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4 O TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO NA UNIFOR

4.2 O segundo projeto pedagógico do curso (ppc) – análise crítica

4.2.1 O eixo expressão e representação e o eixo projeto


Os eixos que envolvem as disciplinas que tratam da representação gráfica e das práticas de projeto denotaram significativas mudanças na matriz 26.2. Observamos o aparecimento de outras disciplinas e um aumento da carga horária total em ambas as áreas do conhecimento. Como já detalhado, a sequência das disciplinas da primeira matriz, assim como seus prerrequisitos, denotavam alguns hiatos didáticos e incoerências. Diversos pontos foram corrigidos na nova proposta embora alguns ainda merecessem mais atenção. Segundo o texto do novo PPC, as disciplinas que compunham o eixo denominado Expressão e Representação, seriam: Desenho de Observação (DO), Introdução ao Desenho (ID), Desenho Auxiliado por Computador I (DAC I), Técnicas de Representação I (TR I), Desenho Auxiliado por Computador II (DAC II), Plástica e Técnicas de Representação II (TR II). É importante observar que a disciplina Geometria Descritiva (GD) não pertencia a ele e sim ao eixo chamado Fundamentação, sendo a única deste ligada às práticas de desenho. Para este estudo, essa disciplina será incluída no conjunto da área da representação gráfica nas análises seguintes.

No eixo denominado Projeto, encontravam-se as seguintes disciplinas: Comunicação Visual I; Projeto Arquitetônico I (PA I), Projeto Arquitetônico II (PA II), Projeto Arquitetônico III (PA III), Projeto Arquitetônico IV (PA IV), Arquitetura de Interiores I, Projeto Arquitetônico V (PA V), Projeto Urbanístico I, Paisagismo, Comunicação Visual II, Projeto Arquitetônico VI (PA VI), Projeto Urbanístico II, Projeto Arquitetônico VII (PA VII), Projeto Urbanístico III, Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo, Trabalho Final de Graduação (TFG).

Comparando as matrizes 26.1 e 26.2, observamos que a área de representação gráfica, composta antes por seis disciplinas, passa a ter oito matérias (incluída aqui a Geometria Descritiva) que totalizavam 648 horas de aula, 258 horas a mais em relação à matriz anterior, já se levando em consideração a alteração do valor da hora/aula (h/a) do crédito, que passou de 15 para 18 h/a. Além do incremento de carga horária, houve uma reorganização das sequências e prerrequisitos embora percebamos uma manutenção da estrutura básica dos conteúdos e algumas fragilidades quanto ao rebatimento desses assuntos na realidade do projeto. A análise de seus projetos de ensino mostra que os assuntos

referentes à Geometria plana foram mantidos, embora de modo mais resumido, quando comparada à situação anterior, em uma nova disciplina chamada Introdução ao Desenho (ID). Vale notar que essa disciplina, agora também abordava alguns assuntos relacionados ao desenho de perspectivas.

Em paralelo a ela, os conteúdos referentes à Geometria espacial e aos sistemas de projeção eram contemplados na disciplina Geometria Descritiva (GD), mas mantendo a mesma abordagem mais abstrata e matemática da formatação anterior. Pontos, retas e planos e suas relações eram estudados sem qualquer rebatimento direto ou indireto nas práticas ligadas ao projeto de Arquitetura ou mesmo ao estudo dos poliedros. Vale comentar que essa disciplina, em especial, foi objeto de uma alteração em seu projeto de ensino. A nova proposta, elaborada por uma equipe liderada por nós, procurava diminuir a distância entre a Geometria de Gaspar Monge e a sua aplicação no projeto. O novo conjunto de unidades trazia em suas 72 horas de aula, 44 voltadas ao estudo dos poliedros que, como já mencionado, acreditamos serem mais coerentes com a realidade arquitetônica.

Essas duas disciplinas (ID e GD) passaram a ser prerrequisitos de Técnicas de Representação I, responsável pelo ensino do desenho arquitetônico. Considerando-se, como já expresso, que o desenho de Arquitetura é uma aplicação direta desses dois assuntos, a posição da disciplina se mostrava agora mais consistente do que na situação anterior.

A disciplina Informática, que possuía as várias incoerências já discutidas, foi desmembrada em duas, que se chamavam Desenho Auxiliado por Computador I e II (DAC I e DAC II), sendo a primeira responsável pelos assuntos do desenho digital vetorial, tanto em ambiente bidimensional quanto tridimensional, além de também ser prerrequisito para TR I. O principal programa usado para o primeiro assunto era o AutoCAD, enquanto o SketchUp cobria o segundo tópico.

A disciplina DAC II cobria os conteúdos relacionados à manipulação de imagem digital, tanto em mapas de bits quanto de forma vetorial. Para o estudo de cada um dos assuntos, eram adotados, respectivamente, o Photoshop e o CorelDraw.

Ambas tinham foco instrumental que priorizava o aprendizado dos softwares, como pode ser visto nos seus projetos de ensino, embora o projeto da primeira não faça menção a nenhuma ferramenta específica como acontece na segunda. Esse tipo de abordagem pode ser justificado pela posição que elas ocupavam na estrutura curricular.

A oferta de ambas acontecia, respectivamente, no primeiro e segundo semestres. Isso acabava fazia que o aluno recém- adimitido tivesse contato precoce com os instrumentos digitais. A natural inexperiência do calouro, tanto em desenho quanto em projeto, impossibilitava uma abordagem mais plural no sentido do uso das ferramentas digitais, tanto como instrumentos de representação quanto de reflexão do projeto. A carga horária total delas era de 144 horas, representando 22,22% do total da área de representação e expressão.

Como também observado na primeira matriz curricular, TR I tinha posição de destaque podendo ser considerada a mais importante matéria que antecedia a sequência de projetos arquitetônicos e urbanísticos. Malgrado, porém, a maior coerência didática observada, os projetos de ensino retrocitados apontam para uma circunstância que posicionava

o ensino da Geometria como assunto autônomo e sem nenhuma ligação direta com as atividades práticas do projetar, ou seja, as diretrizes que levavam o aluno ao desenho arquitetônico denotavam foco predominantemente teórico.

O mesmo pode ser observado em Desenho de Observação, ofertado no primeiro semestre e única disciplina com abordagem explícita sobre desenho à mão livre. Embora notemos mudanças em seu projeto de ensino, o foco principal se manteve na representação da realidade construída que domina 81,48% (88 horas) da sua carga horária, cabendo aos 18,52% (20 horas) restantes os assuntos ligados ao uso do croqui como instrumento para exercícios de criação que, embora válidos, não poderiam ter rebatimento projetual, dada a natural imaturidade dos alunos nesse quesito.

No semestre em que o discente inicia a sequência de projetos arquitetônicos, ele também cursava a disciplina chamada Técnicas de Representação II (TR II). Fica muito claro pelo seu projeto de ensino que seu alvo de estudos são os sistemas de projeção perspectiva, comentados no capítulo

3. Suas unidades de conteúdo mostram-se bastante densas, com uma abordagem detalhada dos processos geométricos de construção das perspectivas de projeção paralela (ortogonal e obliqua) e cônica, chegando inclusive ao estudo das sombras. Embora não se possa negar a importância desses assuntos sob a óptica conceitual e também como instrumento de desenvolvimento da visão e do raciocínio espacial, a configuração do seu conteúdo parece superdimensionada, visto que o mesmo foi formatado em um momento, já descrito por Cardoso (2005), do uso das ferramentas computacionais, em especial da modelagem tridimensional virtual, tanto para fins de representação como de auxílio na concepção de projetos. Observamos também, um sombreamento de assuntos dessa disciplina (Unidade VIII – Perspectivas) com a última unidade da disciplina Introdução ao Desenho.

Nessa nova conformação de matérias, até o discente alcançar seu primeiro projeto arquitetônico, ele cursava um total de 972 horas de aulas, 168 a menos do que na situação anterior. É importante lembrar que, apesar do crédito ter subido de 15 para

18 horas, a disciplina Projeto Arquitetônico I foi deslocada do quarto para o terceiro semestre, refletindo nessa redução. Dessas 972 horas, 468 (48,14% do total) tratavam do ensino do desenho (analógico e digital), enquanto na situação anterior, somente 25,43% (das disciplinas cursadas até o PA I) tinham esse foco.

Vale ressaltar que em nenhum momento se nota qualquer menção ao uso dos sistemas digitais e/ou analógicos nas praticas de concepção de projetos. Também não há nada que evidencie, mesmo nas disciplinas notadamente instrumentais, qualquer conteúdo que faça referência às técnicas híbridas descritas por Perrone (1993), detalhadas por Leggitt (2004) e discutidas no capítulo 3.

Como depreendemos, houve uma readequação significativa dos conteúdos e um incremento de carga horária na área de representação gráfica. Apesar disso, o texto dos projetos de ensino das disciplinas do eixo Projeto não deixam evidente o modo como esses assuntos e habilidades desenvolvidos poderiam ser explorados na prática projetual. Parece haver

uma separação de assuntos e uma escassez de vínculos entre essas áreas como será detalhado na seção seguinte.