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O estudo de Oliveira, Araújo-Jorge e Carvalho (2017)

ARCO DE MAGUEREZ NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

5 APLICABILIDADE DO ARCO DE MAGUEREZ NA EJA

5.3 O estudo de Oliveira, Araújo-Jorge e Carvalho (2017)

O trabalho denominado “Estratégias interativas para a educação e promoção da saúde no ensino de jovens e adultos: uma experiência sobre tuberculose”, dos autores Oliveira, Araújo- Jorge e Carvalho (2017) narrou o desenvolvimento de uma atividade voltada aos alunos de EJA no Rio de Janeiro. O tema desenvolvido nas aulas de Ciências foi a tuberculose, com o intuito de produzir conhecimentos sobre esta enfermidade junto aos educandos participantes

da pesquisa. Além da Teoria da Problematização, foram utilizadas premissas do autor Paulo Feire (2008).

A população analisada no referido estudo foi composta por duas turmas (denominadas como A e B, respectivamente) que integravam o Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA). As professoras das turmas aplicaram um questionário com 8 questões sobre tuberculose, com o intuito de aferir o nível de conhecimento dos alunos a respeito desta doença. Em adição a isto, grupos foram formados com vistas a promover a redação de textos sobre tuberculose, além de rodas de conversa e a solicitação da realização de trabalhos sobre o tema central do estudo (OLIVEIRA; ARAÚJO-JORGE; CARVALHO, 2017). A pesquisa foi desenvolvida em quatro aulas de ciências no PEJA, através dos seguintes passos:

- Primeira aula: explicação aos alunos dos objetivos da pesquisa; requisição da assinatura para cessão dos direitos de imagem e aplicação de questionário;

- Segunda aula: com os resultados dos questionários, foram formados os grupos para produção textual sobre tuberculose, mas sem consulta a livros ou demais fontes. As rodas de conversas foram realizadas para observar a realidade, conforme os passos da teoria da problematização (BERBEL, 2012; PEREIRA, 2003). O intuito disto foi conhecer o nível de conhecimento prévio, consoante os princípios de Freire (2008).

- Terceira aula: esta etapa foi praticada no laboratório de informática. Foi solicitado aos alunos que pesquisassem na internet questões sobre tuberculose. Isso contribui para que os estudantes identificassem os pontos-chave (BERBEL, 2012) do problema apresentado. Ao final da aula, foi proposta uma atividade que consistia a criação de um informativo focalizado na tuberculose. A turma B concordou com a realização da tarefa, entretanto, a turma A propôs a troca da atividade pela apresentação de uma encenação teatral, a qual foi aceita pela docente da classe (OLIVEIRA; ARAÚJO-JORGE; CARVALHO, 2017).

- Quarta aula: os alunos das duas turmas realização a leitura e discussão dos trabalhos, os quais se notabilizavam pela elaboração das hipóteses e a proposição das soluções ao problema apresentado (BERBEL, 2012; PEREIRA, 2003). A turma B produziu um folder informativo, o qual foi distribuído para as outras turmas do PEJA. Já a turma A entregou os seus textos produzidos para a peça teatral compilados num único texto. Assim, as duas turmas compartilharam com as demais tu

Os autores concluíram que a prática do Arco de Maguerez tornou o processo de aprendizagem mais dinâmico, o que fez com que os alunos das turmas A e B do PEJA compreendessem o problema da tuberculose para a saúde. Além disso, houve a apropriação dos conhecimentos correlatos a esta enfermidade, os quais embasaram as propostas de solução para o problema em destaque. Além disso, Oliveira, Araújo-Jorge e Carvalho (2006) salientam a necessidade de os docentes adotarem estratégias diferenciadas de ensino, as quais possam estimular a participação dos estudantes da EJA, os quais muitas vezes chegam as aulas cansados após um dia exaustivo de trabalho (PAIVA, 2006).

Tendo em vista que o cunho pedagógico previsto no esquema do Arco de Maguerez tem o intuito de modificar a realidade por meio da aplicação do conhecimento construído durante o processo vivenciado nas cinco etapas (BERBEL, 2011); (PEREIRA, 2003); (BERBEL; GAMBOA, 2011), percebe-se nos relatos acima, experiências exitosas de sua aplicabilidade na Educação de Jovens e Adultos. É notável dois aspectos da metodologia presentes nos relatos: o aluno como protagonista principal do processo de ensino e aprendizagem e o professor como mediador metodológico.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo demonstrou que a Teoria da Problematização com o Arco de Maguerez pode ser um caminho metodológico viável a ser aplicado na Educação de Jovens e Adultos. A prática correta dos cinco passos que compõem esta metodologia estimula os estudantes a desenvolverem uma visão crítica a respeito dos problemas que são apresentados em sala de aula. As especificidades dos alunos da EJA exigem que as instituições que ofertam esta modalidade de ensino desenvolvam estratégias que tornam o processo de ensino e aprendizagem mais interessante ao alunado.

O decurso deste estudo demonstrou três casos de sucesso com turmas da EJA, nos quais os estudantes precisaram compreender o significado de uma situação-problema, bem como as causas que levam a sua existência. Além disso, os alunos tiveram de se apropriar dos conhecimentos científicos atinentes ao problema analisado com vistas a obter uma melhor compreensão para em seguida propor soluções viáveis. As aplicações práticas das propostas de resposta as situações adversas existentes podem auxiliar os estudantes da EJA a transformarem de maneira efetiva e positiva os seus respectivos cenários de vivência.

Percebeu-se, nos três casos de aplicação do Arco de Maguerez, o fomento a participação ativa dos alunos nas atividades propostas. A Teoria da Problematização representa uma oportunidade para que docentes e discentes construam de maneira assertiva conhecimentos que se refletem em intervenções positivas na sociedade, através do imbricamento entre teoria e prática. Enfatiza-se que a prática do Arco de Maguerez estimula os alunos a exercer o raciocínio crítico sobre os problemas que lhe são apresentados. Este é um caminho viável para a formação de cidadãos cônscios das adversidades existentes em seus respectivos contextos. Os conhecimentos produzidos neste método fomentam a criação e instauração de soluções que ajudem a transformar positivamente um determinado recorte da realidade. Para estudos futuros, sugere-se um levantamento sobre a utilização de metodologias ativas na Região Norte do Brasil.

Agradecimentos

Primeiramente a Deus, que é o caminho, a verdade e a vida. As nossas famílias, pela compreensão de nossas ausências em decorrência dos estudos no mestrado. Ao Instituto Federal do Amazonas – IFAM Campus Manaus Centro, pela oportunidade de ampliar nossos conhecimentos sobre Educação Profissional e Tecnológica. A autora Neusi Berbel, pelas ricas contribuições no campo das metodologias ativas, mais precisamente na seara da Teoria da Problematização com o Arco de Maguerez.

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THE APPLICABILITY OF THE THEORY OF PROBLEMATIZATION