BRASIL REPÚBLICA
2.3.3 O Estado Novo (1937-1945)
Em 1937 como pretexto de uma ameaça à democracia Getúlio Vargas forja o chamado “Plano Cohen”, que dizia que tanto os integralistas com os membros da AlN esta- vam preparando um golpe de Estado baseado em suas ideologias autoritárias. Na verdade, o objetivo do presidente era dar um golpe de estado, que foi concretizado em 1937 com a criação do chamado “Estado Novo”. Esse novo regime tinha carac- terísticas semelhantes aos estados fascistas europeus. O culto ao líder carismático, populista, com o fechamento do congresso nacional e dos partidos políticos e o combate aos liberais, socialistas, comunistas e de modo especial aos integralistas e aos membros da AlN. As bandeiras estaduais foram queimadas e os governado- res passaram a ser indicados pelo presidente da república e não mais eleitos pela população. O Estado Novo durou de 1937 a 1945. Nesse período histórico a figura de Vargas transformou-se no chamado “pai dos pobres”, sendo depois conhecida também como “a mãe dos ricos”. Getúlio Vargas apoiado por uma constituição baseada na “carta de Lavoro” de Benito Mussolini. O equilíbrio entre o capital e o trabalho que teve início no governo provisório teve o seu auge durante o Estado Novo. Nesse período histórico o presidente Vargas criou as chamadas “leis traba- lhistas” de amparo aos trabalhadores, mas sob o domínio do Estado, eliminando os
sindicatos. Carteira assinada, salário mínimo e férias foram algumas das políticas trabalhistas criadas por Vargas.
O presidente Getúlio Vargas com suas políticas de governo teve um forte apoio popular, através do amparo ao trabalhador, mas também estimulou a indústria nacional carro chefe de sua política econômica. O apoio das forças armadas e de políticos que se alinhavam ao seu pensamento político deram o apoio necessário para a longa duração do Estado Novo.
FigUrA 14 – Foto retratando a importância dos trabalhadores no Estado Novo sob a liderança do presidente Getúlio Vargas e suas leis trabalhistas.
FoNTE: Confianti. Disponível em: <https://confianti.com.br/2016/10/07/0016-precisamos-repensar- -clt/>. Acesso em: 26/09/2018.
No final dos anos de 1930 eclode na Europa a II Guerra Mundial, entre os aliados liberais capitalistas como a França, Inglaterra e no final os Estados Unidos, além do governo comunista da União Soviética. Do outro lado da Guerra estão as “forças do eixo”, formada pela Itália fascista, Alemanha nazista e o nacionalismo do império Japonês. O mundo se divide em apoio e participação na Guerra. Inicialmente o governo de Getúlio Vargas do Estado Novo tende a apoiar os países próximos ao seu regime político da época, isto é, os governos fascistas europeus.
Devido ao seu governo desenvolvimentista, onde as estatais brasileiras, através da indústria de base seria a matéria prima para a indústria nacional, Vargas resolve criar a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Para a criação dessa Siderúrgica, Vargas, vai procurar no capital externo os recursos para essa indústria. Inicialmente a Alemanha Nazista é a opção, mas a mesma se recusa.
Como um grande objetivo político de ter o Brasil, principal país da América Latina como aliado e evitando a proximidade ideológica com os países do eixo, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt resolve vir ao Brasil pessoalmente e ajudar a financiar o projeto da Siderúrgica Nacional proposto pelo Presidente Getúlio Vargas. Nesse sentido o Brasil torna-se aliado não apenas economicamente, mas também politicamente dos Estados Unidos. Nesse sentido o Brasil fica ao lado dos países aliados na II Guerra Mundial, pois além desse fato, submarinos brasileiros são abatidos pela Alemanha.
A opção do presidente Vargas de ficar ao lado dos aliados, influenciado pelo seu forte nacionalismo, começa uma perseguição às colônias alemãs e italianas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, pois acreditava que dessa forma evitaria uma possível revolta no sul do país de imigrantes que poderiam apoiar a Alemanha e a Itália que faziam parte dos países do Eixo, contrário aos aliados apoiados pelo governo brasileiro. A violência foi grande contra esses imigrantes que em muitos casos eram espancados e retirados da escola, pelo simples fato de falarem a língua de seus antepassados.
Durante a II Guerra Mundial o Brasil envia para a Itália a FEB (Força Expedicio- nária Brasileira) para lutar ao lado dos aliados. Com o final da Guerra e a vitória dos aliados os chamados “pracinhas” brasileiros oriundos da FEB, na sua vitória contra o nazi-fascismo e o restabelecimento da democracia como sistema político, encontram no Brasil um presidente sob a ditadura do Estado Novo. Getúlio Vargas diante de nova situação política é afastado pelos militares, retornando ao Rio Grande do Sul.
A influência da democracia liberal no Brasil torna-se significativa na medida em que com a vitória dos aliados na II guerra mundial e a liderança dos Estados Unidos na América, como um novo paradigma no país. É importante lembrar que durante a fase do Brasil Colônia nossa influência cultural e política vinham de Portugal, no final do Brasil Império e durante a primeira fase da república foi a Inglaterra e, a partir de 1945, passa a ser os Estados Unidos, inclusive pelo fato que essa adesão política e cultural é acrescida da ideologia vinculada à Guerra Fria, isto é, o Brasil defende o capitalismo e a democracia liberal e tem como adversário o comunismo soviético.