos os seguintes elementos:

a) Protocolo Inicial: Invocação (simbólica e verbal); Intitulação; Direção; Saudação. b) Texto: Preâmbulo; Notificação; Exposição; Dispositivo; Sanção; Corroboração. c) Protocolo Final (Escatocolo): Subscrição; Data (tópica e crononógica), etc.

O documento diplomático é composto por matéria120 e forma121. A matéria é o objeto/suporte somado aos meios a ele empregados e a forma é a maneira “estilizada” com

119 De acordo com Núñez Contreras (1981, p.42), o “[...] protocolo é em um discurso diplomático [...] a parte

menos variável [...] [já o] texto, pelo contrário, é muito variável e muito variado. Essa diferença se explica porque o protocolo é destinado a dar ao documento validez, ainda que o texto dependa em cada documento do feito documentado.”

120 Núñez Contreras (1981, p.42) mostrou que a matéria tem “[...] uma finalidade que é de ordem jurídica e que é

dupla: conservar uma prova de um feito que o documento contém e determinar os efeitos que dele podem se seguir.”

121 A forma é a responsável pela constituição do documento como um todo. É justamente por isso que “[...] o

objeto específico da Diplomática é o estudo da forma do documento. [...] as formas não são produtos da fantasia de quem confeccionou o documento senão que se adaptam aos tipos impostos pelo uso profissional das leis; de modo que umas mesmas formas aparecem em todo documento que possua o mesmo conteúdo e a mesma problemática jurídica.” (NÚÑEZ CONTRERAS, 1981, p.42).

que o teor documental ou conteúdo se apresentam para resolver uma determinada problemática jurídica. Por sua vez, a forma se apresenta de duas maneiras: a extrínseca e a intrínseca. (NÚÑEZ CONTRERAS, 1981, p.42).

A forma extrínseca pode se apresentar: a) fora do teor documental, isto é, em marcas de validação (subscrições, outros signos, selos) e em marcas de chancelaria, ou seja, naquelas emitidas por escritórios que expedem o documento (matéria que foi escrita ou suporte da escritura, escritura, língua, estilo); e b) inserida no teor documental, precisamente, no teor que expressa “confiança” (invocação, corroboração, data, etc.) e naquele que expressa “cortesia” (intitulação, direção, saudação). Já as formas intrínsecas são aquelas que afetam a substância do documento, ou seja, o seu conteúdo. Essas formas incidem no objeto do documento e se apresentam como dispositivos que podem constituir acessórios preliminares ao dispositivo (notificação, preâmbulo, exposição); e acessórios complementários ao dispositivo (menção de solenidade, sanções). (NÚÑEZ CONTRERAS, 1981, p.44).

Segundo explicou Bauer (1957, p.357), a forma do documento constitui ao mesmo tempo o seu “caráter” para a crítica. Para distinguir um documento do outro é preciso analisar e diferenciar os seus caracteres internos e externos, ou seja, diferenciar a autenticidade, falsificação, procedência e forma de transmissão.

Duranti (1995, p.27), ao discorrer sobre as formas do documento diplomático, mostrou que estas refletem as estruturas “[...] políticas, legais, administrativas e econômicas assim como cultura, hábitos e mitos que constituem uma parte integrante do documento escrito porque formulam ou condicionam as idéias ou os feitos que elegemos para que sejam o conteúdo do documento.”

Em suma, vimos que existe uma relativa convergência no que tange aos aspectos materiais e formais do documento diplomático perceptível a partir dos seus elementos externos e internos. Tais aspectos demonstram que os documentos tipicamente diplomáticos são aqueles de natureza eminentemente histórica e jurídico-administrativa, gerados na área pública (emitidos por autoridades supremas, delegadas ou legitimadoras) e utilizados por autoridades, instituições e indivíduos. Eles são submetidos à sistematização imposta pelo Direito e são munidos de “legitimidade social” (ou seja, eivados de fé pública), valoração essa conferida, dentre outras coisas, por meio de requisitos formais de redação.

Ademais, os documentos diplomáticos são os testemunhos fixados por escrito que podem apresentar conteúdo variado e serem usados instrumentalmente como “fonte de

informação” ou “prova” (em um contexto jurídico e/ou arquivístico) para a garantia e/ou sistematização de direitos, contratos, normas, ações, etc. e para a atualização da memória. Além disso, a sua estrutura, conteúdo e tipologia documental (que lhe garantem validez, solenidade e fidedignidade) são afetados diretamente pelos seus usos e costumes, que são históricos e que, portanto, são influenciados pelos valores socioculturais a eles inerentes.

Contudo, vimos que as formulações conceituais vistas até aqui vinculam o documento diplomático a uma tradição jurídica (notadamente, em sua terminologia específica) e, por vezes, administrativa. Nesse caso, os aspectos históricos desse documento não foram cotejados.

À luz dessa constatação, discorreremos com maior profundidade sobre os valores histórico, jurídico e arquivístico até aqui introduzidos que fazem parte do conceito de documento diplomático desde o seu contexto de produção.

2.3 Valores histórico, jurídico e arquivístico do documento diplomático

Uma das formas geralmente utilizadas de se apresentar o documento em seu desenvolvimento conceitual e histórico consiste em mostrar a sua origem etimológica, tal como fizeram Valente (1978), Le Goff (1994), Núñez Contreras (1981), entre outros. Conforme demonstrou o último autor citado, etimologicamente “[...] o termo documento é a versão romanesca de documentum e este, por sua vez, deriva do verbo docere, que significa ensinar, instruir. Neste sentido se encontra usado nos autores clássicos latinos.” (NÚÑEZ CONTRERAS, 1981, p.30).

Conceitualmente, desde a Antigüidade se atribuía diferente designação à palavra documento. Por exemplo, para o imperador romano Júlio César, o documento significava aviso, exemplo e ensinamento; o historiador romano Tito Lívio o compreendia como amostra e prova; já o filósofo Cícero o apreendia como modelo. Ademais, os significados de aviso, ensinamento, amostra, prova ou modelo representam um sentido próximo ao expresso em nossos dias, pois o documento, já na Antigüidade, expressava “[...] fonte de informação, [...] ação, disposição ou pensamento.” (VALENTE, 1978, p.179).

Se partirmos do pressuposto de que as conseqüências dos fatos podem ser reconstituídas e transmitidas por intermédio de fragmentos informativos do passado corporificados no documento, podemos dizer que este se figura como um vestígio do passado provindo da atividade humana oriunda da