Erb; Harvey; Viskanta (1996) objetivaram estimar alguns aspectos dos riscos político, econômico e financeiro, utilizando-se de informações fornecidas pelas instituições de crédito, de nível internacional, e procuraram identificar as variáveis fundamentais e as de natureza qualitativa na composição do risco global dos países.
Os autores deram ênfase às variáveis qualitativas, muito embora, consideraram as variáveis quantitativas como o desvio padrão, o risco sistemático medido pelo beta, ao correlacionar as informações econômicas com os índices das bolsas de cada país e o índice mundial.
Erb; Harvey; Viskanta (1996) procuraram hierarquizar o risco global em político, financeiro e econômico, atribuindo pesos as variáveis qualitativas fundamentais consideradas importantes pelas instituições de crédito internacionais, tanto para os países desenvolvidos, quanto para os países emergentes.
Na pesquisa, as seguintes variáveis sócio-econômicas (que compõem o risco político) foram destacadas: expectativas econômicas versus realidade observada, falha no planejamento econômico, liderança política, corrupção no governo, os militares na política, organização religiosa na política, tradição da lei e do costume, guerra civil, qualidade da burocracia, terrorismo, partido político desenvolvido.
Quanto aos aspectos que compõem o risco financeiro, foram enumerados: honrar os compromissos financeiros, moratória, atraso nos pagamentos aos fornecedores de crédito, repúdio dos contratos pelo governo, perda do controle de câmbio, apropriação dos investimentos privados.
No que se refere aos fatores críticos que compõem o risco econômico, pôde-se enfatizar: inflação, comprometimento das exportações com endividamento, liquidez internacional, experiência em comércio exterior.
Os autores afirmaram que essa análise pode ser aplicada tanto para países emergentes quanto para os países desenvolvidos, porém, os fatores de risco têm sido melhorados quando esses critérios são aplicados nos países emergentes, em virtude da crescente globalização dos mercados.
2.25 O Estudo de Valle, René (1998)
A pesquisa efetuada por Valle (1998) estimou a co-integração entre as principais bolsas de valores da América Latina, especificamente Argentina, Brasil, Chile, México e Estados Unidos para um período que cobre 1976 a 1987.
O autor afirmou existir uma interdependência entre os mercados acionários e espera que os preços individuais das ações sejam inter-relacionados no longo prazo. Portanto, existem diversas razões para que diferentes países na América Latina registrem a presença de uma relação significativa de longo prazo entre esses mercados.
Valle (1998) relatou que o co-movimento dos índices de preços das ações foi devido a fatores econômicos refletidos nas condições financeiras que registram os países, afetando sistematicamente todos os mercados. Como por exemplo, o estágio de desenvolvimento que atravessa os países no que tange à regulamentação e liberação, o desenvolvimento tecnológico de comunicação e negócios, as inovações financeiras de produtos e serviços entre as multinacionais dos diferentes países da América Latina. Tais fatores influenciam em diferentes graus a relação de longo prazo entre os preços das ações desses países, acentuadas quando da ocorrência de crises financeiras.
A pesquisa de Valle (1998) investigou se os preços individuais das ações são inter- relacionados de longo prazo, à medida que se estuda a co-integração entre os preços mensais das maiores bolsas da América Latina com os Estados Unidos para o período de 1976 a 1998. Relata o autor que, no contexto da América Latina, não encontrou naquele período qualquer artigo que estudasse a ligação dos preços das ações em diferentes mercados naquela região.
O estudo de Valle citou três metodologias para estimar a co-integração entre os preços das ações no mercado de capitais no mundo que são:
i) a abordagem do teste conjunto de integração do mercado, validando o modelo de precificação de ativos CAPM;
ii) a segunda abordagem usa a volatilidade durante o período para investigar a interdependência entre os preços de mercados e seus impactos em vários mercados, captando o efeito transmissão de um mercado para outro, o modelo condicional auto- regressivo heterocedástico (ARCH);
iii) a terceira metodologia recomendada pelo autor é a utilização do método vetorial auto- regressivo (VAR) de Johansen de co-integração.
Ressalta-se o método (ARCH) aplicado por (HAMAO; MASULIS; NG, 1990 apud VALLE, 1998) para estimar empiricamente a integração dos três maiores mercados internacionais: Estados Unidos, Reino Unido e Japão.
Segundo relata Valle (1998), os pesquisadores Eun e Shim (1989) aplicaram o método vetorial auto-regressivo (VAR) para analisar como os mercados reagem às inovações específicas dos mercados de capitais decorrentes do impacto dos Estados Unidos, que afetam os mercados de capitais internacionais.(apud VALLE, 1998).
Valle (1998) optou por utilizar a metodologia de co-integração de Engle Granger e o método de Johansen para estimar o equilíbrio de longo prazo entre os mercados dos países da América Latina. A estimativa da co-integração, segundo Valle (1998), poderia ser obtida pelo modelo de ARCH, como também, pelo modelo do CAPM.
Algumas considerações adicionais sobre o trabalho do Valle são:
ii) os dados foram obtidos da Datastream International que consiste nos índices de preços nacionais das ações das quatro maiores bolsas de valores da América Latina, ou seja, Merval da Argentina, Bovespa do Brasil, General do Chile, IPC do México e o índice médio industrial Dow Jones dos Estados Unidos. O período analisado compreende 267 observações mensais correspondendo ao período de janeiro de 1976 a março de 1998; iii) a metodologia utilizada foi o teste de raiz unitário de Dickey e Fuller Ampliado (ADF),
integrado com o procedimento de análise de co–integração de Johansen (1988), objetivando estimar se existe o movimento relativo dos índices da bolsa de valores de cada país em longo prazo, assim como, uma relação multivariada entre os diferentes tipos de mercados;
iv) os resultados empíricos alcançados para o período pesquisado (1976/1998) utilizaram a variável Dummy para captar o efeito da crise de outubro de 1987 e seus reflexos no mercado de capitais da região.
Os resultados obtidos pelo autor constataram que não se pode rejeitar a hipótese de co- integração entre as bolsas para o período pesquisado, indicando a co-integração entre as principais bolsas de valores na região, no nível de 5% para o período de (1976-1998) e de 1% do período de outubro de 1987 quando da ocorrência da crise financeira mexicana.