• Nenhum resultado encontrado

levantar esta Capitania da sua decadência", ainda que se mostrasse receoso de levar a

4.2.2.3. O ESTABELECIMENTO DOS CORREIOS NA CAPITANIA

Uma das medidas administrativas de primordial importância numa Capitania tão longínqua, remota e distante não só do Reino, como de todo o resto da Colónia, seria quebrar, quanto fosse possível, o seu isolamento e facilitar as comunicações "incertas e retardadas", através de um mais rápido movimento da correspondência que chegava sempre com grande atraso a Mato Grosso, como já atrás se fez alusão.

1 A.H.U., Mato Grosso, Doc.37, cx.33 2 A.H.U.,Mato Grosso, Doc.44, cx.34

Assim, o estabelecimento dos Correios foi um dos aspectos administrativos a merecer o maior realce na governação de Caetano Pinto de Miranda Montenegro. Era necessário ligar a distante Mato Grosso com o exterior, nomeadamente com o Reino, o Rio de Janeiro e outras Capitanias vizinhas. Era útil e importante, também, melhorar as comunicações internas da Capitania, particularmente entre Vila Bela e Cuiabá. O estabelecimento dos Correios era assim e, sem dúvida, uma medida administrativa de primeiríssima necessidade.

Eles começaram a funcionar no ano de 1799, tendo saído o primeiro correio para o Pará no princípio de Março, para Goiás no dia 1 de Abril, no mesmo dia em que se iniciava o correio interno.

Os primeiros documentos relacionados com este assunto datam de 4 de Junho e 15 de Outubro de 17981. Tratam-se de cartas, respectivamente do vice-rei, Conde de Resende, para Bernardo Jozé de Lorena, governador e capitão general de Minas Gerais e, deste para o governador de Goiás que, por sua vez, se dirige a Caetano

Pinto "sobre os correios marítimos e interiores das Capitanias do Brazil"', enviando-lhe os papéis e ofícios das Juntas do Rio de Janeiro e Minas Gerais sobre o mesmo

objecto.

Caetano Pinto de Miranda Montenegro deu início ao processo da instalação dos Correios de Mato Grosso, com a publicação do Bando de 8 de Janeiro de 1799. Em 26 do mesmo mês e ano , falava da "urgente necessidade que tem esta Capitania, a mais remota de todo o Estado do Brazil", de se estabelecerem nela Correios que assegurassem e facilitassem as suas, até então, "tão incertas e retardadas comunicações".

Para levar a efeito "hum tão util e tão importante estabelecimento", o governador de Mato Grosso seguiu o que, a este respeito se achava regulado nas Capitanias de Goiás e Minas Gerais e dotou a Capitania de três Correios:

um, por via dos Rios que descem à cidade do Pará para conduzir as cartas daquela Capitania, as do Rio Negro e as do Reino; outro, por via de terra até à capital de Goiás para conduzir as cartas daquela Capitania, as de Minas Gerais, S.Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e as que se dirigissem também por esta via para o reino; o

1 A.H.U., Mato Grosso, Doc.52, cx.31 2 A.H.U., Mato Grosso, Doc.52, cx.31

terceiro correio contemplaria as comunicações internas da Capitania, ligando Vila Bela a Cuiabá.

No seu plano, Caetano Pinto, querendo incentivar a ligação com S.Paulo e, porque não se estabeleceria correio certo por via dos rios com esta Capitania, determinava aproveitar as ocasiões de saída de canoas para fazer seguir bolsas ou malas dirigidas ao correio daquela cidade, esperando que, naquela Capitania, se estabelecesse o mesmo para as canoas que de lá viessem.

Com um rigor metódico extraordinário, Caetano Pinto estabelecia a periodicidade desses correios: o do Pará sairia de dois em dois meses, no primeiro dia de Janeiro, Março, Maio, Julho, Setembro e Novembro; o de Goiás partiria de Cuiabá, no primeiro dia dos meses de Janeiro, Abril, Julho, Setembro e Novembro, persuadindo-se de que nos primeiros seis meses do ano houvesse mais de dois correios, devido à "estação da águas. O correio de Vila Bela para a Vila do Cuiabá e vice-versa, deveria sair no primeiro dia de cada mês e as Bolsas ou Malas seriam trocadas em Vila Maria do Paraguai.

Com igual rigor metódico, debruçava-se sobre o modo e separação com que deveriam vir as cartas das outras capitanias para Mato Grosso, na impossibilidade de haver uma só mala para as cartas de toda a Capitania. Para o correio de Goiás haveria duas malas: uma, para as cartas de Vila Bela e de todo o distrito de Mato Grosso, outra para as cartas do Cuiabá e de todo o seu distrito. No correio do Pará, além da mala principal, deveria haver uma bolsa para a Capitania do Rio Negro.

O preço do porte das cartas que variava em conformidade com o seu peso, quer se tratasse das do exterior, quer das de Vila Bela para Cuiabá, era o mesmo e o que já estava estabelecido nas Capitanias de Minas Gerais e de Goiás, portes fixados no parágrafo 6o do Alvará de 20 de Janeiro de 1798, com a única diferença de que eram feitos em reis de ouro e não de prata.

Baseou-se, também, em informações de outras Capitanias para estabelecer competente ordenado ao administrador do correio de Vila Bela e de Cuiabá, mandando-lhes passar os seus provimentos pela Secretaria do Governo, na forma que se praticava na Capitania com todos os oficiais de Justiça e Fazenda.

A partir do momento em que os Correios se estabeleceram, proibia-se

expressamente "a todas as pessoas de qualquer qualidade e condição que sejão, o trazerem, e levarem cartas para dentro e para fora da Capitania", com excepção das cartas de

recomendação e de urgente necessidade e as do Real Serviço. Permitia-se, 134

contudo e para facilitar a comunicação, que depois da partida dos correios, se pudesse enviar correspondência por alguns negociantes ou por outras pessoas de igual confiança que saíssem para os portos marítimos, indo as cartas em bolsas ou malas dirigidas aos correios respectivos. O administrador do correio de Vila Bela e o da Vila do Cuiabá dariam, com alguns dias de antecedência, publicidade de tais saídas, através de editais afixados nas portas dos correios. O condutor deveria assinar "dous conhecimentos", um para levar consigo, assinado também pelo administrador a fim de evitar embaraços com os comandantes dos Registos e outro que ficaria na "Caza do Laboratório do Correio".

Os Correios poderiam, igualmente, encarregar-se do transporte de encomendas, enquanto não estivesse estabelecida a recovagem pública, fixando- se, para o efeito, o porte deste serviço.

Em 8 de Março de 1799, o governador de Mato Grosso informava D. Rodrigo de Souza Coutinho1 sobre o cumprimento das Reais Ordens de Sua Magestade, expedidas pelo Erário Régio, sobre o "Estabelecimento dos Correios do Brazil" expondo- Ihe as providências que, nesse sentido e no caso de Mato Grosso, havia tomado,

afirmando ter recaído unicamente sobre ele "esta obrigação por senão ter estabelecido até aoprezente em Mato Grosso, Junta da Administração da Real Fazenda".

4.2.2.4 INCREMENTO DA COMUNICAÇÃO, COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO ENTRE MATO