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Quando se discute a questão da capacitação profissional do trabalhador, sob a ótica dos diversos atores, percebemos que estes possuem idéias diferenciadas. Segundo análises de Fidalgo (1999), de início, já existe uma cisão referente ao entendimento do conceito de escola básica e formação profissional. Para os trabalhadores vinculados a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a educação deve ser ampla, continuada e unificada, de caráter público e integrando educação geral e a técnico-profissional. Para a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), a educação deve estar vinculada às necessidades da sociedade e do mercado de

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BRASIL, FUNDAÇÃO CULTURAL DO EXÉRCITO BRASILEIRO. Disponível em: www.funceb.org.br/programasd/histórico.html. Acesso em: 01/10/2005.

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O objetivo do PNPE é “contribuir para a geração de oportunidades de trabalho para a juventude brasileira, mobilizando o governo e a sociedade para a construção conjunta de uma política nacional de trabalho decente para a juventude” (BRASIL, MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Disponível em: www.tem.gov.br/futurotrabalhador/primeiroemprego/conteudo.asp. Acesso em: 05/12/05).

trabalho, possibilitando a garantia da empregabilidade. Compatibilizando-se com as idéias da CGT, temos a Força Sindical (FS), a qual defende o desenvolvimento de competências adequadas ao mercado de trabalho. Para o empresariado, MTE e alguns trabalhadores a educação básica está separada do ensino profissional.

Segundo Fidalgo (1999), o que leva ao empresariado defender a generalização da escolarização básica é o desafio da competitividade e da produtividade entre as organizações. Em contrapartida, para os trabalhadores e para o MTE, o ponto fundamental é a articulação das políticas públicas de educação, como a criação e a manutenção dos postos de trabalho. Dentro da visão do empresariado, o Estado deve ser o responsável pela educação básica e ainda incutir os conceitos de qualidade e produtividade em seus alunos, além de estabelecer parcerias entre escolas públicas e empresas. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) corrobora esta idéia, incentivando a intervenção das empresas diretamente nas escolas e não somente na formulação e gestão das políticas públicas de educação.

Tendo como referência as análises de Fidalgo (1999), para a CUT, a educação profissional deve adequar-se às exigências do mercado, entretanto, sem deixar de atender às necessidades sociais do trabalhador. Na visão dos políticos, a educação profissional deve atender aos critérios de empregabilidade para os quais o trabalhador deve desenvolver competências de adaptação contínua às exigências do mercado, ocorrendo uma redução do “conceito” de educação e formação do indivíduo. Torna-se um processo educacional restritivo e esvaziado de atributos mais amplos de formação. Corroborando as ideais acima, as competências que são contempladas nos cursos oferecidos no PSC têm seu foco baseado numa política de adequação ao mercado de trabalho, pois, como dito anteriormente, a proposta é a de melhorar a condição de competitividade dos soldados, no mercado de trabalho.

O MEC traz propostas que valorizam a educação tecnológica17, enquanto o MTE busca políticas de Educação Profissional18 que possam atender às necessidades imediatas de recolocação do trabalhador no mercado. Conforme destaca ALVES (1997), o foco está na empregabilidade, ou seja, na capacidade de

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EDUCAÇÃO TÉCNICA DE NIVEL MÉDIO. BRASIL.MEC/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA. LEGISLAÇÃO BÁSICA. Disponível em: <www.mec.gov.br>. Acesso em: 10 maio 2005.

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“A formação profissional, na sua acepção mais ampla, designa todos os processos educativos que permitem, ao indivíduo, adquirir e desenvolver conhecimentos teóricos e operacionais relacionados à produção de bens e serviços quer esses processos sejam desenvolvidos nas escolas ou nas empresas”. (CATTANI, 2000, p. 133).

conseguir e manter um emprego. Esse ponto de vista é corroborado por Fidalgo, quando afirma que:

todos concordam que a formação profissional deve ser integrada à política nacional de emprego. Na realidade, trata-se muito mais de uma política para geração de alternativas de trabalho para os desempregados, do que para a criação ou manutenção de empregos. (FIDALGO, 1999, p. 152).

Na verdade, o foco não está na garantia do emprego, mas sim no desenvolvimento de uma fonte de sobrevivência. No decorrer de nossa análise, constatamos que esta visão permanece no PNPE e no PSC, adotados, hoje, pelo governo Lula, especialmente na oferta do curso de empreendedorismo do SEBRAE, que almeja fornecer conhecimentos para que os soldados sejam capazes de trabalhar por conta própria ou de obter algum negócio.

Diante disso, o ensino profissional deve abranger não só a formação técnica, mas também favorecer a troca entre cultura e trabalho, viabilizando a compreensão crítica da sociedade e da evolução tecnológica. Alves(1997) defende que o governo deve incentivar os trabalhadores com programas educacionais que busquem aumentar a escolaridade e a reciclagem profissional. Veremos adiante que essa é a proposta do PSC e que o curso de empreendedorismo do SEBRAE é um incentivo ao trabalho autônomo e independente.

A partir das transformações mundiais, que vêm impactando o mercado de trabalho, resultando em altos índices de desemprego e exigindo grandes mudanças na forma de atuação do Estado, surge a necessidade de uma reforma no âmbito educacional, especificamente na educação profissional19.

No próximo capítulo, discutiremos sobre o processo da Reforma da Educação Profissional iniciada nos anos de 1990, as polêmicas suscitadas pela adoção do Modelo de Competências e o PSC do atual governo.

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A formação profissional, na sua acepção mais ampla, designa todos os processos educativos que permitam, ao indivíduo, adquirir e desenvolver conhecimentos teóricos e operacionais relacionados à produção de bens e serviços quer esses processos sejam desenvolvidos nas escolas ou nas empresas (FIDALGO E MACHADO, 2000, p. 133).

2 – A REFORMA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, O MODELO DE